A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **

News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts

The last 100 posts, according to language
Castellano_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ The.Supplement
First few lines of all posts of last 24 hours || of past 30 days | of 2002 | of 2003 | of 2004

Syndication Of A-Infos - including RDF | How to Syndicate A-Infos
Subscribe to the a-infos newsgroups
{Info on A-Infos}

(pt) Por Errico Malatesta: Governo e Socialismo

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Sun, 15 Aug 2004 15:32:55 +0200 (CEST)


______________________________________________________
A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
________________________________________________

[de midiaindependente.org]
Não é verdade que mudadas as condições sociais, o governo mudaria de
função. Órgão e função são termos inseparáveis. Tirai a um órgão a sua
função, e, ou o órgão morre ou a função se reconstitui. Pondo um exército
em um pais onde não haja nem razões nem temores de guerra interna ou
externa, e ele provocará a guerra ou, se o não conseguir, dissolver-se-á.Uma polícia onde não haja crimes que descobrir, nem criminosos que
prender, ou provocará, inventará crimes e criminosos, ou deixará de
existir. Um governo, isto é, um grupo de pessoas encarregadas de fazer as
leis e habilitado a servir-se da força de todos para obrigar cada um a
respeitá-las, constitui já uma classe privilegiada e separada do povo. Ela
procurará instintivamente, como todo corpo constituído, alargar as suas
atribuições, subtrair-se à fiscalização do povo, impor as suas tendências
e fazer predominar os seus interesses.Colocado em posição privilegiada, o governo já se acha em antagonismo com
a massa de cuja força dispõe. Demais, um governo, embora o quisesse, não
poderia contentar a todos, se conseguisse contentar alguém. Deixaria de se
defender dos descontentes e de interessar uma parte do povo pela sua
existência, a fim de ser apoiado. E assim recomeçaria a velha história da
classe privilegiada que se constitui com a cumplicidade do governo, e que
monopolizaria certamente lugares de favor, criados de propósito, e não
seria menos exploradora e opressora que a classe capitalista.Os governantes, habituados ao comando, não quereriam voltar para o povo e,
se pudessem conservar nas suas mãos o poder, segurariam as posições
privilegiadas para quando tivessem de passá-las a outros. Usariam de todos
os meios que tem o poder para fazerem eleger como sucessores os seus
amigos, pelos quais seriam a seu turno apoiados e protegidos. E assim o
governo passaria e repassaria pelas mesmas mãos, e a democracia, que é o
pretenso governo de todos, acabaria como sempre em oligarquia, que é o
governo de poucos, o governo duma classe. E que oligarquia prepotente,
opressora, absorvente, seria a que tivesse a seu cargo, isto é, à sua
disposição, todo capital social, todos os serviços públicos, desde a
alimentação ao fabrico dos fósforos, das universidades aos teatros de
opereta!Mas suponhamos ainda que o governo não constituísse já de per si uma
classe privilegiada e pudesse viver sem criar em volta uma nova classe de
privilegiados e ficando o representante, o servo, se assim o querem, de
toda a sociedade. Para que serviria ele? Em que e de que modo aumentaria a
força, a inteligência, o espírito de solidariedade, o bem estar de todos e
da Humanidade futura?É sempre a velha história do homem amarrado, que tendo conseguido viver
apesar dos laços que o prendiam, imagina viver por causa deles.Estamos habituados a viver sob um regime de governo que açambarca todas as
forças, inteligências, vontades e que pode dirigi-las para os seus fins;
estorva, paralisa, suprime as que lhe são inúteis ou hostis - e pensamos
que tudo o que se faz na sociedade é por obra do governo e que sem governo
não haveria na sociedade nem força, nem inteligência, nem boa vontade.Que pode o governo acrescentar de seu às forças morais materiais que
existem numa sociedade? Será ele, por acaso, como o Deus da Bíblia, que
cria do nada?Assim como nada se cria no mundo que se costuma chamar material, assim
também nada se cria nesta forma mais complicada do mundo material que é o
mundo social. E, por isso, os governantes não podem dispor das forças
existentes na sociedade menos aquelas, importantíssimas, que á ação
governamental paralisa e destrói, menos as forças rebeldes, menos tudo o
que se gasta nos atritos enormes, fatalmente, num mecanismo tão
artificial.Se alguma coisa põe de seu, é como homens e não como governantes que o
podem fazer. E das forças, materiais e morais, que ficam à disposição do
governo, só uma parte pequeníssima recebe um destino realmente útil à
sociedade. O resto, ou é consumido na atividade repressiva para refrear as
forças rebeldes, ou de outro modo é desviado do fim de utilidade geral e
empregado em proveito de poucos e em prejuízo da maioria dos seres
humanos.


*******
****** Serviço de Notícias A-Infos *****
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
******
INFO: http://ainfos.ca/org http://ainfos.ca/org/faq.html
AJUDA: a-infos-org@ainfos.ca
ASSINATURA: envie correio para lists@ainfos.ca com a frase no corpo
da mensagem "subscribe (ou unsubscribe) nome da lista seu@enderço".

Indicação completa de listas em:http://www.ainfos.ca/options.html


A-Infos Information Center