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(pt) JORNAL A BATALHA Nº 203: ABÍLIO GONÇALVES

From jornalabatalha@hotmail.com
Date Sat, 3 Apr 2004 22:30:03 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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Na madrugada de terça feira, 20 de Janeiro próximo passado, faleceu na sua
residência em Pinheiro de Loures, aos 92 anos, o companheiro Abílio
Gonçalves. Nos últimos meses a sua precária saúde obrigara a sucessivos
internamentos hospitalares.Abílio Gonçalves nasceu no lugar de Vinhó, próximo de Coja, concelho de
Arganil, em 16 de Outubro de 1911. Era filho de José Gonçalves e
Guilhermina de Jesus. Dificuldades económicas familiares apenas lhe
permitiram frequentar por pouco tempo a instrução primária, lançando-o
precocemente no mundo do trabalho. Após alguns anos nas fainas
agro-pastoris veio para Lisboa onde foi marçano, aprendendo em seguida o
ofício de padeiro (amassador). Casou e teve uma filha.Filiado na Associação de Classe dos Manipuladores de Pão frequentou na
respectiva escola sindical oensino elementar. Foi eleito secretário da Mesa da Assembleia Geral e,
mais tarde, membro da Comissão Administrativa do sindicato.Foi nesta qualidade que participou activamente na organização da greve
geral de 18 de Janeiro de 1934 contra a fascização dos sindicatos. Estava
então empregado numa padaria da Rua D. Pedro V. Denunciado por um colega
de trabalho que era informador da polícia política, foi preso naquele
mesmo dia 18 após o fracasso do movimento. Seguiram-se os interrogatórios
e espancamentos policiais, a transferência para o Presídio Militar da
Trafaria e o julgamento em Tribunal Militar com condenação a 10 anos de
prisão e degredo. A 8 de Setembro de 1934 é enviado a bordo do «Lima» para
o forte de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, aonde aportou ao cabo
de 5 dias de viagem. Em Angra foi, como os outros, sujeito a frequentes
espancamentos e a encerramento de castigo na poterna. Permaneceu nesta
fortaleza até 23 de Outubro de 1936, data em que foram embarcados no vapor
«Luanda» com destino ao campo de concentração do Tarrafal (Cabo Verde). Aí
sofreu todas as agruras do campo, nomeadamente a inclusão na «brigada
brava» e demoradas estadias na célebre "frigideira". Assistiu impotente à
doença e morte, sem assistência médica, de vários companheiros, entre os
quais Pedro Matos Filipe, Arnaldo Simões Januário, Mário Castelhano,
Abílio Augusto Belchior, Joaquim Montes, Manuel Augusto da Costa, etc.
Abrangido pelo decreto de amnistia de Outubro de 1945, regressou à
metrópole em 1 de Fevereiro de 1946, a bordo do paquete «Guiné», sendo
posto em liberdade. Atravessou dificuldades consideráveis para arranjar
trabalho, nasceu nessa época o seu segundo filho e algum tempo depois foi
para Moçambique, onde se lhe juntariam os filhos. Alguns anos depois foi
para a Suazilãndia. Regressou a Portugal algum tempo depois do 25 de
Abril, tendo montado um pequeno restaurante em Pinheiro de Loures.
Suspendeu a sua actividade há cerca de dez anos.Sócio do Centro de Estudos Libertários, foi presidente do seu Conselho
Fiscal (1987) e membro da sua Comissão Administrativa (1988 e 1989). Foi
igualmente assinante e colaborador do jornal A Batalha. Com a sua morte
desaparece, em Portugal, o último sobrevivente anarco-sindicalista do
Campo de concentração do Tarrafal.No funeral estiveram presentes familiares, amigos, dois sobreviventes do
Tarrafal, o CEL / A Batalha e outros companheiros libertários.





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