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(pt) [Israel/Palestina] O Muro e Anarquistas Contra o Muro.

From Worker <a-infos-pt@ainfos.ca>
Date Wed, 4 Aug 2004 18:47:50 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
http://ainfos.ca/ http://ainfos.ca/index24.html
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[Conferência dada na Grã-Bretanha na visita à AF*]
Introdução por AF*: isto é o texto de uma conversa que ocorreu
em Manchester a 7 de Junho de 2004. Foi ligeiramente corrigida.
Tentámos usar a maior parte das imagens que Uri mostrou durante
a conversa. Como isto dá um documento muito extenso; dividimo-lo
em vários pedaços. Siga a sequência de fotos presentes no link
seguinte: http://www.af-north.org/wall.htm .
Algumas das secções mais tardias ainda estão em construção, apenas
possuem texto, mas não fotos.
...........

Meu nome é Uri Ayalon, sou israelita e estou a trabalhar como
jornalista e como facilitador na escola pela paz em Neve-Shalom
Wahat al-Salam. Como jornalista costumava ser repórter no jornal
“Haaretz” e agora escrevo artigos sobre política e sobre cultura
no site Internet “Walla”, e também sou crítico de teatro no
jornal financeiro “Globes”.

Sou activista desde os 13 anos. Após o assassínio de
Rachel Corrie em Março de 2003, decidi consagrar o meu tempo
e energia à luta contra a ocupação israelita. Nos últimos meses
tenho participado nos protestos populares contra “A Cerca de
Separação”.
Enquanto membro do grupo chamado "Anarquistas Contra o Muro"
tenho estado presente em muitas manifs nos territórios ocupados assim
como em acções directas, tais como o famoso corte da vedação no dia em
que os soldados dispararam contra nós intensamente, ferindo o meu amigo
Gil Na’amati.

Estou aqui não apenas em nome do meu grupo ou dos meus amigos
da esquerda radical de Israel. Estou aqui também em nome do meu
bom amigo Mohanad de Nablus e de Nazee de Mas’ha.
Nazee e Mohanad não apenas estão impedidos de ir ao estrangeiro
como de sair de sua aldeia ou cidade.

A minha conferência terá os seguintes tópicos:

A história da ocupação desde 1947

A história do muro do apartheid

Qual o seu aspecto e o que faz aos palestinianos

E depois mostrarei um curto filme (de 4 minutos) sobre a nova
forma de resistência contra o muro iniciada há alguns meses
pelas pessoas que viviam perto do muro. Falarei sobre a mudança
da táctica palestiniana e também darei conta das forças de
Israel que aderem e auxiliam nestas novas actividades.


Um resumo da ocupação:

· De acordo com a ONU a distribuição entre o povo Judeu que
vivia na Palestina e os palestinianos era a seguinte: Os judeus eram
apenas 600,000 - 37% da população mas detinham 55% da terra. Cerca de
metade dos palestinianos deveria estar sob controlo de Israel. Esta
decisão da ONU fez com que a Síria, a Jordânia, o Líbano e o Iraque se
unissem aos palestinianos na luta contra o novo estado de Israel.
· No final de 1948 – quando ocorreram horríveis massacres
e expulsões, 2,5 milhões de palestinianos tornaram-se
refugiados.

· Na nova Guerra de 1967, Israel ocupou os montes Golã,
o Sinai, a Margem Ocidental do Jordão e a Faixa de Gaza.
Antes de 1967 apenas 400 000 palestinianos residiam dentro de
Israel, com a ocupação de 1967, novos 1,1 milhões vieram
somar-se (um grande número deles já eram refugiados). Poucos dias após a
guerra um pequeno grupo de esquerda radical israelita “Matzpen”
(“astrolábio”) publicou esta declaração: “ a ocupação origina
um regime estrangeiro, que origina resistência, que origina
opressão, que origina terror e contra-terror. Manter a posse dos
territórios ocupados irá transformar-nos num povo de assassinos e de
vítimas de assassinos.”
· A Intifada (“levantamento”) dos palestinianos que começou
em 1987 trouxe o princípio do “processo de paz” em 1993.
O governo de Rabin assinou o acordo de Oslo com a OLP e
a maioria dos israelitas sentiu que se estava a pôr um termo
a ocupação e a começar novo relacionamento com os palestinianos
e com o mundo árabe. Mas a realidade nos territórios ocupados
era diferente (existência de áreas A, B e C separando os
palestinianos em “bantustões”).

· A decepção com o chamado “processo de paz” assim como a
provocação na mesquita de Al-Aqsa, um dos locais sagrados para
os muçulmanos em Jerusalém, por parte de Ariel Sharon
que era o líder da oposição no parlamento nessa altura, provocou
a IIª Intifada. Desde Outubro de 2000 os combatentes palestinianos
mataram mais de 1 000 israelitas. Israel reocupou os territórios e matou
mais de 3 000 palestinianos. Os bombistas suicidas são o problema mais
aterrador para a maior parte dos israelitas pois traz a guerra dos
territórios para dentro da Linha Verde (a fronteira entre Israel e os
Territórios da margem ocidental).
· De acordo com o governo de Israel a vedação é destinada
somente a evitar que os bombistas suicidas se infiltrem em Israel, e não
para fixar as fronteiras do país. Os colonos temiam que a vedação fosse
feita sobre a Linha Verde e os deixasse de fora. Esta é a razão porque os
direitistas se opõem ao muro e em particular a Ariel Sharon. Na prática,
o traçado do muro toma tanto quanto pode de terra da Margem Ocidental sem
considerar questões de segurança. A vedação é na verdade um sistema de
vedações que irá aprisionar centenas de milhares de palestinianos em
enclaves rodeados de arame farpado.
História do Muro:

· Desde 1994 a Faixa de Gaza foi rodeada por uma barreira
que corta os seus residentes do resto do Mundo
(e em particular, da Margem Ocidental); Gaza não tem autonomia
económica, Israel controla toda a gente e todas as coisas que
entram ou que saem da Faixa.

A Vedação da Faixa de Gaza

· Em Novembro de 2000, o Primeiro Ministro Ehud Barak (partido
Trabalhista) aprovou o primeiro projecto para construção de uma
“barreira”. A sua campanha eleitoral foi feita sob o slogan:
“Nós estamos para cá – eles estão para lá”. O líder da oposição,
Ariel Sharon, era um dos principais opositores à ideia da
vedação.
Ele não queria abandonar o sonho do “Grande Israel” . desde o
Jordão até ao mar.

· Em Junho de 2002, o novo governo de Israel, chefiado por
Ariel Sharon, decidiu construir uma barreira física para separar
Israel e a Margem Ocidental, em ordem a prevenir a entrada não
controlada de palestinianos dentro de Israel. Começou então
a construção do Muro com confisco de terras e de arranque
de árvores em Jenin.

· Apenas em Setembro de 2002, foi tornado acessível ao público
o primeiro mapa oficial do Muro – consistindo apenas na sua
parte mais a Norte.

· Em Março de 2003 Sharon declarou a expansão do Muro
com a construção de um muro no interior e ao longo
da totalidade do vale do Jordão, colocando os colonatos desta
área sob controlo israelita total.

· Em Julho de 2003, o Ministro da defesa de Israel anunciou o
completar da “primeira fase” do Muro de 145 km, que quando
pronto, deverá ter 728 km . O governo de Israel atribuiu 171
milhões de dólares suplementares para a construção do Muro.
O Muro custa cerca de 3 biliões de dólares, aproximadamente 4
milhões por quilómetro. Há cerca de 500 escavadoras operando todos os
dias, construindo um dos maiores projectos na história do país.

· Actualmente já está concluído nos distritos de Qalqiliya,
Tulkarem e Jenin (de Salem até Masha) e em construção
em Ramallah, Jerusalém e Belém. Em 2005, o projecto deveria
estar concluído.

· Além da horrível realidade humanitária e económica que
o muro impõe sobre o povo palestiniano, é o maior desastre
ambiental da história de Israel.

http://www.af-north.org/wall2.htm


Qual é o seu aspecto?

Na realidade, é um sistema de vedações electrificadas,
de arame farpado, trincheiras, estradas de patrulha, caminhos,
câmaras e sensores. A vedação propriamente dita tem 3 metros
de altura.

O Muro de betão, agora presente em Qalqiliya, em partes de
Tulkarem e em Jerusalém Leste (sempre próximo de casas) tem
8 metros de altura – duas vezes a altura do de Berlim – com
torres de vigia armadas e uma “zona tampão” de 30 a 100 metros.
A “zona tampão” do Muro é pretexto para demolições de casas e
expulsões dos residentes que estejam próximo visto que em muitos sítios o
Muro está situado apenas a poucos metros de casas, de lojas e
de escolas.

Os militares de Israel criaram portões no Muro; porém,
Estes não dão nenhuma garantia de os agricultores terem acesso
Às suas terras mas, pelo contrário, cria um sistema de passes
e de pontos de controlo em que os palestinianos são humilhados.

Além disto, há mais de 600 pontos de controlo instalados pelo
Exército de Israel nos últimos 3 anos. Destes, 56 são
permanentes e os outros são variáveis e a maior parte do tempo bloqueiam
sem quaisquer soldados mas apenas com pedras. Isto origina
um sistema de estradas reservadas a judeus na Margem Ocidental.
Esta é uma das facetas piores da ocupação pois impede a
população de se movimentar livremente e obrigando-a a esperar durante
horas e a ser revistada por jovens soldados.

É importante recordar que o exército de Israel controla ambos os
lados do Muro (!).

O Traçado do Muro

O Muro não está a ser construído sobre ou - na maior parte dos
casos - sequer perto da Linha Verde de 1967, mas em vez disso, penetra
bem dentro do Território da Margem Ocidental, a cerca de 6-7
km de Linha Verde.

Isola as comunidades em cantões, encerradas por uma
“Barreira de Isolamento” de tal maneira que elas estão
cercadas por todos os lados.

As terras entre o Muro e a Linha Verde foram declaradas por
Israel como “zona especial”, pelo que todos os residentes e
proprietários têm de obter uma autorização para poderem
permanecer nas suas terras. São 11 700 pessoas de 13 aldeias que serão
presas entre o muro e a Linha Verde. Isto não inclui os mais de 200 000

habitantes de Jerusalém Leste, que ficarão completamente
isolados da Margem Ocidental.

98 % da população de colonos ficará do lado de cá da vedação.
Por exigência dos colonos israelitas, está previsto que o muro
se desloque ainda mais para Leste, para incluir os colonatos de Ariel,
Emanuel e de Kedumim. Isto irá aumentar dramaticamente o número de
palestinianos que irão ser afectados pelo Muro..

O controlo dos recursos hídricos é uma motivação importante
para o governo de Israel, ao roubar as terras na área na margem
nordeste.
Esta terra encontra-se sobre um aquífero de montanha (um vasto
reservatório natural subterrâneo ) sendo um dos abastecimentos em água
mais importantes para a zona centro de Israel (fornece 600 milhões de
‘kub’ de água por ano).

Pensa-se que o muro vai trazer um impacto devastador nas vidas
de cerca de 210 000 palestinianos, vivendo em 67 vilas ou
aldeias.

Se as vedações de Leste forem construídas, a população
palestiniana da Margem Ocidental e da Faixa de Gaza irá viver em apenas
12% do território histórico da Palestina.

Criação de Guetos

O Muro cerca regiões com a mais elevada densidade de população
palestiniana em guetos. O isolamento em relação a serviços
básicos nessas áreas juntamente com a perda de terras, mercados e
recursos, equivale à impossibilidade das comunidades se manterem a si
próprias de modo adequado e com dignidade.

A agricultura é o rendimento primário das comunidades
palestinianas situadas ao longo do traçado da barreira, uma área que
constitui uma das mais férteis da Margem Ocidental. O prejuízo causado
aoSector agrícola irá ter e já tem agora efeitos económicos drásticos
sobre os habitantes e arrasta muitas famílias para a pobreza.

A barreira irá também reduzir significativamente o acesso da
população a hospitais em cidades vizinhas. O sistema de educação também
sera afectado porque muitos professores vêm de for a das comunidades nas
quais ensinam.

De acordo com o relatório de estado de Israel de 2002, a maior
parte dos palestinianos que atacaram Israel, entraram no país através dos
pontos de controlo situados ao longo da Linha Verde e não
através de áreas abertas entre os pontos de controlo. Isto é a
razão porque o actual traçado tem pouco que ver com a segurança de civis
israelitas.

No passado, Israel empregava a expressão "necessidades militares

imperativas” para justificar a expropriação de terras e
estabelecer colonatos e argumentava que a acção era temporária. Os
colonatos têm sido, durante bastante tempo, situações de facto. É
razoável
assumir que, tal como os colonatos, o muro de separação se irá
tornar um facto permanente para apoiar a reivindicação futura por
Israel para tomar território suplementar.

Qualqiliya é uma das cidades que se tornou uma enorme prisão.
O muro que cerca Qalqiliya completamente, apenas deixa uma
Abertura, guardada por dois pontos de controlo. A cidade foi
no passado um centro de comércio, está a morrer actualmente,
com mais e mais pessoas a abandoná-la para as áreas de aldeias
pare tentarem viver da agricultura.

Jerusalém – O Muro em Jerusalém e o círculo de colonatos em
sua volta, causam o completar do isolamento de Jerusalém em
relação à Margem Ocidental. Além disso, o Muro atravessa
aldeias e bairros, separando famílias, cortando laços sociais
e económicos e guetizando áreas.

Ele não está a separar os israelitas dos palestinianos mas antes
a separar os palestinianos uns dos outros e dos seus recursos
de subsistência, das suas escolas, hospitais e serviços
municipais.

A nova forma de resistência contra o muro:

Quase todas as manhãs os moradores de aldeias localizadas sobre
o traçado previsto do muro de separação acordam com o ruído das
escavadoras. De manhã cedo as máquinas pesadas introduzem-se
na área protegidas por guardas de segurança e exército.

A construção da barreira trouxe novas restrições de movimento
para os palestinianos vivendo perto do seu traçado, além das
muitas restrições que já estavam impostas desde o começo desta
Intifada.
Podemos designar esta insurreição, que envolve a população civil
de todas as idades, a "Intifada do muro," como forma diferente
da mais habitual de ataques e de combatentes armados.

Quase todos os dias os habitantes saem da sua aldeia e vão para
os seus terrenos: homens e mulheres, jovens e velhos. Posicionam-se a uma
certa distância à frente dos soldados, agitam bandeiras e
tentam alcançar as escavadoras ou sentam-se no chão por forma a
bloqueá-las.

A violência costuma surgir depois da manifestação se dispersar
É costume os soldados dispararem balas de borracha com cobertura
de metal, granadas de choque e gás lacrimogéneo à multidão.
Por vezes, os soldados chagam a entra dentro da aldeia e a
perseguir as pessoas até dentro de suas casas.

Pelo seu lado, os jovens costumam responder com lançamento de
Pedras à distância de 100 metros e é óbvio que isto é simbólico
E não pode realmente ferir ninguém. Ás vezes o frente a frente
dura *três horas sem que nenhuma pedra seja lançada e de repente
os soldados “perdem a calma” e começam a lançar granadas
de gás lacrimogéneo e então começa o inferno.

A Autoridade Palestiniana tem desempenhado um papel muito
pequeno nos acontecimentos dos meses mais recentes. A
insurreição em curso começou desde baixo, pelas pessoas que viam
serem-lhes tomadas as suas terras.
Nalgumas situações, os manifestantes palestinianos são
reforçados por israelitas, variando em número desde uns
poucos indivíduos a várias dúzias, sobretudo do grupo
“Anarquistas Contra o Muro” e por activistas internacionais
pela paz que também documentam os acontecimentos em vídeo.
Embora a forma de organização seja anárquica no sentido de
não haver centralização de poder e com democracia directa
participativa, nem todos os participantes
se consideram a si próprios como anarquistas.

Desde finais de 2003 o grupo tem estado sobretudo activo a
apoiar manifestações de palestinianos contra o muro. O objectivo
principal é o de reduzir a ameaça de violências contra os palestinianos e
de aumentar a atenção dos média.

Pensamos que a luta não-violenta faz uma pressão maior
Sobre os israelitas. Quando o exército tem de lidar com
civis, tem de trazer um número bem maior de soldados.
Não podem alvejá-los à vontade ou, pelo menos, esperamos
que não.

Apesar dos maiores esforços dos organizadores, quase cada
Semana de manifestações acaba com alguns feridos.
Foram feridas 262 pessoas e 5 mortas na aldeia de Biddu
(próximo de Jerusalém). Um dos assassinados era um rapaz

* Budrus, uma pequena aldeia próxima da Linha Verde, tem
vindo a ser aquilo que poderá chamar o modelo da “Terceira
Intifada”: A resistência popular à construção do muro por
aldeias inteiras.

Em Janeiro dois irmãos de Budrus foram presos com intervalos de
dias pelo serviço de segurança Shin Bet, sob acusação de
"os dados do serviço de informações atribuírem
actividade de apoio ao terror." Porém, o próprio sistema de
justiça militar rejeitou isso, decidindo que tanto a acusação militar
como o Shin Bet tinham enganado o tribunal ao alegarem que eles
tinham estado envolvidos em actividades terroristas, acrescentando que os
protestos contra a vedação não podem constituir motivo de
prisão.

A 29 de Março, em Bitunia (perto de Ramallah) os soldados e os
manifestantes enfrentaram-se numa via poeirenta à entrada da
aldeia. O jeep militar tentou avançar e um grupo de
manifestantes, entre os quais se encontrava Jonathan Pollak, tentou
bloquear o seu avanço. O condutor acelerou e avançou. Dois
manifestantesconseguiram saltar para o lado, mas Pollak, que estava no
centro, ficou sobre a parte da frente do jeep, tendo este continuado e
mesmo acelerado.Prosseguiu umas dúzias de metros, fez uma viragem em U e
depois voltou ao seu ponto de partida, tendo então Pollak sido capaz de
saltar para fora da frente do jeep.

A 12 de Março, Itai Levinsky foi ferido em Hirbata. O exército
disparou uma quantidade de balas de borracha. Itai em frente
a falar aos soldados por um megafone. Em todas as manifs falamos
aos soldados por megafone e dizemos-lhes que isto é uma manif
pacífica de israelitas, palestinianos e internacionais. Enquanto
Itay estava a falar pelo megafone recebeu uma bala entre o
nariz e o olho esquerdo.

O dia em que um israelita será morto está a aproximar-se
Claro, não é pior ser morto um israelita do que um palestiniano
mas põe em evidência a escalada no uso da força. Primeiro
pensávamos que as câmaras dos repórteres os iriam inibir, mas
agora não há nada que os iniba. O que estão fazendo agora
é alvejar os activistas da paz que apoiam os palestinianos.

A participação das mulheres nesta luta é única. As mulheres
palestinianas não têm normalmente oportunidade de se envolver
em actividades políticas. A decisão de deixar as mulheres
participar nas manifestações e falar aos soldados e de bloquear as
escavadoras não apenas são uma causa de maior visibilidade nos media como
sobretudo dão maior poder ás mulheres sobre si próprias.
Eu penso que isto é o sinal da libertação da mulher de uma
tradição muito antiga de sociedade patriarcal. Algumas das manifestações
são de apenas mulheres, organizadas por mulheres das aldeias
e combinando activistas feministas palestinianas e israelitas.

A Posições Israelitas

· Os Colonos

· O partido Likud

· O Partido Trabalhaista e o Partido Meretz

· Esquerdas Radicais Anti-Sionistas

Resistência israelita contra a ocupação desde Outubro 2000:

Ta’ayush: Um grupo israelo-palestiniano criado após o início da
2ª Intifada (Outubro 2000).
Este mês foi um dos poucos casos em que palestinianos que vivem
em Israel resistem activamente e levantam a sua voz
em solidariedade com os seus irmãos da margem Ocidental e da
Faixa de Gaza. “Ta’ayush” (“companheirismo” em Árabe) fazem
muitas acções nos territórios: trazem comida às cidades mais
próximas e ajudam agricultores a cultivarem as suas terras.

* Gush-shalom: Um grupo israelita que foi criado
por Uri e por Rachel Avnery após a decisão do governo de
Rabin, em 1992, de expulsar 415 do Hamas para o Líbano.
Isto foi um momento importante para a extrema
esquerda de Israel que começ9u a compreender que
esse governo de “esquerda” não era aquilo que eles
pensavam ou esperavam que fosse.

Outros grupos: Coalição de Mulheres [um filme curto sobre elas
está disponível], “Machsom Watch”, o comité israelita contra a
demolição de casas, os Rabis pela Paz, os vários grupos de resistentes à
incorporação no exército (desde os jovens que recusam entrar no exército
aos reservistas que não aceitam tomar serviço nos Territórios ocupados,
os pilotos e outros. Mais de 600 resistentes à incorporação, ao todo)

Lavandaria Preta: Um grupo de homossexuais masculinos e
femininos que lutam em conjunto pelos direitos dos homossexuais
pela justiça social e contra a ocupação. Foi criado para o
desfile gay de Tel-Aviv em 2001 e meses depois do início da 2ª Intifada.

Havia pessoas a serem assassinadas nos territórios e sentimos
que não podíamos celebrar como de costume. Ao princípio não
foi claro para activistas da esquerda porque é que deveríamos
nos apresentar como gays nas manifs contra o muro, mas só após
várias acções e muitos debates. Posso dizer que a nossa visibilidade é
aceite e bem-vinda. Isto não se aplica realmente em relação
aos nossos parceiros palestinianos, por isso nos territórios somos
habitualmente discretos. O acampamento de Mas’ha foi único nesse aspecto.

O activismo independente trabalhando com o ISM: muitos
israelitas Trabalharam com o ISM, mas houve uma sensação de que
era importante dar a conhecer que os israelitas estavam a
resistir com os mesmos métodos do ISM - importante, tanto para o público
de Israel como para o palestiniano e também internacional.
Os israelitas também vêm de uma perspectiva e culturas
diferentes dos internacionais e é importante criar um grupo de
resistência autónomo que faça essa resistência conjuntamente com os
palestinianos e os internacionais, mas enquanto grupo separado.

Após umas poucas acções contra o muro em Israel e na Palestina
um pequeno grupo começou a juntar-se e a construir uma
reputação fiável de activistas de Israel realizando acções
directas é desejosos de lutar juntamente com os palestinianos contra o
muro.

Em Março de 2003 a aldeia de Mas’ha convidou o grupo a construir
um acampamento de protesto na terra da aldeia que estava a ser
roubada para o muro (98% das terras de Mas’ha foram tiradas). O
acampamento de protesto foi criado e tornou-se centro da luta e da
informação contra a construção prevista na área e em toda a margem
Ocidental. Mais de 4 meses durou este campo e mais de mil internacionais
e israelitas vieram para se inteirarem da situação e para se juntarem à
luta.
Em Agosto de 2003, apercebemo-nos que os construtores do muro
tinham a intenção de começar a trabalhar dentro da quinta de
Hani Ammer no limite da aldeia de Mas'há, em ordem a construírem
o muro dentro da referida quinta. Muitas estruturas tinham de
ser destruídas, inviabilizando as fontes de rendimento de Ammer
e o plano final era de cercar a quinta com vedações (nos quatro
lados), apenas “autorizando” a sua família e visitantes a entrar
e sair do quintal em períodos específicos durante o dia (como se fosse um
campo de prisioneiros). Na madrugada de 5 de Agosto, todas as
estruturas à excepção da própria casa foram destruídas, um total
de 60 activistas palestinianos, israelitas e internacionais dormiam nas
tendas essa noite e foram detidos e levados presos. No dia seguinte 28
israelitas regressaram e conseguiu-se bloquear as escavadoras,
impedindo-as de destruir a quinta de Hani por algumas horas. Depois, o
exército veio e prendeu-nos a todos.

Durante o acampamento o grupo de acção directa que se designou
como “Anarquistas Contra a Vedação” ou “Judeus Contra os Guetos” ou
simplesmente “Anarquistas Contra os Muros”, foi criado.
Começamos a encher o muro de graffiti, assim como afixando nele
um poster gigante. O grupo também levou a cabo muitas acções
conjuntas no interior dos Territórios. Por exemplo: em Salem
(Julho), em Anin (Agosto) e em Zbube (9 de Novembro) onde conseguimos
destruir a vedação. Estas acções deram prestígio junto da
população palestiniana mas não tiveram quase nenhuma atenção da imprensa
de Israel e restante media.

A 26 de Dezembro de 2003 pode-se considerar o ponto de viragem.
Nesse dia um israelita manifestando-se diante da vedação, Gil
Na'amati, foi alvejado e ferido pelos soldados de Israel na
aldeia de Mas’ha. Esta acção teve grande impacto na luta contra o muro.
Tínhamos vindo diante do portal do muro do apartheid,
construído perto de Ma’sha para acesso ao colonato de Elkana.
Contra todas as promessas do exército, de semanas anteriores,
o portal permaneceu fechado e impediu o povo de Ma’sha ir
para os seus campos onde tinham as suas fontes de rendimento.
Os soldados começaram por atirar para o ar e para o
chão à nossa volta. Apesar dos nossos apelos em hebreu e sinais,
após 5 minutos e sem qualquer aviso, os soldados começaram a
disparar balas reais contra nós, tendo uma atingido as pernas de
Gil.

Agora, após seis meses ele continua sem poder andar normalmente.
O exército decidiu que os soldados que estavam a alvejar-nos
Actuaram de acordo com os regulamentos e disseram que
qualquer pessoa que tente atravessar a vedação é uma ameaça à
vida dos que estejam na proximidade.

Após esta acção escrevemos: “Em Mas'ha vivemos na carne
a realidade da vida dos nossos irmãos palestininanos. Ao
alvejar-nos a nós, activistas israelitas, o exército de Israel
avançou mais um passo sem precedentes, e ultrapassou outra linha
vermelha. Porém temos de recordar da perseguição quotidiana do
exército de ocupação dos territórios, onde os assassínios, os
bloqueios, os cercos a invasão e a anexação são constantes. O
facto de dispararem contra nós não irá
impedir-nos de continuar a resistência activa ao muro do
apartheid e à monstruosa e cruel ocupação.

Em consequência do facto de que um soldado israelita alvejou
outro israelita (que tinha ele próprio acabado de cumprir a tropa
algumas semanas antes da acção), e sendo quase o único movimento de
Israel que fala do facto de que o povo judeu está a criar guetos
para outro povo – houve grande curiosidade pelo nosso grupo.
A média de Israel começou não apenas a falar das posições
anarquistas mas também dos problemas do muro que tinha até aqui uma
conotação positiva.

No dia seguinte uma grande manif espontânea realizou-se em
frente do edifício do ministério da segurança em Tel-Aviv. De repente,
300 pessoas começaram a bloquear a estrada impedindo os automóveis de
circular. 8 pessoas foram presas. Para a maior parte, foi a
primeira acção de desobediência.

Uma semana depois, uma acção conjunta com o grupo Ta’ayush
foi perturbada pela polícia. Eles pararam 6 autocarros de
activistas e impediram-nos de entrar nos territórios, para Dir Balut, a
aldeia que estava enclausurada pela vedação. 28 foram presas enquanto
bloqueavam a principal estrada dos colonos na Margem Ocidental.

O protesto não parou: Há poucas semanas, após a invasão de Rafa,

Tivemos uma grande acção directa conseguindo furar o ponto de
controlo na Faixa de Gaza e penetrar lá dentro, como forma de
acto de solidariedade com o povo de Rafa.

As nossas actividades necessitam de dinheiro. Como podem
imaginar, não somos ricos e não existem muitos israelitas que queiram
fazer doações para as nossas actividades. Trouxe cassetes vídeo de filmes
muito bons sobre a ocupação, sopa orgânica da aldeia de, CDs com esta
apresentação e um filme de 40 minutos sobre a nova resistência contra o
muro, botões anti-muro, autocolantes anarquistas e anti-ocupação e
também mapas do Muro.
Por favor, comprem-nos estas coisas e ajudem-nos a
fazer circular a informação. Podem doar mais do que o seu preço
que pedimos e com esse dinheiro
compraremos um telefone portátil e pagaremos as nossas
deslocações e actividades nos territórios.

==================================
* AF é a Federação Anarquista da Grã-Bretanha e Irlanda.




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