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(pt) CONUNE: O Picadeiro Principal do Circo do Movimento Estudantil

From "Philipe Ribeiro" <philipe@inventati.org>
Date Wed, 2 Jul 2003 19:15:20 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
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FATO COMENTADO
Uma publicação do Manifesto Anarquista - Zine

Ano 1 Nº003 - 30 de Junho de 2003 - www.anarquista.cjb.net

CONUNE: O Picadeiro Principal do Circo do Movimento Estudantil

A chapa "Pra Conquistar o Novo Tempo", encabeçda pela UJS
(juventude do PCdoB), foi reeleita pela séima vez consecutiva e garan tiu
o controle da entidade. O Congresso foi marcado por uma intensa disputa
políica sitiada por partidos políicos, mais de esquerda do que de
direita, e críicas àestrutura centralizadora e antidemocráica da UNE,
sendo palco de muitos protestos.

Estive no 48ºCongresso da Une e pude ver o que hámuito tempo
se falava nos quatros cantos do paí: o Circo da Une éum jogo de c
artas marcadas, onde o poder estáacima de tudo. Tudo foi imundo no
CONUNE, mas o que causou-me mais náseas foi a "democracia do
acordã
", onde os "líeres" das teses, aquelas figuras manjadas do movimento
estudantil, faziam uma verdadeira democracia à avessas, jogando no
lixo toda a ideologia contida nas teses em troca de cargos na diretoria
da UNE. Nunca vi tantas pessoas jogando fora o que acreditam com
tanta facilidade, em busca de um cargo, do poder. E para piorar, os
"líeres" voltavam pro seu eleitorado e "pediam" pros deleGADOS vota rem
naquilo que estava acordado, indo na maioria das vezes em
contradiço ao que havia na tese que atéentã defendiam, sob ameaç dos de
leGADOS terem que voltar àpépra sua cidade de origem.

O debate políico-social no congresso praticamente nã aconteceu,
jáque os grupos de discussã eram muito burocratizados e assim
reprimiam os novos militantes do movimento estudantil, que preferiam
ficar na praç universitáia bebendo e se divertindo. Por sorte hou
ve o Encontro de Educaço Popular, promovido por indivíuos e grupos
autôomos da cidade de Goiâia, que durante trê dias discutiu-se al
ternativas para a educaço, sobretudo no contexto mais amplo que éa
educaço popular, saindo da esfera da politicagem partidáia que hav ia no
CONUNE para buscar uma sociedade mais justa, humana e
igualitáia. Um dos grupos que organizou o Encontro de Educaço
Popular, o Un
iã Popular, promoveu uma oficina de cultura e organizaço popular. Eles
trabalham també com teatro, enfatizando o teatro do oprimido, o
nde trabalham com criançs, adolescentes e adultos. Esse grupo ébem firme
e o trabalho popular émuito interessante.

Entre shows megalomanícos e festinhas promovidas por partidos
políicos nos alojamentos para os seus respectivos deleGADOS, um e
vento diferenciou-se na forma, na intenço e no conteúo. Uma festa de rua,
intitulada de "Retome as Ruas - Recrie a Míia", puxada pelo
Centro de Míia Independente de Goiâia, mostrou que podemos
concretizar uma grande idéa tendo o míimo de infraestrutura e o máimo de
o que diariamente éinvadido pela cultura do automóel, usando a
desobediêcia civil como arma de aço, onde legitimamos atravé dos
noss
os mais singelos impulsos, exalando nossos desejos e sonhos, uma
Babilôia moderna, diriam uns. Começu na praç universitáia onde os pa
rtidõs brigavam para arrebanhar mais boiadas, enquanto ímos
batucando pelas ruas, levando tochas para iluminar nossa festa e
fomos cant
ando, dançndo, colando cartazes nos muros e postes atéchegarmos na rua
oito onde o som estava montado. Fizemos a festa em frente a uma Igreja
Evangéica, que teve o cuidado de chamar uma viatura da políia para dar
seguranç pra nossa festinha. Aos poucos moradores de rua
aderiram àfesta, cantando no microfone instalado para cantar e recitar
poesias.

Entretanto nem tudo éfesta nos dias em que se realiza o
Congresso da Une. No Gináio do Serra Dourada havia a brincadeira do "Vi
vo ou Morto", onde os partidõs aprovaram as propostas num duvidoso
contraste visual, que mais servia de alegoria para o circo que ali es
tava montado. Onde tem circo, tem máica e na hora do blecaute,
quando ficou tudo escuro, a UJS misteriosamente fez a multiplicaço dos c
rachá. Isso foi impressionante, máico! Mais máico ainda foi uma aço
direta que um grupo de pessoas do MCNPTARD (Movimento
Contemporâ
eo Neo-Pó-Tudo Anti-Reformista Desarticulado) fez na plenáia final:
jogaram tinta preta e ovo nos palhaçs do picadeiro principal, tend o uma
fuga cinematográica sob os olhos desatentos da boiada
majoritáia.

Acredito que nã se faz um movimento estudantil atrelado a
partidos políicos e/ou grupos políicos hierarquizados. A democracia
representativa que évomitada no CONUNE éa prova do que háde mais
nojento nas organizaçes estudantis. A forma como érealizado o congr esso
épatéica. Nã se pode legitimar a representaço atravé de um
deleGADO, como se nele estivesse todos os anseios e propostas do
cur
so em que ele está"representando". Fazer isso éanular todo o restante dos
estudantes, como se o deleGADO fosse um iluminado que poderá
resolver tudo usando uma varinha de condã. Para trabalharmos em
busca de um movimento estudantil forte e democráico, teremos que
descen
tralizar as tarefas e ter solidariedade nas lutas locais, buscando uma
uniã (e nã unidade) por redes de afinidade quando tivermos lutas
comuns. Ocupando cada espaç possíel nos cursos de graduaço,
destruindo as antigas entidades estudantis verticais, que sã os DCEs, CA
s e DAs, para transforma-las em coletivos autogestionáios e
autôomos, que usarã a democracia direta como forma de organizaço,
sem hie
rarquia e tendo decisã por consenso, estaremos caminhando para um
movimento estudantil que realmente seja feito por e para estudantes.

Sem ningué pra representar ningué alé de si mesmo, tendo uma
organizaço horizontal descentralizada sem burocracia, aparelhame
nto e institucionalismo, o movimento estudantil vai sair das
universidades e nã entrarános partidos políicos, e sim nas
comunidades pa
ra realizar um trabalho de educaço popular, podendo dizer que somos,
realmente, revolucionáios!



Philipe Ribeiro, em 30 de Junho de 2003.



(c) Copyleft 2003 - Éautorizada a reproduço deste artigo para fins nã
comerciais desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota
seja incluía.



Expediente:

Fato Comentado nº003 - 30 de Junho de 2003

Editor: Fletcher

Diagramaço e Projeto Visual: Editora Clandestina

Impressã e Distribuiço: Editora Clandestina (sem sede fixa e sem
direitos autoriais reservados.)

Tiragem: 200 exemplares (o resto épor sua conta... e risco!)



Esse texto tem a intenço de interpretar os fatos que acontecem no
dia-a-dia e colocálos em discussã. Como o espaç fíico do Fato Come ntado
émuito pequeno, nenhuma abordagem pode ser feita
amplamente, necessitando sempre de colocaçes futuras. Pensando
nisso éque colocamos o e-mail anarquista@riseup.net disponíel para todos(as)
aqueles(as) que queiram discutir o tema abordado.




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