A - I n f o s
a multi-lingual news service by, for, and about anarchists
**
News in all languages
Last 30 posts (Homepage)
Last two
weeks' posts
The last 100 posts, according
to language
Castellano_
Català_
Deutsch_
English_
Français_
Italiano_
Português_
Russkyi_
Suomi_
Svenska_
Türkçe_
All_other_languages
{Info on A-Infos}
(pt) OS DIREITOS DOS ANIMAIS por L. Garcia e Silva [A BATALHA Nº 192]
From
Worker <a-infos-pt@ainfos.ca>
Date
Thu, 13 Jun 2002 18:04:02 -0400 (EDT)
______________________________________________________
A - I N F O S S e r v i ç o de N o t í c i a s
http://www.ainfos.ca/
________________________________________________
OS DIREITOS DOS ANIMAIS
Foi recentemente divulgado pela televisão o relatório de uma comissão
europeia, com filmagens comprovativas, das condições verdadeiramente
horripilantes em que se processa o transporte e abate de animais em
Portugal, com perfeito conhecimento e total indiferença das entidades
responsáveis. A Ordem dos Médicos Veterinários tomou posição pública,
mas desconhecemos se foi Instaurado algum inquérito ou processo
disciplinar contra os membros da classe responsáveis pela situação ao
nível dos matadouros. Associações de Defesa dos Animais vieram a
público, então e de novo decorridas algumas semanas, denunciar a
situação e a ausência de medidas concretas para lhe pôr cobro por parte
do governo. Mais recentemente ainda, a televisão deu também a conhecer,
igualmente com iconografia comprovativa, a existência de combates de
cães, duma crueldade inenarrável, para negócios de apostas. Medidas
tomadas, se o foram (do que se duvida), não são do nosso conhecimento.
Mas se não há notícias de medidas, houve no entanto declarações para a
televisão de um senhor deputado, alto dirigente de uma Associação de
Agricultores (ignoramos se está ainda em funções em qualquer desses
cargos) e docente de agronomia, em que se referiu a umas organizações
que se intitulavam defensoras dos direitos dos animais, o que era um
disparate, porque os animais não têm direitos, já que só pode ter
direitos quem tem também deveres. Julgamos que os esforços meritórios
das referidas Associações mereciam se não a gratidão, pelo menos o
respeito do referido senhor e, em caso algum, o tom altivo e despiciente
do comentário.
E julgamos também que a despeito do carácter definitivo com que fez a
afirmação, incorreu num erro que, menos certezas e um pouco de reflexão,
teria podido evitar.
Na verdade a suposta vinculação dos direitos aos deveres é bastante mais
aleatória do que tão convictamente assegura. Tanto na vinculação dos
deveres aos direitos como na dos direitos aos deveres.
Quanto à primeira recordamos, por exemplo, a situação dos escravos (na
antiguidade e em tempos mais recentes). Um escravo não era uma pessoa
mas uma coisa. Podia ser comprado, vendido, maltratado ou morto. Segundo
testemunhas da época, era comum em Lisboa, quando faleciam, serem
lançados ao monturo ("a dente de cão") para poupar ao dono as despesas
da inumação. E embora sem direitos tinham, todavia, deveres: de
obediência, lealdade, dedicação, respeito e humildade para com os seus
senhores.
Quanto à segunda recordamos que os inimputáveis (psicopatas, deficientes
mentais, doentes com demência senil, etc) mantêm alguns direitos
fundamentais embora incapazes de assumir deveres. Poderíamos recordar
igualmente a situação das crianças de tenra idade, que gozam de direitos
sem poderem assumir deveres. E cremos que dada a filiação partidária do
nosso antagonista, óvulo fecundado, embrião e feto humanos gozam de
direitos (à vida e outros) embora não estejamos exactamente a ver que
deveres lhes podem ser cometidos.
Consequentemente, os direitos não parecem depender de quaisquer deveres
correlativos. Os direitos são conferidos em consequência dum consenso
social ou duma imposição à comunidade por parte de indivíduos ou grupos
com força para isso.
O processo de aquisição de direitos por parte dos escravos, doentes
mentais ou crianças foi lento e difícil e só num passado recente os
animais ingressaram também no grupo dos que obtiveram o reconhecimento
de alguns direitos. Como sempre sucede nestes casos há uma fase inicial
em que apenas um número limitado de pessoas reconhece tais direitos (em
termos éticos). Só quando se vencem preconceitos antigos e se logra um
consenso social mais amplo, tais direitos alcançam consagração jurídica.
Os indivíduos e grupos empenhados no reconhecimento de novos direitos
são assim os percursores éticos duma nova ordem jurídica.
De resto, e voltando às questionáveis afirmações do ilustre preopinante,
alguns desses direitos já estão consagrados na legislação portuguesa. O
que não estão é a ser cumpridos. Por déficit civilizacional da
comunidade. O que Ghandi reconheceu, há já longos anos, quando afirmou
que o nível de civilização de um povo se aferia pelo modo como tratava
os seus animais.
Luís Garcia e Silva
*******
********
****** Serviço de Notícias A-Infos *****
Notícias sobre e de interesse para anarquistas
******
ASSINATURAS: lists@ainfos.ca
RESPONDER: a-infos-d@ainfos.ca
AJUDA: a-infos-org@ainfos.ca
WWW: http://www.ainfos.ca/org
INFO: http://www.ainfos.ca/org
Para receber a-infos numa língua apenas envie para lists@ainfos.ca
a mensagem seguinte:
unsubscribe a-infos
subscribe a-infos-X
onde X= pt, en, ca, de, fr, etc. (i.e. o código de idioma)