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(pt) Coletivo Anarquista Liberdade e Solidariedade - Cruz Negra Anarquista da Costa Rica.

From "Moésio_Rebouças" <mr.ana@terra.com.br>
Date Wed, 23 Oct 2002 04:55:21 -0400 (EDT)


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      A - I N F O S  S e r v i ç o  de  N o t í c i a s
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              http://ainfos.ca/index24.html
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"Nós temos de tudo, mas não somos dono de nada"

Companheiros e companheiras,

Recebam uma saudação e um forte abraço libertário dos/as 
companheiros/as do Coletivo Anarquista Liberdade e Solidariedade - 
Cruz Negra Anarquista da Costa Rica.

Primeiramente agradecer-lhes pelas mensagens que recebemos. Estamos 
muito contentes pelo apoio recebido de vocês. A seguir expomos uma 
série de atividades que estão acontecendo por essas terras.

Atualmente a Costa Rica está jogando um papel muito importante dentro 
da OMC e tratados bilaterais e trilaterais. Este é um processo no 
qual a sede dos poderosos em relação a esse país está levando a um 
sem fim de ?aberturas comerciais?, ou como estão chamando agora com 
um bonito nome, ?a liberalização dos mercados?. Mediante esses 
processos, o país têm feito vários acordos de TLC (Tratados de Livre 
Comércio) com diversos países, entre eles podemos destacar um dos 
países membros do G-8: Canadá, com o qual as negociações têm 
avançado. 

A Costa Rica é um perfeito coelhinho da índia para as grandes 
potencias mundiais, como Canadá e EUA. Atualmente, dentro do contexto 
ALCA e Plano Puebla Panamá (PPP), a Costa Rica, devido a sua situação 
topográfica, desempenha um papel essencial no desenrolar disso tudo. 
Os rumos dos rios e suas vertentes servem para uma exploração do 
potencial hidroelétrico, de represas hidroelétricas, se destacando as 
hidroelétricas de Pascuare e de Bocura. As duas são fatores 
importantes para a exploração de uns burgueses monopolistas, e para a 
abertura de vários projetos, como o PPP.
 
A hidroelétrica de Boruca será a maior hidroelétrica na América 
Central. Para realizar este mega-projeto é necessário desalojar cerca 
de 7 povos indígenas, sepultar mais de 3000 anos de cultura e inundar 
25 hectares de terra, que são 200 quilômetros. Tudo isto em nome do 
progresso! Altos hierárquicos das instituições do poder têm dito que 
os indígenas não sabem nada de progresso, e os que se opõem a saírem 
de suas terras são um bando de comunistas fracassados.

Argumentos como esses são os utilizados pelos poderosos das 
instituições. Eles também negam que a hidrelétrica de Boruca será 
parte do PPP, e parte para exportar eletricidade a vários países, na 
sua maioria para os EUA. Essa hidroelétrica gerará 22.5% a mais do 
que consome a Costa Rica, e nos dizem que é somente para consumo do 
país!? Estes argumentos não são apresentados e nem ditos para as 
comunidades indígenas, para eles só são levados um monte de cifras e 
dados técnicos, que na realidade não revelam nada. 

Isto tudo é só um lado, mas passando para outro tema, dentro do mesmo 
contexto, a Costa Rica aprovou recentemente a entrada de navios de 
guerras ianques em nossas costas litorâneas. Alguns membros do 
coletivo estiveram presentes nos dias 24 e 25 de setembro na 
Assembléia Legislativa, junto com outras organizações protestando 
contra esta injustiça. No primeiro dia, 24, foi permitida a entrada 
dos guarda-costas, e no segundo, a entrada de navios. 

Isto, sem dúvida nenhuma, são avisos prévios do que é a ALCA e a 
repressão, como vimos há vários meses. Por exemplo, no final do mês 
de julho quando houveram protestos devido a que uma empresa 
multinacional, a RITEVE, monopolizou a revisão técnica que se faz nos 
carros, levando para seus bolsos cerca de 200 milhões de cólons (a 
moeda local), deixando milhares de oficinas costarriquenses à mercê. 
Isto provocou uma série de manifestações, o fechamento de estradas 
com barricadas e protestos que levaram aproximadamente 180 pessoas 
para a prisão. Mas logo em seguida, em poucos dias, foi aprovada uma 
lei que penaliza com 3 anos de cadeia quem bloqueia uma via pública. 

Essa é a etapa de repressão, agora vem à militarização. Atualmente a 
Costa Rica está num processo onde por um lado, na zona atlântica do 
país, se quer construir uma marina, e por outro lado, no setor 
conhecido como ?desamparados de Alaujuela?, querem construir uma 
escola policial/militar que é equivalente a ?Escola das Américas?. 

No protesto do dia da independência da Costa Rica, 15 de setembro, 
estávamos nós do coletivo junto com mais 5 pessoas (que foram as 
únicas, além de nós, que se fizeram presentes para protestar) 
distribuindo nossa propaganda, aí passou o Ministro da Segurança 
acompanhado de seus cães de guarda, e nos disse: ?De onde vocês tiram 
essas merdas de idéias? Escola Militar na Costa Rica? Isto é um 
projeto para capacitar juizes e advogados para fins jurídicos, e para 
saber como atuar em casos de terrorismo. Primeiro saibam do que falam 
e não confundam as coisas, posso dar-lhes uma fita e falarmos sobre 
isto?. 

Suas pobres palavras, na realidade, buscavam nos espantar, mas sem 
nenhum êxito, já que seguimos no mesmo local, protestando. A fita que 
disse que ia nos dá, nunca nos deu, e os nossos documentos que 
demonstram o contrário, nunca foi divulgado. As coisas não vão muito 
bem, e os meios de desinformação só divulgam as coisas que favorecem 
ao poder.

A Costa Rica, pouco a pouco, vai entrando por um caminho direto a 
ALCA. Aparte de tudo isso, o que para nós é o eixo principal de tudo, 
é o novo plano fiscal, que estará dentro de alguns dias a ser votado 
na Assembléia Legislativa. Este novo pacotaço tributário pretende 
aumentar os impostos, para tratar de sair de uma dívida externa, o 
faltante pressuposto do governo equivale a 130% dos ingressos, e como 
porcentagem do produto interno bruto (PIB) 4,7%, quase 300 mil 
milhões de colons. 

Isto é, talvez, um dos problemas mais graves da Costa Rica. Razão 
tinha um companheiro indígena de Boruca, quando me disse: ?quando as 
políticas externas e os militares controlam seu país, este já não é 
seu, nem de ninguém que o habite?. Com isto entendi que nós temos de 
tudo, mas não somos dono de nada. Tudo isso é o que no momento 
acontece por essas terras.

Atualmente o grupo da CNA-ABC está trabalhando em alguns projetos nas 
prisões, lamentavelmente é demasiado difícil trabalhar nessa área, 
assim trabalhamos em conjunto com alguns companheiros que estudam 
psicologia, já que eles têm acesso um pouco mais rápido que nós a 
este ambiente, apesar das dificuldades, vamos avançando pouco-a-pouco.

Passando para outros temas, no dia 12 de Outubro, houve um protesto 
onde nós, do Coletivo Anarquista e Cruz Negra Anarquista-ABC, 
encabeçamos uma marcha com a nossa faixa que dizia: ?Não a Alca-PPP-
Projeto Hidroeletrico Boruca- Escola Militar e Navios de Guerra?, e 
com nossas bandeiras negras tremulando, logo procedemos ao ponto de 
onde foi aberto o comício, na qual participei reafirmando nossa 
postura anarquista e com a bandeira negra ao alto, enquanto 
companheiros gritavam frases como: ?Bakunin Vive!!!?, ?Abaixo os 
muros das prisões!!!? ?Viva a Anarquia, morte ao Estado!!!?, e frases 
que definiam o ato contra os navios de guerra e a ALCA.

No próximo sábado, 26 de outubro, haverá uma marcha convocada por nós 
contra a agressão contra o Iraque por parte dos ianques, esperamos 
que tudo saia bem. 
No momento isso é tudo, e esperamos seguir em contato, e mais uma vez 
obrigado pelo apoio.

Enviamos um enorme beijo e um forte abraço libertário da parte do 
Coletivo Anarquista Liberdade e Solidariedade - Cruz Negra Anarquista 
da Costa Rica,

Juan Pablo Hernandez, militante do coletivo e CNA-ABC.

Saúde e Anarquia!!!

Na luta até que todos e todas sejamos livres!!!

ps: Se desejam receber um pacote com todo o material que temos 
editado, favor enviar 2 dólares para cobrir os gastos de envio, 
também podemos trocar publicações.

Juan Pablo Hernandez, Apdo. 12926-1000, San Jose-Costa Rica 
 

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Agência de Noticias Anarquistas-ANA

À tarde, no porto

Eles se amavam

E ficavam a ver navios.

Saulo Mendonça


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