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(pt) BAKUNIN, A ALIANÇA E A INTERNACIONAL

From a-infos-pt@ainfos.ca
Date Sat, 2 Aug 2003 18:31:31 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
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"A quem nos pergunta que motivo tem a existência da Aliança uma vez que já
existe a Internacional, respondemos: A Internacional é, desde já, uma
magnífica instituição; é inegavelmente, a mais bela, a mais útil, a mais
bem feita criação de nosso século. Foi criada a base da solidariedade dos
trabalhadores de todo o mundo. Foi-lhes dado um princípio de organização
através de todos os estados e à margem do mundo dos exploradores e dos
privilegiados. E fez mais ainda: hoje ela já contém os primeiros germes da
futura organização da unidade, e ao mesmo tempo ela deu ao proletariado de
todo o mundo a percepção do seu próprio poder.
São, é claro, imensos os serviços que ela prestou a grande causa da
revolução universal e socialista. Mas ela não é uma instituição suficiente
para organizar e dirigir a revolução. Todos os revolucionários que tomaram
parte ativa nos trabalhos da Internacional, em qualquer país, desde 1864 -
ano de sua fundação - estão convencidos disso.
A Internacional prepara os componentes da organização revolucionária, mas
não a organização revolucionária em si. Ela os prepara para a luta pública
e legal dos trabalhadores solidários de todos os países contra os
exploradores do trabalho - capitalistas, proprietários e empresários
industriais - mas nunca vai mais além. A única coisa que faz fora esta
obra, por si só tão útil, é a propaganda teórica das idéias socialistas
entre as massas operárias, o que é uma obra igualmente muito útil e muito
necessária para a preparação da revolução das massas. Em uma palavra, a
Internacional é um espaço sumamente favorável e necessário para a
organização revolucionária, mas não é a organização revolucionária em si.
A Internacional admite em seu seio, sem distinção de crenças políticas e
religiosas, a todos os trabalhadores honrados com a única condição de que
aceitem, com todas as suas conseqüências, a solidariedade da luta dos
trabalhadores contra o capital burguês, explorador do trabalho. Esta é uma
condição suficiente para separar o mundo dos trabalhadores do mundo dos
privilegiados, mas insuficiente para dar ao primeiro destes mundos uma
orientação revolucionária.
Os fundadores da Associação Internacional procederam com suma sabedoria ao
eliminar desde o primeiro momento da Associação todos os assuntos
políticos e religiosos. Não há dúvida nenhuma de que não careciam de
opiniões políticas e anti-religiosas bem definidas, mas se abstiveram de
incluí-las no programa, pois sua finalidade principal estava antes de tudo
em reunir as massas operárias de todo o mundo civilizado dentro de uma
ação comum.
Necessariamente tiveram que buscar uma base comum, uma série de princípios
simples a respeito dos quais todos os operários - fossem quais fossem suas
idéias políticas e religiosas, com tanto que se tratasse de operários
sérios, quer dizer, de homens duramente explorados e sofredores -
estivessem de acordo. Se houvessem desfraldado a bandeira de algum sistema
político ou anti-religioso, longe de reunir a todos os operários da
Europa, os dividiriam mais ainda. Se por acaso a simples palavra ateísmo
houvesse sido incluída no estandarte da Internacional haveria podido a
Associação reunir em seu seio sequer duas centenas de aderentes? Todo
mundo sabe que não. E não porque o povo seja realmente religioso, e sim
porque acredita sê-lo, e haverá de seguir acreditando enquanto uma boa
revolução social não lhe proporcione meios para acabar com estas
aspirações ilusórias.
A Aliança é o necessário complemento da Internacional. Mas a Internacional
e a Aliança, ainda quando têm a mesma finalidade, ao mesmo tempo perseguem
objetivos diferentes. Uma tem a missão de agrupar as massas operárias, os
milhões de trabalhadores, através dos diferentes países e nações, através
das fronteiras de todos os estados; a outra, a Aliança, - tem a missão de
dar a estas massas uma orientação realmente revolucionária. Os programas
de uma e de outra, sem que de modo algum sejam opostos, são diferentes
pelo grau de seu respectivo desenvolvimento. O da Internacional, se o
tomamos com toda a seriedade que exige o caso, convém o germe, mas solo em
germe, todo o programa da Aliança. O programa da Aliança é a explicação
última do programa da Internacional.
Não podemos nem queremos unir outro exército que não o do povo. Mas como
fazer para que a massa se levante unida e simultaneamente, que é a única
condição debaixo da qual pode vencer? E sobretudo, como fazer para que as
massas, ainda que eletrizadas e sublevadas, não se percam nem se paralisem
devido a seus movimentos opostos? Fica evidente que esse trabalho não pode
ser o trabalho de um homem só, que uma empreitada tão difícil só pode ser
levada a bom termo graças a ação de muitos homens mancomunados. Mas para
isso, é necessário antes de tudo que eles se entendam entre si e se dêem a
mão a fim de levar a cabo sua obra em comum. E como esta tem uma
finalidade prática, revolucionária, o entendimento mútuo, que é sua
condição necessária, não pode fazer-se de maneira pública; se assim o
fosse atrairia contra seus iniciadores as perseguições de todo o mundo
oficial e oficioso. e estes se veriam dominados antes de poder mover um
dedo.

Nunca se deve renunciar ao programa revolucionário claramente
estabelecido, nem pelo que tange à forma, nem pelo tange a sua substância.
As reticências, as meias verdades, os pensamentos castrados e as
complacentes atenuações e concessões de uma diplomacia covarde não são os
elementos com que se formam as grandes coisas; estas só se formam com
corações, com espírito justo e firme, com uma finalidade claramente
determinada e com uma grande valentia.
Sabemos que em política não há prática sincera e útil que seja possível
sem uma teoria e uma finalidade claramente determinadas. Não cabe dúvida
de que o número de nossos aderentes será maior se evitarmos precisar nosso
real caráter. Mas já disse o provérbio que quem muito abarca mal abraça:
compraríamos todas estas preciosas adesões ao preço de nossa completa
aniquilação. E entre tantos equívocos e frases que hoje envenenam a
opinião pública da Europa, seríamos apenas uma mentira a mais.
O que as autoridades revolucionárias deixem de fazer frases, mas tendo uma
linguagem tão moderada e pacífica quanto se queira, que façam a revolução.
Justamente o contrário do que as autoridades revolucionárias tem feito até
agora em todos os países. Com bastante freqüência tem sido excessivamente
enérgicas e revolucionárias em sua linguagem e muito moderadas, para não
dizer reacionárias em seus atos. Até poderia dizer que, quase sempre, a
energia da linguagem lhes te servido de máscara para enganar ao povo, para
ocultar dele a debilidade e a inconseqüência de seus atos.
"Nós, bem ou mal, conseguimos formar um pequeno partido; pequeno em
relação ao número de pessoas que aderiu a ele com conhecimento de causa,
mas imenso com respeito a seus aderentes instintivos, a estas massas
populares cujas necessidades representamos melhor que qualquer outro
partido. Agora deveremos navegar todos juntos no oceano revolucionário, e
daqui para frente devemos propagar nossos princípios, não com palavras,
mas com fatos, porque afinal esta é a mais popular, poderosa e
irresistível forma de todas propagandas.
Não pensem que eu estou advogando em prol da anarquia absoluta nos
movimentos populares. Uma anarquia como essa não seria nada mais que a
completa ausência de pensamento, de finalidade e de conduta comum, e
necessariamente haveria de desembocar em uma impotência geral. Tudo o que
existe, tudo que é viável se produz dentro de certa ordem, que lhe é
inerente e que demonstra o que há em si. Os revolucionários políticos, os
partidários da ditadura ostensiva, recomendam, uma vez que a revolução
tenha obtido sua primeira vitória, o apaziguamento das paixões, a ordem, a
confiança e a submissão aos novos poderes estabelecidos. Desta maneira
reconstituem o Estado.
Para que se possa atuar é necessário que exista uma organização, e para
isso é necessário prepará-la e organizá-la antecipadamente, pois não se
fará por si só, nem por discussões, nem por exposições e debates de
princípios, nem por assembléias populares. Por mais inimigo que eu seja do
que na França se chama disciplina, reconheço, não obstante, que uma certa
disciplina, não automática mas sim voluntária e refletida, e que esteja em
perfeito acordo com a liberdade dos indivíduos, é e será sempre necessária
cada vez que muitos indivíduos, livremente unidos, empreendam um trabalho
ou uma ação coletiva., não importa qual.
Em tais casos a disciplina não é nada mais que a concordância voluntária e
reflexiva de todos os esforços individuais rumo a um fim comum. No momento
da ação, em meio à luta, os papéis se dividem naturalmente segundo as
aptidões de cada um, apreciadas e julgadas por toda a coletividade: uns
dirigem e mandam, e outros executam as ordens. Mas nenhuma função se
petrifica, se fixa, nem permanece irrevogavelmente aderida a pessoa
alguma. A ordem e a promoção hierárquicas não existem, de maneira que o
comandante de ontem pode ser o subalterno de hoje. Nesse sistema já não
há, a rigor, poder. O poder se funde na coletividade e se converte em
sincera expressão da liberdade de cada um, na realização fiel e séria da
vontade de todos. Todos obedecem somente porque o chefe de cada dia não
ordena senão aquilo que todos querem. Tal é a disciplina verdadeiramente
humana, a disciplina necessária para a organização da liberdade. A unidade
viva, verdadeiramente poderosa, é a que queremos todos, é a unidade que a
liberdade cria nas entranhas das diversas e livres manifestações da vida,
expressando-se pela luta.
de : http://www.fag.rg3.net/



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