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(pt) Policiais e capangas voltam a atacar a ocupação "17 de maio" (RJ)

From zumbi@riseup.net
Date Thu, 10 Jul 2003 23:51:47 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
http://www.ainfos.ca/
http://ainfos.ca/index24.html
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Por Frente de Luta Popular
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Detalhes em http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/07/258381.shtml
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/07/258356.shtml
e Informações anteriores em
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/06/257449.shtml.

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17 de Maio é o nome que os sem-teto deram à ocupação em Nova Iguaçu que
vem sofrendo ameaças e agressões desde seu início

Os sem-teto estão precisando de solidaridade e apoio urgente,
principalmente material de construção, alimentos, ferramentas e
agasalhos. Também precisamos que toda essa violência e descaso sejam
denunciados e os responsáveis cobrados. Solidariedade com a luta do povo
é algo prático.

Após um período de quase duas semanas de relativa tranquilidade, policias
comandando um numeroso grupo de capangas encapuzados e armados voltaram
a invadir, destruir e incendiar todos os barracos e materiais da
ocupação 17 de maio, de famílias sem-teto. A ação criminosa aconteceu
entre as 22 horas do dia 07/07 (segunda) e as 2 horas do dia seguinte.
Os antecedentes do caso estão em mensagens anteriores e no link
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/06/257449.shtml.

Durante esta fase em que as incursões e ameaças da polícia diminuiram, os
sem-teto aproveitaram para recuperar e reconstruir os barracos, e
avançar na organização da ocupação, que foi batizada de "17 de maio", em
homenagem à data em que começou. O barracão coletivo também foi
reconstruído e as primeiras doações de alimentos, roupas e materiais de
construção puderam enfim começar a ser guardadas na própria área
ocupada. Foi decidido a realização de uma festa julina no dia 19/07, em
comemoração aos dois meses da ocupação e à luta do povo. Na altura do
ataque de segunda-feira, cerca de 130 barracos já estavam erguidos e
outros em início de construção, e um número maior de lotes já havia sido
marcado.

O primeiro sinal que algo ia voltar a acontecer foi a presença de Paulo
Sérgio, um dos supostos donos do terreno, junto com dois policias
militares no dia 06/07 (domingo). Cumprindo um papel que deveria caber
aos policiais, Paulo Sérgio disse que havia uma queixa crime contra
alguns ocupantes por roubo de mourões e arame na 56a DP (Comendador
Soares), mas não
apresentaram nenhuma intimação oficial.

A ação de 07/07 foi comandada pelo sargento Almeida e pelo soldado Sales,
da PM, que se encontravam numa viatura cuja identificação não pôde ser
feita. Junto vieram uma kombi sem placa e uma pick-up, que levavam um
total de cerca de 20 homens armados e encapuzados. Os PMs antes passaram
em frente e pararam de forma ameaçadora diante da casa de pessoas
supostamente envolvidas na organização da ocupação, no vizinho conjunto
Pantanal. Os ocupantes que estavam nos barracos e no barracão coletivo
(homens, mulheres - incluindo uma grávida - muitos idosos, e crianças)
fugiram assim que avistaram os agressores.

Os bandidos fardados ou encapuzados passaram então a destruir
sistematicamente tudo, jogando gasolina e botando fogo. Sem nenhuma
intervenção policial, fizeram isso durante aproximadamente quatro horas.
Aparentemente, a gasolina acabou durante o "serviço", pois os últimos
barracos foram destruídos mas não incendiados. A certeza de impunidade
parece tanta que eles deixaram no local evidências como os galões
utilizados para levar a gasolina.

Além dos barracos, os capangas destruíram e incendiaram ferramentas,
roupas e sapatos que haviam sido doados, cerca de 100 kg de alimentos
(arroz, feijão, legumes, etc) também doados. Um fogão e rádios a pilha
também foram destruídos. O fogão era utilizado para preparar as
refeições coletivas principalmente para os idosos, mulheres e crianças.
Também não pouparam o material utilizado nas ligações elétricas (fios,
bocais, lâqmpadas, etc)

O que não foi destruído foi roubado. Policiais e capangas levaram algumas
ferramentas (cavadeiras, enxadas, martelo, machadinhas, facões, etc) e 8
panelas que eram utilizadas na cozinha coletiva.

Ao final, os agressores deixaram o local dando tiros para o alto e
soltando fogos.

É preciso ressaltar que os ocupantes seguiram todos os caminhos legais
tanto para encaminhar a questão da terra quanto para denunciar a
violência e ameaças. Procuraram o Iterj (Instituto de Terras do Rio de
Janeiro) e seguiram suas orientações. Denunciaram as ameaças e agressões
ao Ministério Público, Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Secretaria
Estadual de Direitos Humanos, Corregedoria e Ouvidoria, mas nehum desses
órgãos tomou as medidas urgentes necessárias. Estarão esperando alguém
morrer para agirem?

Essa é a quarta vez que os capangas e policiais contratados pelos
empresários grileiros atacam e destroem material da ocupação, logo após
cada uma foi tudo denunciado aos órgãos "competentes" e à imprensa, mas
nenhuma atitude foi tomada.

Os ocupantes resolveram responsabilizar o governo do estado pelas perdas
sofridas, já que a ação foi comandada por funcionários do estado (os
policiais militares). Irão exigir da governadora a reposição do material
(madeiras, telhas, lonas, lâmpadas, fios, bocais, etc), das ferramentas ,
equipamentos e alimentos destruídos ou roubados. E a punição dos
agressores. E continuarão no terreno até a conquista da moradia.

Email:: frentedelutapopular@bol.com.br




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