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(pt) "A Venezuela é uma bomba relógio" - ParteII

From owner-anarqlat@webmail.rect.ucv.ve
Date Wed, 11 Aug 2004 10:05:50 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
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[de agência de notícias anarquistas- ana]
Johnny Castro, da Comissão de Relações Anarquistas da Venezuela e do
grupo @patia No, solta "cobras e lagartos" sobre Chávez e o chamado
"processo revolucionário" venezuelano na entrevista a seguir.

ANA > Eu li uma declaração de Chávez que ele dizia que era preciso
formar uma frente opositora "que derrotasse tendências anarquistas,
golpistas, terroristas, paramilitares, bushistas"... Esse homem é louco
mesmo, não? Johnny < Esta declaração foi real, há até mesmo um projeto
de lei que penaliza o anarquismo com prisão. O discurso de Chávez é bem
mais que um "duplo discurso", e muito ambíguo também. Enquanto numa
coletiva de imprensa, ou no seu maratônico programa "Alô Presidente" de
todos os domingos está dizendo, "...mais nenhuma gota de petróleo para
os EUA", por outro lado faz e assina super acordos com multinacionais
petrolíferas, com concessões de até 30 anos para estoque de gás e
petróleo. Ao passo que lança discursos contra o paramilitarismo, por
outro lado esconde e apóia grupos armados em favor da "revolução
bolivariana", fomentando o militarismo que é o problema real, e também
gerando uma espécie de "paramilitarismo de esquerda", como foi chamado
nas páginas do último número do "El Libertario" (N° 38, pág. 2). Os que
chamam de "golpistas", são alguns grupos de "direita" e de "oposição"
que estão sendo apoiados pela CIA, é verdade, nada disso é desconhecido,
mas as pessoas esquecem-se também que Chávez foi "golpista" há 12 anos
atrás, quando tentou tomar o poder no dia 4 de fevereiro de 1992. Também
chama Bush de "pendejo", e por outro lado diz que "...a relação com
Estados Unidos é histórica e profunda". Fala que os meios de comunicação
privados são manipulados e mentirosos, mas por seu lado esconde a
verdade com os meios de comunicação do Estado. As pessoas pod em sacar
conclusões precipitadas, acredito...

ANA > Nessa polarização de forças venezuelanas, entre chavistas e
oposicionistas, com grupos armados, milícias paramilitares e
parapoliciais... Você acredita que numa situação extrema, os anarquistas
e a dissidência em geral da Venezuela correm risco de vida? Johnny < A
meu ver a Venezuela é uma bomba relógio. A bipolarização está em todos
os setores da sociedade, e muitas pessoas estão preparadas e armadas
para defender sua parte no bolo. Os anarquistas, realmente nada pintam
neste enfrentamento, visto que nós não estamos com nenhum dos dois
grupos. O trabalho atualmente é meramente contrainformativo, revelando
coisas que não dizem nenhum dos dois bandos. Para os "chavistas", nós
somos da "oposição", e para a "oposição", nós somos "chavistas". Na
hipótese de algum choque sério c omo "guerra civil" ou "mudança de
poderes", muitas pessoas serão detidas, investigadas, sufocadas, e,
logicamente, aconteça o que aconteça, os anarquistas estão numa espécie
de "linha de fogo". Não é para ser paranóico, mas é melhor prestar
atenção a estas situações, já que a história fala-nos de mortes e
desaparecimentos de pessoas ligadas em planos políticos.

ANA > E que papel os anarquistas fora da Venezuela devem ter em relação
às coisas que vêm ocorrendo no seu país? Johnny < Isto é muito
importante, acredito que a idéia é estar atentos a situação na
Venezuela, e em nosso caso debater e fazer ações com respeito ao que
ocorre lá, já que por estes lados Chávez realmente tem bastante
popularidade entre os grupos de esquerda, porque como todo Estado,
manipula a informação como lhe dá na telha, sempre de acordo com seus
interesses e nunca dizendo a verdade. Talvez contando a coisa pela
metade, escondendo coisas. Por isso estamos constantemente em contato
com os nossos companheiros do nosso coletivo CRA para falar de qualquer
informação, visto que as informações tampouco chegam aqui. Tem que
buscá-las.

ANA > Você sabia que aqui no Brasil é comum encontrar bandeiras da
Venezuela em manifestações da esquerda institucional, inclusive com
círculos bolivarianos organizados? Johnny < Realmente não sabia que no
Brasil existiam esses tipos de grupos, mas realmente não me surpreende,
já que havia tido notícias que no Uruguai ou Argentina, por exemplo, já
existiam pessoas bolivarianas trabalhando. É louco contar-te isso, mas
meses atrás vi uma parte de um jogo de futebol da Venezuela contra
Uruguai (em Montevidéu acho, não recordo muito bem), e nos alambrados
haviam faixas de apoio a Chávez, assinadas por círculos bolivarianos
uruguaios. Sem ir muito longe, aqui na Europa eu pude notar que muitos
grupos de esquerda levantam também a bandeira do chavismo, e mesmo em
canais culturais importantes e independentes estão transmitindo
documentários da chamada "revolução bolivariana", e apesar do fato de
que muitas coisas que dizem são certas, estão escondendo a informação
completa, isto é, dizem a verdade parcialmente. Não é estranho dizer que
Chávez financia documentários de modo que os transmitem em outras partes
do mundo. Por isso são necessários os meios de comunicação de
contrainformação, para dizer realmente o que está acontecendo.

ANA > E tem mais uma sobre os brasileiros, dias atrás um escritor
conhecido no Brasil entregou para Chávez, naquele programa de TV
comandado por ele, o "Alô Presidente", um abaixo assinado de artistas,
políticos e intelectuais (a maioria de esquerda), intitulado "Se eu
fosse venezuelano, votaria em Hugo Chávez". E parece que foi entregue
outro abaixo-assinado, desta vez com nomes internacionais, como Noam
Chomsky, Mano Chao, Eduardo Galeano etc., dando apoio a Chávez. Isso
tudo é triste, mas não deixa de ser muito engraçado, não? Dentro da
Venezuela como os artistas e intelectuais se posicionam? Johnny < Muitos
grupos também se mostraram simpatizantes de Chávez na Venezuela, porque
Chávez e os "Círculos Bolivarianos" facilitam-nos recursos para fazer
concertos nas ruas e parq ues. Por outro lado, acredito que na Venezuela
o caso é diferente, porque a maioria dos artistas trabalham nas
televisões privadas, então, ou se parcializam pela "oposição" e
"coordenadoria democrática", ou não dizem nada realmente. Creio que é
como uma espécie de política dos canais de televisão. Assim mesmo não é
nada desconhecido que muitos trabalhadores de televisão foram removidos
de seus cargos por ser de uma opinião política ou outra, seja qual for.

ANA > Como você vê essa questão de que existe por volta de 8.000 médicos
venezuelanos desempregados, mas Chávez "convidou" 10 mil médicos cubanos
para trabalhar nas regiões mais pobres do país? Johnny < Está é a
história que nunca se acaba, já que muitos destes médicos desempregados,
supostamente assinaram contra Chávez no plebiscito e as pessoas do
chavismo alegam que não podem tê-los trabalhando com eles, porque são
pessoas que votaram contra eles, coisa que atenta macabramente contra a
liberdade de expressão e de opinião. Então o que acontece na Venezuela
atualmente é que só não há esta grande quantidade de médicos
desempregados, mas um grande número de pessoas que perderam postos de
trabalho por assinar contra Chávez. Também quando vais procurar um
emprego num escritório dest es do Estado, ou outro que tem
concessões/contratos com o Estado, a primeira coisa que te perguntam é:
"assinastes contra Chávez?" E, logicamente, se fizeste isso, você não
pode conseguir trabalho, não lhe dão o contrato etc. No caso dos
médicos, por ser algo super importante, Chávez encheu o vazio com
médicos cubanos, e de acordo com comentários de amigos que vivem em
zonas onde há muitos destes médicos, muitas vezes eles não têm nada o
que comer, nem onde dormir, e, portanto, as pessoas dali lhes oferecem
permanência, o cafezinho e algo assim. Nesse sentido as pessoas se
solidarizam um pouco com estes médicos, já que eles não têm culpa. Mas é
a mostra de que acontecem coisas muito anormais atualmente na Venezuela.
Hoje o populismo é realmente muito absorvente na sociedade venezuelana.
Outros exemplos que poderia citar se refere à construção das ferrovias
atualmente. Na Venezuela existem muitíssimas empresas com trabalhadores
que podem construir e licitar muito bem estas ferrovias, mas não! O
governo venezuelano contrata uma "supermultinacional européia" para
fazer dita ferrovia, e tem pessoas européias especializadas trabalhando
com salários de até 3 e 4 mil Euros ao mês, e os poucos empregados
venezuelanos que estão trabalhando ganham só 200 Euros ao mês... Há um
sem número de casos e se deve tomar cuidado com estas coisas.

ANA > Você poderia falar um pouco da relação Chávez e a multinacional
"ChevronTexaco"? Johnny < A Chevron está na Venezuela desde antes da sua
fusão com a Texaco, aproximadamente em meados dos anos 40. Depois da
fusão em 2001, li que a ChevronTexaco é a segunda companhia
internacional de petróleo dos EUA. Depois da nacionalização do petróleo
na Venezuela em 1976, as companhias haviam se retirado, mas retornaram e
operam em vários poços e campos desde meados dos anos 90, e isto não
mudou com a chegada de Chávez em 99, mas o que ele fez foi reafirmar a
participação desta multinacional na Venezuela. O que causou mais
comoção, acredito, foi à entrega que fez Chávez de uma parte da
"Plataforma Deltana", localizado ao oeste do país no delta do Orinoco.
Nessa área fica a maior reserva de gás da Venezuela. Isto permite
demonstrar que com Chávez foi reiterada a afirmação que a Venezuela
continua sendo um suplente confiável de energia para os EUA. Realmente
fica comprovado que o discurso "antiimperialista" de Chávez é também
ambíguo.

ANA > Você gostaria de esclarecer alguma coisa sobre a questão "Chávez"?
Johnny < Existem muitas coisas escondidas no chamado "processo
revolucionário" de Chávez, mas é difícil falar de tudo em tão pouco
espaço. Para mencionar alguns, pois muitas coisas soam estranhas, por
exemplo: funcionamento de rádios e projetos chamados a si mesmos de
"autogestionários" com recursos estatais; tomada de indústrias por parte
de trabalhadores e as situações não melhoram, e sim pioram depois de
tomadas; não só "ChevronTexaco" está na Venezuela, há que citar outras
multinacionais européias também, como a "Repsol"; as demissões
injustificadas em empresas do Estado contra pessoas com opiniões
políticas diferentes, ou porque assinaram em apoio à elaboração do
plebiscito revocatório; grande negli gência e corrupção nos escritórios
de entrega de documentos e passaportes, isto eu vivi na própria carne
para retirar a cédula e o passaporte no passado mês de maio; estranhas
execuções em bairros e zonas de Caracas ligados ao problema do ódio
entre os bandos políticos; supostas reivindicações dos direitos dos
indígenas, mas fizeram uma linha de transmissão elétrica no meio da zona
onde habitavam, deslocando-os e causando até mortes destes; promulgação
de inumeráveis leis que na pratica são vistas como impossíveis pela
grande corrupção, o problema que nunca se acaba. Há muitas coisas, só
me veio à mente estas pensando rapidamente... Acredito que as cifras
venezuelanas não nos mostram um panorama encorajador e de melhora, e que
só o significado de que tantas pessoas estarem tomando parte na
participação política, a oportunidade e rumo histórico do país podem ser
vistos perdidos se não se pensa objetivamente na situação.

ANA > Bem, companheiros, chegamos ao fim. Obrigado pela paciência e
generosidade. As palavras finais são suas... Johnny < Obrigado Moésio,
foi uma conversa longa e interessante. Envio uma saudação cordial à
todos e deixo a nossa direção de e-mail e também página na internet. Se
alguém tiver alguma dúvida, pode escrever, realmente somos 100% abertos
ao debate, comentários, críticas etc. Até breve!

E-mail: apatia_no@gmx.net
<http://br.f537.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=apatia_no@gmx.net>

Site: www.geocities.com/apatiano <http://www.geocities.com/apatiano>

Mais infos sobre os anarquistas venezuelanos frente ao chavismo:
www.nodo50.org/ellibertario/a_chavez.htm
<http://www.nodo50.org/ellibertario/a_chavez.htm>






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