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(pt) [Palestra & Debate]A Guerra civil em Angola e seus Refugiados no Brasil: Vivendo no seio do preconceito

From kradap@yahoo.com.br
Date Tue, 7 Oct 2003 18:12:40 +0200 (CEST)


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====== Grupo de Estudos Libertários - G.E.L =======

Palestra & Debate com Ricardo Ubiratan (Historiador & Ativista AnarcoPunk).

Tema: "A Guerra civil em Angola e seus Refugiados no Brasil: Vivendo no
seio do preconceito".
Local: Rio de Janeiro
Dia: 8 de Outubro (Quarta-feira)
Horário: 19:00 Horas
Local: PUC/CASOC
Divulgação: G.E.L & K.R.A.D.A.P

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Texto de Introdução: “A Guerra Civil em Angola 1975-2001”

O atual processo de globalização e o desenvolvimento de tecnologias de
comunicação têm ampliado o contato e a interação entre os povos do mundo
todo. A análise dos atuais fluxos migratórios revela questões de ordem
sociocultural, econômica e política que ocupam destaque na mídia,
alardeiam movimentos sociais de defesa dos direitos humanos e torna-se
objeto de pesquisa científica de diversas áreas. Muito se tem discutido a
respeito do impacto da chamada globalização na vida dos países e
indivíduos. Há uma polêmica que está acesa principalmente nos últimos anos
que diz respeito ao aumento da pobreza, da desigualdade e da exclusão
social que a economia global tem provocado no mundo, além das contradições
políticas do neoliberalismo, regime predominante nos países do Ocidente e
que tem sido associado à própria globalização.
O continente africano é conhecido por suas guerras e conflitos internos.
Além de todas as outras mazelas que enfermam a África, um dos resultados
da guerra é o crescimento assustador de refugiados, que em busca de
segurança e de melhores condições de vida, refugiam-se para a América e
para a Europa. A guerra em Angola iniciada em 1975, ano que este país
torna-se independente de Portugal, permaneceu não só na memória, mas
consumindo vidas e inviabilizando o desenvolvimento daquele país. Vinte e
sete anos passados sobre a data da independência nacional, os angolanos
não conheceram, senão fugazmente, a paz e a estabilidade. A crueldade da
História mostrou ao povo angolano, por mais de uma vez, uma imagem de paz.
Idéia que se esfumaria no meio de uma violência cada vez maior que a
anterior, deixando atrás de si a descrença, a desconfiança e até, por
vezes, o desânimo.
O conflito originou-se das divisões étnicas, sociais, raciais, ideológicas
e regionais provocados, não só, mas também pelo regime colonial português.
A formação dos movimentos nacionalistas em Angola refletia essas divisões.
A resistência angolana, que não ficou incólume à agressiva reação
portuguesa e às tentativas de asseveração da condição de Angola como
colônia, teria proporcionado enfim o estabelecimento do Acordo de Alvor, o
qual estabelecia um governo de transição até a independência. As lutas de
libertação acentuaram, por seu lado, a coesão dos diferentes grupos
etnolinguísticos angolanos contra o ocupante estrangeiro, assim
contribuindo para o embrião de um sentimento nacional.
Em 1976, o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) surgiu como
governo de uma Angola independente apoiada pela URSS e Cuba. Nos anos que
se seguiram, enquanto que a FNLA (Frente Nacional de Libertação de
Angola), perdia importância, Jonas Savimbi, da UNITA (União Nacional para
a Independência Total de Angola), conseguiu apoio para sua organização por
parte da África do Sul, Estados Unidos e outros países. As hostilidades
entre os movimentos acentuaram-se com a inserção do conflito no contexto
da guerra fria, isso não apenas prolongou a guerra até o final da década
de 80 como também afetou o equilíbrio de poder em Angola e estabeleceu as
condições para as futuras negociações de paz.
A intervenção em Angola de potências estrangeiras, com meios
incomparavelmente mais destruidores que os usados pela potência colonial
durante a guerra de libertação nacional, deu origem a uma espiral de
violência e destruição que o país nunca havia conhecido. A vida tem sido
tão dramática que os valores, por vezes, se pervertem, confundindo-se
estabilidade com dependência e caos com independência. A libertação
nacional não representou o fim dos conflitos bélicos em Angola. A disputa
pelo poder na nação ainda em construção teria engendrado uma guerra
catastrófica para a população. Todavia, no caso de Angola, não ficou
transmitida claramente uma imagem internacional do impacto da guerra em
termos humanos, nem das responsabilidades. Sempre foram escassos os
relatórios em primeira mão provenientes do interior de Angola que chegaram
à imprensa. Poucos são os jornalistas e outros ocidentais que ao visitar
Angola seguem para o interior. As imagens da guerra angolana na década de
80, no Ocidente, eram caricaturas que referiam um governo marxista apoiado
por tropas cubanas e atacado por combatentes guerrilheiros anticomunistas.
Mas, mesmo os aliados do MPLA recebiam pouca informação direta que
permitissem dar uma face humana ao conflito.
Esta guerra terrível contabilizou até o ano de 2000, a morte de mais de
500.000 pessoas, a mutilação de mais de 800.000, e ainda registra o maior
número de minas explosivas ativas por quantidade de habitantes em todo o
planeta. Neste fogo cruzado, muito sem ter para onde ir e à procura de paz
fugiram para vários lugares em todo mundo. A guerra civil tem promovido a
dispersão da população angolana, segundo dados fornecidos pela ONU,
existiam 1.550.000 deslocados internos em Angola e 280.000 refugiados nos
países vizinhos. A fuga seria, no entanto, a última esperança para viver.
Sendo marcante na experiência do angolano a questão da guerra civil que
permeou toda vida de seu país, constituindo, às vezes, um motivo direto ou
indireto de sua vinda para o Brasil. Importante destacar que esta
comunidade não apresenta um discurso homogêneo quanto à memória de guerra
e às condições de vida no Rio de Janeiro. Suas opiniões variam conforme a
posição sócio-política que estes possuíam em seu país de origem.
Observa-se a reconstrução da experiência angolana em território brasileiro
feita nos campos das associações políticas, da religião, dos lazeres e na
base de histórias de vida partindo do foco contido na memória do refugiado
angolano, como importante, para a adequada compreensão da construção da
identidade deste. Socialmente, nos fornecendo também visões originais
sobre a realidade carioca e de Angola através dos olhos destes refugiados,
tentando sempre ampliar este jogo de representação mútua existente.
Mais uma vez, em um momento histórico distinto, são marcadas as relações
entre o Brasil e Angola e almejamos identificar o nexo de tais relações.
Partiremos de indagações tais como o porquê de o Brasil ser o país
escolhido e o que viabilizou a chegada até aqui. Quem são estes refugiados
africanos que podem realizar seus estudos ampliando sua capacitação
profissional, visto que nem todos os angolanos tiveram a oportunidade de
sair do seu país, tornando-se vulneráveis as conseqüências da guerra, sob
ameaça inclusive da perda da vida. O grande fluxo migratório trouxe
angolanos de várias partes daquele país, luandeses, bakongos enfim, um
grande número de pessoas que fugiam das áreas de intenso conflito. Com
essas pessoas desembarcaram também suas histórias de vida, suas
trajetórias, costumes e valores.
Três gerações angolanas conheceram a guerra como pano de fundo do seu
cotidiano. Foram, todavia, os mais novos, que a sentiram de forma mais
amarga. É uma geração que nunca conheceu a paz. Muitos passaram a sua
infância em fuga, evitando emboscadas e minas. Viram morrer pais, irmãos e
amigos. A violência, para esta geração, não é o pano de fundo, é o seu
cotidiano. Para o povo, a paz só será aferida quando puder circular livre
e seguramente por todo o território.
Por Ricardo Ubiratan

Email:: kradap@yahoo.com.br






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