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(pt) FEDERAÇÃO ANARQUISTA IBÉRICA - ORGANIZAÇÃO HISTÓRICA DO ANARQUISMO REVOLUCIONÁRIO

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Date Wed, 17 Sep 2003 18:29:55 +0200 (CEST)


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Secretariado Geral - Federação Anarquista Gaúcha

O anarquismo militante espanhol, durante seus ensaios dramáticos de
revolução social na década de 30, deixou de herança para as futuras
gerações do movimento libertário, também para os adeptos da organização
específica, um poderoso símbolo da luta libertária encarnado com o mais
dedicado esforço pela histórica FAI (Federação Anarquista Ibérica). Esta
Organização consagrada pela influência adquirida na classe operária da
Espanha, principalmente pela incidência revolucionária nos espetaculares
acontecimentos que tiveram lugar na sua vida política e social é um
exemplo de ação anarquista organizada.Da sua atividade, ora conspirativa ora pública legal, se sustentou um
trabalho de estilo radical que soube explorar as possibilidades históricas
da luta de classes e foi determinante para a construção de experiências
revolucionárias em uma dada conjuntura, o que a torna tão significante a
ponto de ser lembrada como um subsídio para as tarefas organizativas
atuais.Da "Aliança" de Bakunin à Conferência anarquista de Valência
A ideologia anarquista aportou na Espanha com mais consistência através da
ala federalista da Primeira Internacional. O italiano G. Fanelli,
frequentador do círculo de Bakunin havia sido responsável por uma viagem
ao país afim de criar uma seção ao mesmo tempo da Internacional e da
Aliança da Democracia Socialista no período de 1868-1869. Logo os
partidários da organização bakuninista seriam a principal força dos
núcleos internacionalistas que constituíram a Federação Regional
Espanhola.Entre 1880 e 1890 o anarquismo se manifestou por práticas individuais de
violência revolucionária: expropriações, atentados, justiçamento. Muitos
militantes foram influenciados pela tese da "propaganda pela ação"
criticando o método da organização de massas. A repressão estatal não
tardou em reagir com uma política de perseguição implacável aos
anarquistas impondo duras perdas aos seus quadros.No final de 1890, no entanto, a vertente comunista anarquista tira
vantagem sobre as outras "quando foram decididas a dissolução da Federação
dos Trabalhadores da Região Espanhola (ex-FRE) e a organização de células
anarquistas federais (...), conhecidas mais tarde com o nome de ‘grupos de
afinidade’". A influência do comunismo anarquista se conservará até o novo
século.Dessa tradição militante da classe operária fundada pela seção da
Internacional e pela ação conspirativa desenvolvida pela "Aliança" nessas
terras, passando pela experiência com métodos de violência revolucionária
até a penetração das idéias do comunismo libertário se formou a base
teórico-política que originou a FAI. Nas primeiras décadas do século XX
eram inúmeros os grupos de ação especificamente anarquistas que dividiam
sua atividade entre a militância sindical e a propaganda ideológica e as
tarefas de autodefesa.O mais destacado destes grupos foi "Los Solidários", fundado por Durruti e
seus amigos. Os objetivos que motivavam seus militantes eram: "fazer
frente ao ‘pistoleirismo’, manter as estruturas sindicais da CNT e pôr de
pé uma federação anarquista que reunisse no seio todos os grupos
ideologicamente próximos, disseminados através da península". O problema
da organização era prioritário e a condição indispensável para o triunfo
da revolução.Em julho de 1927 em Valência, sobre a ditadura de Primo de Rivera
(1923-1930) e na oportunidade de um florescimento de práticas libertárias
identificadas com comportamentos exóticos, os grupos anarquistas espanhóis
e quadros imigrantes portugueses se reúnem em uma Conferência que resolve
a fundação da Federação Anarquista Ibérica. A Conferência serviu ainda,
favorecida pela imagem mais relaxada e descontraída que noticiavam do
anarquismo, como momento para aperfeiçoamento de técnicas de autodefesa.
Segundo J. Peirats "criada com o são propósito de zelar pelas essências do
movimento libertário espanhol, a FAI fez ato de presença ante o perigo
desviacionista (...) " que sofria a Confederação Nacional do Trabalho
nascida em 1910 com uma inspiração sindicalista revolucionária.Unidade de ação e propaganda libertária
Na interessante descrição de G. Esenwein "a FAI, em muitos aspectos, era
uma reencarnação da Aliança secreta de Bakunin: deveria funcionar
clandestinamente com o propósito expresso de preservar o espírito
revolucionário e a característica anarquista da CNT. Ela diferia de seus
predecessores no século XIX na ênfase que colocava na (...) ligação
orgânica com os sindicatos (...)." A estrutura de organização da FAI
expressava o princípio federalista, "os membros de uma localidade estariam
agrupados em federações locais e distritais; os últimos estariam ligados a
um comitê regional e todos os comitês convergiriam para um comitê
peninsular. Para se proteger dos agentes provocadores e dos elementos
anti-revolucionários, o núcleo da FAI, a agrupação (conhecido
anteriormente por grupo de afinidade), deveria agrupar entre cinco e dez
membros."E segue relatando que "quando a CNT emergiu da clandestinidade, em 1930, a
FAI era um organismo relativamente desconhecido, com pouca influência na
classe operária. No III Congresso Nacional da CNT, em Madrid, em junho de
1931, a FAI participou, pela primeira vez, de um debate público com seus
rivais sindicalistas." A chamada corrente sindicalista era a força
majoritária de então no movimento anarco-sindicalista conduzido pela CNT,
considerava em sua estratégia o sindicato como única ferramenta apropriada
para a luta com objetivos revolucionários e como organismo gestor da
futura sociedade libertária. Formada por anarquistas, tal corrente
rejeitava a organização fora do âmbito sindical e das entidades culturais
que o rodeavam (escolas, ateneus, clubes operários), como predicavam os
faístas a organização especificamente anarquista, e se caracterizou por
posições mais moderadas.Pois no Congresso cenetista de 1931 a maioria "se revelou pró-sindicalista
e o discurso ultra-revolucionário da FAI se mostrou impopular. Mais tarde
(...) uma virada dramática dos acontecimentos provocou o rápido
desenvolvimento da força e da influência da FAI", quando ela "(...) pôde
desempenhar uma função decisiva no destino do movimento
anarco-sindicalista.""Como os faistas constituíam uma minoria no movimento anarco-sindicalista,
eles enfrentavam o problema de como aplicar sua estratégia permanecendo em
conformidade com seus princípios anti-autoritários. Os críticos da FAI
afirmam há muito tempo que esta organização fracassou ao unir a teoria e a
prática anarquistas, antes de tudo, porque a FAI havia conquistado a CNT,
impondo sua própria ‘ditadura’. Ainda que seja verdade que muitos faistas
tivessem frequentemente recorrido a métodos antidemocráticos na sua luta
para se afirmar no seio da CNT, a estrutura federalista da FAI não levava
à constituição de uma tal ditadura. Mesmo no topo de seu poder, em 1933,
os faistas representavam apenas uma fração no efetivo total da CNT. (...)
Na realidade, o processo pelo qual a FAI estabeleceu sua hegemonia na CNT
era mais complicado do que seus críticos sugere. (...) Os faistas ganhavam
um sindicato a suas posições, não se apoderando dele de forma blanquista,
mas trabalhando nele enquanto unidade. Por consequência, as proposições
pró-FAI tinham mais chances de serem adotadas pelo sindicato porque os
faistas votavam sempre em bloco. A FAI exercia ainda uma considerável
influência por meio dos Comitês de Defesa e dos Comitês pró-Presos. Os
últimos, sobretudo, eram úteis para promover a imagem da FAI.
Dedicando-se, de todo coração, à causa dos operários presos, faistas como
Buenaventura Durruti e Franscisco Ascaso não somente guardavam vivo o
espírito da revolução durante as épocas de repressão, mas ainda ganhavam o
respeito e a fidelidade da base.""Para compreender o papel desempenhado pela propaganda da FAI na conversão
dos operários às suas perspectivas, é necessário não esquecer que eles
exploravam diversos meios para alcançar seus objetivos. (...) A FAI
trabalhava não somente nos sindicatos, mas também nos numerosos ateneus e
clubes sociais, como as Juventudes Libertárias e as Mujeres Libres, que
faziam parte do rico tecido da vida social nos centros urbanos. Ainda que
os ateneus fossem tradicionalmente o principal foco das atividades
anarquistas de educação, eles estavam, durante os anos 30, largamente
influenciados por grupos de ação extremistas e pelos faistas que
trabalhavam na CNT. Fora das grandes cidades, onde a vida associativa não
era tão complexa, os ateneus ou centros operários (...) eram, na maior
parte do tempo, o único lugar onde um operário podia aprender a ler.""De todos os grupos militantes desse período, a FAI foi, sem dúvida, o que
melhor conseguiu introduzir suas idéias nos inumeráveis semanários e
jornais lidos pelos operários (...) e passou a utilizar o muito difundido
periódico Tierra y Libertad e (...) a revista teórica Tiempos Nuevos para
expor a linha faista. (...) Centenas de folhetos e livros anarquistas eram
publicados pelo tipógrafo da FAI (...) e aqueles operários que conheciam a
literatura anarquista no ateneu podiam associar a FAI aos folhetos de
Kropotkin, E. Malatesta e Sebastian Faure."A estratégia revolucionária faista para a Espanha
Na conjuntura criada com a Segunda República instituída pelo Estado
espanhol ao fim do governo ditatorial de Primo de Rivera e a vitória
eleitoral de 1931 de uma coalização de republicanos burgueses e
socialistas a FAI sustentou com firmeza posições de independência de
classe, de que pelo objetivo revolucionário, apesar dos governantes de
turno, era preciso elevar até as últimas consequências a ação direta dos
trabalhadores. Essa linha encontrou eco nos setores mais conscientes do
movimento operário, que organizou greves que resultaram em posturas
repressivas do governo da república e tiveram certa rejeição no interior
da própria CNT.A insurreição popular era a forma de ruptura com a ordem capitalista que
previa a estratégia da FAI, "por tática, ela entendia a ‘ginástica
revolucionária’, a prática da organização de revoltas sociais. Os faistas
esperavam despertar os instintos de rebelião da massa e assim acelerar o
seu movimento em direção ao estabelecimento do comunismo libertário. Os
principais agentes da ‘ginástica revolucionária’ eram as agrupações da FAI
que deviam fazer agitação revolucionária no interior dos respectivos
sindicatos da CNT, ao passo que os Comitês de Defesa deviam servir, ao
mesmo tempo, de elemento dinâmico e de apoio ao ciclo das revoltas.""A primeira e mais representativa dessas insurreições se produziu em
janeiro de 1932, nos distritos mineiros catalães de Alto Llobregat e
Cardona. Ela se iniciou (...) com uma série de sublevações na pequena
cidade de Figols (...), que tinha sido, pouco antes, a sede de um grande
encontro da FAI. (...) Oradores desta assembléia (...) conseguiram
estimular os sentimentos anti-republicanos do auditório, sublinhando o
fracasso das reformas republicanas e exortando os operários a se armarem e
a se sublevarem contra as classes dirigentes. O impacto dessa campanha de
propaganda pôde ser compreendido alguns dias mais tarde quando um grupo de
mulheres arrastou consigo os operários do setor têxtil de Figols, numa
greve por salários mais altos e melhores condições de trabalho. Sua ação
foi imediatamente apoiada pelos mineiros que (...) assumiram logo um papel
de liderança na greve e na revolta que a seguiu. Em alguns dias, cidades e
vilarejos vizinhos (...) seguiram Figols, declarando greve geral e, a
partir daí, o estabelecimento de uma forma de comunismo sem Estado, o
comunismo libertário.(...) Nos anos 30 e durante os primeiros meses da
Guerra Civil, esse quadro de ação repetir-se-ia um certo número de vezes.
Uma greve era logo vista como sinal de revolta; os operários se apoderavam
então da prefeitura (ayuntamiento) local, estendiam a bandeira vermelha e
preta da CNT-FAI e celebravam a chegada do comunismo libertário (...) eles
estabeleciam um sistema de comitês operários eleitos pelo povo para
administrar os negócios da comuna, recrutavam uma milícia e proclamavam a
abolição da moeda e de outras formas do sistema capitalista." No entanto
essas experiências eram rapidamente reprimidas."Por causa da função que desempenhou nesse acontecimento, como principal
promotora de insurreições, a FAI adquiriu a reputação de representante
‘irresponsável’ da classe operária, sobretudo, entre os elementos
moderados da CNT (...)." É preciso reconhecer aqui que muitos desses
episódios foram resultado de exaltações que não se apoiavam numa
capacidade real de luta e organização e redundaram em fracassos, mas que
de qualquer maneira, essa prática ganhou a simpatia e desenvolveu a
consciência revolucionária em muitos outros povos da Espanha. "(...) A FAI
soube capitalizar em cima da atmosfera revolucionária que tais
acontecimentos suscitavam inevitavelmente. Durante sua impressionante
campanha de abstenção eleitoral de 1933 (Não votar!) , por exemplo, os
faistas exploravam habilmente o sentimento de indignação pública e de
cólera contra o governo republicano, em decorrência do incidente de Casas
Viejas", levante popular selvagemente reprimido. "O fato de que um número
significativo de operários - talvez próximo de um milhão - tivesse
boicotado as eleições de novembro confirmou o sucesso da FAI no anseio de
um substancial apoio a sua palavra de ordem: Frente a las urnas, la
Revolución Social!"."No fim de 1933, a FAI havia se tornado a força predominante da CNT. Até
aqui, somente uma corrente de cenetistas - os treintistas - havia
oferecido uma vigorosa oposição aos métodos insurrecionais da FAI. Esse
grupo havia aparecido no final do turbulento verão de 1931, quando
dirigentes sindicalistas (...) publicaram um manifesto anti-FAI."A FAI tomará a influência nos principais centros industriais e terá
adesões em toda Espanha. Seu papel de animação das lutas até a reação
fascista de 1936 será determinante para a iniciativa revolucionária do
povo espanhol. Ao mesmo tempo em que se combatia o exército de Franco,
ávido pelo controle do país, as classes trabalhadoras processavam a
revolução através de federações de coletividades agrícolas, pela
socialização da indústria com a administração dos próprios operários,
pelos comitês, escolas, universidades e demais organismos populares que
reorganizavam a vida política e social em uma perspectiva federalista.
Alguns membros da FAI também participarão do governo constituído com
republicanos e os demais setores do movimento socialista, o que virá anos
mais tarde da vitória franquista em 1939 a ser matéria de autocrítica de
sua militância. Isso não tira o significado que têm para os partidários de
todo mundo do anarquismo organizado.
"É evidente que ‘Los Solidários’, da mesma maneira que não caíam em
posições espontaneístas delirantes, também não tomavam o problema da
organização como um fim em si mesmo, até para não caírem no conhecido
fenômeno da substituição.A oposição entre espontaneidade e organização é, aliás, uma querela de
burocrata, similar a sábia distinção que os acadêmicos fazem entre o livre
arbítrio e o determinismo. Nela se especializaram Kaustsky, Lênin e
quantos estão interessados: na menoridade permanente dos tropismos
elementares; na eterna inconsequência de um proletariado que, entregue a
si próprio, ‘cai na consciência trade-unionista’; na, enfim, caricatura de
uma ‘espontaneidade’ demasiado ‘espontânea’ para ter consistência real. O
objetivo inconfessável de tal sabicheza é uma melhor imposição das
concepções jacobino-blanquistas, ou simplesmente de tipo
social-democrático, de organização.Posição diametralmente oposta, e até hoje ainda não ultrapassada, é a dos
anarquistas: liquidam a dicotomia mecânica e introduzem a unidade no
processo social global; e não se deixam organizar, organizam-se a si
próprios. Consoante as necessidades do devir... As relações entre uma FAI
e uma CNT, entre ambas e o proletariado espanhol em geral, entre a Aliança
de Bakunin e a maioria das federações da Associação Internacional dos
Trabalhadores, entre as milícias camponesas de Makhno e o proletariado
agrícola da Ucrânia, constituem os exemplos maiores da capacidade
auto-organizativa do proletariado internacional, da não oposição prática
entre ação ‘organizada’ e ação ‘espontânea’."(O povo em armas. Abel Paz)





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