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(pt) O Sindicalismo Alternativo Europeu Está Bem Vivo ! Reportagem da conferência do 24/04/04, n’A BATALHA, Lisboa.

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Tue, 27 Apr 2004 19:33:02 +0200 (CEST)


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A sessão, realizada no Centro de Estudos Libertários (redacção de “A
Batalha”) contou com mais de 20 pessoas na assistência, de variados
sectores de actividade e de variadas idades.Os diferentes oradores (Davide Rossi, Angel Bosqued, António Marruecos e
Paulo Ambrósio) fizeram pequenas exposições sobre a temática do
sindicalismo de base e alternativo, havendo no fim de cada intervenção um
período de debate.O tema da apresentação da FESAL-E (Federação Europeia de Sindicalismo
Alternativo- Educação; 1), ficou a cargo de Davide Rossi (coordenador
europeu da FESAL e membro do sindicato de base italiano
UNICOBAS-ALTRASCUOLA; 2).Davide explicou que os trabalhadores precisavam de uma alternativa real e
europeia ao “sindicalismo de concertação” praticado pela CES (Confederação
Europeia de Sindicatos) e poderem exprimir-se também ao nível europeu
outras correntes, não apenas as que integravam a CES. Uma sociedade
europeia democrática é inconcebível que se satisfaça com a existência de
uma central única europeia, sendo tal situação característica de regimes
totalitários.Os sindicatos e tendências sindicais que têm participado nos encontros de
sindicalismo alternativo europeu (o próximo terá lugar em Outubro em
Milão) agruparam-se em torno de documentos guia, de análises e de
propostas de trabalho concretas para os diversos sectores e ramos de
actividade (3).No sector da educação, devido à importância do mesmo em termos de
influência em toda a sociedade, o processo federativo está mais
aprofundado, tendo como base as Declarações de Granada de 1998 e de 2002
(1).Em Outubro passado, em Barcelona, decidiu-se sobre a regularidade anual
de Encontros Europeus de Sindicalismo Alternativo e em Dezembro de 2003,
em Berlim, decidiu-se avançar com o processo de constituição da FESAL-E,
aquando do Fórum Social da Educação (o qual é totalmente independente do
Fórum Social Europeu, o que permitiu um envolvimento muito directo dos
sindicalistas alternativos em todas as fases preparatórias e no próprio
conteúdo do mesmo).A FESAL-E não aceita a tutela de partidos políticos, coloca-se numa
perspectiva claramente anti-capitalista, denunciando a forma como os
poderes políticos e económicos dominantes da UE tentam impor o conceito da
educação como “serviço” e a sua mercantilização. Também recusa o
corporativismo expresso em sindicatos profissionais estreitamente
vinculados a obter certas vantagens para determinados grupos e categorias
profissionais.A FESAL-E não é constituída meramente por Sindicatos e Confederações
Sindicais do Ramo da Educação, mas também por Grupos de Activistas
Sindicais de Base, que intervêm em sindicatos burocráticos, Associações
(Sindicatos) Estudantis ou Grupos de Defesa da Escola Pública, que
englobam não apenas profissionais do Ensino, mas também estudantes, pais e
cidadãos/cidadãs interessados/as em ter parte activa neste combate.Angel Bosqued, do Secretariado Internacional da CGT-Espanha (4), traçou
uma panorâmica das lutas contra a privatização e contra a precariedade,
tendo apontado a existência de convergências fortes noutros sectores além
do da Educação. Por exemplo, a reivindicação europeia por Caminhos de
Ferro, públicos, de qualidade, contra os processos de privatização em
curso e as consequências não apenas para os seus trabalhadores, mas para a
população trabalhadora em geral, que foi protagonizada por greves e
movimentos reivindicativos do Sindicalismo Alternativo.António Marruecos, da Federação do Ensino da CGT, do Sindicato de Granada,
explicou quais eram as linhas-força saídas do Congresso da Federação do
Ensino da CGT, que se realizou em Madrid, em Janeiro passado (5). Dessas
conclusões, enfatizou a importância atribuída à constituição da FESAL,
processo ao qual estava associada desde o início, assim como citou, a
título de exemplo de campanhas que a CGT tem levado a cabo no Sector
Educação, a defesa de um ensino laico, ou seja, das escolas públicas
livres da influência da igreja, campanha essa bastante abrangente e de que
pretende não reivindicar o exclusivo para a CGT, mas pelo contrário,
junt@s nas escolas com tod@s @s defensor@s de posições laicas.Paulo Ambrósio, membro da Comissão de desempregados do SPGL –FENPROF
(Sindicato dos Professores da Grande Lisboa- Federação Nacional de
Professores), deu conta das discriminações a que estão sujeitos os
docentes, pela política dos governos, mantendo muitos docentes na
precariedade ao longo de muitos anos, explicou a importância que teve uma
prática sindical combativa - não enfeudada às direcções sindicais
burocráticas - para a obtenção do subsídio de desemprego para os docentes
(há apenas três anos) e concluiu a sua intervenção dando exemplos de
repressão e de intimidação que se abate sobre os sindicalistas
independentes e mais combativos, não apenas por parte dos governo e
patronato, como até por parte de certas direcções sindicais.
No final, ficou a certeza de que este encontro foi muito positivo pelas
perspectivas que abria e que deveria ser aprofundada a reflexão com vista
à acção entre @s divers@s sindicalistas e activistas presentes e com
outr@s, que, por motivos diversos, não puderam participar nesta sessão mas
que têm acompanhado todo este processo com interesse. Propôs-se a
realização de uma reunião para os finais de Maio (talvez Sábado 29).
Vários dos presentes participaram num animado (e saboroso) jantar de
confraternização após o encerramento dos debates.
M. B. para A-Infos e para “A BATALHA”

Notas
1- http://www.fesal.it/
2- http://www.cib-unicobas.it/
3- http://www.ainfos.ca/03/oct/ainfos00235.html
4- http://www.cgt.es/
http://www.cgt.es/modules.php?name=Sections&op=listarticles&secid=3
5- http://www.ainfos.ca/pt/ainfos02225.html





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