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(pt) A BATALHA #200: PÓS-GUERRA DOS ANARQUISTAS ESPANHÓIS

From jornalabatalha@hotmail.com
Date Mon, 22 Sep 2003 18:50:16 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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Para a comunidade internacional, o fim da Guerra Civil Espanhola, em 31 de
Março de 1939, significou apenas o fim das hostilidades e o triunfo dos
seguidores de Franco. Para os defensores da República, tanto para os que
se conseguiram exilar, como para os que, em território espanhol, ficaram à
mercê dos vencedores, o fim da guerra foi o início de um longo calvário.O ISOLAMENTO DO ANTIFASCISMO
Quem pagou a mais pesada factura da derrota foi o movimento anarquista e
outras forças afins. Sofreram, por um lado, a inultrapassável brutalidade
da repressão Franquista; por outro, encontraram-se completamentedesamparados, no que diz respeito a apoios internacionais, praticamente
nulos. Enquanto que outros sectores apoiantes da República contavam com a
solidariedade internacional de organizações poderosas ou de partidos-
irmãos, o mesmo não se passava com o Movimento Libertário Espanhol (MLE),
isolado face quer ao Mundo "Livre", quer aos países do Socialismo "Real".Após a libertação da Europa do pesadelo nazi-fascista, o isolamento dos
Anarquistas espanhóis tornou-se absoluto, apesar do seu generoso
contributo para a vitória Aliada.A aceitação do regime de Franco pelo Ocidente, tornou-se um imenso revés
para as aspirações libertadoras do antifascismo espanhol. Por não estar
sujeito a essas ilusões acerca da solidariedade democrática internacional,
o MLE analisou a situação como sendo um processo de luta
contra-revolucionária do capitalismo face ao possível renascimento da
Força dos trabalhadores. Para o Ocidente, Franco era preferível ao
renascimento revolucionário de um Povo que sofrera na própria pele a
experiência Fascista e que, nas novas condições criadas com a queda do
Eixo, poderia não só derrotar o Fascismo espanhol, mas principalmente
«contaminar" o proletariado do chamado Mundo livre. Torna-se igualmente
explicável o desinteresse da URSS e seus satélites em esmagar o regime
franquista, pois a ajuda que pudessem prestar aos antifascistas
saldar-se-ia numa possível vitória de forças que escapariam ao seu
controlo, ainda mais facilmente do que durante os três anos de Guerra
Civil.Enquanto que os pactos comerciais e outros firmados pelo regime franquista
se renovavam, enquanto se iam trocando embaixadores, as Democracias
representavam, na O.N.U., a comédia da condenação oficial do regime
totalitário espanhol. Esta era uma realidade que conduzia à paralisação
das forças antifascistas, causando divisões e afrontamentos no seu seio. O
Anarquismo não escapou a esta conjuntura, sofrendo uma longa fase de lutasintestinas e de divisões, que conduziriam à Cisão Confederal de 1945 e
facilitariam a obra de esmagamento do movimento popular às mãos da férrea
política repressiva do Franquismo.A CISÃO CONFEDERAL
O MLE, composto pelos sectores sindical (CNT), específico (FAI) e das
juventudes (FIJL), apesar de ter sofrido uma considerável sangria de
militantes, ainda reunia potencialidades para ser um movimento poderoso e
popular, com força e influência suficientes para recuperar a antiga
pujança e popularidade. No entanto, as divergências surgidas no seu seio
fizeram declinar o seu crédito junto das massas populares, principalmente
a partir de 1945.Nos finais de 1945, o Anarquismo espanhol ficava, irremediavelmente,
cindido em duas correntes antagónicas, que só conseguiriam a reunificação
em 1961, após uma "guerra" de 15 anos, onde seriam gastas as suas melhores
energias. Essa divisão desencorajou milhares de militantes, fartos de
rivalidades e desmoralizados perante sucessivas derrotas do
antifranquismo, tanto no campo da luta, como na frente diplomática. E o
que se passava com o MLE tinha um triste paralelismo nos outros sectores
da Oposição.Em Maio de 1945, realizou-se o 1° Congresso do MLE e da CNT no exílio. Foi
neste Congresso que se verificou a já esperada cisão da CNT em duas
tendências: uma, "apolítica", maioritária em França e minoritária em
Espanha; a outra, "colaboracionista", mais forte no interior, tornar-se-ia
a alma da Aliança de todas as forças antifranquistas. Esta cisão da CNT
viria a afectar todas as outras componentes do MLE. Em Agosto, uma reunião
plenária do Comité Nacional da CNT do interior e do exílio, confirmaria e
vincaria a existência de duas CNT, tanto em Espanha como no exílio. Esta
cisão era, ainda, uma sequela da passagem da CNT -FAI pelos cargos
governamentais, durante o conflito espanhol.O fenómeno divisionista afectava, igualmente, os outros sectores da
Oposição, cavando fossos intransponíveis entre republicanos, socialistas e
comunistas.Em Setembro de 1945, Horácio Martinez Prieto era designado Ministro das
Obras Públicas do Governo Republicano no exílio, em representação da CNT
"colaboracionista". Após o abandono progressivo da luta armada contra
Franco, começado pelo Partido Comunista (PCE), em 1944, e pela AFARE
(Associação das Forças Armadas Republicanas Espanholas), em 1947, só
restaram os Anarquistas para animar, durante muitos anos, a acção
subversiva armada, especialmente em Aragão e Catalunha. Os
desmantelamentos dos comités clandestinos sucediam-se, causando uma
verdadeira hemorragia de militantes, que abandonaram a luta, sossobraram
perante a sangrenta repressão, caíram nos confrontos de rua, engrossaram
os cárceres do Regime ou sucumbiram a centenas de sentenças de morte.
CONSOLIDAÇÃO DO FRANQUISMO
O regime totalitário espanhol cada vez se apresentava mais sólido. Em
1949, a oposição tradicional estava praticamente eliminada: dirigentes na
prisão, activistas e guerrilheiros abatidos. Em 1950, a diplomacia
franquista conseguia triunfos internacionais. Em Agosto desse ano, os
E.U.A. votavam uma emenda à Lei de Atribuição de Créditos à Espanha,
atribuindo-lhe um crédito de 62,5 milhões de dólares. Em Novembro, a
Assembleia Geral da O.N.U. anulava a resolução que recomendava aos
Estados-membros a retirada dos seus Embaixadores em Madrid e que
interditava a adesão da Espanha à organização.Com o abandono dos E.U.A, a oposição republicano-socialista virou-se para
os governos da Europa Ocidental, esperando possíveis apoios. Em 1951, os
monárquicos constitucionais denunciavam os seus acordos com a Oposição,
dando o aval ao regime de Franco. Nesse mesmo ano, eram concedidas bases
às forças militares norte-americanas. Havia começado a Guerra Fria, e os
E.U.A. deixaram cair a sua máscara antifascista, para enveredar por um
longo e profícuo período de colaboração política, económica e militar com
Francisco Franco. É, também, no ano de 1951 que eclodem os movimentos
estudantis, que influenciam largos sectores da classe operária e da
juventude espanholas, desdenhando da mirífica "reconciliação nacional"
proposta pelo PCE.No período 1952-1955, Franco obterá expressivas vitórias diplomáticas:
admissão na UNESCO (1952), Concordata com a Santa Sé (1953), cessão de
bases aos E.U.A e reconciliação com a dinastia Borbón (1954), admissão da
Espanha na O.N.U. (1955) são as conquistas mais notórias. Ao nível
interno, este período é marcado pelo desenvolvimento de uma política de
industrialização rápida e desordenada, crescimento de conflitos sociais,
oposição política da Falange aos monárquicos constitucionais e
intelectualidade liberal.Os republicano-socialistas redobram esforços na obtenção de apoios por
parte da Europa Ocidental, enquanto os comunistas prosseguem na sua tarefa
de infiltração nos organismos legais. Por seu turno, os Anarquistas entram
num período de imobilismo que Ihes faz perder, progressivamente, terreno e
filiações, permitindo o desaparecimento da CNT e MLE do primeiro plano das
lutas da oposição antifranquista.Em 1957, Franco chamava a Opus Dei ao poder. A tecnocracia "apartidária"
eliminava, assim, as veleidades "esquerdistas" da Falange e orientava,
irreversivelmente, o Regime para a liberalização, como sinal de
aproximação à Europa democrática e capitalista. Todavia, no Ministério do
Interior e outros postos-chave, os "puros e duros" mantinham a mais severa
e sanguinária repressão ao movimento operário e estudantil.Neste período, a Espanha atravessa uma inflação galopante, que põe em
risco todo o sistema económico-político. O regime é salvo (novamente)
pelos E.U.A., que obtêm para o País os créditos necessários à sua
sobrevivência. A indústria turística, em plena expansão, transforma-se num
sólido apoio ao Sistema. Prevendo possíveis influências subversivas,
transportadas por turistas oriundos das Democracias, o Ministro do
Interior Alonso Vega promulga a Nova lei de Ordem Pública (1959), dando
uma máscara mais "jurídica" à repressão, como seria aconselhado pela
.vocação europeia" do regime.Todavia, em Junho de 1959, trava-se em Girona um combate entre forças da
Guarda Civil e um comando anarquista, que havia atravessado a fronteira
francesa. Morrem quatro membros do comando e o chefe da guarda. O
dirigente anarquista Francisco Sabater Llopart acaba assassinado pela
milícia fascista catalã (Sometén). Este episódio vem renovar os tempos da
Resistência armada. Dois meses mais tarde, era condenado ao garrote
António Abad Donoso, pertencente ao DRIL (Directório Revolucionário
Ibérico de Libertação).O Franquismo continuava a avançar na senda do reconhecimento
internacional, atingindo a consagração com a visita do Presidente
Eisenhower ao Generalíssimo, em Dezembro de 1959. A OECE (Organização
Europeia de Cooperação Económica) considera cumprida a primeira fase da
execução do programa de estabilização, conseguida à custa da pauperização
das classes populares, compelidas ao desemprego e à emigração. Começa a
esboçar-se o aparecimento de uma oposição católico-progressista.REORGANIZAÇÃO DO ANTIFRANQUISMO
Em 1960, a Espanha atravessava uma profunda crise económica. O turismo, a
emigração, as ajudas externas e uma implacável repressão permitiam ao
Regime atenuar os riscos no plano interno. Enquanto isso, a Oposição
agitava-se e enveredava por transformações significativas.As organizações do exílio percebem o fenómeno e decidem enterrar as velhas
querelas e pôr fim a cisões intestinas, sob a pressão das suas bases que,
conscientes do processo de extinção a que o imobilismo as tinha conduzido,
descobriram novo entusiasmo e novas exigências de luta.O Anarquismo espanhol começa a acelerar o processo orgânico de
reunificação confederal, por acção de activistas apostados na Unidade e
radicalização da luta antifascista. A CNT junta-se à UGT (União Geral de
Trabalhadores) e STV (Solidariedade de Trabalhadores Bascos), constituindo
uma Aliança Sindical, que englobaria uma mais vasta aliança de forças
democráticas.Nos finais dos anos 50 e princípios dos 60, surgem diversas organizações,
apostadas em preservar a Unidade da Oposição antifranquista. Aparecem o
Movimento Espanhol 59 (no México), formado por comunistas, libertários,
republicanos, socialistas; a Acção de Libertação Espanhola, que reúne as
duas facções da CNT, socialistas de diversas tendências, republicanos de
diversos sectores. Em 196O, formam-se o Movimento Popular de Resistência e
a Frente de Libertação Popular, de composição maioritariamente libertária.
O DRIL, no início de 1961, protagoniza o assalto ao paquete .Santa Maria",
juntando elementos das oposições Espanhola e Portuguesa, sob o comando de
Henrique Galvão. Uma expressiva parte dos elementos do DRIL é de extracção
libertária, que ombreia com republicanos, socialistas e outros opositores
aos regimes fascistas ibéricos.Em Julho de 1961 era constituída a União das Forças Democráticas,
agrupando comunistas, católicos, socialistas, republicanos e nacionalistas
bascos. Regressava-se à luta armada com o DRIL, a ETA e a guerrilha
comunista de EI Campesino.Em 2 de Setembro de 1961, no Congresso de Limoges, dava-se a reconciliação
das duas CNT. Ficava, assim, consagrada a reunificação da central
anarco-sindicalista e de todo o Movimento Libertário Espanhol.Fernando J. Almeida




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