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(pt) Subcomandante Marcos aceita o desafio do juiz Garzón.

From Worker <a-infos-pt@ainfos.ca>
Date Tue, 10 Dec 2002 07:01:33 -0500 (EST)


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de www.midiaindependente.org

La Jornada 

O Subcomandante Marcos aceitou o desafio do juiz Baltasar Garzón
para um debate sobre a questão basca.

EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.

MEXICO.

7 de dezembo de 2002.

Ao Sr. Fernando Baltasar Garzón Real, magistrado-juiz do Juizado
Central de Instrução No. 5 Audiência Nacional c/ Garcia
Gutierrez 1 28.004, Madrid Espanha.

Señor Baltasar Garzón:

Li a carta que me dirige, datada do dia 3 de dezembro do
presente ano e publicada no dia 6 do corrente no periódico
mexicano El Universal. Nela, além de permitir-se insultar-me com
toda classe de qualificativos, me desafia o sr. a um debate em
lugar e data de minha eleição.

Comunico ao sr. que aceito o desafio e (como mandam as leis da
andante cavalaria), visto que sou eu o cavaleiro desafiado,
corresponde a mim fixar as condições do encontro.

Estas são as condições:

PRIMEIRO. o debate se realizará nas Ilhas Canárias, mais
concretamente na chamada Ilha de Lanzarote, do dia 3 ao 10 de
abril do ano de 2003.

SEGUNDO. O senhor Fernando Baltasar Garzón Real deverá conseguir
as garantias e salvo-condutos necessários e suficientes, tanto
do governo espanhol como do mexicano, para que o cavalheiro
desafiado e seis de seus escudeiros possam assistir ao desafio e
voltar bem a seus lares. Os gastos de traslado e hospedagem do
Subcomandante Marcos e sua comitiva serão cobertos pelo EZLN,
que para isso são os coyucos, as tostadas, os feijões e o pozol;
além de que, para pernoitar, o andante (ou navegante) cavaleiro
não necessitará mais teto que o digno céu canário.

TERCEIRO. No mesmo lugar do debate, paralela mas não
simultaneamente, se realizará um encontro entre todos os atores
políticos, sociais e culturais da problemática basca que assim o
desejem. O tema do encontro será “O País Basco: caminhos”.

QUARTO. O senhor Fernando Baltasar Garzón Real deverá assistir,
falar e escutar a esse encontro. Ademais deverá esforçar-se por
convencer ao governo espanhol de que contribua, com medidas de
distensão, a criar um ambiente propício para o ato, e exortá-lo
a enviar uma delegação de nível ao encontro, sem importar que
não tenha capacidade de decisão, pois só se lhes pede que
escutem e falem.

QUINTO. O cavaleiro Subcomandante Insurgente Marcos deverá
assistir a dito encontro, porém só para escutar, porque o tema é
algo que compete somente à soberania do povo basco.
Além disso, o Subcomandante Insurgente Marcos deverá dirigir-se
à organização basca Euskadi Ta Askatasuna (mais conhecida por
suas siglas: ETA) pedindo-lhe uma trégua unilateral de 177 dias,
período em que o ETA não deverá realizar nenhuma ação militar
ofensiva. A trégua de ETA deverá iniciar-se na madrugada do dia
24 de dezembro de de 2002.

Do mesmo modo, o Subcomandante Insurgente Marcos deverá
dirigir-se às organizações políticas e sociais bascas, e ao povo
basco em geral, convidando-os a organizar e realizar o encontro
antes mencionado.

O Subcomandante Insurgente Marcos se dirigirá também à sociedade
civil espanhola e basca pedindo-lhes que se mobilizem na
campanha “Uma oportunidade para a palavra”, cujo objetivo é
pressionar o governo espanhol e o ETA para que criem, em toda a
península ibérica, as condições adequadas para a realização do
encontro.

SEXTO. O ganhador do debate será eleito por um júri formado por
sete pessoas, todas els do Estado espanhol. O Subcomandante
Insurgente Marcos cede ao senhor Fernando Baltasar Garzón Real o
privilégio de nomear a quatro dos membros do jurado e a designar
a quem caberá presidi-lo e, no caso de um empate por abstenção,
decidir com voto de minerva quem é o vencedor da justa. Os
outros três membro do júri serão convidados pelo EZLN.

SÉTIMO. Se o sr. Fernando Baltasar Garzón Real derrota em boa
lide ao Subcomandante Marcos, tem direito a desencapuzá-lo uma
vez diante de quem tiver vontade.

Ademais, o Subcomandante Insurgente Marcos lhe pedirá desculpas
publicamente e se submeterá à ação da justiça espanhola para que
o torturem (justo como torturam os vascos quando são detidos) e
responda às acusações que abundam na carta do sr. Garzón Real,
datada de 3 de abril de 2003.

Se pelo contrário, o senhor Fernando Baltasar Garzón Real é o
derrotado em boa lide, que acaso como último recurso pacífico
zapatista e ante as instâncias jurídicas internacionais, se
apresentarão para exigir o reconhecimento dos direitos e a
cultura indígena, os quais, violando as leis internacionais e do
senso comum, foram desconhecidos pelos três podres do governo
mexicano.

Ademais, se lhe for possível e tiver a intenção, representará
legalmente ao EZLN frente a ditas instâncias internacionais SÓ
no que se refere à demanda de reconhecimento jurídico de nossos
direitos e cultura.
Isso será assim pois também se ajuizarão demandas por delitos de
lesa humanidade contra o senhor Ernesto Zedillo Ponce de León,
responsável pela matança de Acteal (perpetrada nas montanhas do
sudeste mexicano em dezembro de 1.997) onde foram executadas até
45 crianças, mulheres, homens e anciãos indígenas. Como se
recordará, o sr. Zedillo foi recentemente premiado pelo sr. José
Maria Aznar, chefe do governo espanhol, por sua participação na
matança.

Da mesma forma se ajuizarão demandas contra os chefes do governo
espanhol que, durante o mandato do sr. Zedillo no México, foram
cúmplices dele nesta e outras agressões aos povos índios
mexicanos.

Estas condições não são negociáveis, o sr. Fernando Baltasar
Garzón Real deverá responder, em um prazo razoável, se as aceita
ou não. Por outro lado, os detalhes do debate poderão ser
combinados pelas equipes madrinhas do desafiante e desafiado.

Señor Fernando Baltasar Garzón Real: como poderá ver nas cópias
das cartas que anexo, já iniciei a tarefa de cumprir com a parte
que me toca.

De branquelo a branquelo, pois um quarto de sangue hispano me
corre pelas veias, espero que agora entenda e se mantenha na
disposição de levar adiante o debate a que me desafia.

Tem o sr. a oportunidade de eleger: ou põe seus conhecimentos e
habilidades ao serviço de uma causa justa e nobre (e de passagem
demonstra que a justiça internacional não serve somente para
avalizar guerras e livrar criminosos), ou segue onde está,
recebendo as carícias de quem em cima são porque são sobre o
sangue e a dor dos de abaixo.

Combinado! Saúde e que tudo isso sirva para dar uma oportunidade
à palavra.

Desde as montanhas do Sudeste Mexicano. Subcomandante Insurgente
Marcos. Dezembro de 2002.

PS. Saiba, Vossa Senhoria, que todos os insultos que me prodiga
em sua carta me deixam praticamente i-m-ó-v-e-l. O que realmente
me doeu, demais, foi o “ridículo cachimbo”. Por isso já estou
lavrando um novo quue, já se verá, causará furor quando a
estrear na Gran Vía e nas Ramblas. Aliás, se pode fumar em
frente à estátua de Cibeles?

Outro PS. O tal de “barco à deriva” me deixa realmente
preocupado. Quer dizer que as costas que agora avisto não são da
ilha de El Hierro (considerada o fim do mundo até o
descobrimento da América), mas da ilha de Java? Eu já dizia,
quando passamos a um lado do Krakatoa, que para variar e fazer
as honras ao “zapatistas”, tínhamos escolhido o caminho mais
comprido. Suspiro.

www.lajornada.unam.mx


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