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(pt) Notícias de Chiapas

From <emiliogennari@osite.com.br>
Date Sun, 13 Oct 2002 14:37:49 -0400 (EDT)


   ______________________________________________________
      A - I N F O S  S e r v i ç o  de  N o t í c i a s
                  http://www.ainfos.ca/
              http://ainfos.ca/index24.html
     ________________________________________________

Emilio Gennari (Trad.)

 em 2002-10-13

emiliogennari@osite.com.br
 
Olá, 
após esta mensagem de introdução, você vai 
encontrar a tradução de alguns materiais com 
as últimas notícias sobre o desenrolar dos 
acontecimentos no México e em Chiapas. 
Enquanto o Exército Zapatista de Libertação 
Nacional mantém o silêncio, que dura há mais 
de um ano, comunidades e povos indígenas, 
junto à sociedade civil, levam adiante suas 
manifestações pela aprovação dos acordos de 
San Andrés ao mesmo tempo em que preparam 
os passos para a realização de sua automia e o 
fortalecimento da resistência coletiva. 
Vale a pena conferir. 
Grande abraço 
Emilio. 

Atenção: 

Se você conhece alguém ou alguma entidade 
que está interessada em receber gratuitamente 
o material traduzido é só pedir para enviar uma 
mensagem a emiliogennari@osite.com.br 

--------------------------------------------------------------------


Estratégia oficial, deserções de Paz e Justiça. 

Angeles Mariscal. La Jornada 29/09/2002. 



Tuxtla Gutiérrez, Chiapas, 28 de setembro. A deserção 
de quase mil integrantes do grupo paramilitar Paz e 
Justiça pode ser parte de uma estratégia para evadir a 
ação da justiça e sua responsabilidade histórica pela 
morte e a luta empreendida contra as bases de apoio 
do EZLN, afirmaram indígenas da região norte do 
Estado e organizações não governamentais. 

Ao tornar pública a segunda importante saída de 
integrantes do principal grupo paramilitar que atua no 
estado, Miguel Angel de los Santos Cruz, advogado 
da Rede de Defensores Comunitários dos Direitos 
Humanos, e pelo menos uma dezena que trabalham 
como procuradores de direitos humanos, advertiram: 
"É uma jogada promovida, inclusive, a partir do próprio 
governo do Estado, onde não há interesse real de 
prender os verdadeiros líderes de Paz e Justiça", e um 
exemplo disso é o caso dos máximos dirigentes dos 
paramilitares, Samuel Sánchez e Marcos Albino Torres 
López, que ao renunciar ao agrupamento formaram a 
União das Comunidades Agrícolas e Florestais (UCAF),
 já foram presos e soltos poucos meses depois; hoje 
se desconhece o seu paradeiro. 

Agora, afirmou De los Santos, "corre-se novamente o 
risco de que os crimes cometidos contra as bases de 
apoio do EZLN fiquem impunes, pois o memorando do 
grupo paramilitar pode desaparecer no momento em 
que sua própria estrutura mudar de nome". 

Inclusive, informaram que a recente deserção e 
formação da União Regional das Comunidades Indígenas 
(URCI) "respondem a interesses políticos; o governo quer 
fazer desaparecer Paz e Justiça, seus líderes já 
entenderam o recado e, por isso, agora, o que estão 
fazendo é mudar de nome". 

Anunciou que a análise entre as organizações defensoras 
dos direitos humanos é que corre-se o risco de que os 
delitos cometidos pelo grupo paramilitar fiquem impunes, 
já que a PGR está investigando Paz e Justiça e no 
momento em que esta deixar de existir, as coisas 
terminam aí. 

"Estão mudando de nome em função de como estão 
negociando com o governo do estado, que, de cara, não 
quer acordo com Paz e Justiça", concluíram os indígenas 
originários dos municípios de Tila, Sabanilla, Tumbalá 
e Salto de Água. 

À Paz e Justiça se atribuem, pelo menos 46 mortes de 
membros das bases de apoio do EZLN, do PRD e da 
organização pró-zapatista Abuxu, bem como de paroquianos 
da diocese que foi presidida pelo bispo Samuel Ruiz. 



Escondidas em Chenalhó, as armas com as quais 
paramilitares assassinaram indígenas de Acteal. 

Elio Henríquez. La Jornada 02/10/2002. 



San Cristóbal de las Casas, Chiapas, 1º de outubro. 
As armas que os paramilitares utilizaram na matança 
de Acteal "estão escondidas nas comunidades de 
Chenalhó", afirmou a organização civil As Abelhas, à 
qual pertenciam 45 indígenas assassinados em 22 de 
dezembro de 1997. 

"As armas, que nos causaram muita dor, estão com 
eles e estão escondidas nas comunidades, e (os 
paramilitares) só esperam o tempo passar, hora após 
hora, dia após dia, ano após ano, para que o povo se 
canse de denunciar esta situação", acrescentou o 
grupo. 

Num comunicado de imprensa divulgado durante a 
cerimônia na qual se lembrou o primeiro aniversário 
do retorno de 47 famílias a comunidades de Chenalhó, 
que durante quase quatro anos permaneceram na 
condição de refugiados por medo de ser agredidas 
pelos paramilitares, o grupo defendeu que "ainda não 
houve avanços na procuração da justiça e, pelo 
contrário, os verdadeiros responsáveis pela violência 
estão sendo libertados". 

As autoridades municipais, estaduais e federais "têm 
a lei na mão, mas vimos que só procuram pretextos 
para bloquear o caminho à justiça, porque querem que 
a impunidade continue reinando", asseverou o grupo. 
"Parecem temer os atores e os que violam os direitos 
humanos". 

O comunicado afirma que, desde 22 de dezembro de 
1997 "ficamos pedindo justiça plena contra os 
verdadeiros responsáveis pelos ataques que temos 
sofrido, e temos denunciado o medo das armas que 
causaram morte, expulsão de milhares de irmãos e 
sofrimento, mas não temos encontrado a resposta 
esperada". 

Por outro lado, a Coalizão das Organizações Autônomas 
do Estado de Chiapas (COAECH) anunciou mobilizações, 
entre as quais manifestações, bloqueios de rodovias, 
fechamento da fronteira México-Guatemala e atos de 
protesto para o próximo dia 12 e outubro, com o propósito 
de exigir o reconhecimento dos direitos dos povos 
indígenas. 

As mobilizações, que se realizarão nas principais cidades 
de Chiapas, como Tuxtla Gutiérrez, San Cristóbal de las 
Casas, Tapachula, Comitán, Ocosingo e Palenque, serão 
realizadas no âmbito do 510º aniversário da chegada dos 
espanhóis a estas terras. 



A submissão 

Luis Javier Garrido. La Jornada 04/10/2002. 



O problema principal que o povo mexicano deverá 
enfrentar no futuro imediato é a submissão do governo 
Fox aos interesses estrangeiros, que é o fator 
fundamental da desastrosa situação que prevalece 
no país. 

1. O aspecto mais preocupante do que acontece no 
México é que diante da gravidade da conjuntura 
internacional, marcada pela guerra contra o Iraque 
anunciada pelo presidente estadunidense George 
W. Bush, cujo objetivo é o petróleo e que representa 
só mais uma fase da guerra econômica que as 
multinacionais estão travando contra os povos nas 
duas últimas décadas para controlar os recursos 
estratégicos do planeta, os interesses do México 
estão à deriva, pois não existe um governo nacional 
que defenda o povo mexicano. 

2. O caso Fox é patético, pois apesar de ter conseguido 
ser o primeiro presidente eleito do México depois de 
14 presidentes vindos do partido de Estado, para 
conseguir isso teve que recorrer ao apoio logístico e 
financeiro do exterior, como agora se começa a saber 
com o aparecer da informação que o evidencia, e se 
articulou com um setor do Partido Republicano dos 
Estados Unidos, com várias empresas multinacionais que 
têm interesses no México e com obscuros grupos da 
ultradireita européia e latino-americana, aos quais agora 
tem que retribuir os recursos e favores recebidos 
entregando-lhes as riquezas do país e cedendo a 
soberania nacional. 

3. Por isso mesmo, a quem pode surpreender que se fale 
dos investimentos que os Amigos de Fox planejam fazer 
no setor de energia ou do dinheiro recebido por Fox em 
sua campanha e que supostamente veio de um grupo que
 vai da Enron ao cartel anticastrista de Miami? 

4. As políticas entreguistas de Fox não são só conseqüência 
das idéias primitivas e ultradireitistas dele e de seus principais 
colaboradores, que escondeu durante o processo eleitoral 
de 2000 e pelas quais os mexicanos não votaram, e sim, 
sobretudo, a) desses arranjos para financiar sua campanha, 
que fez em aberta violação ao marco legal e constitucional do 
país com o desprezo para as nossas leis que lhe é 
característico, e b) da avidez para fazer negócios tanto dele 
como dos Amigos de Fox, que querem entrar com força na 
petroquímica, no setor elétrico e em toda obra pública do 
Plano Puebla Panamá, tudo o que torna urgente que no México 
se acabe com a impunidade presidencial. 

5. Pela mesma razão, uma questão central para a defesa do 
México é poder aplicar a lei àqueles que agora detêm o poder, 
e esta é uma tarefa para a sociedade e não para o governo
 foxista que não vai encará-la em função de seus compromissos. 
Os responsáveis pelos crimes de 68, de 71 e da guerra suja 
contra os movimentos populares devem enfrentar sua 
responsabilidade, mas teriam que fazer isso também, por 
ter o México um regime de direito, tanto o próprio Carlos Salinas 
como Ernesto Zedillo, que Fox está protegendo, acreditando 
que seus crimes políticos e econômicos já foram esquecidos. 
O atual desastre nacional é também conseqüência do saque 
desenfreado que o salinismo fez no país em nome do Tratado 
de Livre Comércio e do neoliberalismo para apoderar-se de 
boa parte da riqueza nacional, e, longe de ter uma reparação, 
Fox está protegendo estes interesses. 

6. Aqueles que, diante do conflito da Pemex, por motivos 
políticos ou descuido, afirmaram algo tão tosco como o fato 
de que o governo atual lutava contra a corrupção, mentiram 
ao país. A imposição das políticas neoliberais para dispor 
dos recursos estratégicos de um país se sustenta exatamente 
nas práticas institucionais de corrupção às quais está se 
outorgando, de fato, um estatuto internacional de impunidade. 
De conseqüência, a mudança política no México terá que 
passar pela possibilidade de poder aplicar a lei também ao 
Executivo, que, historicamente, tem se situado acima da 
legalidade, num patamar de impunidade e, como se vê agora, 
Fox não quer ser a exceção. 

7. O interesse popular reivindica que a lei possa ser aplicada 
também àqueles que agora estão governando o México, a Fox 
e a seus amigos, o que constituiria o melhor sinal de que o país 
entrou na modernidade. Há menos de dois anos em Los Pinos, 
Fox cometeu várias violações à Constituição e graves danos 
aos mexicanos. 

8. "A transição", da qual Fox tanto gosta de falar sem entender 
o que diz em sua cultura limitada, supunha essencialmente uma 
mudança de regime político, mas para que se modificassem 
as formas de tomar as decisões e, sobretudo, as políticas de 
governo, e o governo foxista, herdeiro direto do salinismo, não 
mudou a política de seus predecessores nem nas formas nem 
na essência e continua dando aos mexicanos mais do mesmo, 
com várias agravantes, como acontece na política externa. 

9. O governo foxista não parece ter cuidado algum em evidenciar 
que a política mexicana trabalha não para defender os interesses 
do México, e sim do grande capital transnacional e que se dobrou 
por completo de forma submissa a favor do projeto imperial 
estadunidense e da tentativa de George W. Bush de controlar a 
produção mundial de energia. Abandonado o mandato 
constitucional de buscar a solução pacífica dos conflitos, o governo 
já não se importa de comprometer de antemão o seu voto nas 
Nações Unidas a favor da guerra contra o Iraque. 

10. O destino do México como país com cultura e projetos 
próprios não está nas mãos do governo e sim dos mexicanos 
que, paradoxalmente, têm que lutar, mais do que nunca, contra 
quem pretende representá-los, mas já não pode ocultar que 
está servindo aos interesses estrangeiros. 



COCOPA propõe nova reforma indígena com observações 
do EZLN 

Roberto Garduño. La Jornada 07/10/2002. 



A Comissão de Concórdia e Pacificação (COCOPA) elaborou 
uma iniciativa para a paz e a justiça em Chiapas na qual propõe 
"integrar e subscrever" uma nova proposta de reforma 
constitucional que incorporará as observações do Exército 
Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), de organizações 
indígenas e de integrantes da comissão legislativa. O documento 
faz uma advertência quanto ao aumento da tensão social com 
"um alto potencial de violência". 

Do mesmo modo, sublinha que o estancamento do diálogo 
por um tempo tão prolongado multiplica os conflitos nas 
comunidades indígenas. A COCOPA começou a elaborar e
 a chegar a um consenso quanto ao conteúdo de uma 
iniciativa para a reconciliação. Nele se estabelece a 
necessária intervenção do governo federal e o apoio a 
programas especiais de desenvolvimento para resolver os 
problemas imediatos dos habitantes do sudeste. Outro 
ponto da iniciativa considera a reinstalação da Comissão 
de Acompanhamento e Verificação, criada com base nos 
Acordos de San Andrés. 



A resposta institucional. 



As ações incluídas no projeto receberiam o aval de igrejas,
intelectuais e acadêmicos simpatizantes do zapatismo. A 
iniciativa sublinha que "seria possível, num dado momento, 
que todos subscrevam um pacto que descreva com toda 
precisão os programas e compromissos que todos 
assumiríamos". 

Entre os promotores do documento encontra-se o senador 
priista Carlos Rojas e os deputados Emilio Ulloa, do PRD, 
e Feliz Castellanos, do PT. Há dois meses vem acontecendo 
uma série de encontros entre os integrantes da COCOPA e
 os atores que têm relação com o conflito. 

A iniciativa considera insuficiente a resposta institucional ao
 conflito em Chiapas porque não criou condições adequadas
 para recuperar o diálogo e nem o estabelecimento de uma
 nova ordem pública baseada na tolerância, no respeito e 
na justiça. 

Desde a suspensão do diálogo e diante do silêncio do EZLN, 
"as autoridades têm deixado de lado o conflito e percebe-se 
pouco interesse tanto a nível nacional como internacional para 
retomar a iniciativa política e tratar de avançar na solução 
pacífica do conflito". A isso soma-se o transbordamento do 
conflito nas várias regiões indígenas e Chiapas e de outros 
Estados. 

Diante deste cenário, a COCOPA manifesta que o silêncio e o
 afastamento são condições predominantes, quem sabe agora
 "seja este um bom marco para tratar de construir, sem 
protagonismos, com modéstia e discrição, novos caminhos que
 permitam retomar o diálogo e avançar nas reivindicações 
indígenas que ajudem a transformar efetivamente a realidade 
econômica, social e política das comunidades, e ajude a 
recuperar a convivência social e pacífica. O pior que pode 
acontecer é não fazer nada e esperar". A nova estratégia prevê 
a participação do Poder Legislativo, de organizações sociais e 
do Executivo federal. 

"A COCOPA - coloca-se em primeiro lugar - integraria e 
subscreveria uma nova proposta de reforma constitucional 
que reconheceria os avanços alcançados na reforma aprovada 
e avançaria naqueles temas que ficaram pendentes. Em especial 
se incorporariam as observações feitas pelo EZLN e seus grupos 
afins, pelos integrantes da COCOPA e de outras organizações 
indígenas ou da sociedade civil". 

A comissão legislativa se compromete a oferecer apoio à 
Assembléia Legislativa do estado de Chiapas e ao governo do 
estado para montar um grupo especial encarregado de formular 
projetos de lei em torno dos seguintes temas: 

Lei de anistia. Permitiria a libertação de indígenas chiapanecos 
que tenham cometido crimes menores ou que tenham sido vítimas
 de processos viciados ou de uma defesa inadequada, bem 
como aqueles que foram privados de sua liberdade por motivos 
políticos ou por reivindicações sociais. 

Lei para o desenvolvimento social. Garantiria a continuidade 
constitucional dos programas e um orçamento crescente, em 
relação ao qual se garante transparência para acabar com 
suspeitas políticas ou partidárias na aplicação de programas 
sociais. 

Lei para a proteção e desenvolvimento das culturas indígenas. 
Seriam promovidas ações concretas para impulsionar o 
desempenho das culturas indígenas com o propósito de conseguir 
maior compreensão por parte da população mestiça, bem como
 para coadjuvar na transmissão dos conhecimentos, usos e 
costumes indígenas que são as características de sua identidade. 

Lei para proteger o meio-ambiente e a biodiversidade. Seria 
reconhecido e se regulamentaria o direito das comunidades de 
cuidar do seu entorno ecológico e se garantiria sua primícia no 
uso e aproveitamento dos recursos naturais disponíveis. 

Lei orgânica municipal. Seria revista a integração atual da 
autoridade dos municípios para garantir o exercício da autonomia 
por parte das comunidades indígenas. 

Por outro lado, caberia ao governo federal desenvolver quatro 
ações básicas para incidir favoravelmente numa provável retomada 
do diálogo suspenso. O governo federal, em coordenação com 
o estadual, estabeleceria um programa especial para o 
desenvolvimento produtivo e comercial da cafeicultura 
chiapaneca, particularmente nas regiões indígenas. 

Do mesmo modo, se atenderia o problema das tarifas de 
energia elétrica no estado; outorgar-se-iam recursos e apoios 
que permitam uma resolução negociada e de consenso quanto 
ao problema da posse da terra nos Montes Azuis; se 
estabeleceriam novos programas de desenvolvimento social e 
produtivo para reativar a economia local. 

Uma vez conquistado o apoio e o consenso dos atores envolvidos 
nas negociações interrompidas, a COCOPA sugere que se deve 
avaliar o melhor momento, no âmbito desta iniciativa, para 
convocar novamente as partes a retomar o diálogo". 



Para gozações, a COCOPA. 

Ricardo Robles. La Jornada, 08/10/2002. 



Se aceitássemos a realidade teríamos memória e 
lembraríamos que a única observação do EZLN à 
reforma constitucional, aprovada e promulgada no ano 
passado, foi que era uma traição. Múltiplas vozes do
 movimento indígena e da sociedade civil a qualificaram 
de gozação. A reação vinda do mundo indígena foi 
de rechaço total e de exigir o cumprimento do que
 foi assinado em San Andrés. Ninguém fez 
"observações" à traição ou à gozação, e nem
 poderiam ser feitas, pois suporiam que, no geral, 
se aceita a proposta ainda que com certas 
modificações. E isso nunca aconteceu. 

Como é que a COCOPA atual diz que leva em 
consideração as "observações" de todos estes 
cidadãos? Está fingindo não saber ou não lembrar 
ou está fazendo uma nova gozação, supõe ela, dos 
mexicanos. Anuncia mais do mesmo, uma postura 
inflexível em apoio total à aprovação do Executivo 
e a suas supostas saídas para uma solução. Diz 
de novo, em outros termos: ou se reconhecem 
menores de idade ou se integram às políticas 
econômicas já decididas ou são irracionais. A 
prova seria clara: não pensam como o Poder Executivo, 
não assumem sua mercadoria em liquidação. 

Ao que parece, o recente anúncio de uma "nova 
proposta de reforma constitucional" se reduz a cinco
 leis secundárias para aplicar a reforma de 2001. E 
cada uma delas nega o que foi assinado em San 
Andrés, ofende os povos indígenas, faz gozação deles, 
minimiza-os, segrega-os. 

A lei de anistia, primeira a ser anunciada, merece 
lembrar daquela resposta magistral do EZLN à 
primeira oferta de anistia: De que temos que pedir 
perdão? De que vão nos perdoar? Podemos nos 
perguntar a que vem tal proposta quando bastaria 
cumprir as leis vigentes. O rumo que tomam as 
propostas de lei que seguem fazem temer de que 
se tratará de limitar a atual Lei para o Diálogo e a 
Paz Justa em Chiapas. 

A lei para o desenvolvimento social não seria outra 
coisa a não ser o reforço legal ao plano que o 
Executivo impõe e com o qual pretende resolver os
 problemas que deram origem ao conflito, escolhendo 
a seu gosto as carências como motivo único e
 vendo-as a partir de sua ótica bem peculiar, a 
conveniência. Deve-se temer que a nova iniciativa 
de programas venha a fortalecer a linha seletiva de 
benefícios que tanto tem desmembrado as 
comunidades com um maldoso desejo de vingança. 

A lei para a proteção e o desenvolvimento das culturas 
indígenas já causa indignação pelo seu título. Não se 
deve prever que será recebida pelos povos indígenas 
e, muito menos, com entusiasmo. Talvez, poderia, 
segundo se anuncia, propiciar uma campanha contra 
o racismo entre a sociedade mestiça. Não vejo a partir 
de onde o Congresso possa se atribuir capacidade e
 legitimidade para regular ou impulsionar a transmissão 
da identidade dos povos. Será que quer protegê-los 
do Poder Executivos, ou só anuncia o desenvolvimento 
já proposto pelos economistas e rechaçado pelos 
povos? 

A lei para proteger o meio-ambiente e a biodiversidade 
regulando o direito das comunidades, parece querer 
simplesmente fortalecer a expulsão das comunidades que 
habitam regiões da mais rica biodiversidade e limpar o
 terreno para o investimento sem o estorvo do povo. 
Promete, ao que parece, as primícias dos recursos naturais.
 O que será que é isso? Talvez tolerar que se apresentem 
para concorrer com as transnacionais e façam melhores
 propostas e maiores investimentos do que elas. 

A lei orgânica municipal parece ser saudade daquele 
projeto colonial e etnocêntrico das assim chamadas 
"cartas municipais". Reduzir a autonomia das comunidades 
à dos municípios é negar completamente as assinaturas 
de San Andrés, assim como negar que o pensamento 
cresceu e avançou nestes diálogos; é retomar a traição 
e esfregá-la no rosto do vencido. Obviamente, os povos 
indígenas não estão vencidos. Contra o que pode ser 
opinado e ainda opinam em público os tecnocratas, o 
movimento indígena nacional cresce, não se amedronta, 
não se freia, não se resigna diante da traição. 

Mas a COCOPA atual será capaz de lembrar? É muito 
difícil pensar sequer que ignore tanto como quer deixar 
aparecer a respeito de culturas ou diferenças, mas do 
que falar? O benefício da dúvida já é difícil, quem são os 
que ainda ousariam concedê-lo a si mesmos? Fico 
pasmo diante de tanta ignorância ou diante de tanto 
fingimento. Nunca saberei - porque é consciência alheia 
e não minha - que bom ou mau leite alimenta este tipo 
de desprezos, racismos, cinismos, infâmias, gozações, 
traições. 



Pronunciamento político. 



Chiapas, México, 12 de outubro de 2002. 



AO POVO DE CHIAPAS E DE TODO O MÉXICO. 

AOS POVOS IRMÃOS DA AMÉRICA LATINA. 

A TODOS OS MOVIMENTOS QUE LUTAM CONTRA 
A OPRESSÃO. 

À IMPRENSA NACIONAL E INTERNACIONAL. 



Passados 510 anos do início de uma das espoliações 
mais atrozes da história da humanidade, nós, 
Coordenações da Sociedade Civil em Resistência de 
Chiapas, estamos em luta para impedir outra pilhagem 
destas dimensões: 

RECHAÇAMOS CATEGORICAMENTE O PLANO 
PUEBLA-PANAMÁ E A ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO 
DAS AMÉRICAS !!! 

Não aceitaremos a nova traição neoliberal que os 
governos federal e estadual pensam nos fazer, ao 
impor-nos estes mega-projetos em conluio com 
poderosas empresas multinacionais, com o Banco
 Interamericano de Desenvolvimento, o Fundo 
Monetário Internacional, O Banco Mundial e o sempre 
presente governo dos Estados Unidos da América 
do Norte. 

Temos memória histórica, amor por nossas terras e 
tradição de luta. Não nos farão voltar a trocar ouro por 
espelhinhos. Por isso, hoje, participamos desta grande 
jornada de combate contra a globalização neoliberal,
 junto a milhões de irmãs e irmãos da América Central 
e do resto da América Latina, que também estão se 
mobilizando neste dia por todo o continente, em legítima 
defesa de seus territórios. 

Para simbolizar o fechamento dos caminhos ao Plano 
Puebla-Panamá e à ALCA, neste dia a Sociedade Civil 
em Resistência de Chiapas estará bloqueando rodovias 
durante 24 horas, a partir das 8.00 hs. da manhã (horário
 rebelde), em sete pontos estratégicos do nosso estado: 

1. Cruzamento Pulpitillo: na região Norte Selva. 

2. Rodovia da Fronteira Sul: na região de Marquês de 
Comillas. 

3. Cruzamento Trinitaria: na região da divisa de Comitán. 

4. Cruzamento Arriaga: na região norte da Costa. 

5. Rodovia San Cristóbal de las Casas-Tuxtla Gutierrez: na 
região de Los Altos. 

6. Cruzamento Mazatán: na região Costa-Soconusco. 

7. Cruzamento El Framboyan: na região de fronteira da 
Cidade Cuauhtémoc- La Mesilla. 

Hoje, empreendemos estas ações porque conhecemos 
muito bem qual é a estratégia que está por trás do PPP
 e da ALCA: 

· Primeiro, aniquilar a nossa soberania alimentar através 
da introdução de monoculturas prejudiciais, entre as quais 
se destacam os transgênicos. 

· Depois, sufocar nossa economia camponesa, 
transformando nossos territórios em enclaves de 
monocultura para satisfazer os caprichos do instável 
mercado mundial. 

· Para, então, obrigar-nos a abandonar nossas terras. 

· E fazer-nos acabar assim como mão-de-obra barata 
nas maquiladoras transnacionais e nas grandes 
plantações agro-exportadoras. 

· Para que, finalmente, nossas terras sejam privatizadas 
em benefício das poderosas empresas multinacionais 
que irão saquear nossos amplos recursos estratégicos: 
petróleo, gás, minérios, potencial hidroelétrico dos rios, 
alta fertilidade das terras e uma enorme biodiversidade. 



Sabem também que, caso falhem suas táticas para 
desalojar-nos de nossas terras, já estão formando 
grupos paramilitares que procurarão expulsar-nos 
através da violência; assim como, lamentavelmente, 
ocorre com o povo irmão da Colômbia. 

No mesmo sentido, aponta a ocupação militar que 
sofremos no sul-sudeste do México, como forma de 
sufocar nossa previsível luta de Resistência. 

Saibam os governos traidores e os empresários vorazes
 que estas terras são de nossos Povos, que não as 
abandonaremos e que todas suas riquezas são daqueles 
que vivem aqui há séculos. E que resistiremos à sua 
globalização do mesmo modo que os Povos Indígenas 
resistiram à sua conquista e o nosso milho resistirá aos 
seus transgênicos. 

Por isso, rechaçamos qualquer programa ou projeto paralelo 
ao PPP: Programa de Certificação de Direito Agrários e 
Terrenos Urbanos (PROCEDE), Plano Energético das 
Américas, Sistema de Integração Elétrica com os Países 
da América Central, Plano Sul, Corredor Biológico da 
América Central e Marcha para o Sul. 



Em contrapartida EXIGIMOS: 



· Pleno cumprimento dos Acordos de San Andrés como 
requisito imprescindível para a concretização do processo 
de Paz em Chiapas e como instrumento para desenvolver 
a Autonomia Indígena em Nossos Territórios. 

· Respeito e aplicação dos preceitos legais da Convenção 
169 da OIT, como ferramenta jurídica que nos permite 
exercer o legítimo direito que temos à Livre 
Autodeterminação. 

· Anulação dos vários Tratados de Livre Comércio e das
 imposições da Organização Mundial do Comércio para 
que possamos obter preços justos para os nossos 
produtos. 

· Finalizamos dizendo ao mundo inteiro que irmanamos 
combativamente nossas ações deste dia com as mobilizações 
que ocorrerão no final deste mês na República do Equador, 
onde com milhares de irmãs e irmãos da América Latina e 
do resto do mundo rechaçaremos a investida neoliberal da 
ALCA. 



LIBERDADE PARA @S PRES@S POLÍTIC@S !!! 

FIM DO TERRORISMO DE ESTADO ENCABEÇADO 
POR BUSH !!! 

JUSTIÇA PARA O POVO COLOMBIANO !!! 

QUE CESSE O MASSACRE DO POVO PALESTINO !!! 

FIM DO FASCISMO DO ESTADO ESPANHOL !!! 

LIBERDADE PARA TODOS OS POVOS OPRIMIDOS 
DO MUNDO !!! 

ATÉ A VITÓRIA SEMPRE !!! 



Coordenações Regionais de Chiapas da Sociedade 
Civil em Resistência de: Los Altos, Marquês de Comillas, 
Norte-Selva, Região de Fronteira, Costa, Centro e 
Fronteira Tacaná; Coalizão de Resistência Civil da Selva 
Norte de Chiapas, Parejo S'cotol, CNPI-Coordenação 
Nacional dos Povos Indígenas de San Felipe Ecatepec, 
Organização Che Guevara de Chiapa de Corzo, Povoado 
de Oxchuc, Comunicação Campera, OCEZ Refugiados 
da Casa do Povo de Venustiano Carranza, Jolom Mayaetik,
 Frente Cívica Tonalteca, FRECA - Frente de Resistência 
Civil da Costa de Arriaga, Povoado de Nicolás Ruiz, 
CIOAC Independente região de fronteira, K'inal Antzetik, 
Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais da Unach, 
Povoadoo de Mazatán, OCIPA - Organização Camponesa 
Independente para os Povos Autônomos, Frente de Luta 
24 de Novembro de Porto Madero, Irmão Sol da Sierra 
Madre, Cocidep - Comitê Cidadão de Defesa Popular, 
Povoado de Huehuetán, Colônias 5 de Março, Pátria 
Nova, Santa Cruz e Moinho los Arcos, de SCLC; Colônias 
Felipe Carrillo Porto, Três Cruzes, 11 de Setembro y Álvaro
 Obregón, de Tapachula; CIOAC Soconusco, União de 
Recicladores, Catadores de Lixo y Pequenos Comerciantes, 
Vashakmen de los Altos Mercados e Transporte.. 

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Site Ya Basta: http://www.ezln.org/ 
Site da Marcha à Cidade do México: http://ezlnaldf.org/ 
Site FZLN: http://www.fzln.org.mx 
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