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(sup) (pt) A_Dialéctica_de_Proudhon: Uma_Dialéctica_da_Liberdade

From "Francisco Trindade" <ft@franciscotrindade.com>
Date Sun, 23 Mar 2003 22:25:47 +0100 (CET)


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A - I N F O S N E W S S E R V I C E
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A Dialéctica de Proudhon: Uma Dialéctica da Liberdade

Basta uma breve vista de olhos sobre a literatura secundária para se
perceber que os estudos consagrados a Proudhon inscrevem-se na maior
parte das vezes numa perspectiva sociológica ou política, raramente
filosófica. Proudhon não é levado a sério pelos filósofos, e os
sociólogos e políticologos que partilham o discurso sobre ele deixam de
lado o plano mais propriamente filosófico.

O caso da dialéctica, verdadeiro nexo de todo o pensamento proudhoniano,
é particularmente característico nesta perspectiva. Desde 1936, nunca
existiu publicação que lhe fosse especificamente consagrada; ela faz
unicamente o objecto de alusões ou de breves capítulos na margem de
trabalhos orientados sobre outras questões. Como explicar esta falta de
interesse das críticas por um dos temas centrais do pensamento
proudhoniano, nos mesmos dizeres do seu autor, senão pelo desinteresse
por toda a parte, mais propriamente filosófica da obra proudhoniana?

O problema não é datado. Se se toma em consideração a primeira recepção
dos dois textos onde Proudhon expõe a sua concepção da dialéctica, Da
criação da Ordem na humanidade e Sistema das Contradições económicas,
constata-se que a parte filosófica destes escritos é, desde o surgimento,
o objecto de inúmeras críticas. Proudhon queixa-se de si mesmo num texto
que fixa de algum modo, negativamente, o quadro interpretativo que lhe
convinha aplicar e o bem que ele concebe entre as diversas partes do seu
sistemas, filosófico, político e religioso. Um ano depois da aparição da
Criação, Proudhon escreve ao seu amigo Ackermann:

« Vós solicitais que eu tenha partidários. Eu confesso-vos muito
humildemente - ou convictamente - que neles não acredito. - Pauthier
encontra a minha teoria muito especial; (.) Tissot pronuncia claramente
que a minha metafísica não é nada; a Revista independente declarou que me
iludo; Pierre Leroux aproxima-me em ter atribuído a Fourier a primeira
percepção da lei serial, sem explicar-se aliás; a grande parte diz que
eles não me compreendem.

» Para o resto, uns aceitam a economia política e a teoria das funções;
outros são arrebatados ao ver a religião atamancada, mas não admitem que
a filosofia não seja nada, e vice-versa (.). Os republicanos sabem pouco
dos meus trabalhos, porque eu não sou partidário cego da guerra, das
fortificações de Paris, e outras opiniões revolucionárias; os comunistas,
que não se figuram como dois princípios contraditórios (propriedade e
comunidade) podem formar uma Síntese que os absorve e os transforma,
olhando-me quase como um legítimo meio.» Por isso a constatação de
incompreensão, aproxima-o de que Proudhon formula acerca dos seus
difamadores ao despedaçar de alguma forma o seu pensamento para meter só
um aspecto, político, religioso ou filosófico, em detrimento dos outros,
sem compreender a ligação orgânica que os une.

Apesar dos ecos bastantes negativos em França e a recepção na Alemanha,
favorável seguramente ao primeiro texto mas francamente hostil ao
segundo, que ocasionara a ruptura com Marx (a atitude de Marx perante
Proudhon desde 1846 tem também, sem qualquer dúvida, contribuído em
descrédito daquele e do seu projecto dialéctico), Proudhon não desarma;
seguramente ele não consagra nenhum capítulo específico ao tema da
dialéctica nos textos posteriores no Sistema das contradições económicas,
mas o conjunto da sua obra só se compreende a partir da dialéctica, que a
sub entende ligando-a às diferentes partes.

O carácter doravante mais misterioso da dialéctica derrotou os
intérpretes, que transferiam o seu interesse sobre os problemáticos
explicitamente temáticos do pensamento proudhoniano. Mesmo P. Haubtmann,
nos seus notáveis titânicos estudos sobre Proudhon, faz pouco caso desta
dialéctica, que ele considera como um capítulo terrível do pensamento
proudhoniano e sobre o qual ele ironiza com inspiração. Certamente,
«força está-lhe (.) por outras palavras, mas, apercebe-se, ele não o faz
só como um manifesto de má vontade e não deixa de destacar o seu
desacordo quanto ao pretendido carácter luminoso e decisivo que Proudhon
empresta à sua teoria («nós não partilhamos o seu conselho (o conselho de
Proudhon), escreve ele a propósito da evidência da lei séria como
critério de certeza). Incerta poeira aos olhos sem real fundamento, a
dialéctica séria surgia «mais obscura que convincente, mesmo se se admite
as suas conclusões», confusa por outro lado, os desenvolvimentos que lá
consagram Proudhon "são de tal modo verbais, indigestos, e obscuros que
ele não os considera útil "acompanhar". Na filosofia social de P.-J.
Proudhon, ele persegue a mesma via: «A imprecisão redutível da sua
terminologia, escreve, e o anfiguri extermo das suas sérias vocações não
permitem precisar em primeira mão, pelo menos pelo momento, a
significação filosófica exacto da sua lógica: nós o aprenderemos
sobretudo pela utilização que ele faz» . O pelo menos pelo momento deixa
prever que o autor tinha a intenção de voltar a este ponto seguinte. Ele
não faz nada mal e limita o seu exposto da dialéctica nas obras de
juventude. Ele consagra algumas páginas à dialéctica em: Pierre - Joseph
Proudhon, sua vida e seu pensamento, 1809 - 1849 e em Proudhon, Marx e o
pensamento alemão, obras remetendo-se para o período das publicações de
juventude, não falando, em conta partida, em Pierre - Joseph Proudhon,
sua vida e seu pensamento, 1849 - 1865. Na filosofia social de P.- J.
Proudhon, que leva em conta a integrabilidade da obra proudhoniana, os
desenvolvimentos consagrados à dialéctica dizem respeito sobretudo à
Criação e o Sistema de contradições económicas. De uma forma geral,
Haubtmann apressa-se nas passagens onde Proudhon tematiza explicitamente,
seguindo uma forma desajeitada, sua concepção da dialéctica; em
contrapartida, ele está pouco interessado na sua aplicação no conjunto da
obra, negligenciando assim um aspecto primordial do pensamento de
Proudhon.



Actualização de Março do site http://www.franciscotrindade.com

Com a introdução de um novo texto intitulado

A Dialéctica de Proudhon: Uma Dialéctica da Liberdade

Segue-se excerto do texto que pode ser lido na íntegra em
http://www.franciscotrindade.com.

Responsável técnico entusiasta - José Carlos Fortuna.

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Dezenas de ensaios em português dedicados à maior cabeça pensante de
língua francesa e o maior filósofo do século XIX, excluindo Hegel.

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Responsável técnico - José Carlos Fortuna.

Saudações proudhonianas

Até breve

Francisco Trindade





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