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(pt) [Brasil] População santista aprova candidato NINGUÉM

From "Moésio_Rebouças" <mr.ana@terra.com.br>
Date Tue, 8 Oct 2002 09:29:28 -0400 (EDT)


Nem todo voto nulo é sinônimo de alienação. Isso é o que mostrou o 
coletivo anarquista Rede Libertária da Baixa Santista para a 
população de Santos (SP) nessas eleições. O grupo fez um ato em 
frente a igreja Pompéia, perto da faculdade Unisantos (local de 
votação). Todos estavam com nariz de palhaço e camisa do suposto 
candidato a presidência do PN (Partido Nenhum), o famoso Ninguém.
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Eles explicaram para a população que por ali passava o porquê votam 
nulo e como fazer o mesmo. Tudo com uma urna eletrônica falsa, feita 
de isopor, e muito bom humor.
 
A população foi bem receptiva e muitos se identificaram com as 
propostas: “Tem que ampliar esse movimento do voto nulo. Ninguém 
serve, nenhum presta. Democracia é só aqui para nós, lá é 
só “esquema”, afirma Isaias Augusto de 51 anos. 

Mesmo trabalhando como cabo eleitoral, Madalena Dias, de 25 anos, 
simpatizou com o movimento: “Vou votar nulo porque não dá para 
acreditar em nenhum político. Eles falam, falam e o Brasil continua 
do jeito que esta, sem emprego. Só estou trabalhando para esse 
partido para ganhar dinheiro, estou desempregada”. 

Os manifestantes cantaram a musiquinha “Lula-lá” da campanha do 
candidato do PT trocando-o por “Anula-lá”. Outros gritos de guerra, 
um pouco sem rima, animaram o público: “O povo unido, É gente pra 
caramba”; “1, 2, 3, o meu forte é a rima”. Cartazes de políticos 
foram virados e pichados: “Vote nulo ou anule-se”; “Vote: 00 
Confirma”; “Vendo fusca branco 85”; entre outras frases sem nexo 
satirizando as propagandas eleitorais. 

O estudante de jornalismo Kadu Abecassis avaliou o evento como “uma 
grande oportunidade para trocar idéias com a população, explicar como 
votar nulo, como fazer para se abster, falar de anarquismo...”. 

Por que votar nulo? 

Se 50% da população mais uma pessoa votar nulo, a eleição é anulada, 
mas não é esse o grande objetivo dos anarquistas: “Assim como não 
acreditamos que a eleição vai transformar a sociedade, não 
acreditamos que o voto nulo o fará. O que acreditamos para a 
transformação da sociedade é uma forma de pedagogia, uma educação 
libertária, permanente. Onde 365 dias por ano você se insere na 
sociedade, se organiza, edita materiais, faz reuniões, organiza um 
movimento, luta junto com o povo”, explica Jonas Nunes, pesquisador 
anarquista e um dos organizadores do protesto. 

“Votamos nulo como forma de protesto contra os partidos, seja de 
direita ou de esquerda, que querem fazer o povo crer que só se faz 
política uma vez a cada dois anos, só temos o direito/dever de opinar 
nas eleições”, explica Denise Hilena, vocalista de uma banda punk e 
membro da Rede Libertária. Para Safitri Janafa “ou se vota com os de 
cima, ou se luta com os de baixo”. 

Nunes explica que “os anarquistas não votam nulo por um dogma. 
Preferimos anular um dia, na eleição, mas não se anular durante o 
resto do ano. Os partidos políticos pregam o oposto, a participação 
do povo somente em um dia”. 

Nunes concorda que os partidos políticos tem projetos políticos 
diferenciados, mas para ele todos se eqüivalem no final, pois nenhum 
deles cria realmente uma ruptura ao sistema vigente, como o 
pensamento libertário propõe: “O máximo que podemos esperar é a 
possibilidade de reformas dentro da sociedade. Talvez um consiga dar 
um salário um pouco melhor do que o outro, mas sempre serão remendos, 
reformas dentro do sistema. Nada vai ser alcançado através do “menos 
pior”. Por isso as eleições servem somente para os que almejam apenas 
reformas na sociedade”. 

“Não dou meu voto a ninguém, pois ninguém é superior a mim”, explica 
agitador cultural José Ricardo, mais conhecido como Mano Shabba, que 
lembra ainda que “os anarquistas não querem tomar o poder. Queremos 
diluí-lo para todas as pessoas”. 

Criada em 1997, a Rede Libertária estará promovendo para o segundo 
turno uma série de debates e exibição de vídeos sobre a questão do 
voto na Cinemateca de Santos, durante os dias 23, 24, 25 e 26 de 
outubro. Mais informações pelo site www.festivalresistir.hpg.com.br 
ou pelo e-mail festivalresistir@ieg.com.br 

Ninguém para presidente 

“Vote em Ninguém. Porque só Ninguém se importa com a sua segurança! 
Ninguém fará bom uso do dinheiro público! Ninguém está preocupado com 
a saúde e a educação! Ninguém cumprirá suas promessas! Não dê seu 
voto à toa! Para Governador: Cabeça de Leitoa”. Essas são as frases 
encontradas na camisa dos manifestantes. 

“A campanha do Ninguém é um sucesso, até o Lula disse no 
debate: ‘Ninguém esta mais preparada do que eu para ser o presidente 
do Brasil’”, brinca Eduardo Interlichia. 

Moésio Rebouças explica que nesse ano o PN fez aliança com o PCA 
(Partido dos Cães Anarquistas) que tem como candidatos Au Au Au, Rin 
Tin Tin, Pluto, Scooby Doo e Lassie. Aline Borges disse que não votou 
nos candidatos do PCA em protesto pelo fato de não terem incluído o 
Bandite, segundo ela o cão mais famoso dos desenhos animados. 

Para saber mais sobre o PN: www.partidonenhum.hpg.com.br 

Campanha pelo Brasil 

Mesmo sem muita articulação entre os grupos e contando com poucos 
recursos, a campanha pelo voto nulo avançou em várias cidades do 
Brasil. 

Em Pelotas, Rio Grande do Sul, militantes libertários percorreram 
pelos locais de votação carregando um caixão (verdadeiro) que 
simbolizava a morte daqueles que, segundo eles, “entregaram a voto 
nas mãos dos políticos”. 

Fortaleza, Bahia, também foi palco de um enterro simbólico do 
capitalismo. Essa é a segunda vez que os anarquistas da cidade o 
enterram. Na primeira, o slogam era: “Morte ao capital. Fora a Alca”; 
dessa vez foi: “Nem guerra nem eleição salvam o capitalismo”. 

Em Ribeirão Preto, São Paulo, um grupo foi detido pela Polícia 
Militar, por estarem pichando um outdoor de propaganda política. Por 
serem menores de idade, só passaram algumas horas na delegacia. 

Em Curitiba, Paraná, a Frente Anarquista Local (FAL) montou nos 
sábados antes das eleições uma “Banquinha do Voto Nulo” ao lado das 
bancas da esquerda partidária. 

Em Tatui (São Paulo), Salvador (Bahia), Porto Alegre (Rio Grande do 
Sul), São Paulo (São Paulo), entre inúmeras outras cidades as 
campanhas antes das eleições também foram fortes com a distribuição 
de panfletos, organização de palestras, debates e eventos. 




 




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