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(pt) II Fórum do Anarquismo Organizado (FAO)- 14 a 16 de Novembro, São Paulo, SP

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Wed, 17 Sep 2003 18:18:02 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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por luta libertaria
O que é isso? É muito simples, um fórum de discussão entre os anarquistas
que trabalham ou tem a intenção de trabalhar de maneira organizada e
atuando socialmente.Não se trata de construir nada apressadamente e sem maturidade, mas sim de
aproximar indivíduos, grupos, coletivos e organizações que tenham este
desejo e sintam esta necessidade. O objetivo é que o Fórum seja o espaço
onde indivíduos, coletivos, grupos e organizações anarquistas possam se
encontrar, debater, estabelecer acordos, trabalhar em conjunto e criar as
condições para a construção de uma verdadeira organização anarquista no
Brasil. Esta não é uma tarefa de curto prazo, mas precisa ser iniciada
desde já, é o que propomos com este FAO de São Paulo.Depois da primeira edição de Belém em 2002 e de uma plenária realizada em
Porto Alegre em janeiro de 2003 o Fórum acontecerá em São Paulo neste ano.
Vivemos um momento em que o anarquismo, retoma seu vigor e volta a ser
discutido. Observamos no Brasil e no mundo o anarquismo presente de várias
formas nas lutas sociais.Exemplos disso são os protestos anti-capitalistas por todo o mundo e a
presença cada vez mais forte dos anarquistas nas lutas de nossa classe, de
nosso povo. Estes fatos evidenciam que vivemos um novo momento no meio
libertário.Ao mesmo tempo persistem visões distorcidas sobre o que é o anarquismo,
sempre alimentadas pela mídia, pela burguesia e facilitando o trabalho da
repressão e jogando o anarquismo no descrédito para uma boa parcela de
nossa população.Pensamos que é hora de iniciar uma discussão mais vigorosa e regular no
meio anarquista com aqueles que pretendem se organizar como anarquistas e
atuar socialmente. Uma discussão que não seja uma mera troca de idéias e
informes, e nem um estéril debate acadêmico. Queremos acumular uma
discussão, esclarecer pontos de vista, nos entender e avançar. Queremos
desde já traçar, dentro dos limites concretos que temos, alguma forma de
atuação conjunta, mesmo que pontual.Neste momento dois pontos nos parecem fundamentais para demarcar um campo
fora do qual dificilmente conseguiremos avançar: organização e atuação
social. Dizemos isso francamente porque o meio anarquista é bastante amplo
e diverso, mas existem idéias muitos que rejeitam a noção de organização e
atuação social, aí fica impossível a gente fazer qualquer coisa de mais
sólida em conjunto. Se você é daqueles que pensa que qualquer forma de
organização é autoritária, se você é daqueles que não tem a menor
pretensão de atuar socialmente, por favor não venha, não temos nada para
construir juntos.Mas se você deseja ver um anarquismo atuante e organizado, sendo um
verdadeiro agente transformador da sociedade, se você não se contenta
apenas com idéias e comportamentos, mas deseja ver o anarquismo realmente
em ação sinta-se convidado desde já. Não estamos propondo nenhum modelo
único, pensamos que existem várias formas de se organizar a atuar
socialmente e que todos devem trazer sua experiência para a discussão.
Organização e Atuação Social são os eixos norteadores do II FAO, vamos
então falar um pouco sobre o que pensamos destes eixos.
Organização: uma necessidade dos anarquistas

“Nós já o repetimos: sem organização, livre ou imposta, não pode existir
sociedade; sem organização consciente e desejada, não pode haver nem
liberdade, nem garantia de que os interesses daqueles que vivem em
sociedade sejam respeitados. E quem não se organiza, quem não procura a
cooperação dos outros e não oferece a sua, em condições de reciprocidade e
de solidariedade, põe-se necessariamente em estado de inferioridade e
permanece uma engrenagem inconsciente no mecanismo social que outros
acionam a seu modo, e em sua vantagem.” Errico Malatesta, 1897
Como vemos esta é uma questão muito antiga no meio anarquista, há mais de
cem anos Malatesta já abordava o tema. Por mais que nos pareça uma questão
simples ainda há muita confusão a respeito e tem muita gente que
sinceramente pensa que anarquismo é contra qualquer forma de organização,
que isso seria burocracia, autoritarismo, etc.Isso é compreensível, afinal de contas os modelos de organização concretos
que as pessoas conheceram (tipo partidos autoritários e centralizados) não
animam ninguém a pensar no tema. Mas é necessário romper com isso,
perceber que estas foram apenas uma das formas de organização na história
e que o anarquismo sempre teve outras formas de organização, horizontais,
participativas, federativas. Já é hora da nossa necessidade de se
organizar superar o medo de se burocratizar.Discutir organização hoje em dia não é somente uma questão de retomar a
história do anarquismo, mas sobretudo uma necessidade real. Diante de um
sistema articulado, bem informado e com capacidade operativa não podemos
ficar atomizados; “Permanecer isolado, agindo ou querendo agir cada um por
sua conta, sem se entender com os outros, sem preparar-se, sem enfeixar as
fracas forças dos isolados, significa condenar-se à fraqueza, desperdiçar
sua energia em pequenos atos ineficazes, perder rapidamente a fé no
objetivo e cair na completa inanição.” (Malatesta, 1897).
Com organização se evita o isolamento, a fraqueza, a frustração e o
ceticismo em que muitos caem depois de não atingir os objetivos desejados.
A organização multiplica nossas forças, nos permite se prevenir e defender
diante da repressão - por sinal cada vez mais forte – e torna real a
solidariedade tantas vezes apenas escritas e falada.Sabemos que existem vários anarquistas contrários à idéia de organização,
em sua maioria anarquistas individualistas. Não são mais ou menos
anarquistas do que nós por isso, apenas anarquistas de outro tipo, de
outra concepção. Que eles sigam seu caminho. Nós seguiremos o nosso com
todo direito de fazê-lo. Porque pensamos que para enfrentar este sistema
capitalista é preciso estar organizado.
Militância social

“(...) favorecer as organizações populares de todo tipo é a consequência
lógica de nossas idéias fundamentais e, assim, deveria fazer parte
integrante de nosso programa.” Malatesta, 1897
O anarquismo é composto por uma diversidade de correntes, isso é uma
verdade. Mas também é verdade que nem todas elas se dispõe a trabalhar
junto a nossa classe, nosso povo. Historicamente tivemos momentos de
presença anarquista muito forte na Ucrânia com a Makhnovitschina, na
Revolução Espanhola, Revolução Mexicana, com o sindicalismo revolucionário
por toda a América latina, isso para não falar de inúmeras outras
experiências. Em todos estes casos, que são referência – ao menos teórica
- para todos os anarquistas, existiram anarquistas organizados, com
postura classista e com atuação social decidida.Vivemos uma época em que a miséria se aprofunda cada vez mais, o abismo
entre as classes é maior hoje do que a cem anos atrás. 85% da população
mundial é pobre ou miserável. Somente no Brasil existem 40 milhões de
pessoas que vivem abaixo da linha da miséria. As manifestações desta
miséria são brutais e estão aí para quem quiser ver. Não perdemos a
capacidade de se indignar, de se revoltar diante destas agressões
permanentes, “não ficaremos na nossa” ou “cada um na sua”, até porque
sofremos com esta realidade. Pensamos que o anarquismo tem algo a dizer
sobre esta realidade. Pensamos que o anarquismo tem propostas para esta
realidade, que ele vive nesta realidade e não fechado em ambientes seguros
e distantes da realidade.Os anarquistas tem exercido diversas formas de atuação. Mantém relações
entre si, publicam boletins e zines, promovem encontros libertários,
colocam páginas na internet, editam livros, criam canais de informação
alternativos, etc. Tudo isso é importante e necessário. Mas será que temos
dado a devida atenção a um tipo de militância que é a fundamental: a
atuação social junto aos movimentos populares, nos bairros, escolas,
universidades, espaços de trabalhos, etc?Sabemos que existem anarquistas que já fazem isso de várias formas, mas
sinceramente pensamos que é pouco, e não falamos isso sobre os outros
anarquistas, nos incluímos entre aqueles que precisam melhorar e
aprofundar sua inserção social. Pensamos que todas as atividades de
contatos, publicações, encontros, livros se enriqueceriam muito se
estivessem articuladas com uma atuação social por parte dos anarquistas.Por isso tudo pensamos que neste momento é fundamental discutir como os
anarquistas podem atuar socialmente, que relações se estabelecem entre os
anarquistas e os movimentos sociais, que tipos de atuação seriam mais ou
menos interessantes, etc.Sobretudo pensamos que os anarquistas não farão a revolução sozinhos, e
que se não tivermos uma militância nas lutas de nossa classe não teremos
chance alguma.
Seguindo ...
Para que toda esta discussão seja ampliada propomos um encontro nacional e
nos dispomos a sediá-lo. Esperamos que outros venham a se somar,
contribuam com a construção desde já divulgando, propondo dinâmicas,
circulando textos de contribuição e sobretudo participando do Fórum do
Anarquismo Organizado.
Proposta de Pauta:
1 - Abertura com apresentação dos grupos, coletivos, organizações e
indivíduos presentes2 - Concepção de organização
3 - Método de organização
4 - Anarquismo e Militância Social
5 - Perspectivas do Fórum do Anarquismo Organizado e fechamento

Dinâmica do Encontro: Pretendemos utilizar os períodos da manhã e tarde
para as discussões e deixar as noites livres para atividades culturais e
para a integração dos participantes. Aqueles que desejarem levar materiais
como livros, boletins, camisetas, fotos para exposição, troca e/ou venda,
etc., poderão fazê-lo.
OBS: Esta pauta foi proposta com base em contribuições e sugestões de
vários grupos e indivíduos acumuladas desde fevereiro de 2003, quando o
LUTA LIBERTÁRIA passou a circular informes sobre o FAO e receber
contribuições.Ainda estamos abertos a contribuições.

Data: 14 a 16 de Novembro, Local: São Paulo, SP

Para participar: entrar em contato com o LUTA LIBERTÁRIA – grupo
anarquista organizado, através do e-mail: fao2003sp@yahoo.com.br ou
lutalibertaria@hotmail.com ou pela Caixa Postal 11639 São Paulo, SP CEP:
05049-970 ou ainda pelo telefone (11) 9431-7568 com Sandro. Através destes
meios você pode conseguir a ficha de inscrição e enviá-la.
Taxa de Inscrição: R$10,00. Para viabilizar rango e instalações do encontro.

Sedia: LUTA LIBERTÁRIA – grupo anarquista organizado (São Paulo)

Convocam: Coletivo Ruptura (Fortaleza, Ceará), Coletivo Libertário
(Cuiabá, Mato Grosso), Coletivo Domingos Passos (Niterói, Rio de Janeiro),
União Popular (Goiânia, Goiás), Federação Anarquista Gaúcha (Rio Grande do
Sul), Federação Anarquista Insurreição (Rio de Janeiro), JULI-Juventude
Libertária (Caxias, Rio Grande do Sul)
Apóiam esta iniciativa: Rede Libertária da Baixada Santista (Santos, SP),
AR-S26 (Mogi das Cruzes, SP) e RNT-1936 (Guarulhos, SP)
Atenção! Não será possível a participação de indivíduos e grupos que não
entrarem em contato antecipadamente, porque temos que saber
antecipadamente o número de presentes para agilizar local para dormida,
rango e o local do encontro.
O FAO desde já! Passaremos desde já a circular informes, adesões e textos
de contribuição sobre o FAO. Uma vez mais ressaltamos que o FAO é aberto a
todos aqueles que desejam sinceramente se organizar como anarquistas e
militar socialmente.
ESPERO PELO DIA

Espero pelo dia em que os operários cheguem mais tarde ao trabalho ou que
saiam mais cedo e que sintam pelo menos uma vez o desejo de não trabalhar
mais
Espero pelo dia em que todas as pessoas deixem de ler jornais e que partam
os televisores e que ensinem às gerações futuras os meios de evitarem os
veículos mais grosseiros da mentira
Espero pelo dia em que os supermercados abrirão as suas portas e
distribuirão gratuitamente as suas mercadorias por toda a gente que ajudou
na sua produção ou que simplesmente delas necessitam
Espero pelo dia em que à primeira oportunidade todo e qualquer subordinado
parta as ventas ao seu chefe e que compreenda nessa altura que não bate
num ser humano
Espero pelo dia em que o estado seja abolido e com ele o seu cão de guarda
-- o polícia -- e todas as forças militares e que desta maneira a
felicidade seja possível
Espero pelo dia em que todos os assalariados atirem a sua folha de
vencimento à cabeça do caixa e que cada um seja o seu próprio e único
senhor
Espero pelo dia em que a divisão social do trabalho seja abolida em que
não haja função de senhor e função de escravo e em que os intelectuais não
sejam o exército de reserva da burocracia
Espero pelo dia em que os políticos tenham o lugar assegurado nas salas de
circo como palhaços do espectáculo ideológico e onde as crianças poderão
atirar-lhes amendoins livremente
Espero pelo dia em que todos os operários rasguem o seu cartão do
sindicato e onde cada um disponha livremente de si próprio sem depender de
quem quer que seja Espero pelo dia em que a família não seja mais a
aprendizagem do papel o condicionamento da submissão o caminho do
recalcamento a destruição sistemática da criatividade infantil (...)
Espero pelo dia em que a construção da sociedade se faça em moldes
internacionais liquidando os preconceitos imbecis dos nacionalismos e dos
regionalismos e onde as diferenças não criem mais barreiras
Espero pelo dia em que o esforço de perfeição seja dirigido não para as
frases mas para os actos onde não haja nem bem falantes nem oradores com
efeitos de estilo e onde as palavras não mais sirvam para dissimular mas
que conduzam a verdade a resultados práticos
Espero pelo dia em que este poema não seja considerado político mas social
e total em que o mundo sendo diferente será melhor em que o comportamento
humano e a nossa percepção do real serão alteradas pela revolução
permanente
Canto a luta pela reinversão do mundo invertido

Francisco Trindade

[de http://www.anarquismo.org/noticias//stories.php?story=03/09/16/1793323 ]



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