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{Info on A-Infos}
(pt) Barcelona, a 16 de Março :
From
worker <a-infos-pt@ainfos.ca>
Date
Mon, 18 Mar 2002 14:07:27 -0500 (EST)
Entre 3 e 400 000 pessoas contra "a Europa do Capital" !
Sender: worker-a-infos-pt@ainfos.ca
Precedence: list
Reply-To: a-infos-pt
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A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
http://www.ainfos.ca/
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Momento histórico ! Em Barcelona, Sábado 16 de Março de 2002, acaba de
ter lugar a maior manifestação jamais organizada contra uma cimeira de
União Europeia, e talvez mesmo a maior das que ocorreram contra a
globalização capitalista, pelo menos equivalente à de Génova contra o
G8. Mais de 200 000 manifestantes, segundo a polícia espanhola, meio
milhão segundo alguns grandes meios de comunicação social do país.
Impressionante pelo número dos seus participantes, esta manifestação
também o foi pelas suas qualidades:
fut aussi par ses qualités :
Desfilando claramente « contra a Europa do Capital » respondendo ao
apelo dum amplo colectivo de organizações do movimento social, os
manifestantes não se inibiram com a franqueza desta palavra de ordem que
contrasta com os receios, as hesitações, as auto censuras de que os
movimentos sociais dão provas demasiadas vezes na Europa. Pode-se dizer
que é a "prova de Barcelona" : pode-se reunir várias centenas de milhar
de pessoas enquanto se diz claramente que a fonte das injustiças e o
alvo do nosso combate não é apenas a política liberal dos governos mas
também o sistema capitalista sobre a base do qual se desenvolve esta
política....
Foi também característica extraordinária de Barcelona, a juventude de
uma grande parte de seus participantes. Pelo menos metade dos que se
manifestavam, faziam-no fora de qualquer pertença, numerosos segmentos
sendo formados de milhares de jovens avançando sem faixa ou cartaz, sem
estarem sob qualquer sigla. Esta capacidade de mobilização em oferecer a
uma juventude revoltada um espaço de expressão aberto, livre, constitui
exemplo e experiência para se meditar. Não se trata evidentemente de
rejeitar toda e qualquer forma de organização, mas de compreender como é
que uma tal mobilização pode organizar-se.
Há sem dúvida, especificidades espanholas : a actividade do governo
ultra-liberal que atiça as revoltas, uma convivialidade própria da
juventude que está habituada a reunir-se aos milhares na rua, nas noite
de fim-de-semana, a manifestação oferecendo a este habito uma dimensão
política, ou ainda a forte tradição libertária que impregna os
movimentos sociais hispânicos. Mas é necessário também ver como as
organizações existentes, o Movimento de Resistência Global (MRG) ou a
CGT (confederação sindical anarco-sindicalista), assim como muitas
outras, souberam mergulhar numa prática assembleária que marcou a
preparação da contra-cimeira de Barcelona. Com efeito, não foram
reuniões unitárias « clássicas » que a prepararam, mas assembleias
abertas, reunindo várias centenas de participantes.
Esta forma de agir, partido da base, inovadora, alternativa, não é
alheia ao sucesso final. Alguns dias mais cedo (Quinta-feira) cerca de
100 000 pessoas tinham-se juntado ao apelo da Confederação Europeia dos
Sindicatos. "Apenas" 100 000 seríamos tentados de dizer, após a
manifestação do Sábado. Sem dúvida as orientações das diversas
organizações sindicais espanholas explicam também este contraste. As
duas centrais majoritárias, as Comissões Operárias (antes, controladas
pelo Partido Comunista) e a UGT (socialista) estão orientadas para uma
via de acordos e de conciliação com o governo Aznar, aprovando medidas
que estimulam a precariedade. Apenas a CGT espanhola participou
activamente na preparação da Contra-Cimeira. Foi apenas no último minuto
que as organizações moderadas, CCOO, UGT, Fórum social, pediram
timidamente para se juntarem à manifestação "Contra a Europa do Capital"...
Outra qualidade da manifestação de Barcelona : soube evitar a armadilha
grosseira estendida pelo governo Aznar, a do confronto directo no
terreno "militar". Tudo tinha no entanto sido posto em cena, o governo
chegando ao ponto de pedir emprestados à OTAN aviões de reconhecimento
AWACs para enfrentar as hordas de bárbaros das anti-globalizações. Ora o
colectivo organizador escolheu confrontar-se com os chefes de estado num
terreno completamente diferente, o da afirmação de uma Alternativa.
Desprezando totalmente o local da Cimeira, acentuando a radicalidade da
expressão política, criando -nalgumas horas - uma contra-sociedade
festiva, alegre, múltipla e tolerante, a manifestação de Barcelona marca
também uma nova etapa, um reacender da mobilização contra a globalização
capitalista. Houve, sem dúvida, algumas acções mais físicas, mas
limitaram-se quase a algumas vitrines de bancos quebradas... O que não
impediu a polícia, armada até aos dentes, de provocar breves mas
violentos confrontos....
A natureza belicosa quanto ao fundo, mas pacífica quanto ás formas de
acção desta marcha sublinha ainda mais o aspecto inadmissível,
injustificável, do bloqueio de milhares de manifestantes na fronteira do
franco-espanhola (Perthus), bloqueio co-organizado pelos governos
francês e espanhol. Trata-se aqui de um atentado brutal aos Direitos, à
liberdade de expressão, de manifestação, de circulação. E que dizer
destes socialistas e deste governo francês da Esquerda Plural, que
depois de terem-se pavoneado no Fórum Social de Porto Alegre, lança os
polícias contra os manifestantes dos movimentos sociais na fronteira dos
Pirinéus? É verdade que, ao mesmo tempo, Jospin e Chirac, juntos quando
é preciso gerir no topo do estado, apenas separados quando se trata de
fazer promessas durante as campanhas eleitorais, aceitaram em Barcelona,
a liberalização de uma larga parte da energia e outras medidas
anti-sociais, entre as quais algumas ameaçam directamente as pensões de
reforma.
O sucesso de Barcelona é evidentemente um encorajamento para a próxima
efeméride, a de Sevilha, por ocasião da segunda (e, teoricamente, mais
importante) Cimeira Europeia em Espanha. A mobilização catalã não foi
prevista que fosse mais que uma "corrida de aquecimento" ! Óptima
notícia, na preparação desta segunda contra-cimeira: o projecto de uma
"Marcha international das resistências sociais", cujo sinal de partida
foi dado simbolicamente em Bruxelas em Dezembro último, está muito bem
encaminhado. A concretização deste projecto foi o principal ponto da
ordem do dia de uma Coordenação da rede das "Marchas Europeias contra o
desemprego e a precariedade" que reuniu em Barcelona, na sede da CGT,
as delegações italiana, francesa, alemã, finlandesa e espanhola. Uma
delegação andaluz (a associação "Baladre", CGT espanhola) apresentou o
estado de avanço deste projecto, agora assumido por uma Assembleia de
movimentos sociais da região. A partir de Almeria, os Caminhantes vão
calcorrear a Andaluzia durante uma semana, para alcançar Sevilha e a sua
grande manifestação, a 22 ou 23 de Junho. A esta marcha deverá
juntar-se uma outra marcha marroquina, partindo de Rabat, e organizada
pelo "Movimento dos desempregados com licenciatura", um dos principais
movimentos sociais marroquinos, já activo aquando das Marchas
"europeias" de 1997, e que desde então mantém contactos regulares com a
CGT espanhola.
Após Barcelona, os movimentos sociais vão portanto encontrar em Sevilha
uma nova oportunidade para fazer avançar as alternativas de que são
portadores.
Patrice Spadoni
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