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(pt) Tradução(primeira parte): NEFAC entrevista à Federação Anarquista

From worker-a-infos-pt@ainfos.ca (Flow System)
Date Tue, 4 Mar 2003 13:58:14 +0100 (CET)


Gaúcha (en)From: Worker <a-infos-pt@ainfos.ca>
Date: Tue, March 4, 2003 1:18 pm
To: a-infos-pt@ainfos.ca
Sender: worker-a-infos-pt@ainfos.ca
Precedence: list
Reply-To: a-infos-pt

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[tadução para A-Infos, por M.B.]
A Federaçãoo Anarquista Gaúcha existe desde 1995,
e seu nome deriva da região Gaúcha do Sul do Brasil
nomeadamente do Estado de Rio Grande do
Sul onde esta organização está localizada. A capital,
Porto Alegre, é bem conhecida por ser a sede desde
há alguns anos do Fórum Social Mundial (FSM). Estive
no Brasil no último FSM e encontrei-me com alguns
membros da FAG e nesse curto espaçi de tempo fiquei
impressionado com o seu trabalho de organização
e com a dedicação do grupo, que realizava em
simultâneo as Jornadas Anarquistas durante o FSM
e continuavam com o seu trabalho próprio. Abaixo,
Uma entrevista com Luciana, a secretária internacional
da FAG. Tradução [para inglês] por Tony.

- entrevista por Red Sonja (NEFAC-Boston)


NEFAC: A FAG na sua formação, foi influenciada pela
FAU uruguaia e está presentemente na  SIL (Solidariedade
Internacional Libertária).  Com que grupos anarquistas
da América do Sul trabalham mais estreitamente? A
SIL tem sido benéfica como rede internacional para os
grupos do hemisfério austral? Que tipo de trabalho solidário
é preciso por parte dos grupos anarquistas da América do
Norte e da Europa?

FAG: A FAG mantém relações com diversos grupos
brasileiros e latino-americanos pela internet
e por correio postal com listas de correio e boletins.
Na América latina, mantemos relações mais frequentes
com OSL da Argentina, CUAC do Chile, as Juventudes
Libertárias da Bolívia, Comunidade Indígena Flores
Magón de Oaxaca, México, Quilombo Libertário da
Bolívia e, claro, com a FAU do Uruguai, com quem
temos uma ligação orgânica.

No Brasil temos relações directas com a Federação Anarquista
Cabocla de Belém do Pará (Norte do Brasil- Amazónia),
Luta Libertária de São Paulo, o Movimento Estudantil de Mato
Grosso do Sul, Construção Libertária de Goiana,  Quilombo
Cecília da Baía e muitas outras. Todas as organizações brasileiras aqui
mencionadas aderem ao “especifismo”.

Para a FAG, a SIL foi uma grande etapa para ultrapassar
o sectarismo e começar a construção de de laços
solidários pela partilha de alguns princípios entre o
“especifismo” e o anarcosiindicalismo ou com outros
anarquistas e revolucionários que fazem parte da SIL.
A solidariedade de classe, a acção directa e intervenção
nos movimentos sociais apresenta grandes lacunas onde
a classe dominante tenta fragmentar as vontades revolucionárias.
Temos recebido apoio solidário  de organizações tais como a
SAC (Suécia), Apoyo Mutuo (Espanha), a secção francesa da
SIL (Alternative Libertaire, No Pasaran, OCL), a OSL  da Suíça e
a própria  FAU.

Pensamos que o tipo de apoio que as organizações latino
americanas mais precisam é uma boa estrutura e apoio
político para as suas campanhas para a libertação dos
prisioneiros políticos e outras campanhas onde podemos
contar com a solidariedade internacional.
estruturalmente, qualquer organização dos países periféricos
tem problemas: é um grande esforço conseguir fazer um
simples boletim. Aqui, no Brasil, a nossa carência maior
é, sem dúvida, uma tipografia.

NEFAC: A FAG adere ao "especifismo" como a
FAU do Uruguai? Isto parece ser a variedade de
plateformismo própria do cone Sul da América.
poderias comentar ácerca  das diferenças e das
influências que cada uma tem nos princípios da FAG?

FAG: Hoje, o "especifismo" é mais uma prática do que
uma teoria. A FAU e a FAG tentaram construir muito
seriamente uma definição da mesma teoria. Antes
de tomar conhecimento do  platformismo, a FAU
começou a desenvolver o ‘specifismo’. Não
há muito tempo tivemos acesso ao texto de Dielo Trouda,
e a primeira tradução feita em português do Brasil dos
textos dos anarquistas russos serve como uma base,
mostrando a necessidade de os anarquistas se
organizarem a eles próprios. Para intervirem como
anarquistas no interior dos movimentos sociais, mantendo
a sua distância na discussão e desenvolvimento de políticas --
disto também fala Malatesta.

Esta parte do texto é a mais importante para nós.
Hoje o  "especifismo" engloba os seguintes conceitos:
organização anarquista estruturada de modo federalista,
incluindo o sistema de delegação e processo executivo,
funcional, por forma a que possa alastrar-se por
vastas áreas sem a necessidade de assembleias e
encontros frequentes; prática e teoria direccionada
para esta era e para um lugar onde a organização
Anarquista está sendo implementada; organização
Anarquista concentrada na Declaração de Princípios
nos Pactos Orgânicos e  Estratégias direccionadas
para as Estratégias Gerais. As estratégias concretas
são os objectivos de curto prazo da organização e as
estratégias gerais os de longo prazo. A nossa acção,
em articulação com o movimento social equilibra-se com
as diferenças político ideológicas ao nível social.

Um nível político ideológico (agrupações políticas,
incluíndo a FAG) deveria enfatizar os movimentos
sociais e populares, mas sem tentar torná-los
"anarquistas",  porém mais militantes. O movimento
social não deveria ter uma ideologia política, o seu
papel seria o de unir e não de pertencer a um
partido político. É possível que no movimento social
se unam os militantes e se construa uma base unificada,
embora isso não seja possível a um nível ideológico.

Porque sabemos que não vamos fazer a revolução sozinhos
teremos de estar conscientes de que precisamos de nos
unir com outras forces políticas sem perda da nossa
identidade. Esta identidade é a organização anarquista
e é a estrada pela qual queremos construir a unidade
com outras forças políticas no movimento social.
A FAG tem estruturas de núcleos nos bairros e nas
cidades onde actua e tais núcleos possuem tácticas
autónomas mas não estratégias. A estratégia e o
plano de trabalho são frequentemente reajustados
no seio da análise do conjunto da nossa Associação
Federal, juntando delegados dos vários núcleos.

NEFAC: A FAG desenvolveu algumas relações com os
militantes de base do MST (Movemento Sem Terra),
um grupo que reflecte realmente a situação particular
do clima político do Brasil. Por que outros meios
a FAG está tentando avançar com as alternativas e
o programa anarquista na situação particular do Brasil?

FAG: Temos contactos com o MST mas não somos membros
do MST. O MST é sem dúvida o maior e mais combative
movimento popular do Brasil, embora seja um instrumento de
organização dos camponeses. A FAG tem concentrado as suas
actividades nas zonas urbanas doSul do Brasil. Nas zonas
urbanas a luta para unir os trabalhadores ainda não foi
realizada ao nível em que o MST fez com as áreas rurais.
O MST tem tentado criar alternativas de luta para as cidades
 mas não tem conseguido isso. Pensamos que, dada a elevada
taxa de desemprego no Brasil, aclasse oprimida urbana está,
em larga medida – não em fábricas – mas antes em pequenas
cidades, aldeias e morros.  70% do nosso povo vive
com empregos miseráveis, que chamamos "bicos".  São os
trabalhadores da construção, os "camelôs" (vendedores de rua),
catadores de lixo, empregadas domésticas, guardas de segurança,
trabalhadores de reparações, etc. Isto deixa a maioria da
população de fora das fábricas; eles trabalham na sua
vizinhança, onde vivem e têm família.
Portanto a  FAG actua nas suas comunidades periféricas
através dos chamados "espaços solidários", os Comités
da Resistência Popular. Estes têm a missão de trazer as pessoas
à luta unida pelos seus direitos, para o trabalho comunitário,
a pouco e pouco , com discussão e acção para construir uma
compreensão do poder popular e auto estima.
Vivemos em aldeias, morros e bairros e enquanto
moradores trazemos outros moradores para a luta,
para encontros locais, para uma educação recíproca
e para convívio.
Desde as actividades mais simples às mais complicadas
construímos o que chamamos de  "tecido social" que hoje
em dia se tem rompido devido à fragmentação da classe
oprimida. Os comités têm o papel de falar  e de construir
relações não apenas entre os residentes mas também com
as organizações populares da região: Clube de Mães,
rádios comunitárias, Associações de Vizinhos, Sindicatos,
etc.  Deste modo tentamos construir um agrupamento solidário
entre todas as organizações da comunidade, aumentando a
força mútua em direcção ao combate.
Também agimos dentro das Associações de estudantes das
universidades, com um grupo de eswtudantes que trabalha
com os movimentos sociais e também participamos
no Centro de Mídia Independente (CMI).  Fazemos isto
em ordem a dar-lhes um carácter mais popular
e fazer deles um autêntico movimento popular.
Também apoiamos as estações de radio locais
e evitamos pôr grandes quantidades de informação na Internet,
porque apenas 3% da população tem acesso a ela. Além do
trabalho ao nível social, também há trabalho ao nível
ideológico. A FAG mantém frequentes debates nas nossas
sedes e também pinta murais e outras actividades públicas
que exprimem a nossa ideologia anarquista e a nossa
posição antigoverno.

NEFAC: Como é que uma organização anarquista se relaciona
com o poder social democrático do Partido dos Trabalhadores
(PT)?
isto será sempre uma contradição que os anarquistas têm de
enfrentar:
esperamos um crescimento do movimento da esquerda, uma viragem
geral à esquerda, porém estamos em simultâneo em oposição
àquelas forças que mantêm vínculos liberais e/ou autoritários.
Será que a FAG espera ser o esporão no flanco do PT que provoca
a sua viragem mais à esquerda? Ou tem a FAG esperança de atrair
os mais radicais do PT para as fileiras anarquistas?

FAG: O PT é um partido muito fragmentado. Nos movimentos
sociais como o  MST e MTD (Movimento dos Trabalhadores
desocupados) existem militantes valiosos que pertencem ao
PT e que estão completamente decepcionados com a evolução
que este partido tomou. Porém, porque ainda não vêm uma
alternativa, continuam a acreditar que o PT pode mudar para
ser realmente de esquerda. Há também outros que estão
desiludidos e que se reúnem para formar um partido novo
dos trabalhadores baseado no marxismo-leninismo
e no trotsquismo.

Na nossa opinião, o PT é hoje o partido de esquerda official do
país que precisa de existir para legitimar as falsa e corrupta
democracia, que foi ajudado pela burguesia brasileira a
ganhar as eleições presidenciais. São o único partido
capaz de criar o pacto social que acalme os conflitos sociais,
acalme o MST, neutralizando os famintos e os miseráveis
sem força  (pelo menos, de momento). Podemos observar
com a nossa experiência com o PT na capital do Rio Grande do
Sul.


[fim da primeira parte da tradução]

Federacao Anarquista Gaucha
Caixa Postal 5036,
CEP 90040-970
Porto Alegre, RS,  BRAZIL
fag.poa@terra.com.br
http://www.fag.rg3.net



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NEFAC: http://www.nefac.net





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