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(pt) BIÓFILO PANCLASTA, O ANARQUISTA COLOMBIANO

From AGÊNCIA DE NOTÍCIAS ANARQUISTAS-ANA <mrs.ana@uol.com.br>
Date Fri, 13 Apr 2001 20:43:52 -0400 (EDT)


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
            http://www.ainfos.ca/
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    BIÓFILO PANCLASTA, O ANARQUISTA COLOMBIANO
     
    Seu nome verdadeiro é Lizcano. Nasceu em Chinácota, Santander, Colômbia. 
Quando era estudante, emigrou para a Venezuela,
    onde encontrou Juan Vicente Gomez quando subiu ao poder. Lizcano queria 
ser fiel ao vencido, Cipriano Castro. Porém Juan Gomes
    tentou comprar Lizcano, oferecendo-lhe emprego no consulado venezuelano em 
Gênova, mas Lizcano preferiu a prisão. É neste
    ponto que começa o anarquista que se chamou Pan (tudo) Clasta 
(destruidor). Emigrou para a Europa. Assim que chegou a
    Barcelona assumiu definitivamente o anarquismo. Foi deportado de 
Barcelona, de Marselha e dos portos italianos, e de todos os
    portos do mediterrâneo.
    Com a convocação do Congresso Anarquista em Amsterdan, onde compareceram 
Kropotkin, os discípulos de Marx e alguns
    vagabundos, filósofos e cínicos ao estilo de Panclasta, este participou 
como delegado dos anarquistas colombianos. A polícia
    holandesa dissolveu o congresso. Panclasta foi preso junto com Kropotkin. 
Eles agitavam a bandeira negra e se diziam
    representantes de todos os proletários do planeta. Os jornais noticiaram 
"Delegado da Colômbia foi preso na Holanda". O presidente
    da Colômbia, general Reyes, decidiu libertá-lo pensando tratar-se de algum 
burguês. Panclasta foi deportado da Holanda e chegou a
    Paris, onde conheceu o célebre Ravanchol, que na época utilizava do 
terrorismo, para fazer frente à violência do governo francês.
    Com Ravanchol Panclasta aprendeu as fórmulas químicas dos explosivos, e 
com esse conhecimento foi à Russia, onde participou
    dos clubes de estudantes niilistas que estavam planejando o assassinato do 
Czar. O atentado fracassou. Houve muita violência
    contra os envolvidos e Panclasta foi conduzido à prisão na Sibéria. 
Planejou uma fuga juntamente com um jovem pálido, meio calvo,
    que se chamava Vladimir Ulianov, o Lênin. E assim a vida de Panclasta 
correu desequilibrada e ilógica, tal como um poema
    moderno. Em Sorrento foi hóspede de Alexis Peshkof, chamado Máximo Gorki, 
onde curou-se de uma tuberculose, embora bebendo
    muita vodka com Gorki. Certo dia passeava à beira mar quando encontrou um 
marisco preso por uma pedra. Panclasta se curvou e
    libertou o pequeno marisco - Você Panclasta, destruidor de todas as 
coisas, que ama até esse ponto a vida, merece chamar-se
    Biófilo. 
    Assim foi como Lizcano, de Chinácota, completou seu nome de guerra, 
paradoxal e contraditório: Biófilo Panclasta, anarquista.
    Algumas vezes alguns governos europeus tentaram repatriar semelhante carga 
explosiva que parecia ser Panclasta. Certa vez ele
    apareceu em Porto Colômbia. O general Reyes ficou sabendo de sua viagem e 
ordenou sua prisão, pois desejava vingar-se da
    confusão que havia feito no passado pedindo a extradição de Panclasta da 
Holanda. Imediatamente a polícia cercou o navio onde
    Panclasta estava. Percebendo a manobra, ele saltou do navio e foi nadando 
até a costa de sua pátria. Porém, ao chegar em terra
    firme foi recepcionado por uma fileira de baionetas. Panclasta ficou preso 
na Venezuela por 7 anos, sob as ordens do então
    presidente Juan Vicente Gómez. Ao sair, regressou a Bogotá, depois foi a 
Buenos Aires à procura de um filho que havia casado com
    uma princesa russa. Três semanas depois de chegar a Buenos Aires foi 
deportado novamente. Passou pelo Brasil onde foi preso por
    fazer agitação na zona cafeeira do interior de São Paulo. Ele e mais 500 
companheiros foram deportados para a selva amazônica, no
    Campo de Concentração do Oiapoque, na Clevelândia. E como estava previsto, 
os deportados foram morrendo aos poucos, um a um,
    por doenças tropicais, picadas de insetos, cobras etc. Porém Biófilo 
conseguiu sibreviver nas selvas, e chegou quase morto à
    Bogotá.
    A vida tem complicações das mais inesperadas, e foi nos braços de uma 
mulher, Julia Ruiz, que o anarquista Biófilo encontrou a
    calma - mas isso não impediu que ele se fizesse presente em todas as 
greves e manifestações políticas para exercer a solidariedade
    revolucionária dos anarquistas. Morreu velho e miserável, arrastando-se 
pelas ruas junto aos mendigos e vagabundos sem nomes
    reconhecidos.
     
    BIÓFILO PANCLASTA APRESENTA BIÓFILO PANCLASTA
     
    Eu não quero que ninguém me apresente. Biófilo apresenta Panclasta. Um 
livro como este não se apresenta, sente-se. Esta não é
    uma obra didática, nem ao menos literária. É a expressão escrita de uma 
vida estranha. Emoções, páginas tristes, lampejos de
    alegrias e de esperanças, palavras...
    A vida é a mãe da literatura moderna. Eu, "amante da vida" (Bió-filo) não 
poderia ser desleal à minha amada. Vivi como soldado,
    como aventureiro e artista. Vida completa e rara. Fui cavaleiro sem 
título, sem cavalo e sem dinheiro.
    A vida, por ser mulher, é caprichosa. Ela me fez "príncipe e mendigo", 
senhor e vendedor ambulante, boêmio e coronel.
    Estive na mesa dos grandes senhores e dos alcólatras nos bares. Dormi em 
camas douradas e sonhadoras, e passei frio às
    margens do Plata e do Sena. Como anarquista, ri da loucura de Calígula que 
sempre depreciou o vil rebanho humano.
    Amo a música como amor apolíneo. A justiça é para mim um culto, porém como 
todo Deus, o meu está apenas na minha
    imaginação: sua realidade depende apenas da minha vontade. Odeio o ódio. 
Amo o amor. Tenho admiração por tudo que é belo - isto
    é a flor da minha alma. Minha estética é a estética. Bendigo a água, 
professo o vício, depredo o viciado porém bebo o vinho... e todo.
                                                                Biófilo 
Panclasta, Bogotá,13 de agosto de 1929
                                                                              
                       
     
    A BIÓ-FIO: O JARDINEIRO DO DESERTO 
    A PAN-CLASTA, O TOCADOR DE FLAUTAS DE UMA LEGENDA
     
    Se todo homem é um mistério, o de Biófilo é duplamente estranho. É um 
tesouro encontrado nos velhos baús da utopia, herdado dos
    nossos avós, bons homens, sábios e saudáveis, que viveram na obscuridade 
dos tempos. Seu perfume tem o calor e o vigor do sol
    nos trópicos.
    Dele restaram poucas memórias esquecidas nas bibliotecas. Uma fotografia 
onde ostenta uma barba russa, um olhar santandereana.
    Um retrato incompleto como todo autentico amor pela vida. Seu amor 
pertence à liberdade e é também uma legenda. A solidão de
    um guerreiro. A "balada de um louco". Um tango imortal cantado por Amelita 
Baltar.
    Se alguém trata de seguir seu caminho, verá um duende que deixa rastros 
com os pés descalços. Não tem tempo, não vai depressa,
    não fala do ritmo... apenas passa. Vive, às vezes sem querer, fora da lei 
e da história. Não acredita em pátrias. Caminha pelo mundo
    desafiando suas fronteiras. Nega os patrões e os tiranos, e assim conhece 
todas as prisões. Regressa à sua terra, depois de
    peregrinar muito, e não encontra descanso. Por todas as partes se estende 
sua fama de perigoso. Brilham os capacetes de todos os
    indesejáveis. E ainda assim, como um louco e triste destino, no final se 
casa com uma velha, para viverem juntos, enamorados da
    magia e da utopia.
    Ternos são os cúmplices de sonhos e do amor em meio às tempestades. Suas 
chamas são como faróis iluminando as tormentas.
    São sentinelas. Pássaros da noite e de seus presságios. Sua identidade é o 
sinal de uma virtuosa santidade, sem duvida alguma,
    escrita com outra tinta, com outro papel, com outro sangue. Ele se 
alimentava de pérolas. Os cientistas frios não entendem o
    paradoxo: as vezes os homens são muito grandes para uma história tão 
pequena, principalmente numa terra que tem complexo de
    boba e divide a terra em duas cores, o que lhes permite ver melhor e 
distinguir as ovelhas negras.
    Desde muito tempo somos governados por famílias com nomes importantes e 
sorrisos de delfins. É difícil ser diferente.
    Vejamos agora seu nome, que é também sua filosofia: ele se batizou pela 
segunda vez Biófilo Panclasta: amigo da vida e
    destruidor de tudo.
    Biófilos não se deixam nascer e crescer todos os dias. Despeço-me de você, 
Biófilo, neste "instante de vida", neste presente que foi
    o seu futuro, onde agora estão lendo e te recordando outros cúmplices. Eu 
sei que o preço da utopia nasce com a dor e termina na
    alegria. Teu passado é formoso. Nós te prometemos que vamos ler tuas 
memórias secretas - pelo menos as páginas que
    encontrarmos. 
     
    CURIOSIDADE
     
    Em 1923, Panclasta participou como delegado da Associação Anarquista do 
México, no Congresso Anarquista de Barcelona. Lá
    propôs a formação de um comitê internacional encarregado de planejar e 
executar num mesmo dia a morte do Czar da Bulgária, do
    arcebispo do México, do presidente da França, do cardeal arcebispo de 
Toledo e de León Daudet.
                                                            El Deber, 
Bucaramanga, 31 de janeiro de 1940, pág. 1
     
    Para saber mais sobre a vida e aventuras de Biófilo Panclasta ler o livro 
"Biófilo Panclasta El eterno Prisionero". Ediciones
    Proyecto Cultural "Alas de Xue", Colômbia, 1992.

                                  AGÊNCIA DE NOTÍCIAS ANARQUISTAS-ANA
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