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(pt) Brasil / FARJ: Kropotkin revolucionario

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Date Tue, 13 Apr 2004 12:46:08 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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“A expropriação é uma necessidade”
A frase acima serviu de epígrafe a todas as edições de O Protesto,
segundo jornal anarquista a circular no Rio de Janeiro, entre 16 de
outubro de 1899 e 26 de julho de 1900. Ao se definir como “periódico
comunista-livre” (hoje diríamos “comunista libertário”), os companheiros
que o produziam estavam procuravam indicar sua concordância com o
pensamento e a prática do autor daquela sentença que os inspirava: o
anarco-comunismo.

No momento histórico em que O Protesto circulou Piotr Alexeievitch
Kropotkin (1842-1921) era (como continua sendo até hoje) referência
obrigatória no movimento anarquista internacional, não só por ter lançado
em suas obras os fundamentos básicos de grande parte do ideário que iria
nortear a história do anarquismo em seus desenvolvimentos subseqüentes,
mas também pela dedicação integral de sua vida à causa da Revolução
Social. No mesmo ano em que O Protesto aparece (1899)
Kropotkin publica suas Memórias de um Revolucionário em que revela uma
existência como poucas, voltada tanto para a ação quanto para a reflexão.
Seria difícil a alguém, na época de seu nascimento, na década de 1840,
prever seu futuro como rebelde1. De sangue azul, podendo traçar sua
genealogia desde a Idade Média quando seus antepassados foram príncipes
de Smolensk, seu pai era um severo general detentor de grandes
propriedades rurais e urbanas. Órfão de mãe, cedo descobriu a bondade dos
servos, companheiros de sofrimento sob a tirania paterna. Pajem do czar,
destaca-se no combate a um grande incêndio em Moscou e pede, ao se
graduar, que seja mandado como oficial para um longínquo regimento na
Sibéria, onde efetua notáveis trabalhos de exploração geográfica. Também
ali, em contato com exilados políticos, conhece a obra de Proudhon e
observa como a colonização efetuada em bases de livre acordo pela seita
religiosa dissidente dos Doukhbor produz mais resultados do que aquela
que era promovida pelo governo. Em 1866 o testemunho de brutal repressão
à revolta de exilados poloneses fez transbordar a gota d’água de sua
indignação contra a autocracia russa.

Dando baixa do exército, Kropotkin vai para S. Petersburgo, onde se
inscreve na universidade e vive frugalmente com os pequenos pagamentos
recebidos por trabalhos realizados para a Sociedade Geográfica. A partir
de 1871 seus méritos levaram a que aquela Sociedade o convidasse para
integrar seus quadros, o que recusou, pois resolvera se dedicar a
atividades revolucionárias. No ano seguinte passa uma temporada na Suíça,
onde convive com intenso movimento social de Zurich e Genebra e
especialmente com os relojoeiros do Jura, seguidores de Bakunin na
Associação Internacional dos Trabalhadores. Mais tarde lamentará não ter
conhecido pessoalmente Bakunin, que então se encontrava em Locarno, pois
foi “Bakunin que ajudou os camaradas do Jura a por em ordem suas idéias e
a formular suas aspirações; foi ele quem lhes comunicou o seu entusiasmo
revolucionário, poderoso, ardente, irresistível. (...) Bakunin foi a
Locle, onde passou dias e noites inteiras com os seus novos amigos,
conversando sobre a necessidade histórica de dar um passo a mais no
caminho do anarquismo”2. De volta à Rússia integra o Círculo Chaykovsky
que desenvolvia trabalho de educação e propaganda entre o povo russo.
Preso em 1874 em conseqüência de suas atividades passa dois anos na
fortaleza de S. Pedro e S. Paulo onde quase duas décadas antes também já
estivera encarcerado Bakunin, Depois de uma fuga espetacular em 1876,
volta à Suíça onde reata relações com os militantes do vale do Jura, Já
completamente reintegrado nos meios anarquistas e com a cabeça a prêmio
pelas autoridades russas, foi eleito, em 1877, secretário de
correspondência internacional do movimento na Suíça, sendo delegado ao
último congresso da Internacional libertária realizado na Bélgica e, logo
a seguir, ao Congresso Socialista Internacional em Ghent, de onde
conseguiu escapar à prisão pela polícia belga. Antes do fim deste ano,
com outros anarquistas, criava grupos do que seria a origem do movimento
anarquista em Paris. Com a prisão de Andrea Costa é obrigado a fugir para
a Suíça onde com o médico Paul Brousse edita até 1878 o jornal anarquista
L’Avant Garde contrabandeado para a França e ali distribuído
clandestinamente, uma vez que as atividades de esquerda eram proibidas na
França em decorrência dos eventos da Comuna de Paris alguns anos antes.
Com a prisão de Brousse, Kropotkin funda Le Revolté. Nesta publicação, o
mais influente jornal anarquista daquela época, assim como no seu
sucessor La Revolte, Kropotkin é o único redator, escrevendo uma série de
artigos cujo objetivo era o de estabelecer campos para as atividades
práticas na Internacional. Os textos ali publicados virão a compor seus
dois primeiros livros, hoje grandes clássicos do anarquismo: Palavras de
um Revoltado e A Conquista do Pão. Em 1880, durante o I Congresso da
Federação Jurassiana, Kropotkin expõe com Elisée Reclus e Carlo Cafiero
os princípios do anarco-comunismo, idéia que segundo alguns autores
remontaria ao século XVI, convencendo-a a aceitá-la como sua doutrina
econômica.

Após participar do Congresso Internacional Anarquista de Londres em 1881,
Kropotkin volta à Suíça, onde não permanece por muito tempo, sendo
expulso para a França, onde depois de algumas semanas volta à Inglaterra.
Regressou à localidade de Thonon perto da fronteira suíça, onde se
estabeleceu em 1882. Sua fama de teórico do anarquismo e o fato de que
sua volta à França coincidiu com explosões da luta social no Maciço
Central Francês levaram à sua detenção pelas autoridades francesas no
final daquele ano, no contexto de uma vasta conspiração policial contra
os anarquistas. A 3 de janeiro de 1883 ele e mais 53 companheiros de
idéias compareceram perante o tribunal correcional de Lyon sob a acusação
de pertencer à Internacional, uma organização proibida na França depois
dos acontecimentos da Comuna de Paris. Usando o julgamento como tribuna
para fazer a propaganda das idéias libertárias, Kropotkin foi condenado a
cinco anos de prisão, dos quais cumpriu três, tendo contraído malária e
escorbuto na prisão. A pressão popular e o protesto de intelectuais de
renome internacional da época fizeram com que fosse solto em 1886.
Mudando-se para a Inglaterra, onde morou até 1917, Piotr Alexandrovitch
contribuiu decisivamente para a fundação do periódico Freedom (“única
publicação anarquista durável da Inglaterra” – George Woodcock) e algumas
publicações de emigrados russos. Alguns dos anarco-comunistas mais
próximos a Kropotkin são os primeiros a perceber as potencialidades do
anarco-sindicalismo e do sindicalismo revolucionário, que proporcionarão
ao anarquismo emergir do isolamento a que fora submetido desde a feroz
repressão que seguiu à Comuna de Paris3. Assim é que Jean Grave participa
de Congresso Socialista em outubro de 1879 como delegado da Câmara
Sindical dos Operários Sapateiros de Marselha4 e que Emile Pouget
(julgado com Kropotkin no processo dos Trinta) em outubro de 1893 começa
a escrever a favor da entrada em geral dos anarquistas nos sindicatos,
resgatando-os da ação política institucional. Tal ação é decisiva para
que outros anarquistas como Paul Delesalle, Joseph Tortellier (anarquista
e
sindicalista desde 1884) e principalmente Fernand Pelloutier possam
começar a moldar efetivamente a prática e a teoria do
anarco-sindicalismo. Nesta tarefa são facilitados pela publicação de seus
artigos na imprensa anarquista, recém saída da clandestinidade na França,
basicamente por Les Temps Nouveaux, dirigido por Jean Grave e continuador
do Le Revolté e do La Revolte5.

Como se vê a vida militante de Kropotkin nada teve de monótona ou
estagnada, mas sim de uma total dedicação à luta libertária. Mas neste
segundo momento de sua vida, por força de seu estado de saúde, ele passa
a se dedicar mais à elaboração de algumas idéias-chave que serão o
principal lastro da filosofia anarquista até os dias de hoje. Em 1885 e
1892 são lançados livros seus com coletâneas de artigos que publicara no
La Revolte e Le Revolté (Palavras de um Revoltado e A Conquista do Pão).
Em 1899 as Memórias de um Revolucionário e Campos, Fábricas e Oficinas,
em 1902 O Apoio Mútuo, em que contrapõe às teses de darwinismo social de
Tomás Huxley (“onde é patente a influencia de Rousseau”- segundo um autor
anarquista como George Woodcock6) que pregava que na sociedade como na
natureza os mais fortes vencem os mais fracos em uma eterna luta pela
sobrevivência, demonstrando através da citação de espantosa quantidade de
fatos que as espécies animais, inclusive a humana, que mais prosperaram
foram as que praticaram a ajuda mútua para com seus semelhantes e que os
momentos de maior progresso na história da humanidade foram aqueles em
que instituições (os Estados, as Igrejas) e classes predatórias (a
aristocracia, a burguesia) estavam em baixa. Em 1903 lança o ensaio O
Estado, em 1905 saem os Ideais e Realidades na Literatura Russa, série de
palestras que havia pronunciado nos Estados Unidos e em 1909 sua bem
documentada história d’ A Grande Revolução Francesa. Em 1912 lança A
Ciência Moderna e o Anarquismo onde, ao iniciar o exame das as principais
idéias filosóficas, científicas e sociais geradas no decorrer do século
XIX para chegar ao libertarismo, comenta que “originariamente o
anarquismo não procede de uma determinada descoberta científica nem
assenta em um sistema definido de filosofia (...) o anarquismo
originou-se do povo e só conservará a vitalidade e força criadora que lhe
são inerentes enquanto se mantiver com a sua peculiaridade de movimento
popular”7. Em outro texto, sobre as minorias revolucionárias complementa
este conceito ao afirmar que se a: “a anarquia e o comunismo fossem o
produto de especulações
filosóficas feitas no remanso de gabinetes por sábios certamente estes
dois princípios não encontrariam eco. Mas estas duas idéias nasceram no
seio do próprio povo. São enunciado do que pensam e dizem operário e
camponês quando, uma vez saídos da rotina cotidiana se põem a sonhar com
um futuro melhor”8 Neste mesmo texto, de acordo com a interpretação de
Maurício Tragtenberg, Kropotkin procura dizer que “aqueles que
representam de fato uma idéia nova sempre são uma minoria, grupos que
enfrentam o poder do Estado. Enquanto grupo organizado, as minorias se
mantém até a insurreição revolucionária, quando se transformam em maioria
se
representarem a verdadeira expressão das ações populares e se – outra
condição essencial – a revolução dura tempo suficiente para que a idéia
revolucionária possa espalhar-se, germinar e dar os seus frutos”9. Ao
final de sua vida Kropotkin trabalhava na sua Ética, publicada (1924)
onde analisava as diversas concepções que a humanidade elaborou a
respeito do assunto, mostrando que esta procura sempre guiar-se por
valores maiores. A partir da década de 1890 Kropotkin começa a
desenvolver os que serão seus dois erros básicos em meio a uma existência
totalmente voltada para a militância e a elaboração teórica do
anarco-comunismo tal como hoje o entendemos. Em 1891 em um discurso
sugere que o Anarquismo possa vir pelo “amadurecimento da opinião
pública”10. Anos mais tarde, ao estourar a Primeira Guerra Mundial,
pronuncia-se a favor dos Aliados, considerando que o imperialismo alemão
seria, dentre os existentes naquele momento, o mais nocivo aos povos. Sua
formação cultural como russo talvez explicasse tal atitude, em vista do
que o povo russo sofreu historicamente nas mãos dos opressores germânicos
desde as cruzadas dos Cavaleiros Teutônicos na Idade Média (ver o filme
Alexandre Nevski, de Einseistein) até os czares Romanoff que eram
príncipes germanizados por força de casamentos
sucessivos com membros das famílias nobres germânicas. Ou do que, mais
tarde os nazistas, coroando um processo histórico, iriam fazer com seus
einsatzgrupen (grupos de extermínio) das SS percorrendo o território
russo ocupado e chacinando populações inteiras dentro do critério de que
aquele era um “espaço vital” a ser ocupado por elementos da raça
germânica e não por membros da “escória eslava”.

Isolado pela maior parte do movimento anarquista internacional, que era
visceralmente contra a guerra, o fato é que Kropotkin não perdeu seu
prestígio como grande referência do anarquismo em todos os quadrantes do
mundo. E a prova é que sua volta à Rússia após a derrubada do czarismo em
fevereiro de 1917 é acompanhada com emoção pela figura maior do
anarquismo na Revolução Russa: ninguém menos que Nestor Makhnó que, anos
mais tarde na França, seria um dos elaboradores do Programa Plataformista
de
organização anarquista. Relata Makhnó que em vista da notícia da chegada
de Kropotkin a Petrogrado “um contentamento indescritível apoderou-se de
nosso grupo (em Goulai-Polé, na Ucrânia). Foi organizada uma reunião
geral inteiramente consagrada a debater a questão: “o que nos dirá nosso
venerável ancião Petr Alexievitch ?” “Redigi cartas de boas vindas – diz
ainda Makhnó – em nome de nosso grupo de Goulai-Polé e a enviei para
Kropotkin ”. Maknó e seus companheiros preocupavam-se em como fazer a
expropriação, ou seja “qual é o caminho, e quais são os meios para
apoderar-se das terras e para, sem ter que se submeter a nenhuma
autoridade, expulsar os parasitas ociosos, que vivem às nossas custas no
bem estar e no luxo?” Consideravam eles que “a resposta tinha sido dada
por Kropotkin em sua obra A Conquista do Pão”. Reconheciam, por outro
lado, que se “a idade avançada de Kropotkin lhe impedisse de tomar parte
ativa na Revolução e de dar um impulso novo a nossos camaradas das
cidades, o campo escravizado cairia definitivamente sob o domínio dos
partidos políticos e do Governo Provisório. Isto significaria o fim da
Revolução.”

“Nenhuma notícia nos chegava de Petrogrado’ - diz Makhnó - nós
continuávamos a não saber como Kropotkin iria considerar o papel de nosso
movimento dentro da Revolução(...) enquanto estávamos ocupados com essas
transformações puramente de forma abria-se em Moscou, no dia 14 de
agosto, a Conferência Democrática Pan Russa, em cuja tribuna via-se
aparecer nosso querido e honrado camarada P.A. Kropotkin. Nosso grupo
comunista-anarquista de Goulai-Polé ficou consternado com essa notícia,
apesar de compreender muito bem que nosso velho amigo, depois de tantos
anos de labor, constantemente exilado e exclusivamente preocupado em seus
dias de velhice de idéias humanitárias pudesse dificilmente agora, que
tinha voltado para a Rússia, recusar seu auxílio a essa conferência”
“Condenamos dentro de nós nosso velho amigo por sua participação nessa
Conferência, imaginando ingenuamente que o antigo apóstolo do anarquismo
revolucionário se transformava num velho sentimental, aspirando à
tranqüilidade e procurando forças para aplicar, pela última vez, seu
saber à vida. Mas essa censura permaneceu tácita, e nunca ficou conhecida
de nossos inimigos, pois, no mais profundo de nossa alma, Kropotkin
continuava sendo para nós o maior e o mais forte teórico, o apóstolo do
movimento anarquista. Sabíamos que, não fosse sua idade, ele se teria
colocado à frente da Revolução Russa e teria sido o chefe incontestado da
anarquia. Tínhamos ou não razão? A verdade é que nunca discutimos com
nossos inimigos políticos sobre o problema da participação de Kropotkin
na Conferência Democrática Pan-Russa de Moscou” (Os negritos são meus)11.
De acordo com Louis Fischer, biógrafo de Lenin, “em março-abril de 1918,
depois que a Alemanha assinou o tratado em separado de Brest-Litovski com
a facção da Rada Central, as tropas austro-húngaras ocuparam a maior
parte da Ucrânia, incluindo Goulai-Polé. Makhnó, à procura de mais armas
dos bolchevistas, não tentou voltar. Dirigiu-se ao Sudeste para Taganrog,
onde compareceu a uma conferência de comunistas anarquistas(...)”. Ali
resolveu-se pela retomada de Goulai-Polé na época da colheita no fim do
verão. Foi decidido que Makhnó, nesse ínterim, daria uma volta pela
Rússia para observar a Revolução.

“A 13 de abril de 1918 – diz Fischer - a Cheka lançou-se sobre os grupos
anarquistas de Moscou com o fim de suprimí-los. Muitos anarquistas foram
presos, outros passaram à clandestinidade. Makhnó procurou-os, tentou
convencê-los de que a tradicional hostilidade anarquista à organização
era a causa de sua fraqueza; precisavam transformar-se em partido. O
príncipe Piotr A. Kropotkin, que conhecera o interior das prisões
czaristas e francesas vivia na época em Moscou (...) Makhnó
entrevistou-se com ele. Kropotkin tinha 76 anos, mostrava-se desapontado
com a Revolução,
desiludido com Lênin. Makhnó interrogava o gigante que afundava. “A todas
as perguntas que lhe fiz recebi respostas satisfatórias” (os negritos são
meus) foi o resumo lacônico feito por Makhnó da troca de idéias. Quando
falou a Kropotkin de seu propósito de retornar à Ucrânia para conduzir
uma atividade revolucionária entre os camponeses, o autor de Memórias de
um Revolucionário absteve-se de aconselhar e chamou a tenção para os
riscos. Na despedida, o velho disse para o jovem combatente: “o
auto-sacrifício, força do espírito e da vontade no caminho do alvo
projetado tudo
conquista. Essas palavras falaram ao coração de Makhnó; ele possuía uma
força de vontade ilimitada”12.

Kropotkin morreu em 8 de fevereiro de 1921. Segundo o historiador do
anarquismo George Woodcock “um cortejo com mais de sete quilômetros
acompanhou o féretro através das ruas de Moscou; era a derradeira
manifestação dos amantes da liberdade contra os bolchevistas”. No Brasil,
sua obra levou Florentino de Carvalho e Astrojildo Pereira, entre outros,
à militância anarquista e inspirou um belo texto de análise a Fábio Luz.
Era também o escritor anarquista favorito do grande escritor libertário
carioca Lima Barreto, na pele de Bogóloff, anarquista russo expatriado no
Brasil, que considerava O Apoio Mútuo uma obra prima assim como do poeta
anarquista de Santos, Martins Fontes, que cantou, com muito acerto e
verdade, “Glória a Pedro Kropotkine, Cavaleiro da Liberdade”13.

M. Lopes (FARJ)

Notas:
(1) Os principais dados biográficos de Kropotkin contidos neste texto
foram retirados de KROPOTKIN, Piotr. Em torno de uma vida, memórias de um
revolucionário. Rio de Janeiro/São Paulo, Livraria José Olympio Editora,
1946. E de WOODCOCK, George.O Anarquismo, histórias das idéias e dos
movimentos libertários. Lisboa, Editora Meridiano, 1971.
(2) KROPOTKIN, Piotr, Op. Cit. p.273
(3) Ver depoimento de Ferdinand Pelloutier, o anarquista que a partir de
1895, até sua morte prematura no início do século XX foi secretário das
Bolsas de Trabalho in MAITRON, Jean. Ravachol et les Anarchistes. Paris.
Julliard.1970.p.10
(4) DOLLÉANS, Édouard. Historia del movimiento obrero 1871-1920.
Tradução de Diego Abad de Santillán, Bilbao, Zero S. A ., 1973, p.23
(5) MAITRON, Jean. Op. Cit. p. 15 e 122-123
(6) WOODCOCK, George, Op. Cit. p.225
(7) KROPOTKIN, Piotr. O humanismo libertário e a ciência moderna. Rio de
Janeiro. Editora Mundo Livre, s.d.p.11 O título da obra foi alterado
nesta edição brasileira de O anarquismo e a ciência moderna para tentar
iludir a ditadura militar.
(8) KROPOTKIN, Piotr. Textos Escolhidos. Porto Alegre, L & PM Editores,
p. 34. Seleção de Maurício Tragtenberg
(9)TRAGTENBERG, Maurício introdução a KROPOKIN, Op. Cit.p.7-8
(10) WOODCOCK, George, Op. Cit. p.219
(11) MAKHNO, Nestor . A “revolução” contra a revolução. São Paulo, Cortez
Editora, 1988.p.113-120
(12) FISCHER, Louis. A vida de Lenin. Rio de Janeiro, Civilização
Brasileira, 1967, v. 2 , p.520-522
(13) Citado em RODRIGUES, Edgar. Socialismo e Sindicalismo no Brasil
1675-1913. Rio de Janeiro, Laemmert, 1969. p.206

Libera 120 SET-OUT/2003
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