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(pt) [Brasil] ATO/TRIBUTO A RAUL SEIXAS EM SÃO PAULO

From Walténio Bequers <cldvulg1917@yahoo.com.br>
Date Sun, 25 Aug 2002 04:34:23 -0400 (EDT)


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      A - I N F O S  S e r v i ç o  de  N o t í c i a s
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TRIBUTO A RAUL ASSUME CARÁTER DE ATO PELO VOTO NULO

            Com o afluxo de milhares de pessoas de
vários pontos da cidade, de outras cidades e até de
estados próximos o 13º TRIBUTO a Raul Seixas em São
Paulo, “O DIA EM QUE A TERRA PAROU CONTRA TODAS AS
MISÉRIAS E A FARSA ELEITORAL! VIVA A SOCIEDADE
ALTERNATIVA!!!”, repercutiu em toda a cidade como o
maior ATO PELO VOTO NULO dos últimos 15 anos, sendo o
ponto culminante da Campanha Pelo VOTO NULO 2.002, até
o momento. 

“OS QUE ME CHAMARAM DE PROFETA DO APOCALIPSE 
 SÓ VÃO ME ENTENDER NO CHAMADO DIA DO ECLIPSE...”

            Primeiramente deve ficar claro que estamos
tratando de uma homenagem, feita todos os anos nessa
data,  data da morte de Raul Seixas, 21 de agosto de
1989. Raul o músico, poeta, filósofo e ativista
contracultural libertário nascido em Salvador/Bahia,
em junho de 45, só teve reconhecida sua importância
para a cultura brasileira após sua morte. Recentemente
Paulo Coelho, antigo parceiro de Raul e atualmente um
famoso escritor – casado com a poetiza Cristina
Oiticica – ao receber a cadeira de Imortal na Academia
Brasileira de Letras reconheceu publicamente que Raul
lhe ensinara muito e que era para ele o título de
Imortal. Essa referencia é importante à medida que
começa a surgir contra-informação buscando denegrir as
idéias e ideais de Raul, falando que ele teria sido
candidato a deputado na década de 70 – o que é uma
infâmia – e atacando o individualismo, que ele tanto
prezava, como desvio burguês – o que é de uma
estupidez crassa.

            Na verdade Raul nunca foi candidato a
nada, seu negócio era batucada! Lançou “Ouro de Tolo”
em 73, auge da ditadura militar, quando toda a
intelectualidade de esquerda estava exilada ou com o
rabo entre as pernas. Em 74 foi preso, torturado e
expulso do país por pregar a construção da SOCIEDADE
ALTERNATIVA, no final deste ano uma chuva de votos
nulos seria o sinal de que a ditadura estava caindo.
Apesar de perseguido pela esquerda oficial por seus
ataques ao Capitalismo de Estado, que os marxistas
chamavam de Socialismo Real, da ex-URSS e Leste
Europeu, suas músicas se tornaram os hinos das
primeiras ondas de greve estudantil (77) e operária
(78), culminando quando da prisão da diretoria do
sindicato de metalúrgicos do ABC, na greve de 79, com
o tema “ MOSCA NA SOPA”, transformado em cartaz e lema
da greve. Com o assassinato de John Lennon(80) passa a
temer ser assassinado também, o que não o impede de
denunciar a farsa do mundo dos políticos, na fase de
fundação do Partido dos Trabalhadores, com o “Abre-te
Sésamo”(82) e a defender o não pagamento da dívida
externa (ALUGA-SE). Até a sua morte, em 89, ele nunca
foi candidato, nem apoiou nenhum candidato ou partido
político em nenhuma circunstância ou ocasião – apesar
das muitas propostas e convites que lhe fizeram. Ao
ser inquirido pela imprensa respondia, sem papas na
língua: “Não acredito nisso, bicho. Eu sou
anarquista!”

O DIA EM QUE A TERRA PAROU CONTRA A FARSA ELEITORAL

            Desde o Tributo do ano passado, “OS HOMENS
PASSAM, AS MÚSICAS FICAM...”, a proposta d’O COLETIVO
LIBERTÁRIO, de que a manifestação desse ano se
revestisse de um claro caráter anti-políticos e
anti-eleitoral e embutisse a proposta de uma GREVE
GERAL PELA SOCIEDADE ALTERNATIVA foi sendo assumida a
medida que discutida tanto ao nível do movimento
raulseixista, dentro dos diversos fã-clubes, e de
outros setores do movimento libertário (sindicalistas
revolucionários, punx anarkistas, apartidários
abstencionistas, ecologistas, anti-imperialistas,
etc.). 

            Assim foi que o movimento pela
reorganização da COB, com o apoio da pró-Federação
Anarkista do Rio Grande do Sul iniciou a campanha pelo
VOTO NULO com o ATO CONTRA TODAS AS MISÉRIAS, em
Guajuviras (03 de fevereiro de 2002), encerrado com o
hino da SOCIEDADE ALTERNATIVA. Da mesma forma o
caráter pró-voto nulo foi assumido espontaneamente
pelos raulseixistas que levantaram a bandeira
anti-políticos em dezenas de outros tributos que já
vem ocorrendo desde 28/06 (aniversário de nascimento
de Raul) e que ocorrerão até o dia 21/09.  De forma
coerente com isso Marcelo Nova, Roberto Seixas e Paulo
Mano, entre outros artistas identificados com
Raulzito, se manifestaram em suas apresentações contra
a farsa eleitoral e chamando o público a participar da
manifestação de 21/08 “O Dia Que a Terra Parou”.

                                                      
      O ATO EM SI

            Preparado com uma ampla colagem de
cartazes e panfletagem, inclusive em manifestações
sindicalistas (como a dos professores em frente a
Secretaria da Educação em 16/08, contra as
perseguições e demissões devidas a greve de 2000) a
manifestação passou por momentos críticos em que a
ação dos partidos políticos e do Estado buscaram
desmoralizar e/ou sabotar. Assim foi que a prefeitura
do PT ficou de ceder uma aparelhagem de som e montar
um palco na Praça da Sé, mas na quinta a tarde (15/08)
roeu a corda e tentou nos quebrar as pernas, nos
deixando sem estrutura. Mas nossa resposta foi rápida
e conseguimos um carro de som que ajudou a amplificar
nosso grito de revolta. 

 RELATO HORA A HORA, com um resumo descritivo da
manifestação:

(15:00 hs)  “...eu nasci há 10.000 anos atrás/ e não
tem nada nesse mundo que eu não saiba demais...”

            Apesar do início da manifestação estar
marcado para as 16 hs, desde a manhã dezenas de tipos
“Raul Seixas cover” passeavam pelo centro, na região
da Galeria do Rock e setores da mídia procuravam os
integrantes de fãs-clubes para entrevistas. Na Praça
Ramos havia uma panfletagem para o evento e desde as
15 hs, algumas rodinhas com violão se formavam nas
escadarias doTeatro Municipal, cantando as músicas do
“Maluco Beleza”. Por volta de 15:45 hs, quando já
havia cerca de 500 pessoas nas escadarias a Guarda
Metropolitana expulsa o pessoal para uma “lavagem das
escadarias” que se extenderia até as 16:15 hs. O
pessoal não se faz de rogado e se esparrama pela Praça
Ramos e imediações, já com dezenas de rodas de violão.
Assim que as mangueiras são recolhidas as escadarias
são tomadas por mais de 1000 pessoas aos gritos de
“VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA” e “RAUL! RAUL! RAUL!”

(16:00 hs)  “...tem que ser selado, carimbado,
avaliado, rotulado se quiser  voar...”

            A manifestação já começou! Sem microfones
nem líderes, só com o povo fazendo sua manifestação
espontânea e emocionada, cantando ou falando para as
pessoas que paravam para ver o que estava acontecendo.
Apesar de se concentrar nas escadarias do Municipal
ela se esparrama pelas imediações tendo sua presença
sentida da Praça do Correio até a Biblioteca
Municipal, da Praça da república até a Praça do
Patriarca. O afluxo das pessoas vai se intensificando
e vai sendo distribuído para o povo o texto
“INGOVERNÁVEIS”, carta aberta da manifestação
subscrita pelos fã-clubes e por coletivos e entidades
de diversos estados como o MANIFESTO NACIONAL
unificado do movimento PELO VOTO NULO 2002. 

(17:00 hs)  “...o meu egoísmo é tão egoísta que o auge
do meu egoísmo é querer ajudar...”
 
            Com a chegada do carro de som tocando O
DIA EM QUE A TERRA PAROU, o pessoal vai ao delírio. Já
eram mais de 2.000 nas escadarias e em torno do
Municipal. Após alguma tensão inicial o carro vai
sendo decorado ali mesmo com faixas e cartazes da
FOSP-FORGS/COB-AIT, pelo VOTO NULO e com a imagem de
Raul vestindo uma camiseta com os dizeres “VOTE NULO!
NÃO SUSTENTE  PARASITAS!, sua mãe – dona Maria Eugênia
- e a Dalva, em fotografia histórica de julho de 89,
um mês ante de sua morte.
Essa imagem foi a marca do Tributo de 2.002, o 13º. 

            O afluxo das pessoas e a agitação na Pça.
Ramos vão se intensificando a medida que a emoção
crescia. A polícia, Guarda Metropolitana e a PM,
começam a pressionar para que a passeata saísse
imediatamente. Primeiro falam em 17:30 hs, mas no fim
não podem fazer nada, pois o pessoal não dá bola para
suas ameaças e segue cantando a plenos pulmões “Ouro
de Tolo”, “Aluga-se” , “Al Capone”, etc.

(18:00 hs)  “...e lá vou eu de novo, um tanto
assustado com Ali-babá e os 40 ladrões...”

            Por volta das 18:10 hs, é feito o
chamamento para a saída da passeata, com a presença de
mais de 3.000 pessoas no local marcado para a
concentração. O pessoal se auto-organiza, bloqueia a
passagem de trânsito, o carro de som sai da praça
Ramos e entra no Viaduto do Chá seguido pela multidão
que canta “Cowboy Fora-da –Lei”. Enquanto a passeata
vai percorrendo o Viaduto vai sendo engrossada pelos
passantes e retardatários, inclusive professores e
funcionários ligados a Secretaria Municipal de
Educação, que faziam uma manifestação na Câmara dos
Vereadores.

            Assim a manifestação vai crescendo
enquanto percorre a Rua Libero Badaró, recebida por
uma chuva de papel picado, jogada dos prédios de
escritório. O microfone era mantido aberto para as
pessoas se manifestarem, e, entre uma música e outra
se passavam recados pelo voto nulo e
anti-capitalistas. Da mesma forma as pessoas se
aproximavam e falavam suas insígnias. Repórteres de
emissoras de rádio(CBN, Band) transmitiam ao vivo o
ritmo frenético da passeata, as vezes colocando seus
microfones ao lado do microfone da manifestação
transmitindo diretamente as falações dos
manifestantes. No momento em que o carro de som está
no meio da Libero Badaró uma ponta da passeata já
passava pelo Largo São Francisco, entrando na Benjamim
Constant, enquanto a outra ainda estava crescendo no
início do Viaduto do Chá. Nesse momento já eram mais
de 5.000 pessoas das mais diversas tribos: rockers,
punks, rappers, sindicalistas, imigrantes, poetas,
homens e mulheres num autêntico carnaval com
rock’n’roll, que só Raul poderia proporcionar. No meio
de todas as loucuras ali se sentia no ar o cheiro da
revolução, pois a revolução é o carnaval do povo! E
Raul já tinha dito: “...só peço a deus que não me leve
agora/ ontem, hoje e sempre eterno carnaval!!!...” Ele
estava ali, no meio do povo.

            Na rua Benjamin Constant, já próximo a Sé,
enquanto tocava “O Dia Em Que A Terra Parou”, na pausa
que se seguia após o refrão, eram entoadas
palavras-de-ordem pela greve geral, contra o
desemprego e o arrocho salarial. Para as pessoas que,
estupefatas nos olhavam sem crer, nas longas filas de
ônibus nós falávamos: PARA ACABAR COM O CONFORMISMO
RAUL SEIXAS NA VEIA! Novas adesões se verificaram.

(19:00 hs)  “...não pare na pista, é muito cedo pra
você se acostumar!...”

            Quando a ponta da passeata chegou na Pça.
da Sé, por volta de 19:10 hs, mais uma sabotagem da
prefeitura nos pegou de suspresa: o governo petista
promoveu uma reforma geral em toda a Sé, deixando a
praça cheia de buracos. O local onde tradicionalmente
a manifestação ocorre na Sé, nas escadarias e frente
da catedral estavam cercadas de tapumes e obstáculos.
Tudo isso foi feito na própria semana, pois até o fim
de semana anterior a praça estava normal. 

         Pegos de surpresa e sem poder providenciar
uma alternativa fomos brindados pela espontaneidade
revolucionária dos manifestantes que num exercício de
AÇÃO DIRETA, sem ninguém precisar mandar nem obedecer,
destruiu todos os obstáculos na praça, abrindo caminho
para que o carro de som se instalasse nos pés das
escadarias. Quando o final da passeata chegou na Sé,
por volta de 19:30 hs, já foi se instalando sem nem
saber o que ocorrera. Mas daí em diante a manifestação
continuou normalmente. Se por um lado boa parte dos
manifestantes se esparramou pelos bares da região,
onde se formavam rodas em torno dos violões com o povo
cantando Raul, por outro lado outras pessoas  que
passavam pela região viam e aderiam a manifestação, já
se imbuindo de seu caráter de Tributo a Raul Seixas e
de rechaço a farsa eleitoral. O manifesto continuava
sendo distribuído, assim como durante a passeata, e
fazendo grande sucesso de crítica e de público. Nesse
momento cerca de 5000 pessoas se concentravam na
frente da catedral.

(20:00 hs)   “...não estou cantando só/ cantamos todos
nós/ pois cada um nasceu com a sua voz/ pra dizer/ 
prá falar/ de forma diferente/ o que todo mundo
sente...”

            Enquanto tentávamos instalar o som íamos
passando recados: foi feita uma homenagem à mãe de
Raul, dona Maria Eugênia, que falecera em abril último
e em sua homenagem o carro tocou “Ave Maria das Ruas”,
acompanhada pelo canto emocionado de todos nós. Nossa
pretensão era realizar um som ao vivo, mesmo sem palco
e improvisando com o próprio pessoal que se
manifestava. Porém problemas técnicos não permitiram
que as coisas saíssem exatamente como planejáramos.
Assim ocorreram algumas interrupções no som mecânico,
sem que contudo conseguíssemos manter o som ao vivo,
mas o pessoal entendeu bem nossas dificuldades.

            Nesse meio tempo o pessoal espontaneamente
passou a se dedicar a destruição de toda propaganda
político-partidária-eleitoral que havia na praça e em
suas imediações. Em um dos cantos da praça chegaram a
fazer uma fogueira com esse material. Num dos bares em
que o pessoal se concentrou houve uma briga, pois o
pessoal arrancou a propaganda de um político lá
afixada e o dono do estabelecimento – que apoiava esse
candidato do PTB/Chapa do Ciro Gomes - quis por todo
mundo prá fora. O pessoal saiu, mas o bar teve que ser
fechado com a ajuda da PM, pois na briga “arrebentaram
o bar do cara” – na descrição de um dos PMs.

(21:00 hs)   “...vai e grita ao mundo que você está
certo/ que aprendeu tudo enquanto estava mudo...”

            Numa última tentativa feita para tentar
incrementar o som ao vivo houve um vazio de som de
cerca de 15 minutos que foi deixando o pessoal meio
irado. Quando as reclamações se exacerbaram foi puxado
a partir do microfone o hino da SOCIEDADE ALTERNATIVA,
cantando em coro capela por todo o público – sem
acompanhamento musical nenhum – num dos momentos mais
emocionantes da manifestação, seguido de gritos de
RAUL RAUL RAUL!!!  e VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA! Em
seguida se tentou levar o som ao vivo meio acústico,
mas após umas cinco canções houve consenso de que o
som estava baixo e mantivemos então só o som mecânico.


            O microfone permaneceu aberto para quem
quisesse falar alguma coisa e/ou para passar toques de
outros tributos (MORRISON BAR, Roberto Seixas lança
disco e livro em homenagem a Raul/ DINOSSAUROS BAR
lançamento de livro, e diversos outros tributos que
aconteceriam em toda a cidade naquela mesma noite e
outros que aconteceriam nos próximos dias como os
Tributos na Casa de Cultura do Itaim Paulista/Zona
Leste e no bar NOVO AEON/Zona Sul, no fim de semana,
ou em outras cidades como Embu e Suzano – na Grande
São Paulo -, ITU – no interior do Estado – e Peruíbe –
litoral sul – e, até, em outros estados, com Porto
Alegre/RS). Na verdade essas manifestações estarão
acontecendo de forma intermitente até o início da
primavera, 21 de setembro, com o Tributo a RAUL em
Caieiras – cidade da Grande São Paulo.

(22:00 hs)  “...mamãe não quero ser prefeito... não
preciso ler jornais... mentir sozinho eu sou capaz...”

            A essa altura havia mais de 3000 pessoas e
houve um momento de tensão, quando a PM tentou
encerrar a força a manifestação, apreendendo o carro
de som, com o argumento que já passara das 22 hs e
entrara no período da “lei do silêncio”. O pessoal foi
para cima dos PMs e quase houve um confronto. A essa
altura já eram umas 22:15hs e os que havíamos chamado
e organizado o Tributo, que oficialmente estava
anunciado para se encerrar as 22 hs, até para o
pessoal poder se dirigir aos bairros, onde dezenas de
outros tributos ocorreriam ainda aquela noite,
resolvemos rapidamente tomar a palavra ao microfone
para pedir calma ao pessoal, já que a nossa
manifestação já estava no horário de se encerrar, e
que quem quisesse poderia continuar com a manifestação
sem o carro de som – como no ano passado – e que a
polícia não ia poder impedir. Todos concordaram e nós
fizemos um cordão para proteger o carro de som para
que ele pudesse manobrar e sair da praça sem que a PM
entrasse numas. Assim foi que o carro de som saiu da
Sé por volta das 22:30 hs e consideramos formalmente
encerrada a manifestação.

(23:00 hs)  “...Baby isso só vai dar certo se você
ficar perto/ eu sou índio Sioux/ Eu sou cachorro urubu
em guerra com os EEUU...”

            Com cerca de 1.500 pessoas ainda
concentradas na Praça da Sé e pelo menos mais 500
espalhadas nos bares da região e os policiais tentando
dispersar a moçada com fileiras de camburões correndo
em circulos na Sé e região com as sirenes ligadas e
colunas de soldados correndo de um lado para outro,
como se fossem atacar alguém, resolvemos permanecer
para ver se ia acontecer alguma treta. Ao verificarmos
que nada de fato acontecia, pois o pessoal não dava a
menor bola para a polícia e continuava em rodas
cantando por toda a praça, nós do COLETIVO LIBERTÁRIO
nos despedimos do pessoal e fomos embora por volta de
23:20 hs. 

            Alguns camaradas nossos que ficaram até
pouco depois da meia-noite nos relataram que mais nada
aconteceu e que o pessoal foi se dispersando aos
poucos. Por volta das 0:15 hs de 22/08, restavam
algumas centenas de pessoas na praça e em alguns bares
que ainda permaneciam abertos, normalmente todos
fecham por volta de 20 hs. Tudo ocorreu sem incidentes
mais graves, nenhuma detenção foi feita e ninguém se
machucou seriamente. Ficou no ar a semente para a
realização da 14º MANIFESTAÇÃO para o 21 de agosto de
2.003, com o mesmo espírito e, inclusive, mantendo a
proposta para uma greve geral planetária contra o
Mostro Sist e pela Sociedade Alternativa.

p. s.: Os trechos em itálico são do próprio Raul
Seixas.

            Abaixo reproduzimos o texto assumido pelos
organizadores do TRIBUTO como o manifesto oficial. 

           INGOVERNÁVEIS
@’ta rebocado meu cumpade como os donos do mundo
piraram, eles já são carrascos e vítimas do mecanismo
que criaram...”(Raul Seixas) 
             
                O Capitalismo Global dentro de um
quadro de “guerra ao terrorismo, combate ao tráfico de
drogas e intervenções militares humanitárias”, avança
suas garras contra os trabalhadores do mundo inteiro.
No Brasil 2002 é época de eleições: crescem a Dívida
externa e interna, carga tributária, desvalorização da
moeda, recessão econômica, desregulamentação dos
direitos trabalhistas, privatização da saúde,
sucateamento do ensino, juros e aluguéis altos,
carestia, violência, desemprego, miséria, mortalidade
e incertezas; num projeto de manipulação através da
mídia.

                Com o clima de “terror e violência” é
gerado a instabilidade social patrocinada pelos
próprios Governos e seu Sistema Econômico com o
objetivo de massacrar os trabalhadores destruindo a
economia popular e o patrimônio público, causando
verdadeiro genocídio social. A mídia é utilizada para
mascarar a realidade produzida pelo Capitali$mo
legitimando diante da sociedade a militarização do
cotidiano por meio do aumento da  presença do aparato
burocrático, penal e militar do E$tado. A consequência
 é a de maior exploração e destruição dos direitos
humanos levando ao aniquilamento da capacidade de
@uto-organização dos trabalhadores.

               O E$tado representando a hegemonia de
um setor da classe dominante através do processo
eleitoral, sempre constituiu o instrumento para
perpetuar a autoridade dos governos e dos patrões,
como senhores absolutos, sem abrir caminho para o
@uto-governo do povo. O E$tado se sustenta na
dominação e na opressão! Quem fala na conquista do
poder político fala na manutenção disso! Daí  se
explica  porque os políticos “mais radicais”, os
“rebeldes  mais violentos” se tornaram conservadores
assim que conquistaram o Poder.

               O Voto e as Eleições são vendidos como
“alternativa”  para enfrentar isso. A confusão está no
desconhecimento de que a Constituição de todos os
Estados tem sua origem na exploração e não na
organização social. Daí a ilusão com o sistema
representativo, de que um governo e uma legislação
surgidos do Voto e de uma Eleição, poderiam
representar a verdadeira vontade dos trabalhadores. O
voto não tem responsabilidade direta com o aumento da
liberdade individual, tão pouco com os interesses
coletivos. Tem servido apenas como objeto de troca,
joguete  de políticos profissionais acostumados à
prática do voto vendido em currais eleitorais.  Fica
evidente a contradição quando se encerra a contagem
dos votos e, anunciados os vencedores, revela-se aos
derrotados (o povo) o preço a pagar aos donos da
festa, ávidos em recuperar seus investimentos de
campanha. Os trabalhadores, produtores de toda a
riqueza social, ficarão fora das decisões que darão
rumo as suas vidas, pois sua importância fica resumida
apenas no voto, mercadoria barata para as oligarquias.

              
                
O que eles não dizem é que o voto garante que tudo
fique como está!

              Participar do “circo eleitoral” sem
contestar nem atacar a burguesia nesse momento de
reorganização dos grupos do Poder, significa aceitar o
Sistema Econômico gerador da exploração e da miséria
que escraviza e divide os trabalhadores. VOTAR NULO
passa a ser uma expressão do trabalhador consciente
que não está disposto a vender a sua capacidade de
construir uma sociedade de iguais, verdadeiramente
livre e solidária para todos, sem políticos. Quando
mais de 50% da sociedade rejeita a legitimidade da
Ordem Social vigente, o VOTAR NULO CONSCIENTE, somado
ao coeficiente dos votos em branco e as abstenções, é
o indicador dessa rejeição. 

             Não é a toa que os reacionários reagem
com furor diante da Campanha do VOTO NULO, legítima
manifestação daqueles que expressam diretamente o seu
desacordo com o “jogo” estabelecido, sem delegar aos
políticos a sua capacidade de dirigir suas vidas. Além
de rejeitarmos os políticos e suas instituições
através do VOTO NULO, consideramos a necessidade de
discutirmos, a construção de um novo modelo de
organização social que realize uma mudança estrutural
e acabe com o parasitismo social. Os políticos e os
burocratas governamentais, atravessadores entre a
Economia e a Sociedade, devem ser substituídos pelos
próprios TRABALHADORES, por meio do COLETIVISMO
SINDICAL REVOLUCIONÁRIO decidido em suas Assembléias,
organizados desde baixo, nos locais de trabalho e de
moradia, sem intermediários, na CONSTRUÇÃO de uma
maneira transparente e eficiente de exercer uma gestão
social. Uma mudança nesse sentido é radical e
profunda, muito maior do que a troca de nomes no
Poder.  
   
NINGUÉM TRABALHA POR TI, QUE NINGUÉM DECIDA POR TI!

            É clara a consciência de que só é possível
a construção de um novo modelo histórico, econômico e
social, tendo como princípio a SOLIDARIEDADE
INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES com a destruição
completa deste sistema que manipula a História,
destrói a Vida, compromete o presente e o futuro da
humanidade.

SEM IGUALDADE ECONÔMICA E SOCIAL A LIBERDADE E A
IGUALDADE POLÍTICA SÃO UMA MENTIRA!

PARA ANULAR SEU VOTO DIGITE 9 (NOVE) TODAS AS VEZES.

DIGA NÃO AOS DROGAS: 
VOTE NULO! NÃO SUSTENTE PARASITAS!

MOVIMENTO PELO VOTO NULO : 
COLETIVO LIBERTÁRIO DE SP, AMIGOS DA COB-AIT/SE,     
PRÓ-FEDERAÇÃO ANARKISTA DO RS,  DZK/SP, GAIA/SP,
CAMINHOS DE RAUL/PI, GRUPO VOTO NULO/MG,COLETIVO
LIBERTÁRIO DE CUIABA, A.L.A.I./MT, CLAJADEP/AL, ATRITO
ZINE/MT,UIVO ZINE/RS, APROFT/PE, RAUL ROCK
CLUBE/Planeta Terra, LUAR ROCK LASER/SP, MOVIMENTO
PELA REORGANIZAÇÃO DA CONFEDERAÇÃO OPERÁRIA
BRASILEIRA: FOSP, FORGS/COB–ACAT/AIT, SINDIVARIOS DE
PORTO ALEGRE/RS


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