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(pt) A BATALHA, N. 198: Inteligentes ou loucos?

From jornalabatalha@hotmail.com
Date Sun, 18 May 2003 09:38:27 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
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Solicito aos homens de todas as fés que não atirem pedras, vou apenas
fazer perguntas. Já basta a quase solidão desta viagem feita ao contrário.Será que somos de facto inteligentes ou portadores duma qualquer
enfermidade mental de que não nos damos conta? Será, ainda, ter o cérebro
beneficiado de um crescimento favorável e promissor ou terá, antes, sido
maleficiado com uma qualquer hipertrofia fantasista e, portanto, dada a
confusões? É que ainda nos soa nos ouvidos o entusiasmo das festarolas que
anunciavam a chegada de um terceiro milénio, como se de um novo tempo e de
um novo homem se tratasse, e heis-nos perante o senão, de que somos
useiros, deste recorrente atear de labaredas.Nas histórias diversivas que gostamos de contar há uma relatando que,
estando Deus agastado com os níveis de maldade, cada vez mais pavorosos,
com que os humanos se iam flagelando, achou, por bem, pôr cobro definitivo
ao desvario. E, sendo tal a importância do empenho, decide enviar como
mensageiro da ordem, nada mais nada menos que o próprio filho. Aligeirando
a história demasiado conhecida, e, apesar de bibliotecas inteiras com
teses contrárias, a verdade é que apesar do empenho, apesar do nível
elevado do mensageiro, apesar da disponibilidade de megapoderes a derrota
é inquestionável (não resolvendo o que havia a resolver e tudo piorou daí
para cá) e com picos de crueldade que se calhar, eram outros tantos faróis
de aviso. A leitura que faço da história? Se nem tais personagens nem tal
empenho conseguiram, sequer, acalmar as labaredas, como encontrar solução
que nos redima? Já que a evidência é de estarmos nós, humanos, empenhados
e envoltos num círculo onde somos, simultaneamente, bombeiros e labareda.Pela parte que me toca, a afirmação começou por dar lugar ao espanto e,
para evitar o caminhar para um qualquer estado petrificante, o espanto deu
lugar à interrogação, sendo a grande e principal, esta de como nos
livrarmos do pesado fardo deste outro que carregamos, que, ainda por cima,
nos debita a dúvida de, afinal, o que somos e quem somos? Como responder
que sendo eu voseiro de uma ideologia ou de uma moral, logo que o fogo das
circunstâncias me leva a um qualquer poder, onde a sua experimentação
seria, obviamente, o mais aguardado; os outros, aqueles que há bem pouco
me escutaram, dêem comigo a fazer o contrário, e bem pior, a ser
personagem de um rol de mentiras (de torpe evoluir) ilusionando que esse
contrário não é contrário algum?Não, eu não vou falar de guerra, o meu alvo é o evidenciar da
personalidade assimétrica que no caso da guerra atinge picos de paradoxo;
aqui empenha-se o ser humano a fim de dar uma eficiência milimétrica
àquilo que diz nem querer nem gostar. A guerra é antes de mais a
preparação da guerra: uma bomba cai num mercado e mata dez, um grupo de
cientistas (gente de nobre profissão) debruça-se sobre o resultado e
interroga-se; porque não aperfeiçoar o engenho de maneira a que em vez de
dez mate cem ou mate mil? Ou que crie tanto medo que o próprio medo seja
mais arrasador que o engenho? É neste desejo de aperfeiçoar e usar e
voltar a aperfeiçoar e a usar, interminavelmente porque inebriante, que
está, quanto a mim, bem mais determinante do que a ideia de lucro e de
poder, a motivação principal da guerra. Inteligência, loucura? O sacana,
cínico e estudioso, quantas vezes afável, e o resultado, que é o fim da
cadeia onde a gente verdadeiramente se mostra. Mas há o operário da
fábrica, há o investidor e o político, é ainda a tão venerada economia.
Podemos peneirar em busca de quem não está encadeado no quê, podemos
fazê-lo com uma minúcia a inventar, e se após tanto labor volvermos o
olhar a fim de contar inocentes, quantos são? É bom reparar que o
despotismo está a chegar ao poder tanto pelo assalto como pelo voto; e se
num lado há o medo que organiza a complacência, no outro há a complacência
que organiza o medo, há ainda a preguiça e há as distribuições
seleccionadas que põem os cães de rabo caído. Quanto à inocência que é
dela? Onde está o padrão da verdade? Um indivíduo toma de assalto um avião
e espeta-o deliberadamente contra um arranha-céus, e mata. Outro pega
noutro avião e, com uma eficiência profissional demoradamente trabalhada,
larga a bomba num mercado, e mata. Como qualificá-los? Serão heróis, serão
eficazes, serão consoante as culturas ou os recalcamentos de apreciação,
santificados ou medalhados e ambos por dever cumprido. Então e a
humanidade, e a santidade, e a civilidade e toda a panóplia de ladainhas
com que nos besuntamos e pretendemos ser?A atitude humana parece não ser o resultado de um processo que se vai
desencadeando em linha recta;Quase tudo o que acontece, acontece tão embrincado que parece que não era
para o que se queria que acontecesse! Um professor de matemática, ou de
química, ou de física, ensina cálculo, ensina a composição das substâncias
e seus efeitos nocivos uma vez em contacto, ensina o estudo da energia,
das suas transformações e efeitos. Ensina muito nobremente com a intenção
explícita de ajudar rapazinhos a rumar para o conhecimento, conhecimento
esse, diz-se, que libertará os indivíduos humanos do estado de
embrutecimento que, ao que parece provado, nem nenhum milénio nem recursos
empreendidos foi capaz de pôr fim. Então, para espanto, não irão ser
muitos desses rapazinhos (se calhar os mais promissores) que uma vez
formados e cuja base de efectivação se iniciaria nesses bancos de escola,
não serão muitos deles, dizia, que irão continuar esse escol de
preparadores de engenhos que, racionalmente, (não digo irracionalmente
eles sabem bem o que fazem) atiram a humanidade para picos do mais
inqualificável embrutecimento?Diante do espelho olhamos o outro que nos olha. Como separar o obreiro
desta angústia e vergonha permanentes que se oculta sob a pele desse outro
que diz ser puro, desse outro que, tendo ideais não gosta, e julga o
lastro pesado que carrega? Como separar então estes dois? Dez mil anos ou
mais é demasiado tempo; que ninguém nos impeça a intuição: se calhar
deslumbrados com a descoberta do que apelidamos de inteligência fomos
perdendo a linguagem dos afectos, multiplicamo-nos destruindo as
comunidades dos pequenos grupos onde os indivíduos se contemplavam, se
catavam, se cheiravam em gestos de confiança como dado mútuo, se roçavam
os corpos e dormiam juntos, encostados no mesmo espaço, era essa corrente
de afectos a essencialidade da segurança do grupo, não havia coacções nem
tarefas; quem saberá se a ideia do paraíso não serão farrapos renitentes
de memória que confundimos com utopias a construir’E se calhar fomos assim durante tanto tempo, mais feitos de afecto do que
de vísceras e, não aguentando o corte, enlouquecemos de ódio.João Santiago




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