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(pt) Noam Chomsky: Os EUA são fascistas, e isso está provado

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Date Sun, 20 Apr 2003 09:26:23 +0200 (CEST)


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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
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Já que os Estados Unidos continuavam onde os nazistas tinham desistido,
fazia muito sentido aproveitar os especialistas em atividades anti
resistência. Mais tarde, quando se tornou difícil, ou impossível, proteger
esse valioso pessoal na Europa, muitos deles esconderam-se nos Estados
Unidos ou na América Latina, muitas vezes com a ajuda do Vaticano e de
padres fascistas.
Na extrema linha dura, temos documentos como o Memorando 68 do Conselho de
Segurança Nacional (de 1950). O CSN 68 desenvolveu as opiniões do
secretário de Estado Dean Acheson e foi escrito por Paul Nitze, que ainda
anda por aí (ele foi um dos negociadores do controle de armamentos de
Ronald Reagan). O CSN 68 propunha uma "estratégia de empurrar para trás",
que "fomentaria as sementes da destruição dentro do sistema soviético,
para que pudéssemos então negociar um pacto, em nossos termos, com a União
Soviética" (um Estado ou Estados sucessores).
As políticas recomendadas pelo CSN 68 exigiriam sacrifícios e disciplina
nos Estados Unidos em outras palavras, gigantescos gastos militares e
cortes nos serviços sociais. Seria necessário também superar o excesso de
tolerância que permite demasiada dissidência interna.
Essas políticas já estavam, de fato, sendo implementadas desde 1949,
quando a espionagem dos EUA na Europa Oriental foi transferida para uma
rede liderada por Reinhard Gehlen, que já havia dirigido a inteligência
militar nazista na Frente Leste da guerra. Essa rede era parte da aliança
EUA-nazistas, que absorveu rapidamente muitos dos piores criminosos de
guerra e estendeu suas operações para a América Latina e para outras
partes do mundo.
Essas operações incluíam um exército secreto, patrocinado pela aliança
EUA-nazistas, que se encarregava de fornecer agentes e provisões militares
a exércitos que tinham sido criados por Hitler e que, no início da década
de 1950, ainda estavam operando na União Soviética e no Leste Europeu.
(Esse fato é conhecido nos Estados Unidos, mas considerado insignificante,
embora pudesse provocar caras feias e viradas de mesas se descobríssemos,
por exemplo, que a União Soviética enviara agentes e provisões a exércitos
comandados por Hitler, que estavam operando nas Montanhas Rochosas.)
(...)

A RESTAURAÇÃO DA ORDEM TRADICIONAL

Os estrategistas do mundo pós-guerra, como Kennan, por exemplo, logo
perceberam que ia ser imprescindível, para o bem das empresas americanas ,
que as outras sociedades ocidentais se refizessem dos prejuízos da guerra,
para que pudessem importar mercadorias manufaturadas dos EUA, e assim,
fornecerem oportunidades de investimentos. (Estou incluindo aqui o Japão
como parte do Ocidente, seguindo a convenção sul-africana de tratar os
japoneses como "brancos honorários".) Entretanto, era fundamental que
essas sociedades se reconstruíssem de uma maneira bem específica.
A ordem tradicional de direita tinha de ser restabelecida, com a dominação
das empresas com a divisão e o enfraquecimento dos sindicatos e com o peso
da reconstrução sendo colocado inteiramente nos ombros da classe
trabalhadora e dos pobres.
O principal obstáculo no caminho era a resistência antifascista. Nós,
então, a reprimimos no mundo inteiro e instalamos em seu lugar, na maioria
das vezes, fascistas e ex-colaboradores nazistas. Às vezes, isso requeria
extrema violência, mas, em outras, isso era feito por meio de medidas mais
suaves, como subverter eleições ou esconder alimentos extremamente
necessários. (Este deveria ser o capítulo 1 de qualquer história honesta
do período pós-guerra, mas, na verdade, isso raramente é discutido.)
Esse modelo político foi estabelecido em 1942, quando o presidente
Roosevelt colocou o almirante francês Jean Darlan como govemador-geral de
toda África do Norte francesa. Darlan era um dos principais colaboradores
nazistas e autor de leis anti-semitas, promulgadas no governo de Vichy (o
regime fantoche dos nazistas na França).
Entretanto, muito mais importante foi o caso primeira área liberada da
Europa - o Sul da Itália -, onde os EUA, seguindo o conselho de Churchill,
impuseram uma ditadura de direita liderada pelo herói de guerra fascista,
o marechal de campo Badóglio, e pelo rei Victor Emmanuel III, que também
foi um colaborador fascista.
Os estrategistas norte-americanos reconheceram que a "ameaça" na Europa
não era a agressão soviética (que analistas sérios como Dwight Eisenhower
não previram), mas a resistência antifascista operária e camponesa com
seus ideais democráticos radicais, o poder político e a atração dos
partidos comunistas locais.
Para evitar um colapso econômico, que aumentaria a influência desses
partidos, e para reconstruir as economias capitalistas dos países da
Europa Ocidental, os EUA instituíram o Plano Marshall (sob o qual a Europa
foi subvencionada em mais de 12 bilhões de dólares, entre 1948 e 1951, com
empréstimos e concessões, fundos estes utilizados na compra de um terço
das exportações norte americanas para a Europa no auge do ano de 1949.
Na Itália, um movimento de base operária e camponesa, liderado pelo
Partido Comunista, havia tomado seis divisões alemães durante a guerra e
libertado o Norte da Itália. Quando as forças norte-americanas avançaram
pela Itália, dispersaram essa resistência antifascista e restauraram a
estrutura básica do regime fascista anterior à guerra.
A Itália tinha sido uma das principais áreas de subversão da CIA - Central
de Inteligência Americana - desde que a agência foi fundada. A CIA estava
preocupada que os comunistas ganhassem o poder nas decisivas eleições
italianas de 1948. Muitas técnicas foram utilizadas, inclusive a
restauração da polícia fascista, que destruiu sindicatos e escondeu
alimentos. Mas, ainda assim, não estava claro que o Partido Comunista
seria derrotado.
O primeiro memorando do Conselho de Segurança Nacional (CSNI-1948)
especificou uma série de ações que os EUA realizariam se acaso os
comunistas vencessem as eleições. Uma das respostas planejadas seria a
intervenção armada, com ajuda militar, em operações secretas na Itália.
Algumas pessoas, especialmente George Kennan, propuseram ação militar
antes das eleições. Ele não queria riscos, mas outros o convenceram de que
poderiam ganhar por meio da subversão, o que se concretizou realmente.
Na Grécia, as tropas britânicas entraram depois que os nazistas se haviam
retirado. Impuseram um regime tão corrupto que provocou nova resistência.
Como a Inglaterra, em seu declínio pós-guerra, foi incapaz de manter o
controle. Em 1947, os Estados Unidos entraram, apoiando uma guerra
assassina, que resultou em 160.000 mortes.
Foi uma guerra repleta de torturas, exílios políticos de dezenas de
milhares de gregos, e aquilo que chamamos "campos de reeducação" para
outras dezenas de milhares de pessoas, destruição de sindicatos e nenhuma
possibilidade de independência política.
A Grécia foi decididamente colocada nas mãos de investidores americanos e
empresários locais, enquanto grande parte da população teve de emigrar
para sobreviver. Os beneficiários foram os colaboradores nazistas, e as
principais vítimas foram os trabalhadores e os camponeses da resistência
antinazista, liderada pelos comunistas.
A nossa vitoriosa "defesa" da Grécia contra sua própria população serviu
de modelo para a Guerra do Vietnã - como explicou Adlai Stevenson, na ONU,
em 1964. Os conselheiros de Reagan usaram exatamente o mesmo modelo,
falando sobre a América Central. E o mesmo padrão foi seguido em muitos
outros lugares.
No Japão, o governo de Washington iniciou, em 1947, o chamado "caminho
inverso", que reverteu os primeiros passos em direção à democratização
empreendida pela administração militar do general MacArthur. O "caminho
inverso" reprimiu os sindicatos e outras forças democráticas e colocou o
país firmemente nas mãos dos empresários, que haviam apoiado o fascismo
japonês - um sistema misto de poder estatal e privado que dura até hoje.
Quando as forças norte-americanas entraram na Coréia, em 1945, dissolveram
o governo popular local, composto basicamente de antifascistas, que
resistiram aos japoneses. Os EUA inauguraram aí uma repressão brutal,
usando a polícia fascista japonesa e coreanos que haviam colaborado com os
japoneses durante a ocupação. Cerca de cem mil pessoas foram assassinadas
na Coréia do Sul antes daquilo que chamamos Guerra da Coréia. Inclusive,
foram mortas entre trinta e quarenta mil pessoas durante repressão a uma
revolta camponesa, na pequena região da Ilha de Cheju.
O golpe fascista na Colômbia, inspirado pela Espanha de Franco, trouxe
pouco protesto do governo norte-americano. A mesma coisa ocorreu com o
golpe militar na Venezuela e com a restauração de um admirador do fascismo
no Panamá. Mas o primeiro governo democrático da história da Guatemala,
inspirado no New Deal de Roosevelt, provocou um amargo antagonismo
norte-americano.
Em 1954, a CIA maquinou um golpe que transformou a Guatemala num inferno
em terra. E, desde então, mantém-se assim, com intervenção e apoio regular
dos EUA, especialmente durante os governos Kennedy e Johnson.
Outro aspecto da repressão à resistência antifascista foi o recrutamento
de criminosos de guerra como Klaus Barbie, um oficial da SS que havia sido
chefe da Gestapo em Lyon, na França. Lá, ele recebeu o apelido de
"açougueiro de Lyon". Embora ele tivesse sido responsável por crimes
hediondos, o Exército dos EUA encarregou-o da espionagem na França.
Quando Barbie foi finalmente trazido de volta à França, em 1982, para ser
julgado como criminoso de guerra, seu emprego como agente foi assim
explicado pelo coronel (aposentado) Eugene Kolb, corpo de
contra-espionagem do Exército americano: "As 'habilidades' [de Barbie]
eram um mal necessário... Suas atividades haviam sido dirigidas contra o
clandestino Partido Comunista e contra a Resistência Francesa", que já
eram alvo da repressão dos libertadores norte-americanos.
Já que os Estados Unidos continuavam onde os nazistas tinham desistido,
fazia muito sentido aproveitar os especialistas em atividades anti
resistência. Mais tarde, quando se tornou difícil, ou impossível, proteger
esse valioso pessoal na Europa, muitos deles esconderam-se nos Estados
Unidos ou na América Latina, muitas vezes com a ajuda do Vaticano e de
padres fascistas.
Lá, eles se tornaram conselheiros militares de governos policiais,
apoiados pelos Estados Unidos, inspirados, muitas vezes quase abertamente,
no Terceiro Reich. Eles também se tornaram traficantes de drogas,
comerciantes de armas, terroristas e educadores - ensinando a camponeses
latino americanos técnicas de tortura inventadas pela Gestapo. Alguns
alunos nazistas fizeram o dever de casa na América Central, estabelecendo,
deste modo, uma ligação direta entre os campos de extermínio e os
esquadrões da morte, tudo graças à aliança pós-guerra entre os EUA e os
SS."
Noam Chomsky

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