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(pt) A Ditadura do Proletariado e o Socialismo Por Edgard Leuenroth

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Date Mon, 1 Sep 2003 23:37:58 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
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de CMI Brasil
O Ideal anarquista, é negação de todo princípio de autoridade e a
expressão mais completa das aspirações de liberdade que sintetizam a luta
dos povos através dos tempos. Defendendo esse ideal que tem por objetivo
extinguir, a divisão das coletividades em classes antagônicas, fonte de
todas as lutas que ensangüentam a história, não podem os anarquistas
concordar com a idéia de que, à ditadura do capitalismo, origem de todas
as tiranias, se oponha a ditadura de outra classe. Embora essa classe seja
o proletariado, seria isso fazer que a transformação social faltasse ao
seu fim, deixando sobreviver o germe das disputas que perturbam a
normalidade da vida coletiva. Seria simplesmente substituir a ditadura
dominante por outra que passaria a dominar. A ditadura perduraria. E o
grande mal está na permanência do domínio do princípio ditatorial.
Toda a vida da nova sociedade deve basear-se no trabalho, e a organização
dos que trabalham, em todas as suas modalidades, manuais ou intelectuais,
é a base da coordenação de todos os elementos que exercem função útil à
coletividade. É pela obra reconstrutora dessa organização - praticada de
acordo com os interesses coletivos, na base do federalismo libertário que
se operará a extinção das classes, como a natural absorção das categorias
inúteis e parasitárias.
Não concordando com a ditadura do proletariado, repelimos, com muito mais
razão, a ditadura de um partido, ainda que esse partido, se apresente como
sendo a elite do elemento revolucionário social e como a vanguarda da
classe trabalhadora. Entendem os anarquistas que, dando-se à organização
profissional a necessária eficiência de coesão, de capacidade
administrativa, técnica e revolucionária no sentido renovador libertário,
ela poderá assegurar o êxito da transformação social e a obra
reorganizadora da sociedade.
O capitalismo, é certo, tratará não só de defender por todos os meios os
seus privilégios de classe, durante o movimento reivindicador, mas também
de reconquistá-los, após a queda de seu domínio. O proletariado, pois,
deve preparar-se suficientemente para sustentar a luta, convencido de que
será penosa e demorada. No embate decisivo, bem como no período de
reorganização da sociedade, terão de ser usados os recursos
revolucionários que as circunstâncias mostrarem ser necessários para a
vitória sobre os elementos reacionários, até se firmar a estabilidade do
novo regime. Entretanto, nunca perderemos de vista a verdade histórica de
que a liberdade do povo só poderá ser conquistada pelo esforço organizado
do próprio povo e nunca imposta pela coação de um poder central. Surgindo,
muitas vozes, com intuitos revolucionários, esse poder naturalmente se
transforma em organismo de reação sistemática, quer contra os elementos da
direita, quer contra os da esquerda que trabalharam para efetivar a obra
de transformação social.
O objetivo da revolução em todo o mundo é um só: a queda do capitalismo
com todas as suas instituições draconianas. Julgam os anarquistas,
entretanto, que a ação transformadora da sociedade terá naturalmente de se
desenvolver, não em obediência a um padrão uniforme, como a ditadura do
proletariado ou de um partido, mas de acordo com as exigências, cheias de
modalidades diversas em cada país, obedecendo às características próprias
de cada povo e às tendências históricas do seu movimento revolucionário.
Depois, há, ainda, a considerar uma questão de lógica. Ditadura do
proletariado é mentira convencional e paradoxo. Ditadura é, como se define
em direito, o poder exercido por uma minoria sobre a maioria. Ora, o
proletariado é a maioria. Como se podem conciliar, pois, esses dois termos
antinômicos?


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