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(pt) Federação Anarquista Gaúcha - Crônicas de Ação Direta Popular

From fag.poa@terra.com.br
Date Sun, 8 Aug 2004 14:59:39 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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A periferia de Guaíba resiste as tarifas do ônibus e a Restinga arma seu
piqueteO domingo não foi um daqueles dias comuns do fim de semana, próprio para
os passeios na beira do Guaíba. Neste 1° de agosto a Cohab-Santa Rita
formou sua coluna no bairro e marchou valente pelas ruas. Os rostos da
marcha retrataram dignidade, confiança nas próprias forças, em cada passo
firme, em cada palavra emocionada. A realização do ato público foi a
consagração de uma jornada histórica na cidade, durante toda a semana o
povo foi o sujeito de um levante que desestabilizou a rotina do poder.
Outros bairros populares também fizeram presença. Da Colina desde cedo um
grupo de companheiros já discutia com os vizinhos, distribuiam panfletos,
faziam convites para a mobilização. O grupo de operações especiais da
polícia foi ostensivo enquanto não encerrava a convocatória na comunidade.
Pelas 5 horas da tarde chegou ao centro de Guaíba a coluna da Cohab-Santa
Rita, a concentração do ato bloqueou a avenida a margem das águas e
recebeu adesão de distintos bairros, entre eles: São Jorge, São
Franscisco, Colina, etc..
As manifestações dos moradores foram diversas, o conflito da semana
passada que deixou 22 ônibus da frota destruídos deu significado especial
para o ambiente. A fúria popular foi arrasadora e fez o preço da passagem
baixar 30 centavos. No ato todos reafirmavam que a luta não pode parar e
ainda tem que vencer o tarifaço do monopólio da Expresso Rio Guaíba e a
elite dos assaltantes do povo que faz política a portas fechadas. A
imprensa burguesa se amontuou na volta para registrar cada detalhe.
A organização de base dos bairros foi um tema discutido e aclamado para
não diminuir as forças e seguir acumulando para derrubar o tarifaço e
encarar outras urgências sociais da cidade.
A oradora da comissão pró-Comitê de Resistência Popular na Colina deu o
tom: “a mudança vai ser criada pelo povo, onde tiver lutas legítimas do
povo seremos companheiros”. O movimento popular de Guaíba deve se prevenir
da burocracia e não abandonar as medidas de ação direta para vencer o
monopólio do transporte coletivo, conquistar tarifa operária e meios
alternativos. O protagonismo do povo nas ruas será, como tem provado o
conflito, o decisivo nesta luta.
No dia 02 de agosto foi a vez da Restinga pôr sua bronca na rua. Nas
semanas anteriores o bairro colecionava reclamações das unidades de saúde,
não havia médico para atender os vizinhos e os programas que divulga a
prefeitura de POA são incompletos e enganosos. A iniciativa de um grupo de
mulheres, que dependem com frequência desses serviços, sacudiu as
comunidades. Depois de um bloqueio parcial da avenida João Antônio da
Silveira a administração regional da cidade prometeu um médico para o
posto da Castelo.
Conversa vai, conversa vem e as companheiras do Comitê de Resistência
Popular se põe a convocar uma assembléia popular que aprova a pauta de
reivindicações e decide fazer um piquete indeterminado na mesma avenida. A
medida conta com a adesão maciça do Movimento dos Catadores.
De manhã bem cedo tem partida a ação direta popular, as sucatas, paus e
pneus já estão em local discreto. Depois de uma breve caminhada, cerca de
100 manifestantes ocupam a rua enfrente o posto de saúde e armam o seu
piquete. Foi preciso mais de 8 horas de resistência para receber uma
representação direta da secretaria municipal da saúde. O almoço a base de
sanduíche e banana não fez o povo dobrar a espinha. Os burocratas da
administração regional rejeitaram a validade da pauta durante todo o dia e
acusavam o ato de caráter eleitoral, argumento clássico de quem pensa que
os pobres sempre andam a cabresto.
“Nós somos movimentos de ação direta” disse um orador, “somos esquerda,
sempre fomos e sempre seremos, essa coerência tem os que não abandonam a
trincheira da luta popular para ter lugar no governo e fazer política como
a direita”.
Não pararam de chegar mais gente apoiando e somando força na
reivindicação. A rádio comunitária operava de manhã com boletins sobre a
evolução dos acontecimentos. A medida de luta recebeu apoio ainda de um
sindicalista da Associação dos Trabalhadores da Saúde.
Quarta-feira (04/08/04) a comissão escolhida pela assembléia popular foi
reunir-se com a secretária da Saúde numa repartição pública da Restinga. O
conselho local de saúde encarnou a função do pelego, como chamamos aqueles
que amaciam o traseiro do poder. A reunião inchada de CCs e pelegos
obrigou a ocupação da sala pelos manifestantes. As provocações choveram.
As companheiras/os não cederam um milímetro na hora de defender sua causa
e disparavam palavras duras que refletiam a dor e humilhação de suas
histórias toda vez que precisaram do sistema de saúde.
A jornada deste dia ainda teve fôlego para fazer uma intervenção no pronto
atendimento do bairro, para levar solidariedade a toda comunidade pobre e
aos trabalhadores da saúde, para fazer propaganda e agregar forças na
organização de base que vamos construindo. Não faltou simpatia. Perto do
encerramento a notícia recebida era de que um tumulto espontâneo acontecia
na unidade de saúde da Restinga Velha.
Meio dia a manifestação teve fim, pelas 4 horas da tarde a polícia federal
invadiu com ordens da Anatel a rádio comunitária e apreendeu todos seus
equipamentos. Justo a rádio que dá voz as reclamações do bairro, que
transmitia como nenhuma mídia burguesa faz os sentimentos e as razões de
quem faz ação direta para ter dignidade. A peleia dos pobres da periferia,
daqueles que não baixam a guarda para defender o que é seu, está longe de
chegar ao final.
Por Federação Anarquista Gaúcha - 05/08/04

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