A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists **

News in all languages
Last 40 posts (Homepage) Last two weeks' posts

The last 100 posts, according to language
Castellano_ Català_ Deutsch_ Nederlands_ English_ Français_ Italiano_ Polski_ Português_ Russkyi_ Suomi_ Svenska_ Türkçe_ The.Supplement
{Info on A-Infos}

(pt) Greve Geral dos Trabalhadores em Educação de Minas

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Wed, 6 Aug 2003 23:28:15 +0200 (CEST)


______________________________________________________
A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
http://www.ainfos.ca/
http://ainfos.ca/index24.html
________________________________________________

Por Euler conrado (lista agp-brasil)
Informe transmitido pela lista agp-brasil, sobre o movimentos dos
trabalhadores em educação de Minas.Olá compas,
Neste novo relato, dou continuidade à análise do movimento dos
trabalhadores em educação em Minas, após a assembléia que aconteceu ontem,
dia 05/08/03. Com a presença de quase 3.000 trabalhadores, a assembléia
foi bem diferente do Congresso de cartas marcadas, que denunciei no último
relato. Trabalhadores da base, radicalizados com a derrota sofrida com os
cortes de salários e com o encaminhamento rebaixado dado pela direção
sindical aprovou, contra a direção do Sind-Ute, uma GREVE GERAL por tempo
indeterminado, a partir do dia 28 de agosto.
A direção sindical tentou manobrar o tempo todo. Controlando o microfone,
após a aprovação da greve, a direção tentou mudar a proposta aprovada,
dizendo que no dia 28 haveria uma assembléia para ratificar ou não a
greve. Depois falaram num "indicativo de greve" quando o que foi a
aprovado havia sido a greve, não um "indicativo". A assembléia dos
trabalhadores não aceitou a manobra e, através de nova votação, aprovou a
greve por tempo indeterminado a partir do dia 28. Até esta data será
mantida a redução da jornada de trabalho, contra a proposta da direção,
que queria suspender a redução. Foi aprovada ainda uma paralisação no dia
19 para reforçar a luta contra a reforma da previdência em Brasília.
Logo no início da assembléia, a direção sindical tentou passar uma idéia
de que a jornada de luta do primeiro semestre havia sido coroada de êxito,
incluindo a política orquestrada pela direção, de priorizar a pressão
parlamentar, por meio dos deputados da "oposição", para tentar barrar o
pacote do governo estadual, que, a exemplo do governo federal, corta
salário e direitos conquistados pelos trabalhadores em lutas anteriores.
Quando abriram a falação, conseguimos, eu e o compa João Martinho, nos
inscrever. Denunciamos a omissão da direção sindical para com as reformas
do governo Lula-PT, agindo como correia de transmissão daquele partido no
movimento sindical. Colocamos para os trabalhadores a necessidade de
construirmos uma greve geral pela base, unificando as lutas dos
trabalhadores em educação com a luta dos sem-terra, dos sem-teto, dos
estudantes, etc., passando por cima do sindicato se possível fosse; nos
organizando para ocupar as ruas e as praças, numa posição de claro
enfrentamento a todos os governos e aos capitalistas. Outras pessoas
usaram da palavra, com análises diferenciadas, algumas apoiando a direção
sindical, outras criticando, mas mantendo o enfoque na luta estritamente
corporativa.
Algumas pessoas do interior de Minas me procuraram para manifestar seu
inconformismo com a situação. Ficamos de manter contato e reforçar a
proposta de organização pela base. A oposição sindical tem se reunido para
discutir a eleição sindical que ocorrerá este ano. Uma espécie de
unificação de tendências e partidos para conquistar o aparelho sindical.
Tenho me mantido à margem deste processo, pois não me interessa a
participação no aparelho sindical, mas a luta autônoma e anticapitalista
dos trabalhadores. Alguns integrantes da oposição se dispuseram a compor
uma coordenação ampliada para encaminhar a greve, já que é certo que a
direção sindical vai fazer corpo mole e tentar minar a organização da
mesma. Marcamos uma reunião para este sábado, às 14h, em BH. Já em
Vespasiano, uma assembléia local foi marcada para sexta-feira, dia 8/8,
para discutirmos e encaminharmos a greve geral. O núcleo de Vespasiano tem
se destacado pela combatividade e também pela independência em relação aos
partidos e aos aparatos sindicais. Pessoas que não participavam de
movimentos vão se engajando, assumindo a luta com disposição.
Estamos pensando em organizar um seminário para aprofundar a discussão e a
prática de resistência, quebrar as ilusões nos projetos de
governabilidade, ou corporativos, ou de endeusamento nos aparatos
burocráticos. Discutir a experiência coletiva da luta que ora organizamos
e também outras experiências de rebeldia, em qualquer parte do planeta.
O congresso deixou-nos um gosto amargo, de uma luta que parecia "perdida"
pelo menos no imediato. A assembléia dos trabalhadores de base nos
devolveu o fôlego para a necessária retomada da luta. Enquanto no
congresso, que ocorreu a menos de um mês, a direção sindical conseguia
aprovar todas as suas posições atrasadas e reformistas, na assembléia ela
foi derrotada e humilhada. Lideranças sindicais que atuam a vários anos no
movimento e que pensavam poder repetir a influência que demonstravam ter
junto da massa domesticada que se verificou no congresso, diante de
trabalhadores de base radicalizados, eram vaiadas e suas propostas
derrotadas.
Sem criar qualquer ilusão excessiva com relação aos descaminhos que um
movimento de origem corporativa/salarial possa se enveredar, não é
possível, contudo, deixar de considerar que é também através do embate
direto, do choque e da luta aberta entre interesses que nos colocam em
campos opostos com aqueles que conciliam com o mercado e com o estado, que
haveremos de forjar um movimento vivo, anticapitalista, revolucionário.
Sobretudo quando as pessoas, envolvidas no cotidiano da reprodução de
capitais, conseguem se auto-organizar para lutar contra aparatos
sindicais, contra a influência dos partidos, contra o capital que procura
cortar salários para aumentar seus lucros, contra governantes que
gerenciam e reforçam essa ordem, ameaçando e colocando a polícia para
reprimir. Uma luta dura, sem trégua, que às vezes esmorece, mas que
renasce a cada instante com novo vigor.
No momento, estou - estamos - em ritmo de preparação da greve geral, de
mobilização e contato com a comunidade que nos cerca, de confronto aberto
contra o estado e o mercado. Nada menos que isso.
Um forte abraço,

Euler





*******
********
****** Serviço de Notícias A-Infos *****
Notícias sobre e de interesse para anarquistas

******
ASSINATURAS: lists@ainfos.ca
RESPONDER: a-infos-d@ainfos.ca
AJUDA: a-infos-org@ainfos.ca
WWW: http://www.ainfos.ca/org
INFO: http://www.ainfos.ca/org

Para receber a-infos numa língua apenas envie para lists@ainfos.ca
a mensagem seguinte:
unsubscribe a-infos
subscribe a-infos-X
onde X= pt, en, ca, de, fr, etc. (i.e. o código de idioma)

A-Infos Information Center