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(pt) A BATALHA Nº205: REFLEXÕES SOBRE O PODER - ENTREVISTA A IMANOL ZUBERO *

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Date Thu, 19 Aug 2004 20:08:46 +0200 (CEST)


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O último número de Rojo Y Negro (n.º 168, Julho-Agosto 2004), órgão da CGT
de Espanha, insere uma entrevista a Imanol Zubero, que nos suscitou vivo
interesse e por esse motivo, reproduzimos, traduzida (com as nossas
desculpas antecipadas por qualquer deficiência), neste número de A
Batalha, sob a epígrafe Ler / Reler, onde, em função das limitações de
espaço disponível, vamos publicando, sempre que possível, textos
seleccionados da literatura libertária presente e pretérita.
ENTREVISTA A IMANOL ZUBERO *

Rojo y Negro (R y N) – Neste momento, como está de saúde o poder?

Imanol Zubero (I. Z.) – É mais adequado falar de poder no plural, dos
poderes. O que caracteriza o poderno momento actual é a competição entre poderes: face à acumulação de
fontes de poder típicas doutras épocas, em que o poder militar, político,
económico e simbólico residiam na mesma sede, é hoje muito difícil que uma
só instituição domine todas essas fontes. Pelo contrário, as contradições
entre elas afloram mais comummente.
R y N – Sob que formas se posiciona e exerce? Que é que se mantém e que é
que variou?
I. Z. – Ainda que continuem a vigorar as características clássicas do
poder, emerge actualmente uma nova forma de poder baseada, não tanto na
capacidade de controlar (espaços e pessoas, basicamente) como na de se
emancipar de qualquer controlo, desresponsabilizando-se da gestão dos
espaços e das sociedades; um poder que reside menos na capacidade de
obrigar do que na de sentir-se obrigado. «Quem tem liberdade para escapar
da localidade, tem-na para fugir das consequências», escreveu Bauman.
Ambas formas de poder, a tradicional e a nova, mantêm relações ambíguas,
reforçando-se nalguns casos, confrontando-se noutros. Esta transformação
do poder exige uma transformação similar nas iniciativas que procuram
construir contra poderes sociais e políticos.
R y N – O aumento do poder significa uma retracção do peso do social?

I. Z. – As relações entre o poder e o social não são tão unívocas como
muitas vezes julgamos que são. Em última instância qualquer poder assenta
no consentimento social. O nosso consumismo está na base do poder das
empresas transnacionais, a nossa apatia democrática na base do poder dos
dirigentes populistas, o nosso acriticismo na do poder dos
fundamentalistas. Melhor seria dizer então que o incremento do poder
significa um retraimento da crítica social. É a nossa aceitação acrítica,
a nossa própria desresponsabilização, a nossa preocupação exclusiva com a
nossa própria existência que facilita e sustenta o incremento do poder.
R y N – Que perdemos e que ganhamos na nossa capacidade de estar presentes
e de ter peso nas decisões?
I. Z. – Ganhamos (onde ganhamos, quer dizer, nos escassos países
organizados como democracias representativas) a institucionalização dessa
capacidade de estar presentes. O que, sendo insuficiente, é absolutamente
necessário. Termos direito a associar-nos, a exprimirmo-nos, a
mobilizarmo-nos, a eleger os representantes políticos, a mudar estes
representantes, é o que ganhamos. Também ganhamos, ainda que isto seja
mais uma consequência de desenvolvimentos sociais e económicos que de
conquistas políticas, capacidade de veto. Já o disse antes: somos
imprescindíveis para que funcione a sociedade de consumo, o telelixo, o
crescimento insustentável, a indústria de segurança, etc. Ora bem, não
basta ter potencial de presença e de decisão. Ou convertemos este
potencial em poder consciente, explícito e organizado colectivamente, ou
não faremos grande coisa.
R y N – Tem variado a relação entre consciência e comportamento?

I. Z. – Não sei, creio que sempre foi uma relação muito complexa. É a
consciência que impele à acção ou ~ a acção que cria consciência? Pela
minha parte, estou cada vez mais convencido que a sequência que nos leva
ao compromisso com a transformação da realidade é, hoje como ontem, esta:
saber, querer, poder, fazer. Há que saber o que se passa, há que querer
mudar o que se passa, há que contar com osinstrumentos da acção, para poder mudar a realidade. A tomada de
consciência é condição necessária mas não suficiente de tal compromisso.
R y N – Qual o significado do anarquismo, que papel lhe cabe na sociedade
actual?
I. Z. – Para mim significa reserva crítica para a esquerda. Marx e Lenin
foram a institucionalização do pensamento radical, dotando-o duma enorme
força, porém também duma enorme rigidez. O anarquismo, como outras
correntes emancipatórias (socialismo utópico, por exemplo), foi o
contraste crítico desse pensamento radical ameaçado pela burocratização e
estatização. Dizia Camus que o destino do revolucionário é acabar
convertido em polícia ou em rebelde. A revolução acaba sempre por
consagrar uma nova ordem e por constituir poderes que a defendam da
mudança. Considero que a perspectiva anarquista, uma perspectiva rebelde,
é uma vacina contra esta tendência conservadora da revolução,
convidando-nos a ir sempre mais além.
* O ofício de Imanol Zubero é pensar, lançar perguntas e respostas em
questões insolúveis, temas vitais, realidades mudáveis; pensamentos que
socializa nas aulas que lecciona na UPV, em livros e artigos, e, nesta
ocasião, nas reflexões sobre o poder com que responde ao exame de fim de
curso que lhe propõe Rojo y Negro




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