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(pt) O MOVIMENTO SOCIAL,O MOVIMENTO ANARKISTA E O GOVERNO LULA (parte 1)

From "cldvulg" <cldvulg@bol.com.br>
Date Sat, 12 Jul 2003 09:42:42 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
http://www.ainfos.ca/
http://ainfos.ca/index24.html
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Periodicamente realizamos uma discussão baseada em
textos auto-produzidos pelos ativistas ligados ao
Coletivo Libertário para servir de base ao texto
editorial do zine e para dar um conteúdo global às
nossas discussões. Eventualmente repassamos o texto para
alguns simpatizantes e algumas organizações ligadas ao
movimento pela reconstrução da COB/AIT.

Repassamos esse para o conjunto do movimento
libertário com o único intuito de estabelecer a base
para uma discussão unificada que possibilite a unidade
de ação entre diferentes setores do movimento anarkista.

Esperamos que esse seja bem recebido e repercuta
desenvolvendo uma discussão que favoreça o crescimento
do movimento libertário, o reforço do movimento social
revolucionário.

Aguardamos sua resposta.

SAÚDE E ANARKIA!
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Índice de tópicos do texto:
O MOVIMENTO SOCIAL, O MOVIMENTO ANARKISTA E O GOVERNO
LULA

1) Apresentação geral;
2) É só uma traição anunciada;
3) GOVERNO LULA: MESSIÂNICO E MAQUIAVÉLICO;
4) A popularidade e a festa de posse;
5) A pecha de governo reformista e a base política;
6) - os radicais;
7) A armadilha neo-liberal;
8) A gestação da criança, 9 meses até setembro;
9) O novo discurso anti-operário;
10)- a atitude do PT em SP/sindicato dos motoristas;
11)- o pacto social;
12)- a organização social: CUT, MST e outras;
13) Análise crítica.


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TEXTOS PARA DISCUSSÃO
– O COLETIVO LIBERTÁRIO (junho de 2.003)

O MOVIMENTO SOCIAL, O MOVIMENTO ANARKISTA E O GOVERNO
LULA


Dando uma rápida olhada no cenário brasileiro um
visitante desinformado pode cair na cantilena da mídia
oficial e achar que o Brasil passou por uma grande
mudança com a eleição de um “trabalhador para a
presidência da República”. Ledo engano: continuamos em
pleno capitalismo selvagem e o Estado que sustenta essa
situação continua sua política entreguista social-
democrata. Como se declarem social-reformistas dizem que
vão “implementar as Reformas que o país precisa” e,
covardemente, usam os miseráveis como justificativa. Na
verdade continuam implementando as mesmas políticas neo-
liberais que vem sendo aplicadas pelos governos em todos
os países do mundo. Essa política pró-capitalista é a
causa do aumento da miséria e do desemprego, e,
conseqüentemente, dos níveis de exploração do
trabalhador.

Nada disso é novidade: já estava escrito, como
premonição, na propaganda que fizemos durante o ano de
2.002, na Campanha Nacional Pelo VOTE NULO: NAÕ SUSTENTE
PARASITAS!

Mais ainda: já naquela época denunciamos o perigo
para a organização da classe trabalhadora de ficar
apoiada em sindicatos atrelados ao Estado e vinculado a
partidos políticos, em especial o PT, que domina a CUT,
a qual historicamente a utiliza como correia-de-
transmissão. Por essa razão conclamávamos os
trabalhadores a se organizarem de baixo para cima, a
partir dos locais de trabalho, de forma independente do
Estado e seus partidos, para através da Ação Direta
realizar a luta pela emancipação social. Por isso a
retomada do sindicalismo revolucionário, através do
Movimento Pela Reconstrução da COB-ACAT/AIT, estava
colocada na ordem do dia como “ÚNICA ALTERNATIVA para a
luta proletária por justiça, paz e equidade social”,
mantendo erguida a bandeira da revolução social.

As alianças de classe e a política anti-proletária
que o PT já vinha desenvolvendo ao longo da década de 90
que culminou com sua aliança com o PL de Afif Domingos,
presidente da Associação Comercial de São Paulo, e do
bispo Edir Macedo, dono de redes de comunicação e da
poderosa Igreja Universal; sua aproximação com Sarney –
ex-lider do governo da ditadura militar no parlamento-,
Antonio Carlos Magalhães – o Toninho Malvadeza, ex-
ministro do Sarney – foram somente conseqüência de sua
opção pela via da “luta política”, em que a tomada do
poder de Estado era a pedra de toque. Então termos hoje
um governo recheado pelos quadros partidários petistas
com trotskistas, luxemburguistas conselhistas, marxistas-
cristãos, guevaristas e estalinistas, onde a figura que
posa de esquerdista é o vice-presidente, empresário
mineiro ligado ao Partido Liberal é só mais um
ingrediente desse teatro de absurdos. Hoje temos um ex-
ministro e amigo pessoal de Fernando Collor de Melo no
ministério da “companheiro Lula”, mas até essa
aproximação já denunciávamos na campanha pelo voto nulo
em 2.002.

Portanto nada disso que está acontecendo nos pega de
surpresa:
é só uma traição anunciada!

Quem se surpreende com isso são os que se deixaram
se iludir pelas promessas de palanque, tolos que se
deixaram reduzir a meros “eleitores”, e que em grande
medida apóiam ainda o governo Lula dando a ele “tempo”
para mostrar que “pretende cumprir seu programa”. Mas
enquanto espera está sendo atacado, e imobilizado fica
enquanto lhe arrancam a língua. Foi para se prevenir
dessa situação que a propaganda da campanha pelo voto
nulo se fazia fundamental e por isso fizemos reiterados
apelos ao movimento libertário tupiniquim para que se
mostrasse unificado numa grande campanha VOTE NULO, NÃO
SUSTENTE PARASITAS! Infelizmente sectarismos variados
não permitiram uma campanha completamente unificada:
Enquanto dezenas de coletivos e organizações em todo
Brasil atendiam nosso apelo outras tantas preferiram
uma competição desenvolvendo outra ou se colocaram em
uma posição de falsa independência alternativa
defendendo a abstenção, numa falsa contraposição ao voto
nulo, sem entender que ambas posições encontrariam
espaço e eco muito mais profundo se unificadas numa
única e vasta campanha.
Mas, pior do que isso, foram aqueles que se omitiram ou
apoiaram veladamente o PT, o PSTU, o PQP...
Tal foi a posição de amplos setores da AGP/CMI, alguns
declaradamente marxistas-heterodoxos, outros
supostamente libertários, que combateram a propaganda
pelo voto nulo restringindo o espaço de discussão do
tema. Outros setores, supostamente identificados com o
anarquismo, como as organizações que se
declaram “especifistas” (?) e plataformistas,lançaram o
esdrúxulo, confuso e ambíguo lema “APOIAR OS DE BAIXO
PARA LUTAR CONTRA OS DE CIMA!”(?). No máximo o
que fizeram foi realizar palestras sobre a “importância
da organização”, em vez de aderir a campanha pelo voto
nulo desenvolvida nacionalmente pelo movimento
anarkista. Que as organizações que fizeram isso tenham
sido aquelas que já vem apoiando e participando de
organizações amarelas, reformistas, ligadas a partidos
políticos, aos diferentes níveis de Estado e a Igrejas,
como a FAG/CUT também não nos surpreende: eles continuam
se comportando como inimigos de classe, apoiando nossos
inimigos e nos atacando sempre que possível. Inclusive
com a destruição de nossa propaganda! O que há de
equivoco nessa posição, o que há de má intenção é o que
discutiremos a seguir e o que a história desnudará, pois
a vida é assim: um dia depois do outro!

GOVERNO LULA: MESSIÂNICO E MAQUIAVÉLICO

Mas se a administração PT/Lula está agindo tão
dentro de nossos prognósticos, feitos durante a campanha
pelo voto nulo/2.002, o que há de novo para se falar? O
que ainda não foi dito é sobre a forma particular como
ele desenvolve essa política pró-capitalista
revitalizando o seu sócial-populismo? Então vejamos
sobre um novo ângulo:

Quando Maquiavel escreveu o clássico “O Príncipe”
assumiu um certo estigma: o de instruir os governantes.
Tal foi inclusive o papel que assumiu em vida. Existe aí
uma contra-partida que é o de ter posto, preto no
branco, no papel, para que todos tivessem acesso a
isso: como se comporta o príncipe, o Poder! Nesse
sentido assumiria um aspecto até libertário. Essa era a
tese defendida por Maurício Tragtemberg, velho marxista,
trotskista histórico, que criou também essa categoria de
marxismo a qual nos referimos acima: os marxistas-
heterodoxos. Dada a sua aproximação aos meios
libertários paulistas, em especial ao centro de Cultura
Social, geralmente se lhe dá o beneplácito. Mas é
importante notar a importância dele no desenvolvimento
do pensamento social-reformista dentro do PT. Boa medida
para isso é ver que o porta-voz do governo Lula, ex-
redator chefe de política da “Folha de São Paulo”, André
Singer – filho do economista petista Paul Singer – atuou
no movimento estudantil dentro de uma tendência
chamada “VENTO NOVO”, que defendia a auto-gestão e se
declarava libertária, ao lado de um dos filhos de
Maurício, o Marcelo Tragtemberg. Isso aconteceu na
década de 80 na USP, mas 20 anos depois – mesmo sendo
professor de Física na UFSCAR, Universidade Federal de
Santa Catarina, Marcelo se quer deu as caras
no “Encontro de Pedagogia Libertária”, ocorrido em 2.000
na própria UFSCAR. Isso se explica por que ele hoje é
petista de carteirinha!!!

Então quando hoje Zé Dirceu, Gabinete Civil do
governo Lula, fala que o PT é governo e se portará como
governo ele fala no sentido em que Maquiavel dava ao
termo: hoje Lula é o novo Príncipe! Por isso os
adesistas de sempre estão pulando no barco petista: FHC
está morto! Viva Lula!

È dentro dessa óptica que poderemos entender a
gestão petista: se você tiver que fazer algo ruim para o
povo, faça logo e faça rápido; mas se for fazer algo de
bom para o povo anuncie muito antes, faça em etapas
sempre propagandizando o feito, para que ele não saia da
mente das pessoas! Não é original, mas funciona há
sessenta séculos!

A popularidade e a festa de posse

Num primeiro momento todos: a mídia, a burguesia em
peso, os agentes clássicos do imperialismo e o próprio
governo estadunidense e, naturalmente, o próprio PT
fizeram a “festa da democracia” se transformar num
enorme ritual cartático em que o povo sentiu que o
capitalismo não era tão mau assim. Afinal: um retirante
nordestino e operário chegava ao poder no Brasil!

E com essa plumagem se apresentou nos Fóruns
cara/coroa do capitalismo: o Social, de Porto Alegre, e
o Econômico, de Davos. Ambos mundiais completavam o
circo que conduziu Carlo Giulliani ao cadafalso e Lula a
grande estrela do “movimento contestatório mundial”.
Mais tarde Lula receberia o prêmio “Príncipe de
Astúrias” como prêmio pelos bons serviços já prestados à
elite.

Com base nessa popularidade inicial, que, tal qual
FHC, não se abalou apesar dos maus resultados na
economia, com a instalação de um processo recessivo e o
crescimento do desemprego, graças ao apoio intransigente
da mídia, o governo Lula manteve e acentuou a
política “neo-liberal”. Enquanto desenvolve o
receituário tão bem aplicado por FHC, mas na verdade
ministrado pelo FMI, Lula/PT aproveita para jogar nas
costas do governo anterior as mazelas que resultam da
sua aplicação atual. A forma como leva isso ao extremo
mostra uma clara opção política, combinando com a
complementação da destruição do sistema previdenciário –
que na verdade foi roubado das caixas de apoio-mútuo
desenvolvidas historicamente pelo movimento dos
trabalhadores até a década de 30, quando foram em grande
parte destruídas pela ditadura Vargas no “Estado Novo”,
sendo então absorvidas pelo Estado. Dessa forma vemos
como a obra do governo Lula/PT é a destruição das
conquistas da classe trabalhadora.

A pecha de governo reformista e a base política.

Até cerca de 10 anos atrás chamar o PT de
reformista era “crime contra a classe trabalhadora”. Na
verdade ao tacharmos o FSM, iniciativa liderada pelo PT,
como palco reformista, desde sua primeira edição em
2.001 fomos acusados de ser “radicais, intransigentes,
intolerantes e sectários”. Como dissemos antes: nada
como um dia depois do outro. Hoje vemos os próprios
líderes do PT se arvorarem em ser o “Partido da
Reforma”, com o cuidado de acrescentar que farão as
reformas que o Brasil precisa “para ocupar o lugar no
cenário mundial, do qual nunca deveria ter saído.”, nas
palavras do próprio Lula.
Mas que Reformas são essas: as mesmas que o governo
FHC/PSDB/PFL já vinham realizando! E mais: as mesmas que
Chirac está levando a cabo na França e o próprio Bush
nos EUA. Retirada das conquistas históricas da classe
trabalhadora em sua luta direta. Como FHC Lula começa
pela da previdência. FHC que prometeu a tributária e
política parou na da previdência. Lula que diz que além
dessas vai fazer também a Agrária, sem ter até agora se
quer assentado ninguém, diz que fará também a Reforma
Sindical – ainda que até agora só tenha atacado os
trabalhadores, inclusive como bandidos, estimulando
através da prefeita Marta Suplicy, a prisão de toda a
diretoria do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de
São Paulo (ligado a FARSA SINDICAL) em plena campanha
salarial dos condutores, pois eles vinham se opondo a
gestão dos transportes da prefeitura petista.

Não a toa sua base de sustentação política no
parlamento cresce, com a adesão dos oportunistas de
sempre, enquanto entre seus aliados históricos começam a
se ouvir queixas e críticas, para além disso cisões –
todos esperam herdar o suntuoso título de “oposição de
esquerda”, abandonado pelo PT no poder, consagrado em
ser o novo centro pocítico.

- os radicais

É nesse ponto que surgem os “rebeldes”, dentro da
própria estrutura partidária do PT, as novas vestais
agora batizadas carinhosamente de “radicais” –
curiosamente o título que tiveram os anarquistas do IWW
no começo do século XX nos EUA. Mas já é um melhor
tratamento que o de “xiistas”, que afinal era a
designação que a mídia dava ao próprio PT durante a
década de 90.

Muito se fala sobre os próprios petistas que buscam
fazer uma oposição de esquerda ao governo do PT, mas
para além do paradoxal da questão temos que avaliar o
próprio discurso político contido nessa rebeldia. Nem
parece que existe algum partido de esquerda, todos se
calam ou só esbravejam – sem “ser” fato oposição. Na
verdade só buscam dar força aos tais “radicais” com a
perspectiva de atraí-los para suas próprias agremiações,
o que lhes daria uma sobrevida na chamada “Reforma
Política”. Na verdade o fantasma que se abate e que cai
como uma ameaça que tem intimidado os trotskistas, não
alinhados dentro do próprio PT, é a possível extinção
dessas siglas. A questão é de sobrevivência política,
pois afinal desde meados de 2.002 já se sabia que Lula
tinha uma base de sustentação que ia do PPB ao PSTU,
passando por Sarney e ACM. Que ninguém se iluda com
relação a isso, buscando levar mais uma vez o movimento
social a criar falsas expectativas com relação ao
parlamento em detrimento da auto-organização e da ação
direta.

A armadilha neo-liberal.

Muitos ainda acreditam e esperam que o governo
Lula “ponha a casa em ordem para poder realizar as
reformas que o Brasil precisa...” Com o apoio da mídia,
que faz dessa postura uma cruzada, e, da mesma forma
como foi feito com o governo FHC/PSDB/PFL, estigmatizam
todos que tentam esboçar alguma crítica ao governo
como “radicais, pessimistas, elitistas, corporativos”.
Os próprios líderes petistas já entraram no jogo, assim
como fez Fernandinho Beira-Lago/PSDB, e acusam seus
adversários de “bandidos, anti-populares, defensores de
privilégios, sectários, loucos...” chegando a ameaçar
seus próprios parlamentares de expulsão do partido e de
entrar na Justiça para cassar os seus mandatos. E por
que todos esse carnaval? Por que criticam a política de
juros nas nuvens: 26,5%/mês; a destruição da previdência
social, com um ataque frontal aos direitos do
funcionalismo; o arrocho salarial, apontado
pelo “aumento” de 1% dados ao funcionários federais,
depois de quase 10 anos sem aumento; o respeito
religioso aos compromissos com os órgãos
internacionais, marcado pelo pagamento de mais de U$ 12
bilhões de juros, para o FMI; a submissão continental
aos interesses dos EUA, marcado pela posição de apoio
aos prazos da ALCA; entre outras coisas.

O próprio vice, empresário ligado ao Partido
Liberal, levou um puxão de orelha do Ministro trotskista
Palloci, por criticar a política de juros altos como
destruidora da economia e das empresas do país e por
conduzir o país a uma recessão.

A todas as críticas o PT só tem uma desculpa e um
argumento: o atual governo ainda está administrando os
erros da política do governo anterior, Lula não teve
tempo de dar sua cara a administração. Dizem eles que
assim que puserem o país no eixo passaram a “cumprir as
promessas de campanha”. Lula, pessoalmente, usa dois
epítetos: “em cinco meses já fizemos mais do que todos
os outros governos...” mas “até uma criança, entre a
geração e o parto demora nove meses...”

A questão é que Lula e o PT vem consolidando seu
apoio na “classe” política, no empresariado, no cenário
internacional e, inclusive, dos órgãos de administração
do capitalismo mundial como o FMI, O Banco Mundial e a
Associação Mundial do Comércio. Chegou a se colocar como
porta-voz dos movimentos sociais de contestação mundial,
que eles conseguiram enredar na grande farsa do Fórum
Social Mundial de Porto Alegre, para ser aplaudido em
Davos, no Fórum Econômico Mundial, e, depois, na
reunião do G8 ampliada, em Evian. O PT faz isso
acreditando poder neutralizar o conflito de interesses
do imperialismo por acordos políticos ou manifestos de
intenções. É uma ilusão e um erro pelo qual todos iremos
pagar.

Na verdade é que quanto mais ataca os interesses da
classe trabalhadora e ataca sua organização, tal como
fez FHC, o governo petista esvazia de conteúdo a CUT/PT -
cada vez mais identificada com a central sindical
oficial. O resultado disso é que por trás de uma falsa
organização institucional o governo Lula/PT cada vez se
apóia mais nos setores desorganizados da sociedade,
assumindo o papel de caudilho moderno e conferindo ao
seu discurso um tom cada vez mais messiânico. Com isso
cada vez se isola mais, ficando mais e mais dependente
de um esquema de propaganda que depende diretamente do
apoio da elite controladora dos meios de comunicação de
massa. Não a toa virou o queridinho da Globo.

A questão é que com isso ele vai ficando cada vez
nas mãos do imperialismo. Quem pode acreditar
sinceramente que interesses estrangeiros podem ver com
simpatia a Reforma Agrária Radical e Imediata, tal como
ela foi aprovada no I CONCLAT em 1.983, que deu
condições para o surgimento do MST. Ou da valorização da
mão-de-obra no Brasil, com aumento de salário e melhoria
das condições de trabalho, quando sabemos que é
justamente da exploração que o imperialismo rouba sua
mais-valia, para extrair o máximo de lucro.

De fato o FMI, o governo norte-americano e até os
burgueses nacionais – sempre tão subservientes aos
interesses imperialistas, de quem se fazem testa-de-
ferro – só apóiam o governo Lula/PT até o ponto em que
ele for capaz de realizar o seu programa, o programa do
FMI. Ante qualquer ameaça aos seus interesses eles não
se furtam a ameaçar com a desvalorização do real frente
ao dólar, com a fuga de capitais e o desenvolvimento de
uma nova onda política golpista.

Assim é que o governo Lula/PT vai ficando cada dia
mais refém dos inimigos da classe trabalhadora.

A gestação da criança, 9 meses até setembro.

Lula e seus iluminados acessores se iludem, ou
mentem, quando dizem que “após por a casa em ordem e
realizar as reformas eles implementarão o ‘espetáculo do
crescimento’”. Na verdade eles já estão suficientemente
seduzidos pelo exercício do poder para poder pensar em
abandoná-lo. Assim entre tantas coisas que repetem o
governo FHC/PSDB/PFL o governo PT já fala em uma gestão
de 25 a 30 anos para poder equacionar e resolver o
problema da dívida interna.

FHC, com essa intenção, passou toda a sua primeira
gestão lutando pela reeleição. Como parte da campanha
pela reeleição realizou a entrega do patrimônio
nacional, com a política de privatizações, implementou a
política de “reformas”, dando os primeiros passos na
destruição do sistema previdenciário e, amiúde,
desenvolvendo uma política anti-popular e anti-operária.
Da mesma forma o governo Lula/PT faz hoje, depois de
iludir os eleitores com promessas de mudanças.

Lula ao repetir o argumento de que “a criança
demora 9 meses para nascer”, dentro da cantilena geral
dos petistas pedindo tempo, denuncia algo de sua
estratégia política: a preparação do terreno para as
eleições de 2.004, para prefeitos e vereadores. Na
verdade já no começo de abril Lula insistia com a
prefeita Marta/PT, de São Paulo, para que ela “não
cedesse frente a greve dos motoristas e cobradores”,
pois eles estariam aliados a “bandidos”, aproveitando o
mesmo discurso para lançar a candidatura de Marta para
reeleição.

Aqui podemos completar o quadro do desenvolvimento
da política maquiavélica do PT, pois só essa política
pode justificar o fato de que o governo até o
momento “só gastou” cerca de 20% do orçamento aprovado,
até o momento. Quer dizer: ao mesmo tempo que
responsabiliza a política do governo anterior pelas
dificuldades que estamos enfrentando hoje, economiza
recursos para lançar mão deles no momento em que se
entra na sementeira do período eleitoral, para
possibilitar uma “bolha de crescimento” às vésperas das
eleições – dentro da mesma linha política que levou a
reeleição de FHC/PSDB. A questão central dessa
estratégia é assumir o controle das principais cidades,
entre elas das capitais, que reúnem a maioria dos
eleitores e concentra a maior parte dos investimentos. A
questão de fundo é a perspectiva de reeleição de Lula
nas eleições de 2.006, quem sabe já aliados ao próprio
PSDB, numa grande frente social-democrata.

O novo discurso anti-operário

Paralelamente se desenvolve um novo discurso anti-
operário, agora no interior de um partido que se arvora
a ser o “partido dos trabalhadores”. Esse discurso é
desenvolvido pelo executivo, quando Lula vai
pessoalmente a congressos de sindicalistas amarelos,
como o congresso da CUT/PT, dizer que “já não é mais
tempo de fazer greves e contestação social” e que o
movimento sindical tem que mudar sua tática “apegada a
uma prática do início do século passado”. Também é
desenvolvido por parlamentares petistas, alguns deles
egressos do movimento sindical – como o deputado federal
professor Luisinho, ex-presidente da APEOESP/CUT -, que
repetem à exaustão que o movimento sindical está
defendendo interesses de privilegiados. Isso é muita
hipocrisia já que eles se auto-aumentaram em 54%,
desvalorização do real frente ao dólar em 2.002, que se
aposentam com salário integral após 8 anos de, ou duas
eleições, de exercíco do cargo. Não podemos esquecer que
o próprio presidente Lula receberá remuneração integral
pelo resto da vida após um único mandato, como já
acontece com Sarney, e o próprio ex-professor Fernando
Henrique (que acusou os aposentados de serem vagabundos)
que coleciona aposentadorias integrais como ex-docente
universitário, ex-senador e ex-presidente.

- a atitude do PT em SP/sindicato dos motoristas

Como se não bastasse a atitude anti-proletária dos
políticos profissionais do Partido dos Trabalhadores,
que culminaram com a atitude do executivo municipal
paulista de levar a demissão de mais de 10.000
trabalhadores do sistema de transportes no auge da
campanha salarial da categoria. Se inicialmente culpavam
os demitidos de estarem trabalhando para empresários-
bandidos, logo após leva a prisão todos os diretores do
Sindicato dos Motoristas e Cobradores de SP sob a
acusação de ter forjado greves em conluio com os
empresários-bandidos. Note-se que até o momento nenhum
empresário do setor de transportes foi sequer detido. Ao
contrário: o inquérito policial mostrou que a própria
SPTRANS – administradora do sistema de transporte ligada
a prefeitura – desviou milhões de reais para financiar
os “empresários-bandidos” do sistema de transporte
público, sob a responsabilidade do ex-secretário
Zaratini/PT e do atual Arselino Tato/PT. È importante
também lembrar que todas as greves feitas pelos
motoristas e cobradores terminaram sendo julgadas pela
Justiça do Trabalho, todas foram julgadas justas pela
justiça que exigia dos empresários o pagamento de
índices de aumento acordados nos tribunais, o pagamento
com atraso de salários e de outros direitos conquistados
nesses acordos.

Mas pior do que a atitude dos políticos-
profissionais petistas é a atitude dos carreiristas que
atuam no movimento sindical, que usam como trampolim
político. Dessa forma é que a CUT/PT se omite
completamente sem prestar a menor solidariedade, seja
aos dirigentes presos, seja aos trabalhadores demitidos.
Com isso só mostram a face oficial de sua organização,
que só tem feito apoiar o governo Lula/PT em detrimento
dos interesses dos trabalhadores que dizem representar.
Mais do que isso convidam o presidente para participar
do Congresso Nacional da CUT, onde ele foi pessoalmente
enfrentar os delegados do funcionalismo: os primeiros a
sentir o peso da traição petista.

Com isso a CUT/PT repete a relação viciada que o ex-
presidente-ditador Getúlio Vargas/PTB e a velha CGT, que
destruiu a organização livre e revolucionária dos
trabalhadores durante a década de 30 utilizando o mesmo
discurso agora apropriado por Lula, a CUT e o PT.

- o pacto social

Na verdade o governo Lula/PT tem um único projeto
que é o de produzir no Brasil um pacto social , ao
estilo da “de la Moncloa”, que garanta que a classe
trabalhadora não faça greves durante um certo tempo, com
a promessa de estabilidade no emprego e do controle da
inflação. Para isso precisa assumir o completo controle
do movimento sindical através da CUT, apoiada nos
sindicatos atrelados ao Estado.

É claro que para realizar um pacto dessa magnitude
o governo tem que contar co mais do que o Comitê do
Pacto Social, onde empresários que levaram a previdência
a situação em que ela se encontra hoje se sentam lado a
lado com sindicalistas amarelos da CUT/PT. O governo
precisa ter o aval do FMI, e portanto do governo norte-
americano, para o que usa a ALCA como moeda de troca.

O resto, incluindo nisso a farsa da campanha “Fome
Zero”, é pura enrolação.

- a organização social: CUT, MST e outras

O governo petista, como todo aparelho de Estado
faz, necessita da passividade e da desorganização social
para poder implementar, sem resistências, sua política.
Para isso precisa, além de dominar os trabalhadores
urbanos e rurais - papel que a CUT/PT desenvolveria -,
precisa dominar o movimento de desempregados que se
articulariam inicialmente nos “movimentos sem terra”,
nos movimentos de ambulantes e de clandestinos.

Para isso usará a questão dos “assentamentos” como
forma de barganhar com os movimentos sem-terra, em
grande medida controlados por igrejas, em especial as
Pastorais da Terra – que já tomaram a decisão de apoiar
o governo petista – e de partidos políticos, como o PC
do B e até setores do marxismo ditos revolucionários,
mas que no próprio processo eleitoral apoiaram a
campanha de Lula.

Aos demais ele guarda o peso da lei e as acusações
de praxe do poder: são bandidos, ligados contrabando e
ao narco-tráfico, baderneiros, terroristas – para o qual
terão todo o apoio da mídia burguesa, tal como já
acontece com a questão do sindicato dos motoristas/SP.
Essa por sinal é a estratégia lançada pela administração
Bush/EUA, que já vem sendo usada pelo ditador Fidel
Castro, em Cuba – que o governo Lula/PT já apóiam!

São Paulo, 12 de junho de 2.003.





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