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(pt) Reunião na Biblioteca dos Operários, Lisboa, a 21-03-03

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Date Sat, 22 Mar 2003 06:57:45 +0100 (CET)


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A 21 de Março reunimos na Biblioteca dos Operários
(R. das Janelas Verdes, 13, 1º Esq. Lisb.) para um debate sobre
"A Guerra, a Paz e a Vida". Eis aqui o meu resumo pessoal da
sessão.

A reunião contou com a presença de uma dezena de pessoas.
Companheir@s desejos@s de discutir com vista a chegarem a
consenso sobre as causas profundas destes actos de selvajaria de
que somos todos testemunhas.

A exposição do tema iniciou-se com a leitura do seguinte texto
de apresentação.

«Apenas por comodidade de linguagem se utiliza o vocábulo
"Guerra" para designar as operações militares que as forças do
Império desencadeiam desde alguns anos em diversos locais do
planeta. Para que haja "guerra", supõe-se que as forças em
presença sejam, mais ou menos, equivalentes.
Os massacres mediatizados que já nos infligiram antes e que
agora reaparecem, e aos quais, sem dúvida, outros se seguirão,
são sobretudo uma forma de "keysianismo desdesperado", utilizado
pelas sociedades liberais: o orçamento militar injecta dinheiro
num sistema capitalista em crise, na tentativa de lhe trazer
algum alento. Repare-se como as notícias referentes à guerra são
acompanhadas de informações sobre as repercussões do conflito
sobre a economia (entenda-se por economia, capitalismo). E essas
informações não são só sobre o preço do petróleo, abordam
também outros indicadores do estado do capitalismo, nomeadamente
as cotações nas Bolsas, que - segundo os apreensivos defensores
do sistema - estão "a reagir bem" à hecatombe. Quantos mortos,
dor e destruição serão necessários para que as debilitadas
bolsas de Nova Iorque e restantes possam proporcionar chorudas
especulações aos capitalistas?

Os meios de informação e de propaganda de massas, enquanto
desenvolvem o espetáculo daquilo que insistem em chamar
"guerra", tratam de utilizar termos bem suaves para designar a
autêntica guerra que o capitalismo desenvolve para se apoderar
de todas as riquezas do planeta, essa ofensiva guerreira que
tantas vítimas produz é chamada: restruturação, deslocalização,
plano social...
Enquanto procedem a esta ofensiva, os senhores do mundo tratam
de manter os pobres bem distantes e procuram convencê-los que a
chamada conjuntura de crise impede todas as reivindicações.

Diariamente, todos sofremos as consequências da crise de
acumulação que assola o capital; e não esqueçamos que não há
capitalismo sem lucros. Quando não há lucro, ou é muito
reduzido, são os mais frágeis que sofrem as consequências em
primeiro lugar. Os que não proporcionam lucro são postos de
parte, excluídos.
Mais do que isso, o sistema procura convencer-nos que os pobres,
os precários, os imigrantes, todos os excluídos, ou seja 4/5 da
humanidade, são, eles mesmos, os culpados da sua situação.
O sistema conduz milhões e milhões de seres humanos à exclusão,
á fome e à miséria e quando necessário, à morte, para que o
domínio do dinheiro e do lucro subsista.
É o que se passa actualmente na guerra com o Iraque. Outras se
seguirão!

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Seguidamente, foi apresentado um quadro geral do contexto
económico em que se desenvolve todo este cenário de guerra, com
especial ênfase para a impossibilidade do sistema se renovar.
Estabelece-se assim uma diferença qualitativa com com as crises
cíclicas do capitalismo anterior.
Igualmente foi abordada a hipocrisia de toda a classe política,
especialmente da "esquerda bem-pensante" agrupada em torno do
"Le Monde Diplomatique", que vê tudo na lógica de uma parte do
sistema contra outra parte (o euro contra o dólar). Essa atitude
foi considerada criminosa e belicista, pois o acirrar das
rivalidades intra-capitalismo só pode desembocar, se levadas ao
extremo, a uma deflagração entre potências capitalistas (por um
lado as França e as eurocracias e do outro os EUA e seus
vassalos). Foi feito um paralelo com a atitude da "esquerda
social-democrata" em vésperas da Iª Guerra Mundial.

Seguiu-se um animado debate, que abordou questões económicas,
sociais, geoestratégicas e mesmo antropológicas.

No final do debate o companheiro Leonel leu um poema seu (A
COMÉDIA DA TRAGÉDIA) que pode ser apreciado em:
http://planeta.clix.pt/obeco/lsantos4.htm

Para encerramento da sessão, decidiu-se marcar nova reunião, á
qual estão conviddad@s tod@s @s leitor@s, com a mesma ordem de
trabalhos e no mesmo local, para dia 28 de Março (Sexta-feira)
ás 21 h.
APARECE! CONTRIBUI COM A TUA PARTICIPAÇÃO A UM DIÁLOGO
DESCOMPLEXADO ENTRE PESSOAS QUE PARTILHAM
AS MESMAS INQUIETAÇÕES.

Manuel Baptista



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