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(pt) Mais notícias do México

From Emilio Gennari <emiliogennari@ig.com.br>
Date Sun, 22 Oct 2000 17:08:58 -0400 (EDT)


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
            http://www.ainfos.ca/
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Olá,
espero de coração que esteja tudo bem com você. Estou anexando mais duas

reportagens que vão ajudar a montar o quebra-cabeças dos futuros
cenários em que vai se desenvolver a realidade mexicana. Pelo visto, o
neoliberalismo vai bem de saúde e os militares ... também.
A Frente Zapatista de Libertação Nacional está organizando um site em
português.
Apesar das inscrições em espanhol, o conteúdo ao qual se tem acesso traz
os comunicados do EZLN divulgados entre fevereiro e junho de 2000 já
traduzidos em português. Você pode ter este material visitando o site:
http://www.angelfire.com/ak4/FZLN
Se conhecer pessoas ou entidades que desejam ter acesso ao material
traduzido não hesite em indicar o site e/ou enviar-me o e-mail.
Muita coragem para enfrentar a luta do dia a dia ...
Emilio.

A esquerda diante da revolução conservadora
Luis Hernández Navarro - La Jornada, 10 de outubro de 2000.


A vitória de Fox representa também o triunfo de uma revolução
conservadora. O desejo de mudança e os anseios de democracia de amplos
setores da sociedade mexicana estão sendo conduzidos pela direita numa
direção bem precisa: a transformação do país numa imensa e
desregulamentada sociedade anônima.

Uma após a outra, já foram anunciadas as ações do próximo governo:
privatização do que ainda sobra do setor público da economia mexicana,
maior abertura ao capital externo, administração da máquina estatal por
parte dos empresários, maior ingerência da hierarquia da igreja católica
nas definições da política nacional e um retrocesso no campo da moral
pública.

O futuro presidente soube fazer com que a disposição à mudança de amplos
setores da sociedade mexicana aderisse ao seu projeto. De acordo com os
resultados obtidos pela pesquisa de boca de urna realizada pela empresa
Consulta-Mitofsky no dia das eleições, Fox atraiu os votos de 54% dos
cidadãos que vêem a falta de democracia como o principal problema do
país e 52% daqueles que reprovam o governo de Ernesto Zedillo. Mas as
mudanças anunciadas em suas declarações e nas de muitos integrantes da
equipe de transição, assim como a provável composição do próximo
gabinete, apontam para a consolidação de um novo ciclo de reformas
neoliberais.

A grande promessa da campanha eleitoral, a de realizar uma transição
para a democracia, não teve avanços. A equipe de trabalho sobre a
reforma do Estado foi praticamente vetada pelos partidos políticos. Os
responsáveis da área de governo do presidente eleito têm sustentado a
idéia de realizar a reforma política pendente a partir do Congresso, mas
as frações parlamentares têm pouca coesão e disciplina interna, os
partidos políticos são asfixiados por suas crises e o presidente eleito,
que está mais preocupado em viajar pelo mundo do que com o futuro da
democracia, tem se mantido em silêncio sobre essa questão.

Por incrível que pareça, a interlocução que a equipe de Fox procurou
construir com algumas personagens do mundo sindical priista, como
Leonardo Rodríguez Alcaine e Elba Esther Gordillo, anuncia que, a curto
prazo, o próximo governo não tem muita vontade de desmantelar o
corporativismo das organizações. Como tem sido feito pelos governos
panistas em vários Estados, prefere-se tratar com líderes que garantem o
controle dos trabalhadores do que apostar num sindicalismo livre e
democrático.

Uma nova classe política está prestes a assumir o governo; os generais e
os economistas já são coisas do passado (ainda que alguns, como Santiago
Levy, tenham sido reciclados e gozem de ótima saúde nas fileiras
foxistas). É a vez dos homens de negócios: não querem mais
intermediários no controle da coisa pública; eles mesmos desejam assumir
a responsabilidade de conduzir os destinos da nação. Carlos Abascal, no
Ministério do Trabalho, e Javier Usabiaga à frente da Agricultura, são
só dois exemplos do que nos espera. Suas propostas já dizem tudo:
Abascal vincula a elevação dos salários ao aumento da produtividade e
Usabiaga pretende dar um sumiço na Reforma Agrária.

Nobreza obriga. Foram os grandes empresários, liderados por Alfonso
Romo, que financiaram a campanha do futuro presidente. Além do mais,
Consulta-Mitofsky apontou que 58% da população que detém os maiores
níveis de renda votou em Fox, contra 26% desse setor que apoiou
Francisco Labastida e 13,5% que optou por Cuauhtémoc Cárdenas.

De acordo com El País, Fox "prometeu garantias jurídicas e privatizações
bem-sucedidas". Em poucos dias veio à tona a verdadeira oferta do futuro
governo: a privatização do setor elétrico (da qual, além do mais, se faz
depender o sucesso do crescimento econômico), permitir o investimento
estrangeiro no setor petroquímico na proporção de até 51% do capital,
cobrar o IVA (*) sobre os preços dos remédios, corroer o sistema de
saúde pública, limitar a gratuidade do ensino público.

Fox ganhou as eleições do dia 2 de julho graças ao apoio de uma
coalizão. São seus integrantes setores muito influentes da hierarquia da
igreja e grupos de ultradireita. Eles também triunfaram e se apressaram
em fazer sentir a sua presença em questões como a discriminalização do
aborto, a tolerância religiosa, a educação leiga e a moral pública. Para
além das convicções do presidente eleito, estas forças são suas
companheiras de viagem. Surgiram das catacumbas e vieram para ficar.
Amparadas pelo futuro governo, farão o possível para ampliar sua
influência na sociedade mexicana.

Aquele pessoal de esquerda que viu Fox como a luz no fim do túnel, irá
descobrir que, na verdade, era o farol do trem que vinha a toda
velocidade, só que em sentido oposto. O futuro presidente lidera uma
revolução conservadora. É responsabilidade da esquerda evitar que ela se
consolide.
_______________________________
(*) IVA: Imposto sobre Valor Agregado.
O Exército intensifica a criação de grupos de elite.
Jesus Aranda. La Jornada, 16 de outubro de 2000.




Diante da crescente participação de unidades de elite em tarefas que
visam garantir a ordem interna, defender a soberania, auxiliar a
população atingida por catástrofes e combater o narcotráfico, o Exército
Mexicano intensificou a criação de grupos de oficiais, considerados como
unidades de elite, "altamente especializados" e com "total capacidade de
cumprir qualquer tipo de missão".

De acordo com as informações da Secretaria de Defesa Nacional, os
oficiais das forças especiais "são sinônimo" de elevada capacitação
técnica e tática que atinge o máximo de eficiência.

Depois de passar por uma seleção rigorosa, os oficiais que integram os
grupos de operações especiais e das forças de elite do exército, devem
apresentar exames médicos, psicológicos, de resistência física e de
cultura profissional. Em seguida, participam de um curso de seis meses
ao longo do qual recebem vários treinamentos.

De início, participam de um curso de "reciclagem" de pára-quedismo
monitorado durante quatro semanas na Escola Militar de Pára-quedismo.
Nela são capacitados a saltar de pára-quedas com cinta estática de
aeronaves em vôo.

Em seguida, os oficiais continuam o seu treinamento na Escola de Forças
Especiais na qual "nivelam" seus conhecimentos no que diz respeito à
táticas e técnicas de sobrevivência, patrulhamento, navegação terrestre
diurna e noturna, conhecimento e utilização de vários armamentos, meios
de comunicação, primeiros socorros e uso de explosivos.

Ganha destaque o treinamento em operações aerotransportadas. Este curso
é realizado no litoral e na região serrana do Estado de Guerrero e visa
fazer com que os oficiais conheçam a utilização dos helicópteros na
realização de operações nestas condições. Além disso, são capacitados
para ações em ambiente marítimo.

Treinamento para operações de montanha, deserto, selva e anfíbias.

A capacitação para ações nas montanhas inclui a realização de saltos de
pára-quedas carregando todo o equipamento individual, "a prática das
diferentes formas de chegar, atuar e sobreviver nas áreas destinadas ao
treinamento".

Em ações no deserto, os candidatos a instrutor recebem treinamento para
sobreviver e agir nas regiões desérticas do país, sendo que o período de
capacitação é realizado nas áreas mais características do nosso
território. Para o alto comando do Exército esta etapa do treinamento é
"uma das mais exigentes" já que os participantes devem demonstrar sua
vontade, iniciativa, capacidade de decisão, resistência psicológica e
excelente condição física, "requisitos indispensáveis" para provar o
valor do treinamento.

As operações na selva são levadas adiante no sudeste do país, no Centro
de Treinamento para Operações na Selva e Anfíbias. Aqui são
desenvolvidas as capacidades individuais dos participantes,
"proporcionando-lhes experiências na direção de pequenas unidades neste
tipo de terreno, assim como forjar uma moral a toda prova e uma grande
capacidade de trabalhar em equipe".

Por sua vez, as operações anfíbias são realizadas no litoral de
Quintana Roo e de Guerrero. O treinamento inclui um curso de mergulho
que complementa sua capacidade de atuar em ações na selva e anfíbias.





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