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(pt) A Ideologia Burguesa e Algumas das suas Peças (Combate Anarquista nº 16 de outubro)

From "andrea souza" <lutalibertaria@hotmail.com>
Date Wed, 20 Nov 2002 13:37:44 -0500 (EST)


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      A - I N F O S  S e r v i ç o  de  N o t í c i a s
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              http://ainfos.ca/index24.html
     ________________________________________________



Companheiros:

Vocês estão recebendo o Combate Anarquista nº 16 de outubro de
2002.

O Combate Anarquista vem sendo editado mensalmente desde de
junho de 2001, e
agora em outubro completamos a nossa 17º edição. Apesar do
modesto porte de
nosso boletim todos devem imaginar a dificuldade de manter uma
publicação
mensal que sempre traz textos escritos pelo coletivo e se
sustenta de forma
autônoma.

O Combate Anarquista tem sido distribuído on-line para aqueles
que possuem
e-mail, por carta para companheiros, grupos e organizações por
todo país e
de mão em mão pelos integrantes do coletivo. Vários grupos e
indivíduos tem
nos dado apoio ajudando na distribuição, reproduzindo o boletim
em sua
cidade, enviando sugestões, críticas e comentários diversos.

Por alguns meses estivemos com nossa correspondência suspensa,
mantendo
apenas distribuição on-line e de mão em mão devido a problemas
financeiros
que esperamos dificultaram a distribuição por correio. Estamos
neste momento
voltando a trabalhar via postal regularmente e a partir de
novembro você
poderá receber periodicamente o Combate Anarquista.

A todos aqueles que de alguma forma se afinam com as idéias
expressas em
nosso boletim pedimos a colaboração para melhorar a divulgação,
seja
reproduzindo os boletins e passando adiante, seja nos mandando
selos ou
dinheiro que ajudem no custeio, novos contatos para inclusão na
mala direta,
etc. O coletivo tem como projeto melhorar o boletim, ampliando
seu tamanho,
alterando o projeto gráfico em 2003, aumentando a tiragem e
distribuição.

Também está aberto o espaço para sugestões de temas que julguem
interessantes ou para que o coletivo aprofunde ou manifeste sua
posição
sobre alguns temas. Este é o papel deste boletin.

Agradecemos o apoio de todos os companheiros!   Socialismo e
Liberdade!
LUTA LIBERTÁRIA




@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@




 
Um cantor dos anos 80, o Cazuza, vivia cantando que queria uma
ideologia para viver. Alguns falam em travar combates
ideológicos, outros ainda em ‘fim das ideologias”, enfim, o
termo ideologia está presente na vida de muitas pessoas, umas o
utilizam conscientemente, outras nem tanto, e finalmente, todos
nós somos ideologicamente bombardeados todos os dias; mas então
o que é ideologia?
O termo ideologia, segundo alguns autores, foi cunhado no século
XVIII, mas esta é uma longa história e não vamos adentra-la;
para este momento vamos colocar então que, a ideologia está
ligada a um conjunto de valores normativos em presentes em uma
sociedade e que estão intimamente vinculados às condições
sociais e econômicas vividas nesta mesma sociedade, formando um
sistema de idéias acerca de seu funcionamento ou do que ela pode
ver a ser. Sendo assim a ideologia pode muito bem ser utilizada
como um elemento de acomodação social e de dominação por uma
classe.
Bom, tendo rapidamente passado pelo conceito de ideologia,
podemos observar que o capitalismo e a burguesia também possuem
seus pressupostos ideológicos e seu respectivo discurso.
Geralmente o objetivo do discurso ideológico capitalista é
oferecer perspectivas que iludam as pessoas, que mostrem
possíveis saídas quase todas elas individuais e sem confronto.
Em todos os casos a ideologia se apropria de conceitos e faz um
uso perverso dos mesmos. Vamos dar uma olhada em algumas das
peças ideológicas da burguesia presentes em nosso cotidiano e
vistas diariamente nos meios de comunicação.

Gente que faz!      

A ideologia do 'gente que faz', procura dar exemplos de
iniciativas que deram certo. São sempre casos isolados, nos
meios populares, de iniciativas de sucesso. O fato destas
iniciativas se localizarem em regiões pobres reforça ainda mais
a identidade da classe com quem está aparecendo na tela e
projeta um sonho teoricamente possível para todos. Da mesma
forma caminham os projetos de ação para a cidadania, as
'pequenas empresas, grandes negócios, etc. 
Todas estas iniciativas estão permeadas por algumas idéias que
são a essência do neoliberalismo. Como o Estado se retirou de
vários serviços sociais e os precarizou numa série de outras
áreas, nada mais conveniente do que pessoas que desistiram de
cobrar do Estado e decidiram fazer por si mesmas. É comum nas
reportagens da Rede Globo o repórter abrir dizendo: 'cansados de
esperar do Estado decidiram fazer eles mesmos..."
É daí que estão chegando apelos à 'iniciativa autônoma do povo';
'participação da comunidade'; etc. É muito comum a gente ver os
pais tendo que limpar escolas, fazer mutirão para construir
casas, etc. Iniciativas como estas poderiam ser muito boas se
viessem acompanhadas de cobrança sobre o Estado, afinal pagamos
impostos para um Estado e agora, além disso não recebemos nem
mesmo os serviços básicos. 
Mas do jeito que se tem estimulado as 'iniciativas populares'
trata-se de colocar sobre as costas da sociedade uma série de
responsabilidades dos governos. Além disso, ao não perceber
estas coisas a sociedade deixa de cobrar o governo, fica à parte
e não vai para o confronto. No final das contas isso cumpre o
objetivo de dissuadir conflitos de classe. Neste mostra-se que
os problemas podem ser resolvidos com uma dose de boa vontade,
não há causas sociais e econômicas condicionantes; ou melhor,
até existem, mas quem se esforça supera tudo! 
É comum a afirmação do "nós fizemos a nossa parte', e concluímos
que se cada um fizesse a sua tudo seria maravilhoso! É a velha
balela de que o incêndio na floresta se resolve com cada
passarinho trazendo um pouquinho de água em seu biquinho. Que
bonito isso! Pena que não é uma fábula, mas uma ideologia que
tem servido para imobilizar as pessoas através da criação de
ilusões.
Isso também serve para aglutinar muita gente da classe média, ou
pequena burguesia, e da própria classe explorada. São aquelas
pessoas críticas e que querem fazer alguma coisa. Estas
alternativas então apresentam projetos onde estas pessoas podem
se encaixar, trabalhar muito e ter a sensação de estarem
ajudando a 'construir um mundo melhor e mais justo', 'trazendo a
água no seu biquinho', 'pelo menos fazendo alguma coisa', etc.
Estas pessoas poderiam estar engajadas na verdadeira luta, mas
são canalizadas para estes vários projetos (ONG’s e
cooperativismo incluídos) evitando o risco de um maior
engajamento e politização.

Educação para o trabalho!

Outra tecla na qual tem se batido à exaustão é a educação.
Tomando como base a legítima crítica à educação no Brasil, tem
se resumido os problemas nacionais a educação. 'O Brasil é ruim
porque o povo daqui não tem educação! Quantas vezes já ouvimos
frases como esta?
Isso se casa agora com a questão do desemprego, tão em voga no
discurso dos candidatos nestas eleições. Procura-se passar a
idéia de que não é uma crise estrutural, econômica e social que
causa o desemprego. Tudo se resume a 'qualificação
profissional'. Que tem qualificação tem emprego! É o que se
apregoa por aí. Isso esconde a grande verdade do desemprego no
Brasil, como se não houvesse milhares, quem sabe milhões, de
desempregados qualificados e formados em faculdade vagando por
aí. 
Essa ideologia serve a muitos interesses. Promove a competição
entre a classe pela qualificação melhor, como dizem os
Racionais: “supere seu adversário..”  Por outro lado permite a
colaboração entre sindicatos como a Força Sindical (em menor
medida a CUT) com o Ministério de Trabalho. Falamos aqui dos
fajutos cursos de requalificação profissional bancados pelo
governo através do FAT. Os cursos que não requalificam ninguém,
recolocam menos 10% no mercado de trabalho, sugam recursos
públicos, e o pior, estes recursos vão parar nas mãos da
burocracia reformista, ajudando a fortalecer estas correntes
sindicais. O governo não faz isso à toa, precisa de apoio para
passar seu rolo compressor com tranqüilidade. 

Jogos

Nos últimos tempos proliferaram os jogos no Brasil. É Show do
Milhão, é Loteria Esportiva, é Sena; é Loteria Federal; é o
bicho; são os bingos eletrônicos; as maquininhas de
vídeo-pocker; o show do milhão do Sílvio Santos, etc. Isso
também anda junto com o desespero para se dar bem na vida. Não
por acaso está em tramitação já há algum tempo a lei que permite
os cassinos no Brasil.
Estes jogos, sorteios e etc... operam na linha do “entregar para
a sorte”, muita gente embarca nessa, acreditando que poderão
subir na vida contando com a sorte, e novamente temos o desvio
para as soluções individuais e “milagrosas” para as desventuras
de uma vida pobre.

Sempre soluções parciais e para poucos. 

É o que sistema apresenta: gente que faz; gente que se
requalifica e consegue emprego; gente que vira micro-empresário
de sucesso; gente que ganhou na loteria. Em todos os casos
bastou formação, atitude empreendedora ou sorte.
Desta forma, também os problemas e contradições da sociedade são
envoltos em uma nuvem de fumaça, que não permite as pessoas
enxergar a raiz, a origem dos problemas que enfrentam, das
injustiças e dessa absurda desigualdade.
São mostradas sempre soluções que indiretamente minam o espírito
coletivo e combativo de nossa classe, apresentando soluções
individuais, rápidas e sem luta. E é justamente este o papel da
ideologia: atacar o imaginário de nossa classe, destruir
qualquer consciência de classe que tenhamos. 
N 




N-No dia 5 de Novembro o Luta Libertária vai estar no festival O
Fim do Mundo, que vai acontecer no Tendal da Lapa, do dia 02/11
ao 09/11. Estaremos lá à partir das 15 horas para a realização
de um “lançamento” de nosso livro Bakunin. Socialismo e
Liberdade e para uma debate sobre Movimentos Juvenis e
Militância Política. O Tendal fica na Rua Guaicurus, próximo à
estação de trem.
N-Também já está em fase final a nossa próxima edição, que
abordará o anarco-comunismo, com textos de Errico Malatesta e
Luigi Fabbri. Seguimos também distribuindo nossas duas edições
anteriores. Nestor Makhno. Anarquia e organização e Bakunin.
Socialismo e Liberdade. Os interessados podem entrar em contato,
tanto por e-mail, como por carta.


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