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(pt) PARTINDO DAS MAQUILADORAS, O EXEMPLO PARA A ALCA

From "Raphael F. Amaral" <rphlt@yahoo.com.br>
Date Sat, 26 Oct 2002 02:43:13 -0400 (EDT)


   ______________________________________________________
      A - I N F O S  S e r v i ç o  de  N o t í c i a s
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www.alcaralho.or

 Centro de Mídia Independente:
http://brasil.indymedia.org:8081//front.php?article_id=39732


	O objetivo deste texto é demonstrar um pouco sobre como as
maquiladoras podem servir de exemplo para apontar alguns pontos
em que a concretização da ALCA pode vir a ser algo prejudicial
aos países que participarem do acordo. Porém, é necessário que
se faça uma contextualização histórica para podermos situarmos
as maquiladoras e entendermos como e por que elas acontecem.

INTRODUÇÃO:

	Atualmente, em quase todos os meios de comunicação que decidem
por relatar algo ligado à economia mundial, podemos observar a
utilização do termo \"Globalização\". Os problemas ligados ao
fato deste termo ser utilizado sem ser explicado em seu contexto
histórico ou de estar, freqüentemente, sendo utilizado apenas no
nível econômico da sociedade não será discutido aqui. O que
relamente importa é que o termo se encaixa em um período em que
o Capitalismo se organiza com o pensamento neoliberal (que tomou
corpo durante a década de 1930 do século XX, retomando a idéia
do Liberalismo de Adam Smith, do século XVIII e de David
Ricardo, século XIX) demonstra- se preponderante política e
economicamente, sendo que todo o planeta sofre suas
conseqüências, independente de elas serem benéficas ou não.
	Entra tantas características, o que marca o Neoliberaliismo é
um completo desmantelamento das funções do Estado. Este é o seu
objetivo. Isto pode acontecer de diversas formas, por exemplo,
através da desestatização de empresas, tornando-as privadas. Mas
o que pretendemos focar nas características neoliberais é a
constante tendência à formação de blocos entre Estados(não
apenas econômicos) e o poder cada vez mais forte exercido pelo
livre-comércio.

BLOCOS ECONÔMICOS:

	Como idéia, a formação de blocos econômicos não é novidade
alguma. Em 1924, o oficial do Estado-Maior alemão Karl Haushofer
(portador da carteira n° 3 do Partido Nacional-Socialista),
criava a Associação de Estudos Geopolíticos (mais tarde
Instituto de Geopolítica de Monique). Por meio desta ele
divulgava seus estudos sobre Geopolítica e já constatava  uma
tendência à divisão do mundo entre blocos (no caso: Pan-América,
Euráfrica, Pan-Rússia, Zona Asiática), profetizando que, no
futuro, ocorreria uma disputa entre blocos, e não simplesmente
entre Estados. Aliás, se voltarmos ainda mais no passado, o
conceito de zonas de livre comércio nos leva à época das
Cidades- Estados anteriores ao Império Romano, por exemplo
Cartago, Tiro, que se diziam \"cidades livres\", onde os bens em
trânsito comercial poderiam ser armazenados sem taxas durante os
adiamentos e as paradas de descanso nas viagens, garantindo que
os comerciantes ficassem protegidos de algumas avarias.
	E através de situações diversas, acordos vêm sendo feitos
visando a formação de blocos, ou concretizando- os. União
Européia (UE), Common-Wealth, Comunidade Caribenha (CARICOM),
Mercado Comum dos países do Cone-Sul (MERCOSUL), Cooperação
Econômica Ásia Pacífico (APEC), etc. Todos fazem parte da
ascenção neoliberal que se deu, principalmente, durante a
ocorrência e após o término da Guerra-Fria e agem sobre as
regras de outras instituições internacionais criadas para
regular as relações comerciais globais. Entre estas: Organização
Mundial do Comércio (OMC), Fundo Monetário Internacional (FMI),
Bando Mundial (BM), etc.
	O papel dessas instituições sobre  os blocos e os acordos é
fazer com que o livre comércio se desenvolva até o momento em
que o mundo todo se torne um grande mercado e que as únicas
regras que controlem este mercado (caso existam) sejam as regras
destas instituições, deixando-o cada vez mais livre. É a
retomada da idéia de que o mercado pode se auto regular Para
isso, não importa o quanto isso poder vir a acarretar de
negativo para espécie humana e para o meio ambiente.

LIVRE COMÉRCIO:

	O objetivo maior do Capitalismo é a \"maximização dos lucros\".
Todas as evoluções dentro desse sistema são feitas pensando
nesse aumento. Em um mundo divido entre Estados que, retomando
uma das características econômicas do pré-primeira-guerra, cada
vez mais estabelecem comércio de todos os níveis entre si, todos
os tipos de barreiras ao comércio tendem a ser abolidas. Sendo
assim, a tendência é que os Estados tenham funções cada vez mais
secundárias na economia global. E é isso que vem acontecendo. O
Estado vem se submetendo cada vez mais (servindo como um
\"guarda-costas\") aos reais agentes do livre-comércio : as
grandes corporações transnacionais.
	O ápice do Neoliberalismo é, justamente, o livre-comércio a
nível global. Um mercado que se auto-regula e controla a
economia sem a interferência de qualquer Estado, este é o ideal
supremo neoliberal. Mas enquanto ainda há Estados , instituições
internacionais (a OMC, por exemplo) garantem que eles atuem em
pról do livre-comércio e punem os Estados que fogem às regras.
Dessa forma, os Estados adotam leis e políticas que favorecem as
grandes corporações para que elas realizem o comércio mais
próximo da liberdade possível. Quando falamos em comérico livre,
usamos esse termo pensando naquele que depende do desmanche de
todas as barreiras alfandegárias, leis ambientais, leis de
proteção ao meio ambiente, leis que permitam a organização dos
trabalhadores de modo a impedir a total exploração de seu
trabalho, leis de proteção aos direitos humanos, todas as leis
que possam impedir a \"maximização dos lucros\" objetivada pelo
livre comércio. É, nitidamente, o poder político sendo su!
 bjugado ao poder econômico-financeiro.
	Os neoliberais acreditam que o livre-comércio trará
desenvolvimento e progresso para todos e que aqueles que não são
desenvolvidos hoje, estão emergindo de um estágio
subdesenvolvido em direção ao desenvolvimento. Ou seja, será uma
questão de tempo, após o livre-comércio se expandir a nível
global, para que haja plena felicidade entra as pessoas e
harmonia com a natureza. Porém, os resultados das ações
comandadas pelos neoliberais não são tão positivas quanto eles
divulgam.
	No mundo de hoje, o comércio livre será (é) fundamentalmente
introduzido entre nações de economias radicalmente desiguais e
isso trás conseqüências prejudiciais os envolvidos (obviamente,
principalmente para a nação de economia menor). No livre
comércio notamos um livre fluxo de mercadorias, capitais,
investimentos, até mesmo uma padronização de moedas, mas não a
livre circulação de pessoas e, a partir do momento em que se
tornar prejudicial para a economia mais forte, também não é
permitido a livre circulação da mão de obra. Logo, as grandes
empresas, visando uma diminuição cada vez maior dos gastos, vão
procurar os locais aonde o trabalhador seja menos organizado
enquanto classe, os gastos com salários e medidas de proteção ao
trabalhador, meio-ambiente sejam quase nulas, ou simplesmente
inexistentes. Além disso, há países que diminuem quase que
totalmente as tarifas alfandegárias e até oferecem incentivos
fiscais para que determinada empresa transnacional instale
filiais!
  em seu território. O que acontece é que o lucro obtido é
investido apenas na empresa e não retorna para a sociedade. Ou
seja, além de desempregar milhares de pessoas em seu país de
origem  quando saiu em busca de menores gastos com a produção, a
empresa (através de uma política de baixos salários, exlploração
desumana e poluição do meio ambiente) fomenta a miséria também
nos países em que estão instaladas. Utilizando- se de um
raciocínio simplista, o que se percebe de fato é que o
descontrole do comércio (ainda mais quando estabelecido entre
economias díspares) traz um descontrole ainda maior do caos
social.

NAFTA

	Um dos grandes exemplos da formação de blocos econômicos
norteados pelo livre-comércio é o NAFTA ( North American Free
Trade Agreement- ou ALCAN: Acordo de Livre Comércio da América
do Norte). Sendo negociado desde 1992 e passando a existir
efetivamente a partir de 1° de janeiro de 1994, o NAFTA é um dos
principais elementos a serem analisados para poder ser aproximar
de uma mínima noção real do que poderia vir a ser uma área de
livre-comércio estendida por toda a América (afinal, seria uma
questão de tempo até Cuba ser englobada pelo bloco).
	Estabelecido entre EUA, Canadá e México, este acordo de
livre-comércio e investimentos foi feito sob a promessa de
desenvolvimento através da quebra de barreiras para as trocas
comerciais. Porém, não é bem assim que vem acontecendo. Os
aumentos do desemprego e da miséria nos três países são apenas
dois fatores ilustrativos para demonstrar o que o
\"desenvolvimento\" trouxe consigo. Tomemos com exemplo um
círculo vicioso do NAFTA na questão agrícola:
	1- O Aumento das Exportações do Milho dos EUA:  Durante os
primeiros seis anos do NAFTA, os EUA aumentaram em 1.397% a
exportação de milho para o México. De US$ 35 milhões, em 1993, o
lucro subiu, em 1999, para US$ 527 milhões. A isso deve-se ter
em vista que os fazendeiros dos EUA são auxiliados através de
subsídios governamentais.
	2- Fazendeiros Desterrados: Os milhares de fazendeiros
mexicanos, desprovidos de subsídios governamentais, que
anteriormente conseguiam competir com os produtos do EUA, vêm
perdendo suas terras. O pouco dinheiro que eles arrecadam é
usado mais para conseguir alimentar sua família do que para
investir em melhorias na produção.
	3- Aumento da Pobreza: O Banco Mundial relata que, em 1994, 79%
dos  mexicanos do meio-rural viviam na pobreza. Após a
introdução do NAFTA, notou- se que, em 1998, este número elevou-
se para 82%.
	4- Imigração: Os desterrados imigram ilegalmente para os EUA em
busca de empregos. De acordo com o Instituto para a Política de
Comércio e Agricultura, \"em uma das ironias brutais do
livre-comércio, muitos desse refugiados mexicanos estão se
unindo ao inchaço do fluxo de imigrantes que estão colhendo e
processando a comida dos EUA freqüentemente em condições
perigosas e de baixos-salários.
	5- Patrulha de Fronteira: De 1993 até 1999, os EUA aumentaram
seus custos com o controle de imigração de US$ 967 milhões para
US$ 2.56 bilhões. Existem mais de 9.000 agentes de patrulha de
fronteira (mais que o dobro de 1993). Entre tantos outros casos
de violência, em 1999, 356 migrantes morreram em tentativas
desesperadas de cruzar a fronteira para os EUA. Provavelmente
eles estavam tentando fugir dos \"benefícios\" do
livre-comércio.
	6- Os Fazendeiros dos EUA: em 1995, o Congresso do EUA
justificou cortes nos subsídios à agricultura alegando que o
lucro obtido do crescimento nas exportações deveriam distribuir
o conjunto da diferença pela ausência de subsídios. Em lugar
disto, os fazendeiros do EUA, encarando a volatilidade dos
mercados internacionais, enfrentaram a pior crise desde a década
de 1980. No ano 2000, o preço do milho afundou para o nível mais
baixo dos últimos 25 anos do século XX- em 1995 a espiga  valia
US$ 5, em 1998, declinou- se para US$ 1.90.
	7- Agro-negócios dos EUA: Por comparação, as grandes
corporações que pressionam o México para permitir o fim das
tarifas alfandegárias atingiram benefícios. A Cargil (maior
comercializadora de grãos dos EUA), em 1992, ganhava US$ 350
milhões. Já em 1999, saltou para US$ 597 milhões. Além do fato
de que, em 1999, a corporação adquiriu mais poder comprando
parte de sua principal concorrente, a Continental Grain.
	Portanto, é fácil de se constatar que o livre-comércio traz
ganhos para as grandes empresas transnacionais em troca de
perdas para todos os outros envolvidos (inclusive para o países
de origem destas corporações).
	A partir de agora iremos observar um pouco sobre um fator muito
característico (porém, não exclusivo) do NAFTA: as maquiladoras.


MAQUILADORAS 

	As maquiladoras surgiram em 1965, quase na mesma época de um
acordo comercial entre a Bacia do Caribe e os EUA -- Iniciativa
para la Cuenca Del Caribe --  que visava o desenvolvimento
econômico nesta região. Entre outros pontos deste acordo, para
que os países envolvidos pudessem conseguir benefícios
comerciais na indústria têxtil, eles deveriam concordar em
importar dos EUA 75% da matéria prima utilizada nas 
maquiladoras. No caso do México maquiladoras deveriam gerar
empregos nas zonas pobres fronteiriças.
	A criação das maquiladoras se fez por meio de um acordo entre o
governo mexicano e dos EUA: as empresas mexicanas deveriam
importar componentes industriais dos EUA e, depois, exportar o
produto já manufaturado de volta. 
	Através do Decreto para a Fomentação e Operação da Indústria
Maquiladora de Exportação (IME), de 1998,  é entendido que a
Operação das Maquiladoras envolvem \" (...)o processo industrial
ou de serviço destinado à transformação, elaboração ou reparação
de mercadorias  de procedência estrangeira importadas
temporariamente para sua exportação posterior, realizado por
empresas maquiladoras o que se dediquem parcialmente à
exportação (...)\". Este Decreto também define com quais
produtos que as maquiladoras poderão trabalhar, por exemplo:
matérias-primas, componentes, materiais de empacotamento,
ferramentas, etc. E realmente, as maquiladoras trabalham
montando televisores, computadores, peças para carros, com
etiquetagem e processamento de diversos outros produtos. Note
que deste tipo operação é que vem o termo maquiladora, de
\"maquilar\", que significa maquiar  em castelhano. A IME
\"passa uma maquiagem\" nos produtos primários e os exporta para
seu país de origem. Por isso me!
 smo também são chamadas de \"processadoras para exportação\".

	Indústria Maquiladora de Exportação é uma classificação criada
pelo SECOFI (Secretaria de Comércio e Fomento Industrial), o
qual admite investimentos comerciais estrangeiros dentro do
México com algumas vantagens:
	-Lei de Investimentos estrangeiros com 100% de propriedade
internacional dentro do México na maioria das atividades
comerciais.
	-Importação de bens e produção de manufaturados sem o pagamento
de taxas alfandegárias.
	Estes bens entram no México em uma instalação temporária, que
são as maquiladoras (1 ano sem remuneração para matérias primas
e  2 anos remuneráveis para a produção de equipamentos), sem ter
que pagar as taxas de importação.
Para garantir que estes produtos não sejam vendidos no México,
todos eles são rastreados desde que entram no país como matéria
prima. As empresas que montam as maquiladoras podem montá-las
com  facilidade em outros países devido a um sistema de
\"comodatos\", fazendo com que se possa usar a propriedade
estrangeira por um período tempo sem ter que pagar por isso e,
desta forma, sem estar sujeita a inventários e taxas fixas.
Assim, o efeito de desvalorização das maquiladoras é mínimo.
Além disso, a IME recebe incentivos (geralmente em dólares) do
governo mexicano para suas operações durante o período de
\"comodato\". Diferentemente das indústrias nacionais do México,
as maquiladoras não precisam reportar suas taxas de lucros e
prejuízos cambiais durante o período de \"comodato\". Não
existem restrições setoriais para o seu funcionamento. A
ausência de impostos para exportação e  valor agregado deixam a
economia mexicana 100% aberta ao capital estrangeiro.
	Nas maquiladoras a produção sofre uma espécie de ciclo:
	-As fábricas recebem  \"emprestadas\" (devido a ausência de
taxas, mas a necessidade de mandá-las transformadas de volta) as
matérias primas de fontes estrangeiras.
	-O valor é agregado a este material  (na forma de trabalho,
principalmente, e materiais mexicanos) na fabricação dos
produtos finais.
	-Os produtos finais são remetidos para fora do país. As taxas
de importação (para os EUA, por exemplo) são pagas apenas sobre
o valor agregado (que é igual ao custo total do produto final
subtraindo o custo dos materiais temporariamente importados).
	-Obtém-se o custo de operação (o valor agregado, por exemplo)
estrangeira das maquiladoras mais uma pequena porcentagem,
geralmente entre 1 e 5 %.

As maquiladoras se disseminaram pelo México nos últimos dez
anos, mas, principalmente após a implantação do NAFTA, o
processo de instalação da IME se intesificou muito. Atualmente,
a produção das maquiladoras representa 10% do PIB da América
Central e em maio de 2001 chegou a gerar mais de 1.240.500
empregos, sendo que em 1994 este número não atingia 550.000.

A exportação das maquiladoras é totalmente dependente do mercado
dos EUA, sendo que este processo se fortaleceu após o NAFTA.
Basta notar que no período entre o ano de 1994 e o ano de 2000,
a quantia de dólares exportados para os EUA aumentou de US$ 94
bilhões para US$ 135.9 bilhões, sendo que este valor só foi
alcançado após ser acrescentado toda a produção das maquiladoras
exportada, que equivalem a US$ 80 bilhões. 
	 Há entre 3000 e 4000 maquiladoras no México, aproximadamente. 
	Crescimento de empregos, aumento da exportação... Todos estes
dados podem ser usados para fazer discursos com louvor IME,
sendo que é isso que é feito pelos empresários mexicano e dos
EUA, defendendo que as maquiladoras constituem o fator mais
dinâmico da economia da América Central dos últimos 20 anos. Mas
basta observar um pouco mais a fundo para notar que a as
maquiladoras fazem parte de um conjunto de exemplos concretos
que ilustram o perigo da expansão do NAFTA para toda as
Américas.
	Uma das condições de existência para as indústrias maquiladoras
é a total ausência de respeito aos direitos humanos, leis
ambientais e de proteção ao trabalhador.
	Não se configuraria um exagero dizer que toda a arquitetura do
funcionamento das maquiladoras parece estar montada para
prejudicar ao máximo os trabalhadores. Afinal, enquadrando- se
na lógica de produção capitalista e fazendo parte da periferia
da economia-mundo, o governo mexicano realiza a chamada
\"atração de investimentos externos\", o que consiste em
simplesmente desmantelar todas as leis de trabalhistas, de
proteção ao meio ambiente e ampliar ao máximo as vantagens
fiscais para que, desta forma, o investimento estrangeiro dos
países centrais, portanto, mais desenvolvidos economicamente, 
seja atraído. 
	Não é à toa que, nos países de língua inglesa,  as maquiladoras
praticamente se tornaram sinônimos de sweatshops. \"Sweatshops\"
é o termo que designa algum estabelecimento de cunho comercial
ou de produção que explora desumanamente os empregados,
exigindo-lhes um trabalho excessivo e lhes pagando um salário
pífio. Os funcionários são proibidos de falar como funciona a
produção dentro das sweatshops. Em um termo: trabalho escravo.
	O sistema de sweatshops disseminou-se pelo mundo todo. Por
exemplo, no Brasil, na cidade de São Paulo, no bairro do Bom
Retiro, existem sweatshops ligados à indústria têxtil que
empregam cerca de 120.000 bolivianos imigrados ilegalmente e os
condenam a este regime de escravidão.

	O México instalou suas fábricas na fronteira com os EUA. Isso
reflete outra característica do capitalismo na globalização
econômica neoliberal. No processo de acumulação internacional do
capital, as grandes transnacionais  (principalmente, mas não só,
ligada ao ramo de eletrônicos) são as protagonistas. A
transnacionalização é justamente a internacionalização da
produção. O capital exportado não é apenas utilizado apenas para
ampliar o processo de circulação das mercadorias, ele é também
investido diretamente na atividade produtiva.
 	Neste contexto, cria- se uma divisão do trabalho que conduz a
uma discriminação da produção de acordo com o nível de
desenvolvimento econômico do país da \"empresa processadora\"
(maquiladora) que age da seguinte maneira:  as empresas
processadoras dos produtos da grande transnacional, que podem
ser consideradas como filiais desta, se especializam em um setor
da produção. No caso, é o setor de menor valor agregado. Uma
fábrica maquiladora se torna uma parte de um todo espalhado pelo
planeta, afinal uma mesma transnacional pode montar maquiladoras
ao redor do mundo todo. O detalhe é que nos países em que se
concentram as maquiladoras são fabricados os produtos menos
sofisticados, se comparados com os fabricados nos países da
matriz das transnacionais. Portanto (e novamente apelando para o
conceito de economia-mundo) a fabricação de produtos mais
sofisticados (da micro-tecnologia, por exemplo) se concentra nos
países centrais, enquanto os periféricos dão conta do resto,
impe!
 dindo, deste modo, que um país subdesenvolvido venha a adquirir
e aplicar os conhecimentos técnicos para poder controlar sua
própria produção de modo que não tenha de se especializar em
produtos de baixo valor no mercado mundial.  Sendo assim,
enquanto o trabalho físico é feito no México, o trabalho mental
(administração, vendas, marketing, desenvolvimento) se concentra
nos EUA. Logo, os lucros, gerado através e atividades realizadas
no México, se confinam nos EUA.
	Notamos esse \"confinamento de lucros\" ao observar o a
seguinte relação: as maquiladoras são responsáveis por 1/3 das
exportações totais da América Central.  Porém, esta quantia não
é investida nos países das processadoras. No México, a cada US$
100 exportados apenas US$ 25 retornam ao país como lucro. Isso
explica- se devido ao pagamento das matérias primas importadas
pelo país para que os produtos sejam processados nas fábricas. E
há também o fato de que arrecada-se muito menos mantendo os
diversos benefícios fiscais para as transnacionais. É uma
situação insustentável que reflete as conseqüências de um livre
mercado.
	Vejamos alguns exemplos das grandes marcas que se utilizam de
maquiladoras no México: 3 Day Blinds; 20th Century Plastics;
Acer Peripherals; Bali Company, Inc.; Bayer Corp./Medsep; BMW;
Canon Business Machines; Casio Manufacturing;  Chrysler; 
Daewoo;  Eastman Kodak/Verbatim; Eberhard-Faber; Eli Lilly
Corporation; Ericsson; Fisher Price;  Ford; Foster Grant
Corporation; General Electric Company; JVC; GM; Hasbro Hewlett
Packard; Hitachi Home Electronics; Honda; Honeywell, Inc.;
Hughes Aircraft; Hyundai Precision America; IBM; Matsushita;
Mattel; Maxell Corporation ; Mercedes Benz; Mitsubishi
Electronics Corp.; Motorola; Nissan; Philips; Pioneer Speakers;
Samsonite Corporation; Samsung;  Sanyo North America; Sony
Electronics; Tiffany; Toshiba; VW; Xerox; Zenith, etc.
	O aumento do número de maquiladoras no fim do século passado
também reflete a estratégia das grandes marcas de gastar cada
vez menos na produção, dedicando os recursos que estariam
voltados a essa área para outros ramos da gestão da marca, por
exemplo, patrocínios publicidade, marketing, expansão, compra de
canis para distribuição, etc. A idéia por trás disto é que as
pessoas, ao consumir, não compram produtos de determinada
empresa, mas compram, na verdade, a marca.
	Como o processo de fabricação dos produtos de uma marca vem
sendo cada vez mais desvalorizado, as conseqüências dessa
degradação recaem sobre as pessoas que fazem o trabalho de
produção. O processo de terceirização da mão de obra que vem
sendo utilizado pode explica melhor essa situação: em cada elo
do processo de contratação, subcontratação e trabalho em casa,
os fabricantes rivalizam entre si para ver quem oferece o preço
mais baixo à transnacional que quer montar os seus produtos, e
em cada nível o contratador e o subcontratador retiram seu
pequeno lucro. O trabalhador \"braçal\", aquele que ficará nas
fabricas processando os produtos, está no final dessa cadeia de
preços baixos e terceirização (geralmente três ou quatro níveis
abaixo da empresa que realizou a encomenda original para a
fábrica), com um salário que tem seu valor reduzido à cada elo
da cadeia.
	De acordo com dados de 1998, a distribuição das maquiladoras
pelos estados mexicanos acontece da seguinte forma:
	- Baja Califónia/ região de Tijuana: aproximadamente 1090
fábricas, empregando cerca de 217.000 trabalhadores. A população
de Tijuana é quarta maior do México, com mais de um milhão de
habitantes. A taxa de crescimento é calculada em 3% anualmente. 
Em Tijuana há 33 parques industriais: 26 operando, 2 em
construção e 5 em estágio de planejamento. Algo por volta de 22%
está envolvido com produtos e equipamentos eletrônicos, 13%
trabalha com produtos e móveis de madeira,  cerca de 11%
processa manufaturas e artigos de plástico e 10% está ligado com
a indústria têxtil e de vestuário. A cada quatro trabalhadores
de Tijuana, um trabalha nas  maquiladoras. Entre Dezembro de
1993 e Maio de 1998, o aumento no número de empregados nas
maquiladoras de Tijuana foi de 95%. As companhias de atuação em
Baja Califórnia: Goldstar, Sony, JVC, Mitsubishi, Samsung,
Sanyo, Hitachi, Panasonic, Pioneer, Acer, Canon.
	-Sonora: Atuação por volta de 250 maquiladoras que empregam
cerca de 85.500 trabalhadores.  Da mão de obra das maquiladoras,
apenas 23.11% atuava em 13 companhiaas que não eram dos EUA. A
região de Nogales é a maior porta de entrada de produtos
estrangeiros do México, computando 2/3 de todo o tráfego
comercial do Arizona para o México. As companhias de atuação em
Sonora: Bose, Ford, Daewoo, Acosa, American Safety Razor, Sara
Lee, Midcom.

-Chihuahua/ região de El Paso- Juárez: Aproximadamente 380
maquiladoras que empregam por volta de 274.800 trabalhadores.
25% do comércio entre o México e os EUA passam por essa área.
Neste período, a expansão demográfica nessa região foi o dobro
da expansão demográfica nacional. As companhias que atuam em
Chihuahua: Acer, Toshiba, Zenith.

-Coahuila: Cerca de 260 maquiladoras que fornecem empregos a
algo em torno de 99.600 mexicanos. A mineração é uma das
atividades mais importantes deste estado e de maior extração a
nível nacional, incluindo ferro, titânio, ouro, prata, zinco,
etc. Coahuila contabiliza 36% da produção mexicana de aço e isso
estimulou o estabelecimento de novas plantas automobilísticas.
Alguns grupos mexicanos industriais, como o VITRO ,têm entrado
em um processo de internacionalização. As companhias  de atuação
em Coahuila: General Motors e Chrysler.

-Nuevo Leon: não há estatísticas sobre este período. As empresas
de atuação em Nuevo Leon: CYDSA, Visa, Pioneer, Nippon Denso,
Vitromatic.
	-Tamaulipas: Cerca de 350 indústrias de processamento
empregando algo por volta de 152.200 trabalhadores. A
infraestrutura deste estado favorece a importação de
processadoras ligadas com a indústria alimentícia, acessórios e
componentes eletrônicos e manufaturamento de brinquedos e, além
disso, a região obteve  a vantagem agregada de uma larga e
qualificada força de trabalho. Em 1990, as  processadoras
geraram mais de US$ 1 bilhão, no sistema de vantagens
alfandegárias relacionadas com importação, em câmbios
estrangeiros. Laredo e Nuevo Laredo prosperaram em
armazenamento, serviços como o imenso centro de destribuição da
Wal-mart e tarifas alfandegárias do tráfico de 4000 caminhões
carregados de produtos que atravessam nos dois sentidos,
diariamente, o Rio Grande. A principal linha de trem que sai do
México e vai para os EUA passa por esta fronteira. As companhias
de atuação em Tamaulipas:  Matsushita, Deltronics, Zenith

Obviamente, se o livre-comércio não pode encontrar nenhum tipo
de barreiras, se estas estiverem relacionadas com o custo da
manutenção de empregos, com certeza elas serão quebradas,
deteriorando, conseqüentemente, a qualidade do emprego.
	As maquiladoras chegaram a empregar cerca de 1,3 milhões de
pessoas, porém, cabe perguntar até que ponto podemos chamar um
emprego dentro de uma maquiladora de \"emprego\" e não de
\"escravidão\". Aliás, um dos maiores argumentos contra a idéia
de que \"o trabalho liberta e dignifica o homem\" é justamente o
dia-à-dia de trabalho na IME.
	Observando o salário, já podemos notar que as pessoas recebem
apenas o suficiente para permanecerem vivas para voltar a
produzir no dia seguinte. Há muitos fatos que demonstram que o
nível de salário é extremamente baixo. Ele é cerca de 10 vezes
menor que a média salarial nos EUA. O salário mais elevado é por
volta de US$ 8.00/dia, mas na verdade esse número chega a ser
otimista, pois a média geral não passa de US$ 3,00/dia e há
lugares onde o valor é de US$ 0,80/dia.  Mais de 50% dos
mexicanos recebem menos da metade do que recebiam há 10 anos
atrás.  Vale dizer também que o custo de vida nas zonas
fronteiriças chega ser 30% mais elevado que no resto do país.
Esta é uma situação que se agrava cada vez mais após a
implantação do NAFTA. Desde 1994, o número de trabalhadores que
recebem  mensalmente uma quantia menor que a de um salário
mínimo aumento em cerca de 1 milhão. O que notamos realmente é
um forte avanço na miséria, por volta de 8 milhões de famílias
sairam da class!
 e média e foram para a classe baixa. No começo dos anos 90,
havia cerca de 11 milhões de pobres no México, abarcando cerca
de 16% da população. No ano de 2001, já havia 51 milhões de
pessoas pobres no país, representando 58% dos mexicanos. E desta
quantia, 20 milhões estão a linha de indigentes. Desde a
implatação do NAFTA, o preço da cesta básica aumentou 560%, ao
mesmo tempo em que o salário aumentou apenas 135%. Como em
qualquer parte do mundo, a degradação do emprego regulamentado
gera um aumento do setor informal na economia. O trabalho
informal, sujeito a condições precárias, atinge mais de 50% da
PEA mexicana, algo em torno de 20 milhões de pessoas.
	De acordo com a publicação de  um estudo feito pela Análises e
Notícias do Trabalho Mexicano, em 1987 o trabalhador tinha que
trabalhar 8 horas e 47 minutos para poder comprar a  cesta
básica de alimentos para uma família de quatro pessoas. Em
Dezembro de 1998, para poder garantir a cesta básica ele deveria
trabalhar 34 horas. Neste mesmo período, o governo mexicano
aumentou em 14% o salário mínimo, porém o custo do consumo ficou
18.6% maior. As estatísticas do governo mexicano de 1998
demonstram que o saláro caiu a um nível que chegou a atingir o
valor de 30 anos atrás.
 	Podemos observar o custo de vida para um trabalhador da
maquiladora pegando um exemplo de uma empresa específica .
Observemos a fábrica da Auto Trim de México S. A. de
trabalhadores C. V : o funcionário trabalha cerca de 40 horas
por semana recebendo, após alguns acertos, US$ 55.77/ semana.
Porém, de acodro com um levantamento da Coalizão de Justiça para
as Maquiladoras (CJM), o custo de vida semanal que ele tem com
comida, transporte, eletricidade, água e outros gastos, atinge a
quantia de US$ 54.00/ semana, ou seja, lhe resta a exuberante
quantia de US$ 1.77 a cada semana para que ele possa realizar
alguma atividade além do necessário para continuar vivo
trabalhando. 
	A agravação da precariedade das condições de vida pode ser
facilmente demonstrado com o aumento do número de favelas nas
regiões próximas às maquiladoras. Devido a estas, no último
quarto do século passado houve uma forte migração interna para
os lugares em que elas se instalavam devido à oferta de emprego.
As pessoas que eram desempregadas e, portanto, sem a condição de
se alojar em algum imóvel que dependesse de uma alta quantia
financeira para ser mantido. Logo, foram sendo construídas
habitações paupérrimas próximas às maquiladoras, formando
verdadeiras \"colônias\" (como também são chamadas as favelas)
de pobreza. 
	Nestes bolsões de miséria, além da constante insegurança,
causada não só pela violência, mas também pelo risco da perda do
emprego ou de algum medida repressiva do estado contra as
habitações \"clandestinas\", as pessoas vivem sem um sistema
sanitário decente mantendo o esgoto a céu aberto, não há água
encanada  e muito menos eletricidade. Aproximando este exemplo
com um fato ocorrido no Brasil, no estado de São Paulo, é um
caso semelhante à região do ABC Paulista, quando, entre as
décadas de 70 e 80, se proliferaram favelas próximas às
indústrias de grandes marcas automobilísticas. E, ainda mantendo
a semelhança do exemplo paulista com as áreas de absoluta
miséria próximas às maquiladoras, e contrastando com elas,
notamos grandes imóveis dos diretores das fábricas
processadoras, sendo que dentre de suas casas sempre há também
automóveis de grandes marcas. 

	O NAFTA, em suas práticas concretas, atua de modo a prejudicar
as pessoas que têm condições financeiras precárias. Observando o
processo de produção da IME, esta afirmação fica muito clara. Os
maus tratos, coerção física e moral fazem parte do cotidiano de
desrespeito aos direitos humanos mais básicos dentro das
processadoras de exportação. Não afirmamos que isto acontece
devido ao pouco caso do governo mexicano faz dessa situação. Ao
contrário,  o governo mexicano dá muita atenção a isto. ele fica
observando. Na verdade ele se interessa por esse assunto e faz
com que o dia-à-dia permaneça o mesmo ou que até piore. Afinal,
quem melhor do que o governo mexicano para violar e destruir
toda a legislação trabalhista no México? Quem melhor que ele
para, em nome do investimento de capital estrangeiro oriundo do
livre comércio, apagar as conquistas de direitos através de
lutas de seu próprio povo, calando, desta maneira, sua própria
história? Esse desrespeito com as leis trabalhis!
 tas faz com que qualquer tipo de organização de trabalhadores,
enquanto classe, seja proibida. No caso da organização sindical,
além de ela não ser permitida, os diretores mantêm funcionários
\"espiões\" nas fábricas para apontarem aqueles que por ventura
venham a indicar algum comportamento \"subversivo\", fazendo com
que sejam despedidos o mais rápido possível. Sem organização, os
funcionários das maquiladoras ficam sujeitos à repressão, horas
extras forçadas, preconceitos de diversos tipos e tantos outros
maus tratos.
	Os mais de um milhão de funcionários das maquiladoras trabalham
6 dias por semana em um jornada de 10 horas por dia. Dentro das
fábricas, a vida é freqüentemente perversa. Segundo Martha
Ojeda, da CJM, \"funcionários trabalham do nascer ao pôr-do-sol.
Nunca vêem a luz do dia\". Alguns funcionários têm de tomar
anfetaminas para não quebrarem o ritmo da produção.
	Em 1998, três trabalhadores descreveram para CJM as condições
de higiene e segurança do local de trabalho em uma das
maquiladoras mexicanas que produzia peças de carros para a
Auto-Trim, a mesma empresa citada a pouco. Observe:
	
	-Trabalhador 1:
	\"Nós trabalhamos em  contato muito próximo com substâncias
químicas perigosas, usando cola para afixar o couro sobre os
volantes e solventes para limpá- los. Algumas das substâncias
que nós usamos são Varsol, Butanol, Tri-cloroetileno, Baltol,
Locktite, Cicomento, Cola Branca e Cola Amarela #260 e #230.
Estes eram os nomes que nós víamos todos os dias, mas nós não
tínhamos idéia do tipo de substâncias químicas que eram e o que
elas continham; a companhia nunca nos deu informação ou
treinamento sobre isto.
	Algumas vezes eles nos deram luvas de látex, mas não era
sempre. Nós usamos máscaras, mas isso apenas nos protege do pó e
não dos vapores, e eles não querem as dar para nós todo o tempo.
Os produtos tóxicos que nós usamos são armazenados em containers
abertos e têm odores muito fortes. Nós temos que por nossas mãos
diretamente dentro deles quando nós molhamos as toalhas para
limpar os volantes. Os solventes e as colas são mantidos na sala
de  produtos químicos, e apenas pessoas autorizadas podem entrar
lá. Nós temos tentado  descobrir mais sobre as substâncias
químicas que nós utilizamos, mas nós não entendemos nada pois
todos os rótulos estão em inglês.
	A maioria de meus colegas de trabalho queixam-se das
substâncias químicas, e eles têm os mesmos problemas que eu . Em
1993, a companhia foi fechada por um dia pela SEDESOL
(Secretaria de Desenvolvimento Social) . Antes disto ter
acontecido, a companhia nos escondeu toda a cola e substâncias
tóxicas. Deve ter sido que a companhia subornou os inspetores da
SEDESOL, pois a fábrica começou a trabalhar novamente e não
houve mudanças gerais.\"
	
	-Trabalhador 2:
	\"A Auto Trim contratou um doutor particular para conduzir a
terapia para os trabalhadores. Por aproximadamente uma semana e
meia depois de meus ferimentos, ele comandou a terapia para mim
três vezes por semana. Antes de eu começar a trabalhar, às
7:30hs, eu deveria receber uma terapia física  entre 30 e 45
minutos, mas o meu supervisor disse ao doutor que os
trabalhadores deveriam receber terapia apenas por dez minutos.
De dez a doze pessoas recebiam a terapia física ao mesmo tempo;
eu acredito que esses trabalhadores também eram costureiros de
volantes. A terapia consistiu em gelo, calor e depois uma
massagem pelo feita doutor, mas isto deveria aliviar a dor
apenas por aquele momento. Cada dia após a terapia, eu
completava um turno farto.
	O doutor aconselhou a mim e aos outros trabalhadores para
diminuir nosso passo e falar para alguém sobre nossos problemas
físicos. Um dia, na minha frente e entre outros vinte
trabalhadores, o supervisor repreendeu o doutor, dizendo- o que
ele foi contratado pela companhia então ele não deveria dizer
aos trabalhadores para tomar qualquer ação. O doutor foi
despedido em setembro de 1995 depois de trabalhar por dois
meses\".

	-Trabalhador 3:
	\"Antes de eu machucar a minha mão, eu sempre terminava 100% da
minha cota de produção, que eram 22 peças, e nunca tive nenhum
problema com o meu supervisor. Mas em 1995, quando eu estava
costurando, eu me feri com a agulha para esticar um nó pareceu
como se minha mão se partisse imediatamente  sobre meu pulso;
desde  essa época eu tenho sentido muita dor. Agora eu não
consigo atingir a cota de produção de 22 peças que eles exigem
de mim; eu consigo fazer apenas 10 peças.
	Quando eu machuquei minha mão e não poderia continuar a cota de
produção, meu supervisor começou a andar atrás de mim todo o
tempo, repreendendo-me. Ele me disse que eu era preguiçoso, que
eu não queria trabalhar, que muitas pessoas vinham trabalhando a
mais tempo que eu sem se queixar e que eu provavelmente havia
machucado a minha mão em casa e que estava apenas dizendo que eu
havia machucado-a enquanto costurava os volantes.
	Ele contou sobre mim no departamento dos funcionários por estar
sendo um trabalhador ineficiente. O chefe do corpo de
funcionários me disse que eu estava apenas fingindo estar
doente, que eu não tinha qualquer problema médico, e que eu
deveria voltar para o trabalho. Quando eles viram que eu não
conseguiria atingir a cota de produção, eles me enviaram para
trabalhar varrendo.
	Mas varrer também machucava minha mão  assim como costurar e a
dor continuou. Eu sentia dor nos meus dedos e na minha mão
esquerda. Havia um inchaço em meu pulso e a dor subiu por todo o
meu braço. Nos meus ombros eu tenho inchaços e uma sensação de
queimaduras, como se alguém tivesse esfregado a pimenta quente
ali. Eu estou sempre sentindo dor, mesmo fora do meu emprego,
mas a dor é a mais forte quando eu costuro os volantes. Em casa,
fazendo serviços caseiros, meu braço inteiro dói quando eu varro
e lavo minhas roupas. Eu não posso carregar coisas pesadas, eu
não tenho a força, então os objetos sempre caem da minha mão.
	Então, nestes tempos, a companhia me enviou para ver uma
terapeuta-física particular, e ela me disse: \'Eu fiz tudo que
eu pude e você diz que você continua se sentindo pior. O que
você tem é psicológico!\' Eu repliquei que eu não era louco e
perguntei se ela iria me curar ou se iria me deixar com eu
estava. Ela repondeu: \'Se você não quer trabalhar, desista e vá
vender doces na rua!\' Ela me deu alguns papéis me um envelope
selado e me disse para não abri-los, para levá-los para o doutor
no trabalho. Quando eu cheguei no escritório médico no serviço,
dois doutores pegaram o envelope e foram ter um encontro em
outra sala. Quando eles voltaram, eles me disseram que eu tinha
um \'atestado de saúde\' e que eu deveria me apresentar no dia
seguinte ao trabalho. Eu não sabia o que estava acontecendo, o
que eu deveria fazer ou quem eu deveria consultar. Então eu
decidi que era melhor apenas voltar ao trabalho no dia
seguinte\".

	Nota-se que nem mesmo o fator da língua é deixado de ser
utilizado de modo a prejudicar o trabalhador. A única regra é a
de desrespeito ao funcionário. Obviamente, essas precariedades
nas condições de trabalho trazem drásticos reflexos na saúde dos
funcionários.
	Marta Ojeda diz também que os trabalhadores \"raramente vêem
suas famílias\". Os maridos são colocados em setores distantes
dos de suas esposas. A situação das mulheres nas maquiladoras
nos ajuda a entender o perigo que essas fábricas representam aos
trabalhadores.
	Cerca de 60% da mão de obra das maquiladoras é feminina. A
faixa etária oscila entre 15 e 30 anos. Nas fábricas, as
mulheres não estão sujeitas apenas à discriminação moral e
sexual por parte dos diretores. Abusos sexuais, estupros e
espancamentos são freqüentemente denunciados, sem que nenhuma
atitude seja tomada por parte das autoridades. O assédio sexual
não é proibido pela constituição mexicana. Não obstante, algumas
mulheres são assassinadas. Entre 1993 e 1999, 187 mulheres foram
mortas em Juarez, sendo  que muitas eram meninas. A maioria
trabalhava em maquiladoras. foi necessário que um grupo de
mulheres exercesse pressão sobre o governo local para que ele
começasse a dar atenção para o caso e viesse a tomar alguma
atitude (que foi a de prender, sem maiores provas, 13 homens).
	 A gravidez é um outro ponto problemático para elas. Uma das
condições para ser contratada na IME é não estar grávida. As
mulheres têm de apresentar testes de gravidez para a sua
contratação. Em algumas fábricas as mulheres têm que se submeter
a testes humilhantes, como verificações mensais em vasos
sanitários, para que provem que estão menstruadas. O contrato
das mulheres tem geralmente 28 dias ( que é a duração média do
ciclo menstrual) para facilitar que uma trabalhadora seja
demitida caso sua gravidez seja constatada. Há porém aquelas que
engravidam quando já estão no emprego. Geralmente, estas
escondem sua gravidez, o que costuma acarretar em duas
principais conseqüências: se os diretores das fábricas
suspeitarem da gravidez, eles a colocaram em algum setor de
trabalho totalmente exaustivo que demandam um esforço físico
incompatível com o que pode ser realizado por uma gestante,
exigindo trabalhos em turnos noturnos, realizando horas extras
excepcionalmente longas não !
 remuneradas, fazendo com que se torne uma questão de tempo até
que a funcionária \"confesse\" a gravidez para então ser
despedida; mas o que ocorre com mais freqüência é que a
trabalhadora grávida não aparentar a gravidez e continuar no seu
emprego, formando-se o sério risco de gerar crianças com
deformidades físicas e degenerações na formação de órgãos como o
cérebro devido ao trabalho exaustivo e à constante exposição a
agentes químicos. De acordo com um levantamento do Comitê
Regional de Apoio Fronteiriço ao Trabalhador (CAFOR), 62% das
empregadas das maquiladoras desenvolveram alergias e doenças
após terem tido contato com produtos químicos sem a devida
proteção e que 76% das funcionárias sofrem de dores pulmonares.
Às grávidas também era recusada a licença do trabalho para ir ao
médico, fazendo com que acontecessem abortos espontâneos no
local de trabalho
	Todo ano, nas 800 fábricas da IME que se concentram em Tijuana,
cerca de 900 trabalhadoras são despedidas devido à gravidez.
Esta é uma prática freqüentemente adotada pela Samsung. Na
totalidade de suas 3 fábricas na região, há mais de 1800
trabalhadoras por turno em idade reprodutiva (entre 16 e 35
anos). Para se livrarem das mulheres grávidas a empresa adota a
tática citada a pouco de fazê-las renunciarem ao cargo
colocando-as em postos de trabalhos que requerem maior esforço
físico. A Organização Yeuani, coordenada em Tijuana por Elza
Jiménez, que costuma denunciar este tipo de situação, já levou
aos tribunais trabalhistas cerca de 20 casos de mulheres que
foram demitidas por estarem grávidas.
	E como não poderia deixar de ser, a IME realiza também em suas
fábricas a exploração da mão de obra infantil. Existem mais de 1
milhão de crianças que iniciam suas produções voltadas para o
mercado neoliberal antes dos 6 anos de idade. É uma mão de obra
que além de não ter como se organizar, não possui a mínima noção
de direitos trabalhistas para serem reivindicados, ou seja, é o
sonho de todo grande empresário. De acordo com o UNICEF, mais de
49% não sabe ler e cerca de 69% não termina o curso primário.
	Não se resiste à ALCA apenas pela insana defesa da \"soberania
nacional\". Ao fazer iso defende-se Estados, sendo que os povos
ficam em um plano secundário. Não defendemos Estados, defendemos
pessoas.

Como se constata, o funcionamento das maquiladoras está
totalmente dependente do estado da economia dos EUA. Em um termo
(bem simplista): a IME só funciona se a economia dos EUA também
funcionar. Para os EUA vão 89% das exportações do México. Logo,
se os EUA deixam de comprar e, portanto, as maquiladoras deixam
de vender, logo ela começam a quebrar. E é justamente isto que
vem acontecendo.
	Desde 2000, aproximadamente, os EUA atravessam uma forte
depressão econômica, sendo que isto está afetando diretamente as
maquiladoras. A exportação está caindo e a crise está
aumentando.
	Outros fatores, como a conjunção dos incrementos dos custos
internos, principalmente preços públicos e salários, o efeito de
paridade peso/dólar, que se mantém praticamente estável desde o
ingresso das maquiladoras, a sobre-regulação a que estão
submetidas as operações de importação e exportação das empresas
do setor e a concorrência com outros países emergentes 
envolvidos no processo de maquiladoras, também contribuem no
processo de quedas de exportações das maquilas. Mas a recessão
da economia do s EUA é o principal fator.
	O fato é que os últimos 18 meses têm sido os piores para as
maquiladoras. O auge do sistema das IME ocorreu em 2000, quando
as maquiladoras exportavam algo em torno de US$ 80 bilhões,
sendo que era um setor mais dinâmico que o petrolífero e o
turístico, representando algo em torno de 48% das exportações do
México, 10% a mais que em 1996. Entre 1884 e 2000, a IME cresceu
cerca de 250%, ao mesmo tempo em que a indústria mexicana
cresceu 22.1% e a economia cresceu apenas 3.3% (vale dizer que
antes do NAFTA a economia mexicana crescia cerca de 6.6%).
	
Já em 2001 começamos a notar a fuga das empresas. Em dezembro de
2000, havia 3.703 maquiladoras no México. Na mesma época de
2001, o número caiu para 3450. A queda não se encerra por aí. Em
Março de 2002 havia 3230 processadoras para exportação, ou seja,
em três meses, 220 fábricas fecharam suas portas. A tendência
dessas fábricas é ir para outros pontos da América Central ou
para a Ásia. Estas fábricas que saíram do México representam 300
montadoras a menos no setor de vestuário, 60 a menos no setor de
eletrônicos, 60 a menos no setor de móveis e algo em torno de 10
a menos para cada setor de manufaturas. 
	No caso da América Central, as maquiladoras instalam-se em :
Guatemala-- população de 11.100.000 habitantes e 80.000 atuam
dentro das maquiladoras; Honduras-- de população de 6.300.000
habitantes, sendo que 110.923  estão trabalhando nas
maquiladoras; El Salvador-- população de 6.200.000 habitantes
com 69.000 trabalhando nas maquiladoras; Nicarágua-- população
de 4.900.000 habitantes com 28.097 como funcionários das
maquiladoras; Costa Rica-- população de 3.600.000 habitantes e
49.816 atuando dentro das maquiladoras; República Dominicana--
população de 8.400.000 de habitantes e 165.171 trabalhando para
as maquiladoras.
	Na Ásia, as maquiladoras não recebem esta denominação. O termo
atribuído às fábricas que agem nos mesmos parâmetros que as
maquiladoras é Zonas Especiais de Exportação (ZEEX). A
distribuição de emprego dentro das ZEEX\'s em cada país se faz
da seguinte forma: China-- população de 1.235.600.000 de
habitantes com 20.000.000 trabalhando nas ZEEX\'s; Coréia--
população de 46.800.000 de habitantes  com 30.000 dentro das
ZEEX\'s; Formosa-- população de 61.700.000 habitantes e 862.000
trabalhando nas ZEEX\'s; Indonésia-- população de 207.000.000,
sendo que os empregos estão concentrados principalmente na
indústria de vestuário, que emprega 289.300 de pessoas;
Filipinas-- população de 76.800.000 de habitantes com 183.709
trabalhando nas ZEEX\'s; Sri Lanka-- população de 19.000.000 de
habitantes com 268.800 quando nas ZEEX\'s; Bangladesh--
população de 127.600.000 de habitantes com 1.300.000 atuando nas
ZEEX\'s.
	A disputa entre o México e as duas regiões acima citadas para
ver quem instalará o maior número de maquiladoras em seu
território se encaixa na famosa \"corrida para o fundo do
poço\". Este termo designa a conseqüência de uma forma de
atuação das transnacionais . Representa um processo de
degradação do ser humano enquanto funcionário de uma empresa que
atua em um ramo de competição acirrada. Esta empresa, para não
perder a competição, não se importa em prejudicar seus
funcionários restringindo-lhes direitos, negando-lhes aumento de
salários e ameaçando constantemente mudar sua fábrica para algum
local do mundo aonde a mão de obra seja mais barata e as
condições fiscais mais favoráveis. A \"corrida para o fundo
poço\" é um dos motivos que explica a ausência de revoltas
dentro das maquiladoras. Como que os funcionários pensarão em
fazer uma greve, por exemplo, se no dia seguinte a fábrica pode
simplesmente ter se mudado para algum outro continente, deixando
uma massa de desem!
 pregados? Na questão dos salários, como um mexicano que
trabalha nas maquiladoras, ganhando um salário que está por
torno de US$ 200 e US$ 300 mensais, vai exigir de maneira
vigorosa um aumento de salário sendo que na China a média
salarial é de US$ 50/mês (sendo que algumas empresas chegam a
pagar US$ 0.13/dia) ? A última das preocupações das
transnacionais é com a qualidade das condições de trabalho a que
estão submetidos os funcionários de suas montadoras.
	Some a \"corrida\" com o grande contingente de desempregados
que existem pelo mundo sujeitos a ganharem menos de US$ 1.00/dia
como pagamento e você terá um trabalhador rendido.
	Até mesmo a importação de insumos para as maquiladoras declinou
em 6.6%, sendo que em Março de 2001 eram importados US$ 14.294.6
milhões em insumos e no mesmo período de 2002 importava-se
apenas US$ 13.356.5 milhões. E mesmo assim, deste valor apenas
2.5% abastece a indústria mexicana. Estão produzindo menos.  No
geral, a balança comercial está declinando. Em Dezembro de 2000,
o saldo positivo era de US$ 1.750 milhão, mas em Março de 2002,
o número caiu para US$ 1.537 milhão. O sistema da IME vem
demonstrando que está perdendo o fôlego, mas não antes de
sufocar totalmente os seus funcionários.
	A conseqüência mais óbvia desta queda de produção, portanto, é
a queda de empregos. Após um período de euforia de contratações,
o desemprego está aumentando. Em Março de 2002, estavam
registrados 1.060.173 empregos na IME, o que demonstra um queda
de 17.4%, cerca de 300.000 trabalhadores a mais na rua,
relacionado com o mesmo período de 2001.

	Com o desemprego e com a miséria, os mexicanos tentam
sobreviver de qualquer maneira, mesmo que fora do país. Isto
gerou o fenômeno dos \"brasseros\". Segundo Martha Ojeda.
\"agora que as empresas vão embora, eles (os deempregados) não
têm para onde ir. Aos milhares estão cruzando a fronteira com os
EUA, para trabalhar como não-documentados, imigrantes ilegais\".
E essa crise estrutural das maquilas, somada com  a fuga,
literalmente, do México através de métodos não reconhecidos como
legais pelo Estado dos EUA, fez com que se construísse o símbolo
que demonstra realmente o sentido do NAFTA: o Gatekeeper;
demonstrando que o capital entra, as pessoas não.
	Em Outbro de 1994, o serviço de Imigração de Naturalização, com
o apoio do Departamento de Defesa do Centro para Conflitos de
Baixa-Intensidade dos EUA, lançou a Operação Gatekeeper, ou
\"muro da vergonha\", para tentar impedir que os mexicanos
emigrem ilegalmente para os EUA. É uma barreira de concreto que
atravessa toda a fronteira entre os EUA e o México, vai de
Tijuana até Tamulipas (do Pacífico ao Atlântico).
	O gasto do governo dos EUA no policiamento de fronteira atingiu
a quantia de US$ 2.56 bilhões, em 1999, equipando mais de 9000
agentes de patrulha para garantir que os mexicanos não
atravessem a fronteira. Mesmo assim, a taxa de imigração ilegal
não diminui como o governo dos EUA esperava.
	Muitos que conseguem penetrar no território dos EUA acabam
trabalhando em algum lugar de baixo retorno financeiro e se
torna mais um habitante das periferias dos EUA. Aqueles que não
conseguem cruzar as fronteiras têm dois destinos: ou são presos
e depois deportados de volta par ao México, ou são assassinados.
	A taxa de morte em regiões fronteiriças aumentou mais de 500%
desde 1994. Nos último cinco anos, mais de 1500 pessoas foram
mortas ao tentar cruzar a fronteira. Este número é maior do que
o número de mortos de toda a história do Muro de Berlim. Muitas
pessoas morrem devido às adversidades do clima de desertos e das
montanhas das regiões fronteiriças, mas a extrema maioria é
assassinada. Em 1999, o número de mortos era de 356. Em 2000,
491 pessoas foram assassinadas. De acordo com Escritório
Mexicano de Relações Exteriores, no ano de 2001, 384 imigrantes
foram mortos. Segundo o governo mexicano, no primeiro semestre
de 2002, 175 imigrantes já haviam sido mortos. Será que todos
esses imigrantes mortos estavam fugindo do \"desenvolvimento\"
trazido pelo NAFTA?
	 
	Além da degradação da espécie humana, há também a degradação
direta do meio ambiente. Um dos motivos que fazem as
maquiladoras se instalarem no México é o descaso do governo
mexicano com a questão ambiental. Não se trata de mero descaso,
mas também do fato de que se as leis ambientais causarem
prejuízos para as grandes transnacionais, fazendo com que elas
ameacem sair do México, o governo simplesmente não aplicará
qualquer lei ambiental \"perigosa\" aos lucros. Como
conseqüência temos que, em 1996, aproximadamente 8000 toneladas
de agentes poluentes foram despejados nas fronteiras pelas
maquiladoras. No rio de Rio Grande, no Texas, o grau de
contaminação da água aumentou em 400%. A cada dia, 130 milhões
de galões de lixo industrial são despejados no Rio Novo do Vale
do México. Em Matamoros, na fronteira com o Texas, , empresas
como a GM e AT&T são responsáveis pelo aumento de 50 mil vezes
do número de agentes químicos nas fontes de água potável. O ar
também  é cada vez mais!
  poluído, sendo que o transporte rodoviário entre fronteiras,
que aumentou 150%, fez com que aumentasse a emissão de gases
poluentes, como monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio
(Nox), dióxido de enxofre (SO2), ozônio (O3), compostos
orgânicos voláteis (COV), etc. No Estado mexicano de Guerrero,
40% das Florestas já foram devastadas.

	No cenário geopolítico atual da América Central, vem sendo
discutido a implantação Plano Puebla-Panamá (PPP), um sistema de
estradas, ferrovias, antenas de telecomunicações e de
transmissões elétricas, em um percurso de 7.500km, que
permitiria a integração de todo o Ístimo Americano (México,
Guatemala, El Salvador, Belize, Honduras, Nicarágua, Costa Rica
e Panamá), facilitando o comércio entre os extremos do
continente americano. 
	Num período de \"fuga\" das maquiladoras, o governo mexicano
pretende, através do PPP, subvencionar US$ 20 milhões para
infraestruturar 92 maquiladoras, que, segundo o governo, criarão
37mil empregos.
	Depois de tudo o que foi resumidamente demonstrado neste texto,
de toda a devastação que as maquiladoras causam, cabe perguntar:
será que o governo mexicano tem alguma intenção de que as coisas
melhorem?
E crendo que a ALCA será ampliação do NAFTA, a proliferação do
sistema de maquiladoras pela América só trará caos. O meio
ambiente será destruído, o trabalhador será escravizado, a
liberdade total do comércio acabará com as mínimas liberdades
das pessoas. Tudo isso em nome das grandes empresas. Permitir
que a ALCA seja implantada é aprovar tudo o que foi dito sobre
as maquiladoras e ainda exigir mais. É um verdadeiro louvor à
destruição planetária.

Ser contra a ALCA não é ser contra uma nação e a favor de outra.
Resistir contra a ALCA não é simplesmente não concordar com os
termos em que ela vem sendo negociada. Opor-se à ALCA é uma mera
questão de ser racional e possuir discernimento ao analisar
propostas políticas que são feitas por aqueles que dependem da
morte para enriquecer.

FONTES PESQUISADAS:

Coalition for Justice in the Maquiladoras
<www.coalitionforjustice.net> 
Global Exchange <www.globalexchange.org>

Public Citizen <www.publiccitizen.org>

Carta Maior <www.cartamaior.com.br>

IPS <www.ips-dc.og>

SECOFI <www.secofi-siem.gob.mx>

Jen Soriano: \"Globalização e Maquiladoras\"
<jmsorian@hotmail.com>

R. Bruce Sinclair, Mexico Direct Business Services
<mexdirect@infosel.met.mex>

Armand Mattelart: \"Multinacionais e Sistemas de Comunicação\"

Naomi Klein: \"Sem Logo\"

Altamiro Borges: \"A Trágica Experiência do Nafta\"

Maria Luisa Mendonça: \"Plano Puebla- Panamá: mais uma peça no
tabuleiro continental\"

Maude Barlow: \"A ALCA e a ameaça aos programas sociais, à
sustentabilidade ambiental e à justiça social nas américas\"

Revista Carta Capital: \"Integração na marra/ Os bastidores do
\'milagre\'\"

Jornal Estado e São Paulo: \"Padre quer organização e
dignidade\" 





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