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(pt) Reformas: os anarquistas estavam certos (por Latuff)

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Date Wed, 6 Aug 2003 23:21:00 +0200 (CEST)


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[ver cartun em
http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2003/08/260246.shtml ]

OS ANARQUISTAS SEMPRE ESTIVERAM CERTOS
Por Latuff*
Na manhã de hoje os "articulistas" da "Voz da Reação", leia-se rádio CBN,
mal conseguiam se conter em sua alegria diante da aprovação do relatório
da reforma da previdência no congresso nacional.
A reforma que tanto foi atacada pelo Partido dos Trabalhadores durante os
dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, foi aprovada pela maioria do
PT no parlamento, com uma ajudinha do partido do próprio ex-presidente, o
PSDB. Irônico, não? Quem que, como eu, votou em Lula, provavelmente deve
estar se sentindo como um aluno numa sala de aula diante do professor que
lhe chama de idiota e explica o porque num quadro negro. Foi conferido ao
eleitor um diploma de imbecil, mas principalmente a "esquerda", que
acreditava na mudança (mesmo que meia-boca) com a ascenção de Luis Inácio
Lula da Silva a presidência (sim, a presidência, porque o poder, o REAL
poder, não muda de mãos com o voto).
Ao longo de oito anos, FHC tentou empurrar garganta abaixo da sociedade as
chamadas reformas, não aquelas realmente necessárias, que pudessem
enfrentar a pilhagem do nosso país tanto por corruptos nacionais quanto
multinacionais, mas sim reformas de caráter neo-liberal, que só fazem
abrir ainda mais as pernas do Brasil a sanha predatória do mercado
internacional. O servidor público foi apresentado a opinião pública como a
razão dos males da nação. O modelo capitalista? Esse é mais que perfeito,
inevitável, definitivo, sem máculas, com alguns defeitinhos vez por outra,
mas quem não tem defeitos? Sempre se pode melhorar o capitalismo. Na
campanha o próprio Lula utilizou uma expressão fantástica: "lucro justo".
É possível aprimorar nosso modelo econômico baseado na submissão ao
todo-poderoso mercado. Claro que é! Mas nunca arranhando o "lucro justo"
das mega-corporações. O problema é o servidor público. Porque? Porque ele
é público, ora. O que é público não presta. E se prestar, acaba sendo
sucateado em benefício do privado que é, de longe, muito melhor. Basta
olhar para a energia elétrica e a telefonia que depois de privatizadas
melhoraram muito. Não melhoraram?
Pois bem, FHC tentou, tentou mas não conseguiu. Esbarrou com uma oposição
feroz dos servidores, da Central Única dos Trabalhadores e sindicatos
ditos de "esquerda" (há poucos dias o próprio FMI repreendeu o
ex-presidente por não ter implementado as reformas em seu governo). É, o
sistema estava incomodado. Havia grande pressão externa para que as
medidas neo-liberais fossem logo aprovadas. Daí surgiu a grande idéia, uma
idéia que poderia agradar a gregos e iludir troianos.
Vieram as eleições para presidente. Paradoxalmente, o sistema encontrou
num ex-operário e principal liderança da "esquerda" a saída para aprovar
as reformas. José Serra, o candidato da situação, eleito, significaria
mais quatro anos de oposição as reformas, e o sistema tinha pressa, já
havia esperado tempo demais. Permitindo (sic) a eleição de Lula, o sistema
conseguiu produzir na população, castigada por anos de governo FHC, uma
falsa sensação de mudança. Além disso, anulou o ímpeto oposicionista do PT
e demais partidos de "esquerda", calando a boca de todo mundo dando a eles
o que mais queríam: cargos! Foram calados também diversos sindicatos sob
influência petista e a CUT. O resultado pode ser visto por qualquer um.
Lula alcançou em menos de um ano o que FHC não conseguiu em oito. E de
quebra, o sistema ainda conseguiu rachar a já capenga "esquerda". Com a
fatura liquidada, o sistema centra fogo agora na esquerda não-alinhada,
legítima, original, representada pelos movimentos sociais como os
sem-teto, sem-terra, atingidos por barragens, etc.
Caiu portanto o último mito brasileiro, de que o voto é a mudança, a
transformação. Tudo o que a "esquerda" queria na verdade era ter a
oportunidade de brincar de poder (sim, brincar, porque o poder, o REAL
poder, não muda de mãos com o voto). Foi das mãos da esquerda partidária
que saiu a aprovação da reforma da previdência. Essa mancha histórica
jamais se apagará. Por isso os "articulistas" da CBN não falavam em outra
coisa na manhã dessa quarte-feira. Eram porta-vozes dos largos sorrisos
que estampam agora os rostos dos canalhas que surrupiam o Brasil aqui e lá
fora.
Os anarquistas sempre estiveram certos. Todo o candidato a cargo eletivo é
safado, até prova em contrário.
*Latuff é cartunista.
Email:: latuff@uninet.com.br
URL:: http://latuff.deviantart.com





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