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(pt) A BATALHA Nº 205: ESQUECER O FUTURO, CONSTRUIR O PRESENTE

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Date Thu, 19 Aug 2004 20:05:53 +0200 (CEST)


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O anarquismo que não me interessa é o que tem futuro...e passado;
quer dizer, aquele que serve também para obnubilar o presente.
Femando Savater
“Os amanhãs que cantam” não cantam nada,
porque se cantassem, como dizia o Caeiro, seriam cantores.
Diz o povo "que o futuro a Deus pertence" ou, o que é o mesmo, a ninguém
pertence. Mas pode igualmente dizer-se que o futuro pertence aqueles que o
vierem a viver como presente, isto é, aos vindouros.Porque o futuro, como tal, só existe em imaginação. Tal como passado só
existe como memória. Mas enquanto do passado se podem extrair
ensinamentos, que é que se pode extrair do futuro?Muitos libertários, sobretudo das primeiras décadas do movimento,
preocuparam-se com a elaboração de modelos duma futura sociedade ideal, e
gastaram tempo e energias (eles e os respectivos seguidores) a
querelarem-se sobre os méritos relativos dos respectivos modelos. Partindo
todos do princípio que as sociedades são mero produto da acção voluntária
e consciente de indivíduos e grupos.Na realidade a acção consciente de indivíduos ou grupos está fortemente
condicionada pelas estruturas económicas e sociais existentes (e não
apenas pelas de natureza económica) bem como pela acção inconsciente e a
passividade de muitos. E a própria acção consciente de indivíduos e
grupos, exprimindo interesses e concepções diferentes, é com frequência
contraditória. Pelo que o futuro é aleatórío e em regra frustrador das
esperanças que nele se depositam. A acção situa-se no presente com vista à
sua modificação no sentido desejado. Claro que ao lograr um êxito se
coloca imediatamente a possibilidade dele condicionar o futuro. Mas este
continuará aleatório porque factos novos podem invalidar tal êxito ou
alterar substancialmente os dados do problema.Veja-se, como exemplo, a Guerra Civil de Espanha. O movimento anarquista
era provavelmente o mais forte e dinâmico do país e o seu papel foi
determinante na contenção inicial do golpe militar. Mas o que foi
determinante para o desfecho do conflito foi a situação política
internacional. Os anarquistas não podiam prever a passividade da
Inglaterra e da França nem o vigor das intervenções ítalo-germânica e
russa. Sem apoio externo a CNT-FAI estava condenada à partida. A ideia de
que a guerra e a revolução se perderam por erros ou desvios de militantes
libertários é mera arma de arremesso na luta entre facções. A coerência
(recusa da participação governamental, da militarização das milícias,
apropriação das reservas de ouro, etc.) não teria podido alterar a
correlação de forças externas de que dependia o desfecho do conflito.Num mundo "globalizado" (que o é há muito) as veleidades autonómicas estão
drasticamente limitadas em termos económicos e políticos. E o
reconhecimento destas limitações é indipensável a qualquer definição
concreta dos objectivos e comportamentos que não vise o fracasso.Numa sociedade massificada é possível, embora difícil, lutar a nível
individual ou de grupo contra a manipulação informativa, contra a
uniformização do pensamento e a ausência de espírito crítico. Numa
sociedade consumista é possível optar pela restrição do supérfluo e pela
selectividade no que se adquire e quando se adquire. Numa sociedade de
desperdício é possivel adoptar comportamentos que reduzam o consumo de
água e energia, que diminuam a poluição e depredação do ambíente. Numa
sociedade que promove o egoísmo é ainda possível optar pela solidariedade.
Em suma, trata-se de enveredar por um combate multímodo, com limitado
ímpacto global, mas com enorme repercussão positiva na edificação da nossa
própria personalidade e na vivência do círculo das nossas vivências
familiares, profissionais, de amizade ou simples vizinhança.Cada um de nós pode impor-se a si mesmo a tarefa de mudar, mas não pode
(nem deve) impor aos outros a mudança. Pode apenas chamar a atenção para
outros caminhos possíveis e ajudar a mudar quem nisso estiver interessado.Bakunin escreveu algures que a paixão de destruir era também paixão de
construir. Creio que inverteu os termos da proposição. Porque, como alguém
já disse, só se destrói verdadeiramente aquilo que se substitui.E, finalmente, para além do reconhecimento das nossas limitações devemos
aos vindouros o respeito pela sua inteligência e vontade. É a eles, e não
a nós, que cabe definir o modo como pretendem viver o seu presente, isto
é, o nosso futuro. Respeitemos de antemão essa lucidez e essa vontade.A nós cabe-nos simplesmente construir o presente, e já não é pouco.
Luís Garcia e Silva








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