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(pt) Comunicado do EZLN lido na manif de 15 -02 em Itália

From Worker <a-infos-pt@ainfos.ca>
Date Tue, 4 Mar 2003 13:54:06 +0100 (CET)


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de azine.org, tradução de E. Gennari
Este comunicado foi divulgado no La Jornada de 05 de fevereiro
de 2003.
EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.
MÉXICO.
15 de fevereiro de 2003.
Irmãos e irmãs da Itália rebelde:
Recebam a saudação dos homens, mulheres, crianças e anciãos do
Exército Zapatista de Libertação Nacional. Nossa palavra se faz
nuvem para atravessar o oceano e chegar aos mundos que estão em
vossos corações.

Sabemos que, hoje, no mundo inteiro se realizam manifestações
para dizer “NÃO” à guerra de Bush contra o povo do Iraque.

E isso tem que ser dito assim, porque não é uma guerra do povo
norte-americano, nem é uma guerra contra Saddam Hussein. É uma
guerra do dinheiro, que é representado pelo senhor Bush (talvez
para enfatizar que lhe falta qualquer inteligência). E é contra
a humanidade, cujo destino hoje está em jogo nas terras do
Iraque.

Esta é a guerra do medo.

Seu objetivo não é derrotar Hussein no Iraque. Sua meta não é
acabar com a Al Qaeda. Tampouco procura libertar o povo
iraquiano. Não são a justiça, a democracia e a liberdade a dar
vida a este terror. É o medo que a humanidade inteira se negue a
aceitar um policial que lhe diga o que deve fazer, como deve
fazê-lo e quando deve fazê-lo.

O medo de que a humanidade se negue a ser tratada como um botim.

O medo desta essência do ser humano que se chama rebeldia.

O medo de que os milhões de seres humanos que hoje se mobilizam
no mundo inteiro triunfem ao levantar a causa da paz.

Porque as bombas que serão lançadas sobre o território iraquiano
não terão como vítimas só os civis iraquianos, crianças,
mulheres, homens e anciãos cuja morte será só um acidente no
atropelado e arbitrário passo de quem invoca Deus, ao seu lado,
como meio para reduzir a destruição e a morte.

Quem encabeça esta estupidez (que é apoiada por Berlusconi, na
Itália, Blair, na Inglaterra, e Aznar, na Espanha), o senhor
Bush, comprou com dinheiro o poderio que pretende despejar sobre
o povo do Iraque.

Porque não temos que esquecer que o senhor Bush está como chefe
da auto-proclamada polícia mundial graças a uma fraude tão
grande que só pôde ser ocultada pelos escombros das Torres
Gêmeas em Nova Iorque e pelo sangue das vítimas dos atentados
terroristas de 11 de setembro de 2001.

O governo americano não se importa nem de Hussein, nem do povo
iraquiano. O que lhe importa é demonstrar que pode cometer seus
crimes em qualquer lugar do mundo, a qualquer momento e que pode
fazer isso impunemente.

As bombas que cairão no Iraque procuram cair também em todas as
nações da terra. Querem cair também nos nossos corações e
universalizar assim o medo que carregam dentro de si.

Esta guerra é contra toda a humanidade, contra todos os homens e
mulheres honestos.

Esta guerra procura fazer com que tenhamos medo, que acreditemos
que aquele que tem o dinheiro e a força militar tem também a
razão.

Esta guerra pretende fazer também com que nos encolhamos, que
façamos do cinismo uma nova religião, que fiquemos calados, que
nos conformemos, que nos resignemos, que nos rendamos... que
esqueçamos...

Que esqueçamos Carlo Giuliani, o rebelde de Genova.

Para os zapatistas, nós homens somos o que nossos mortos sonham.
E hoje nossos mortos sonham um “não” rebelde.

Para nós só há uma palavra digna e uma ação coerente diante
desta guerra. A palavra “não” e a ação rebelde.

Por isso é que devemos dizer “não à guerra”.

Um “não” sem condições nem porém.

Um “não” sem meias medidas.

Um “não” sem cinzas que o manchem.

Um “não” com todas as cores que pintam o mundo.

Um “não” claro, redondo, contundente, definidor, mundial.

O que está em jogo nesta guerra é a relação entre o poderoso e o
fraco. O poderoso é assim porque nos faz fracos. Alimenta-se de
nosso trabalho, de nosso sangue. Assim, ele engorda e nós
definhamos.

Nesta guerra, o poderoso invocou Deus do seu lado, para que
aceitemos seu poderio e nossa debilidade como algo estabelecido
como desígnio divino.

Mas, por trás desta guerra não há outro deus que não seja o deus
do dinheiro, nem outra razão a não ser o desejo de morte e de
destruição.

A única força do fraco é a sua dignidade. Ela o anima a lutar
para resistir ao poderoso, para rebelar-se.

Hoje, tem um “não” que enfraquece o poderoso e fortalece o
fraco: o “não” à guerra.

Alguém se perguntará se a palavra que convoca tantos no mundo
inteiro será capaz de evitar a guerra ou, já iniciada, de
detê-la.

Mas a pergunta não é se poderemos mudar o rumo assassino do
poderoso. Não. A pergunta que nos deveríamos fazer é: podemos
viver com a vergonha de não ter feito o possível para evitar e
deter esta guerra?

Nenhum homem e mulher honestos podem permanecer calados e
indiferentes neste momento.

Todos e todas, cada um com seu tom, do seu jeito, com sua
língua, com sua ação, todos não devemos dizer “não”.

E se o poderoso quer universalizar o medo com a morte e a
destruição, nós devemos universalizar o “não”.

Porque o “não” a esta guerra é também um “não” ao medo, “não” à
resignação, “não” ao esquecimento, “não” a renunciar a sermos
humanos.

É um “não” pela humanidade e contra o neoliberalismo.

Desejamos que este “não” ultrapasse as fronteiras, que burle as
alfândegas, que supere as diferenças de língua e de cultura, e
que possa unir a parte honesta e nobre da humanidade que sempre,
não devemos esquecê-lo, será a maioria.

Porque há negações que unem e dignificam. Porque há negações que
unem e fortalecem homens e mulheres no melhor de si mesmos, ou
seja, na sua dignidade.

Hoje, o céu do mundo fica cinzento de aviões de guerra, de
mísseis que se autodenominam “inteligentes” só para oculta a
estupidez de quem os manda e de quem, como Berlusconi, Blair e
Aznar, os justificam, de satélites que assinalam os pontos onde
há vida e haverá morte.

E o solo do mundo se mancha de máquinas de guerra que pintarão a
terra de sangue e vergonha.

A tormenta vem vindo.

Mas só vai amanhecer se as palavras feitas nuvem para atravessar
as fronteiras se transformarem em um “não” de pedra e abram uma
fenda na escuridão, uma fissura pela qual se possa fazer passar
o amanhã.

Irmãos e irmãs da Itália rebelde e digna:

Aceitem este “não” que nós zapatistas, os mais pequenos, lhes
mandamos do México.

Permitam que o nosso “não” se irmane ao seu e a todos os “não”
que hoje florescem em toda a terra.



Viva a rebeldia que diz “não”!

Morra a morte!

Das montanhas do sudeste mexicano.

Pelo Comitê Clandestino Revolucionário Indígena – Comando Geral
do Exército Zapatista de Libertação Nacional,

Subcomandante Insurgente Marcos.

México, fevereiro de 2003.



__________________

Este comunicado foi divulgado em Roma, na Itália, durante a
passeata contra a guerra realizada no dia 15 de fevereiro de
2003. Foi lido por Heide Giuliani, mãe do ativista Carlo,
assassinado pela polícia italiana em Genova, em julho de 2001.
No dia 17 de fevereiro, o seu conteúdo foi publicado no La
Jornada.




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