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(pt) Portugal; A BATALHA, nº 195; Editorial

From Worker <a-infos-pt@ainfos.ca>
Date Tue, 26 Nov 2002 14:51:07 -0500 (EST)


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Desde o 11 de Setembro de 2001 que o terrorismo passou a estar
na ordem do dia, ocupando grande parte dos noticiários
internacionais. Os acontecimentos de Bali e Moscovo deram para
tal uma contribuição importante. Na realidade o terrorismo nunca
deixou de existir, ao longo dos séculos, talvez de milénios. A
sua colocação na ribalta da comunicação social tem a ver com
algum sensacionalismo noticioso, mas sobretudo, com decisões
(conveniências) de natureza política. Porque como a guerra,
também o terrorismo pode ser a política por outros meios (isto
é, não diplomáticos). Pode impor capitulações ou, pelo
contrário, justificar intervenções militares para lha pôr cobro.
E pode até ser artificialmente fomentado para justificar uma
intervenção militar com fins totalmente diversos.
O terrorismo é uma realidade multímoda, a ponto de poder
englobar o contra-terrorismo que se propõe suprimi-lo. Porque a
violência suscita normalmente violência, o contra-terrorismo
usual cria um círculo vicioso (terrorismo-repressão-vindicta) de
duração indefinida. O terrorismo é um beco sem saída onde
desembocam pessoas, comunidades ou povos que se encontram em
becos sem saída, isto é, no desespero.
A solução está pois em procurar e eliminar as causas profundas
do terrorismo.
Os países do impropriamente chamado Terceiro Mundo foram
sujeitos pela maior parte à opressão, aculturação racial e
outras humilhações do colonialismo. As independências
deixaram-nos com fronteiras artificiais, heterogeneidades
étnicas e religiosas e dependências económicas neo-coloniais. Em
muitos casos trata-se de países que foram, em tempos mais ou
menos recuados, grandes civilizações ou impérios e que suportam
mal o modo grosseiro e expeditivo como são tratados pelos países
ex-colonizadores ou outras potências ora dominantes.
É o caso, por exemplo, os países islâmicos, cujo significado
histórico e cultural é enorme e que, a despeito de disporem
(alguns) de importantes reservas petrolíferas, perderam poder
político e militar por não terem logrado reajustar a sua vida
económica, social e política por forma a satisfazer as
exigências do mundo moderno. As humilhações sofridas e as
dificuldades do aggiornamento deram origem, por reacção, a uma
fixação em valores e comportamentos arcaicos (reacção
fundamentalista). É evidente que multiplicar agressões e vexames
só poderá agravar a situação e o mais claro exemplo disso é o
aparecimento do bombismo suicida na Palestina sob ocupação
israelita.

O verdadeiro contra-terrorismo é o fim do neo-colonialismo nas
suas diferentes facetas: económica, política, militar, cultural,
racial, religiosa, etc. Exactamente o contrário do que pretende
a coalisão dos países industrializados, que chama
contra-terrorismo à intensificação do terrorismo com vista a
reforçar a sujeição.
A natural simpatia pelos oprimidos não deve obscurecer-nos a
razão: o nacionalismo exacerbado e o fundamentalismo religioso
não são alternativa ao imperialismo neo-colonialista. E o
recurso à violência conduz natural e quase constantemente à
vitória do mais forte e, de caminho, ao reforço das estruturas
autoritárias das partes beligerantes. O terrorismo tem-se
revelado uma via errada, tanto do ponto de vista ético como
político-militar. A luta pela paz internacional, pela dignidade
e pela justiça é a verdadeira alternativa, o imperativo
imediato. É também indispensável condenar o erroneamente
apelidado de contra-terrorismo em que vale tudo – tortura,
genocídio, napalm, gazes tóxicos, etc. – com o mais absoluto
desprezo pela Convenção de Genebra e outras normas
internacionalmente aceites. Violações que não parecem despertar
a indignação e repulsa da imprensa e da opinião pública.
Em Moscovo é o Estado russo que mata (e de que terrível
maneira!) não os independentistas chechenos, apelidados de
terroristas, que procuravam pôr fim á guerra no seu país ocupado
e sujeito às mais brutais violações dos direitos humanos por
parte das forças russas de ocupação. A situação da Chechénia é
muito semelhante á de Timor sob ocupação indonésia e, tal como
os guerrilheiros chechenos, também os militantes da Fretilin
eram apodados de terroristas pelo ocupante indonésio.

                                                                
         +++++

No plano nacional tudo está a correr como se previa. As
promessas eleitorais para captar votos, com redução de impostos
ou melhoria significativa das pensões de reforma, obviamente
enganosas na situação financeira do país, foram rapidamente para
o cesto dos papeis velhos. Em seu lugar vieram mais benifícios
para os empresários, mais privatizações, aumentos de impostos,
despedimentos na função pública, congelamentos salariais,
“flexibilização” das leis laborais, novas definições do que é
noite e do que é dia para quem trabalha, guerra à cultura, ao
ensino e à saúde. E, claro, a rápida substituição dos antigos
pelos novos boys, porque o rotativismo também, como Barrancos,
as suas tradições.
O pacote laboral é, como se esperava, profundamente
reaccionário. Começaram já as greves e manifestações sectoriais.
A Intersindical avança para a greve geral (simbólica, de apenas
um dia) e a UGT tergiversa, que não, que sim, que talvez.
Qualquer pequena cedência lhe servirá de pretexto para não fazer
greve e mostrar-se assim o mais cordato dos parceiros sociais.
De qualquer modo tudo indica que a situação se continuará a
deteriorar a ritmo relativamente rápido, acompanhada pelos
habituais pequenos escândalos do pessoal político. Em condições
normais esta legislatura não chegaria ao fim, mas a crise
financeira torna mais difícil a dissolução do parlamento e a
convocação de novas eleições ( e a maioria conta com isso, ao
persistir numa atitude de desafio e ameaça pouco consentânea com
a prática parlamentarista e algo reminescente dum passado não
muito remoto).
Não deixa de ser curioso verificar que à medida que as crescem
as dificuldades económicas e o desemprego apareçam interessados
na criação de novos casinos. Talvez porque os desesperados se
disponham a arriscar o pouco que lhes resta na esperança de um
golpe de sorte que os livre de situação angustiosa. O desespero
é mau conselheiro, tal como no caso do terrorismo. E também aqui
outros esfregarão as mãos de contentamento.
O mais lamentável de tudo isto é que os portugueses, não tendo
sabido (ou querido) aproveitar o 25 de Abril para renovar ou
criar instituições populares idóneas (autónomas, eficientes e
duráveis), se deixassem embriagar pela demagogia dos jogos
partidários. Muitos persistem nessa via, outros, desiludidos,
optam pelo egoísmo extreme ou por qualquer alienação (futebol,
televisão, hipermercado, álcool, jogo...). Nem uns nem outros
estão dispostos a fazer o menor esforço para compreender o mundo
em que vivem e nele intervir. Alguns esperam que alguém tome
medidas, encontre soluções, e reservam-se apenas o direito de
discordar e de dizer mal. Que, como dizia o outro é ofício leve
e não paga décima.
Receamos que o entusiasmo do povo brasileiro pela eleição de
Lula siga um percurso idêntico. Não só o Lula ganhou por haver
dado suficientes garantias ao sistema, mas porque só a
participação activa, esclarecida, realista e continuada dos
brasileiros permitirá alterar a situação. Se não quiserem, tal
como nós não quisemos, meter mãos à obra não haverá Lula que
lhes valha.


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