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(pt) [MÍDIA ALT] Notícias recentes sobre agressões paramilitares contra as comunidades zapatistas

From "Emilio Gennari (Trad.)" <emiliogennari@osite.com.br>
Date Thu, 15 Aug 2002 07:44:19 -0400 (EDT)


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Programas de combate à pobreza em Chiapas, estratégia de 
contra-insurreição: observadores internacionais. Victor Ballinas. La 
Jornada 30/07/2002.

A Comissão Civil Internacional de Observação pelos Direitos Humanos 
(CCIODH), que esteve em visita ao nosso país de 16 de fevereiro a 3 de 
março deste ano, afirma que a persistente negativa do governo do 
presidente Vicente Fox em cumprir "os três sinais" reivindicados pelo 
EZLN para retomar o diálogo "está mostrando a verdadeira política que 
emana do poder no que diz respeito a buscar uma solução negociada para o 
conflito".
Ontem, ao tornar público o seu informe da sua terceira visita a Chiapas, 
a CCIODH sublinha que as reformas constitucionais em matéria indígena, 
aprovadas o ano passado pelo Congresso da União, não atendem às 
reivindicações dos povos indígenas, pois, ao não reconhecer as 
comunidades como entidades de direito público, não se vê refletida a 
essência dos acordos de San Andrés. Tampouco, aceita os direitos dos 
povos de serem sujeitos da lei, nem como depositários políticos dos 
direitos à livre determinação e autonomia.
Em seu Terceiro informe sobre a situação dos direitos humanos, os 
observadores internacionais destacam que "um dos temas mais importantes 
que o México mantém pendentes quanto ao seu atendimento e solução é o da 
justiça, pois há elevada impunidade e pouca credibilidade". Fazem notar 
que, em muitas ocasiões, os programas de desenvolvimento centrados no 
combate à pobreza são considerados discriminatórios, já que não 
consideram o crescimento integral da comunidade, além de que os 
critérios de seleção dos beneficiados não estão claramente definidos e, 
por isso, são percebidos como uma forma de proselitismo eleitoral.
A aplicação dos planos de desenvolvimento numa situação de suspensão do 
diálogo e de descumprimento dos acordos de San Andrés, sublinham os 
observadores, fazem com que estes se transformem numa nova forma de 
contra-insurreição menos chamativa e violenta do que em etapas 
anteriores, mas de grande eficácia quanto a provocar divisões nas 
comunidades.
Acrescentam que o fato do governo pretender ignorar que as comunidades 
estão em resistência pelo descumprimento das três condições para a 
retomada do diálogo, e age como se o problema fosse só econômico e não 
sócio-político, está piorando as condições das comunidades e facilita a 
destruição do já frágil tecido social.

Outros motivos que geram divisão.

Em entrevistas com os camponeses, os integrantes da CCIODH conheceram 
que o atraso histórico na concessão de títulos agrários, em comparação 
com o resto do país, tem sido fator de enfrentamento e, inclusive, de 
expulsão dos indígenas, e que estes processos individuais promovidos 
pelo Programa de Certificação de Direitos (PROCEDE), "não contribuem 
para a segurança da posse da terra, e sim geram mais divisões".
Além disso, no marco do Plano Puebla Panamá (PPP), as terras dos 
indígenas se tornam alvo de grandes interesses econômicos, por sua 
riquezas naturais e sua biodiversidade, bem como pela disponibilidade de 
mão-de-obra barata. Neste contexto, acrescenta o informe, as comunidades 
se sentem desprotegidas diante do PPP, o que gera inquietação e 
inconformidade, toda vez que os indígenas não contam com o controle dos 
recursos, dos territórios e das formas jurídicas de exercício da autonomia.
Os observadores internacionais insistem em dizer que o governo não 
conteve os grupos paramilitares como Paz e Justiça - cujos dirigentes, 
que estavam presos, foram inexplicavelmente colocados em liberdade - e 
que "estes continuam gerando vários conflitos, fechando caminhos, 
aplicando uma política de terror, assassinatos e agressões constantes 
contra as comunidades zapatistas, apoiados, como sempre, pelas velhas 
estruturas municipal e comunal priistas, e gozando da cumplicidade, por 
omissão e comissão, do Exército Mexicano e dos corpos de segurança das 
várias dependências governamentais".
No seu informe, a CCIODH faz 11 recomendações ao governo do presidente 
Fox: "cumprimento pleno e integral dos sinais pedidos pelo EZLN para 
retomar o diálogo; pôr fim à militarização em Chiapas; desarme de todos 
os grupos paramilitares e apresentação dos responsáveis pelos crimes 
cometidos, tanto materiais como intelectuais, perante a justiça; 
garantir o livre acesso à justiça e promover a luta contra a impunidade; 
garantir o retorno dos refugiados às suas comunidades de origem, com a 
devolução integral de seus pertences e a correspondente indenização 
pelos danos e prejuízos sofridos".
Outras recomendações são: que a Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) 
atue com responsabilidade para dar marcha ré na reforma constitucional 
em matéria indígena e que a COCOPA defenda o seu projeto perante este 
poder; que os programas e incentivos à produção não sejam utilizados 
para criar divisões entre organizações sociais ou como medida de 
contra-insurreição.

Tzotziles e choles denunciam assédio militar
Hermann Bellinghausen. La Jornada, 31/07/2002.

San Cristóbal de las Casas, Chiapas, 30 de julho. O acampamento dos 
refugiados de San Marcos denunciou hoje a inusitada hostilidade militar 
contra a comunidade, localizada nas proximidades do rio Sabanilla do 
município com o mesmo nome. Ao mesmo tempo, o conselho autônomo de San 
Juan de la Libertad protestou pela incursão militar de 29 de julho em 
San Antonio El Brillante.
As bases de apoio do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), 
expulsas de Jesus Carranza (refugiadas em San Marcos, município de 
Sabanilla), informam que neste domingo 28 de julho "se apresentaram 50 
elementos do Exército mexicano, guiados por sete da Segurança Pública do 
estado, que se encontram no destacamento de Los Moyos. Estes últimos vêm 
chegando pela segunda vez para intimidar os habitantes de dito povoado 
(fundado em 1996, durante a ofensiva paramilitar na zona norte de 
Chiapas)". Haviam se apresentado pela primeira vez em 22 de abril.
Os efetivos do Exército e da segurança pública se apostaram a uma 
distância de 50 metros das casas, "demorando 30 minutos para observar 
nossa população. Nós, como habitantes, sentimos que este é um momento de 
forte ameaça por parte do governo de Vicente Fox Quesada em coordenação 
com o governo do estado".

O temor de "outro Acteal".

Os refugiados, tzotziles e choles, referem: "Neste domingo doloroso e 
ameaçador estávamos reunidos na capela celebrando nossa oração, mas por 
medo de sermos agredidos voltamos correndo para as casas". Temem "que 
ocorra o mesmo que em Acteal". Assinam os representantes Gregório Pérez 
López, Alfonso Pérez Gutiérrez, Emiliano Alvarez Martínez e Aído López 
Pérez.
Hoje também, a presidência municipal autônoma de San Juan de la Libertad 
afirmou ter recebido vários relatos das comunidades de todo o município 
contra o Exército, a Segurança Pública e a Polícia do Judiciário, "já 
que estão penetrando nos povoados indígenas sem a autorização de 
ninguém, ameaçando crianças e anciãos com suas ações".
O caso mais recente aconteceu no dia 28, quando um veículo blindado com 
cinco soldados armados entrou na comunidade San Antonio El Brillante por 
volta das 6.10 hs. da manhã, "eles ameaçadores, com os rostos tensos, 
com o pretexto de fazer compras e outras coisas". As autoridades 
autônomas protestam "energicamente contra as más ações do governo 
federal e das forças armadas do México, já que, a poucos metros das 
comunidades, tentam provocar sem motivo". Acrescentam: "Tornamos pública 
esta denúncia das comunidades de San Andrés la Laguna, San Antonio El 
Brillante e El Palmar; a damos a conhecer para que não voltem a provocar 
as mesmas situações já que não temos dívidas pendentes com eles e nem 
com ninguém". Assinam os representantes municipais destas comunidades e 
o conselho de San Juan de la Libertad, na região de Los Altos.

Exército retoma treinamentos de combate em Las Tácitas
Hermann Bellinghausen. La Jornada 01/08/2002.

San Cristóbal de las Casas, Chiapas, 31 de julho. O município autônomo 
San Manuel, nos vales de Ocosingo, denunciou que o Exército federal 
retomou os treinamentos de combate em Las Tácitas, ao mesmo tempo em que 
têm aumentado os patrulhamentos aéreos e terrestres. "Este aumento de 
atividade militar é parte da própria estratégia que o governo federal 
está aplicando em todas as regiões com presença zapatista. Os mesmos 
patrulhamentos são observados na região de Ocosingo, nas comunidades do 
município autônomo Ricardo Flores Magón e nas de Los Altos", declararam 
ontem as autoridades autônomas.
Por sua vez, denunciaram a perseguição policial contra bases de apoio 
zapatistas por parte dos poderes judiciários de Ocosingo. "As ordens de 
prisão expedidas contra nossos companheiros Manuel Pérez Hernández, 
Fernando Jiménez Pérez e Antonio Lorenzo Cruz, com base na denúncia 
apresentada por Manuel Hernández Morales no dia 26 de junho deste ano 
perante a Procuradoria Geral de Justiça do Estado, continuam de pé e 
agora os indivíduos Manuel Hernández Morales e Manuel Hernández Jiménez 
ficam de plantão com um carro dos policiais do judiciário, nos 
escritórios da garagem de veículos de carga que cobrem o trajeto 
Ocosingo-Tacitas, para apontar os nossos companheiros e prendê-los". 
Esta caçada "constitui mais uma ação de perseguição contra o município 
autônomo" e significa a "utilização por um particular, para seu 
benefício pessoal, da Segurança Pública". O plantão dos policiais do 
judiciário, diz o conselho em rebeldia de San Manuel, "cumpre também a 
função de intimidar as pessoas solidárias que visitam ou trabalham nas 
comunidades deste vale em vários projetos de educação e saúde".
O município autônomo torna público que, desde a semana passada, os 
militares destacados em Las Tácitas têm retomado seus treinamentos 
militares com camuflagem (cobertos de folhas e com o rosto pintado); 
além do mais, realizam patrulhamentos terrestres e sobrevôos de 
helicópteros por toda a região, povoados e montanha.
"Este aumento da atividade militar é parte integrante da própria 
estratégia que o governo federal está aplicando em todas as áreas com 
presença zapatista", pondera o conselho autônomo. "Denunciamos esta 
estratégia de intimidação e os planos de guerra do governo para não 
cumprir os compromissos que assinaram em San Andrés Sacamchén. 
Denunciamos a política militarista que o governo de Vicente Fox está 
aplicando contra os municípios autônomos".
Por último, os zapatistas do vale de Las Tazas fizeram um apelo "às 
pessoas e aos grupos sociais solidários para que estejam em alerta e 
façam presença de observação, para que sejam testemunhas da violência 
direta e disfarçada que as comunidades sofrem a cada dia".

Paramilitares atacam comunidade zapatista dos Montes Azuis: há sete 
feridos.
Hermann Bellinghausen. La Jornada 03/08/2002.

San Cristóbal de las Casas, Chiapas, 02 de agosto. No último dia 31 de 
julho, um grupo de 40 paramilitares armados, procedentes da comunidade 
priista de San Antonio Escobar, atacaram as bases de apoio do EZLN no 
ejido La Culebra, município Ricardo Flores Magón. Os paramilitares, que 
viajavam em veículos roubados, feriram sete pessoas. Horas antes, haviam 
tentado seqüestrar um membro das autoridades autônomas.
É o primeiro ataque desta natureza contra as comunidades dos Montes 
Azuis e dos arredores. Os mesmos civis, com facões e armas curtas, 
ameaçaram e amedrontaram os moradores de Santa Rita e de Seis de 
Outubro. O conselho autônomo de Ricardo Flores Magón garante que esta 
agressão tem o significado de uma tentativa de expulsar violentamente os 
moradores desta região da selva Lacandona.
As mesmas autoridades autônomas sublinham que o grupo armado conta com o 
respaldo dos militares destacados no ejido Cintalapa, onde o Exército 
tem uma base de operações e há meses controla fortemente o acesso à 
região, ao norte dos Montes Azuis.
Cabe assinalar que os moradores de Seis de Outubro são bases de apoio do 
EZLN expulsos de San Antonio Escobar pelos mesmos priistas que agora 
resultam ser paramilitares. (Qualquer semelhança com Chenalhó em 
1996-97, é mera coincidência?).
O município em rebeldia tem reiteradamente denunciado a presença de 
civis armados nas comunidades priistas ao redor de Flores Magón, tanto 
dentro como fora dos Montes Azuis. De forma especial Nueva Palestina, 
Busiljá, San Jerónimo Tulijá, Taniperla, Monte Libano, Arroyo Granizo e 
Santo Domingo. Fora isso, há um bando de assaltantes no ejido Lacandón 
que, segundo os autônomos, conta com a proteção da força pública.
Tudo isso ocorre na região mais cobiçada da região da biosfera: em seu 
coração se encontram as lagoas Suspiro, Olhos Azuis e Paraíso. Os 
povoados San Antonio Escobar, Seis de Outubro e Santa Rita 
(respectivamente, priista, zapatista e da ARIC Independente) estão 
localizados no interior dos limites oficiais da Reserva.
No "trajeto, ao som do tambor para fora dos Montes Azuis, os 
paramilitares, procedente de San Antonio, se dirigiram a Sival para 
"solicitar" o respaldo da Segurança Pública para desalojar os 
zapatistas. Sival é uma das maiores e mais ricas comunidades da região; 
sempre de cunho oficial, a preferida do ex-governador Albores, é 
habitualmente pacífica. Quanto às demais, os ejidos Cintalapa, La 
Culebra e Sival estão localizados na margem noroeste, fora da reserva da 
biosfera.

"Estão organizando o desalojamento dos Montes Azuis".

Num comunicados "aos povos do mundo, divulgado ontem, o município 
zapatista Ricardo Flores Magón expressa: "Com nossa palavra verdadeira 
de homens, mulheres e crianças deste município autônomo danos a conhecer 
os fatos violentos que o nosso povo sofreu pela agressão dos 
paramilitares, e agora somos vítimas de ameaças e feridas por parte dos 
que sempre buscam destruir a razão, a verdade, a esperança, a dignidade.
Falamos com vocês para denunciar as movimentações dos paramilitares do 
povoado San Antonio Escobar com ações de provocação e tentativas de 
homicídio. Hoje, 31 de julho, desde muito cedo, 40 paramilitares, com 
armas brancas e curtas, iniciaram uma movimentação a partir de seu 
povoado, percorrendo outras quatro comunidades: Seis de Outubro, Santa 
Rita, La Culebra, até chegar em Sival. Viajavam em duas caminhonetes 
roubadas da marca Nissan".
Antes de chegar a Sival, às nove da manhã, "os paramilitares tentaram 
capturar um companheiro membro das autoridades deste município autônomo, 
mas ele conseguiu fugir. Assim, os paramilitares seguiram até Sival para 
solicitar a ajuda da Segurança Pública e do Exército".
Ao retornar a seu ponto de partida, os paramilitares por fim decidiram 
atacar. Em La Culebra (comunidade zapatista e da ARIC) detiveram as 
caminhonetes Nissan que os transportavam, entraram no povoado e atacaram 
o grupo de camponeses tzeltales que, atualmente, está construindo uma 
casa comunitária. Sete pessoas, bases de apoio do EZLN, resultaram feridas.
De acordo com o comunicado, os priistas "passaram a agredir com facões 
os companheiros do ejido La Culebra que estavam trabalhando numa casa do 
povoado".
O bando armado de San Antonio Escobar "é organizado com paramilitares de 
Nueva Palestina, Busiljá, Cintalapa e Santo Domingo, todos sob a 
coordenação e o apoio do quartel militar de Cintalapa, com a proteção do 
mau governo", assinala o conselho de Ricardo Flores Magón.
São eles que estão organizando o desalojamento dos Montes Azuis, esta é 
a nossa palavra para que sejam conhecidos estes acontecimentos que nos 
trazem dor. Mas vamos continuar construindo a vida digna e verdadeira do 
nosso povo", concluem os autônomos.

Os autores da matança de Acteal estão se rearmando, como se fossem para 
a guerra: As Abelhas. Angeles Mariscal. La Jornada, 06/08/2002.

Tuxtla Gutiérrez, Chiapas, 5 de agosto. Passados quase cinco anos do 
massacre de 45 indígenas pertencentes à organização As Abelhas, o líder 
dos sobreviventes, José Vázquez Gutiérrez, denunciou a permanência nas 
comunidades vizinhas de membros do grupo armado que assassinou seus 
companheiros.
Numa entrevista, Vázquez Gutiérrez, presidente de As Abelhas, cuja sede 
é nos arredores de Acteal, município de Chenalhó, mencionou que o 
governo federal desistiu de executar as 27 ordens de prisão pendentes 
contra os membros do grupo paramilitar que, no dia 22 de dezembro de 
1997, assassinou 45 pessoas entre mulheres, crianças e anciãos.
Os mentores intelectuais e muitos dos autores materiais do homicídio 
continuam em liberdade, nas comunidades próximas a Acteal, "todos eles 
compraram mais armas como se estivessem indo para a guerra", afirmou 
Vázquez Gutiérrez. O presidente de As Abelhas referiu que há ainda 21 
pessoas que sobreviveram ao massacre com lesões e seqüelas produzidas 
pelas feridas por arma branca ou de fogo, que foram utilizadas pelo 
grupo agressor naquela manhã de 22 de dezembro.
Advertiu que se as autoridades estaduais ou federais não agirem, "a 
qualquer momento pode haver um novo ataque contra as organizações 
independentes como As Abelhas".

Revisão da pena.

Por outro lado, familiares dos 11 camponeses originários de Marquês de 
Comillas presos no cárcere de Cerro Hueco solicitaram o cumprimento da 
recomendação da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) na qual se 
pede, entre outras coisas, a revisão da pena.
Um dos detidos, Noé Jiménez Pablo, explicou que quatro de seus seis 
irmãos estão foragidos da justiça porque pesam sobre eles várias ordens 
de prisão pelos mesmos fatos em relação aos quais, de acordo com a 
recomendação 26/2002 da CNDH, as autoridades estaduais cometeram várias 
violações aos direitos humanos.
Através de seus familiares, os detidos divulgaram um comunicado no qual 
pedem ao governo de Pablo Salazar a reconciliação com suas comunidades, 
que, desde a operação policial de julho de 2001 - quando foram 
resgatados seis funcionários públicos que permaneciam presos pelos 
camponeses - têm realizado várias mobilizações para pedir a libertação 
dos 11 companheiros.

Zapatista assassinado havia sido ameaçado de morte.
Hermann Bellinghausen. La Jornada 11/08/2002.

San Cristóbal de las Casas, Chiapas, 10 de agosto. A morte de José López 
Gutiérrez Santiz, que integrava a autoridade autônoma do município 17 de 
Novembro, se soma aos recentes atos de violência dirigida contra as 
bases de apoio zapatistas das regiões de Altamirano e Ocosingo, nos 
vales ao norte da Selva Lacandona e dos Montes Azuis. Há dez dias, um 
ataque paramilitar na comunidade La Culebra deixou sete feridos.
O representante zapatista assassinado havia recebido ameaças de morte 
por parte dos priistas de Altamirano, revelaram hoje os moradores de sua 
comunidade, Seis de Agosto.
O clima de incerteza se estende à zona norte do estado, onde foram 
registradas incursões militares extraordinárias no interior de 
comunidades em resistência. São os casos, no mesmo período, do 
acampamento de refugiados San Marcos (Sabanilla) e das comunidades San 
Antonio El Brillante (município autônomo de San Juan de la Libertad) e 
Lázaro Cárdenas (Huitiupán).
O município autônomo San Manuel registrou novos treinamentos de guerra 
por parte do Exército federal no vale de Las Tazas, e, semanas atrás, 
Ricardo Flores Magón não deixou de denunciar tanto as movimentações e os 
sobrevôos militares como a crescente atividade de grupos que os 
autônomos identificam como paramilitares priistas.
Cabe assinalar que o comandante da Sétima Região Militar, Mario Pedro 
Juarez Navarrete, negou ontem em Tuxtla Gutiérrez que o Exército federal 
esteja participando "de atividades de combate à guerrilha para atacar o 
Exército Zapatista de Libertação Nacional, já que realiza somente os 
treinamentos adequados para combater os crimes que lhe competem como o 
narcotráfico".
O comandante Juarez Navarrete diz que "não há nada fora do normal" na 
preparação das tropas que ocupam posições na selva Lacandona. Além 
disso, negou "a versão" de que esteja aumentando a presença de tropas 
"na chamada região zapatista. Simplesmente foram feitas algumas 
mudanças", disse sem dar outros detalhes.
Entretanto, o advogado Miguel Angel de los Santos deu como fato 
consumado o aumento da militarização da região e afirmou que esta 
militarização "inibe a vida cultural, cerimonial e social das 
comunidades indígenas", o que "é uma expressão nem sempre visível da 
violação dos direitos humanos coletivos".
Durante a apresentação do terceiro informe da Comissão Civil 
Internacional de Observação pelos Direitos Humanos em Chiapas (CCIODH), 
realizada ontem à noite em San Cristóbal de las Casas, o advogado De los 
Santos acrescentou que o atual aumento da paramilitarização "mostra que 
o governo não está disposto a romper o círculo de impunidade". Apesar 
dos crimes cometidos anteriormente "documentados com precisão, e 
comprovados", os criminosos não são detidos, " e isso viola os direitos 
humanos", disse, para logo em seguida alertar que a situação atual dos 
milhares de refugiados em Los Altos e na zona norte de Chiapas "é grave".
Durante o ato (do qual também participaram o jornalista Amado Avendaño 
Fugueroa e o historiador Andrés Aubry), a pesquisadora Gabriela Soriano, 
do CIEPAC, sublinhou a importância que, desde 1995, têm tido as 
comissões internacionais de observação "para diminuir as agressões e a 
repressão contra os indígenas", apesar da perseguição dos estrangeiros 
em Chiapas, desatada pelos governos anteriores.

Decomposição e recomposição políticas.

Elena Roux, membro da CCIODH, que veio nas missões internacionais 
anteriores, declarou que agora os observadores encontraram "uma 
decomposição política e uma recomposição política" na região, ao 
apresentar o tão severo quanto volumoso informe do percurso desta 
comissão em fevereiro e março deste ano.
Durante a semana que se conclui, a CCIODH percorreu muitas das dezenas 
de comunidades indígenas de todo o estado que havia visitado em 
fevereiro. Fiéis ao seu propósito, os observadores traziam denúncias 
frescas. "O número de efetivos do Exército federal não diminuiu em 
absoluto", assinalou a observadora canadense Genoveva Saumier. 
Inclusive, mencionou, os lugares anteriormente ocupados pelo Exército 
federal "não foram devolvidos a seus proprietários".
Em seguida, transmitiu a denúncia da comunidade tzotzil de San Antonio 
El Brillante, na qual, e pela primeira vez desde que existe este 
povoado, entrou um blindado militar de combate. Tripulado por cinco 
soldados, se deteve no centro da comunidade. "As mulheres tocaram os 
sinos do povoado e as pessoas se juntaram para pedir aos soldados que se 
retirassem", referiu a observadora.
Soube-se que, a partir de então, aumentaram os traslados militares entre 
os quartéis de San Cayetano e Puerto Cate (no município autônomo de San 
Juan de la Libertad), exatamente pelo caminho onde se encontra San 
Antonio El Brillante.
Tudo isso ocorre num ambiente de nervosismo governamental, infestado por 
versões falsas, rumores fantásticos ou ameaçadores, e visitas, pelo 
visto, exaustivas do encarregado presidencial pela paz, Luiz H. Alvarez 
(ou, melhor, de seus enviados), para encontrar-se com autoridades 
tradicionais e municipais (oficiais), mas sem ter estabelecido nenhum 
contacto com os municípios autônomos ou com o grupo dirigente zapatista 
em sua passagem por Oventic, La Realidad, Polhó e outros povoados rebeldes.
Numa manifestação de massa da qual participaram centenas de camponeses 
tzeltales e tojolabales do município 17 de novembro, José López Santiz 
foi enterrado ontem, em Altamirano. Há uma situação de expectativa na 
região. Um grande aparato policial está vasculhando a região (onde, com 
certeza, não se encontram os assassinos, ainda que, segundo os 
indígenas, parece não tenham ido além da capital do estado).
Apesar do clima de temor de uma possível "vingança" pela "turba" 
zapatista, induzido por diversos meios de comunicação locais, o 
secretário de governo, Emilio Zebádua, anunciou ontem à noite que haviam 
sido libertadas as pessoas "que momentaneamente foram retidas" (pelo 
município autônomo 17 de Novembro) e as coisas aparentavam "uma relativa 
tranqüilidade".
Concordando com o procurador chiapaneco, Mariano Hernán Salvatti, 
Zebádua anunciou que os autores do homicídio estavam sendo procurados e 
garantiu "pleno respeito às diferentes posturas políticas, e a suas 
manifestações de autonomia no caso dos zapatistas. Temos procurado que 
seja nos permitido fazer valer o estado de direito para garantir a 
tranqüilidade do município".
O informe forense (averiguação prévia AL 89/AJI/42/2002) da Procuradoria 
do Estado diz que o cadáver apresentava somente "11 perfurações de um 
tiro de cartucho de escopeta", enquanto a Rede de Defensores 
Comunitários pelos Direitos Humanos garantiu ontem, depois de visitar a 
comunidade Seis de Agosto, que José López Santiz recebeu 8 tiros. Mesmo 
assim, todas as versões coincidem quanto à identidade dos responsáveis.





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