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(pt) TIERRA Y LIBERTAD (Fevereiro 2004): Os anarquistas e a ética (ca)

From emiliacerqueira@hotmail.com
Date Sat, 14 Aug 2004 14:42:24 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
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[de pt.indymedia.org]
Contrariamente às diferentes correntes políticas que se baseiam e se
inspiram em abstracções santificadas ( a Nação, o Povo, a Humanidade, a
Classe Operária, etc) e que, por essa mesma razão, consideram as mulheres
e os homens concretos como seres desprezíveis, o movimento anarquista,
apesar de toda a sua diversidade, baseia-se nas individualidades humanas.
Como é evidente, não se trata aqui de mais uma nova abstracção, uma vez
que aqui cada indivíduo é considerado não só como um ser único mas também
como um ser social, ou melhor, como um ser cuja sobrevivência e
desenvolvimento dependem da sua própria existência, no seio da humanidade,
e de uma cooperação e apoio mútuo.
Para os anarquistas a sociabilidade, que constitui um factor essencial dos
sentimentos e princípios éticos, é uma característica essencial de todos
os seres humanos.Pelo facto de basear-se no indivíduo humano, considerado como um ser
dotado de uma dimensão ética e social, o movimento anarquista encara as
diversas associações humanas como simples instrumentos dos membros
daquelas associações.
Para o movimento anarquista, a sociedade deve ter como finalidade não o
progresso da humanidade ou a satisfação dos interesses da maioria, mas sim
a felicidade, a liberdade de cada um dos seus elementos. Por consequência,
a criação das condições sociais que tornam possível a afirmação plena da
cada personalidade humana e a satisfação das suas necessidades, constitui
o objectivo maior da luta anarquista. E como é evidente, a criação
daquelas condições é indissociável da elevação do nível moral dos seres
humanos, ou seja, da criação de uma ética superior.
Em suma, pelo facto de se basear-se na concreta pessoa humana ( na sua
personalidade e na sua dimensão ético-social), o movimento anarquista,
contrariamente aos diferentes partidos políticos, não pode deixar de ter
uma prática também baseada naqueles mesmos princípios éticos. É isso que
constitui a especificidade da prática anarquista, e que a torna
qualitativamente diferentes da acção política.
Com efeito, e ao contrário dos políticos, para os anarquistas os fins não
justificam os meios, e ao contrário dos marxistas, os anarquistas não
lutam por "uma emancipação da classe operária" em detrimento de milhões de
concretos proletários ( tal como fizeram os marxistas-leninistas na União
Soviética e noutras regiões, em que o objectivo real da acção era reforçar
a ditadura do partido político, apoiando uma nova forma de capitalismo, o
capitalismo burocrático de Estado).Porém o facto dos anarquistas se basearem no indivíduo humano não
significa de modo algum que contestem a luta de classes ou que se alheiem
desta. Muito pelo contrário. A luta anarquista é parte integrante da
guerra social que opõe directamente, sem intermediários, as camadas pobres
exploradas e discriminadas e as classes dirigentes e exploradoras. Além
disso, a liberdade individual por que lutam os anarquistas é indissociável
da igualdade social, isto é, da supressão do Estado e das classes sociais.
E é justamente a supressão das classes sociais que é a única forma de
libertar cada concreto proletário da opressão estatal e capitalista.O que os anarquistas não podem aceitar é que conceba cada indivíduo como
uma mera parte de um todo, como um simples membro da sua classe, em suma,
como uma abstracção e não como um indivíduo inteiro.
Ao invés do que afirmam os situacionistas para quem sacar dinheiro à
burguesia constitui uma condição e um aspecto essencial da sua «revolução»
quotidiana, o que os leva a defender um amoralismo, a ética anarquista é
completamente diferente das morais «religiosas». A moral anarquista não é
coerciva nem está dependente de qualquer tipo de prémios e recompensas,
sejam eles ilusórios ou não. Para os anarquistas, os comportamentos morais
( por exemplo, o facto de um indivíduo arriscar a sua própria vida para
salvar a de um outro) são manifestações ou consequências de sentimentos
dos próprios humanos. Para os anarquistas os comportamentos morais são
imanentes aos seres humanos, algo que é inseparável do seu carácter
social. E importa não esquecer que os anarquistas têm consciência que as
relações de dominação - relações imorais e antisociais - alienam não só os
explorados e governados mas ainda os exploradores e governantes. Na
realidade, os anarquistas nem são cristãos nem idiotas.
Texto aparecido en el número de Febrero 2004 de ´Tierra y libertad´.




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