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(pt) Farsa no julgamento de Eldorado dos Carajás

From worker-ainfos@tao.ca
Date Sun, 12 Mar 2000 14:20:02 -0500


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
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Na madrugada do dia 19 de agosto de 1999, os três principais responsáveis pelo massacre de Eldorado dos Carajás, onde 19
agricultores sem-terra foram assassinados num confronto com a polícia militar do Pará, foram absolvidos.
A sentença indignou a todos os que clamavam por uma sociedade justa e democrática. Este resultado levou a CUT,o MST e
entidades da sociedade civil como a CNBB que, no mesmo dia que saiu a sentença lançou nota condenando a decisão
questionando: "(...)esses agricultores não foram mortos? Quem vai consolar as lágrimas derramadas pelas famílias
envolvidas nesse massacre(...). Na Marcha dos Cem Mil, organizada em Brasília, os manifestantes também lembraram o fato
e, liderados por Frei Betto, fizeram um minuto de silêncio em protesto contra a decisão da justiça paraense.
O julgamento dos réus foi marcado por diversas irregularidades. Em nenhum momento expressou a livre manifestação e
vontade do júri. Mesmo contra a lei, o juiz deu oportunidade de que um jurado comentasse sua posição e até mostrasse um
vídeo durante o julgamento como maneira de provar que os réus eram inocentes. Pasmem! Analisada posteriormente pelo
império de Roberto Marinho, a fita nada mais prova de que os primeiros tiros foram disparados pelos policiais e, quando
os agricultores deram o primeiro tiro, já havia um deles ferido e possivelmente morto pelos policiais. Este mesmo jurado
foi acusado dias após por outro jurado e pela vice-prefeita de Belém de ter exercido a tentativa de suborno, colocando
sua imparcialidade a prova.
Mas as coisas não param por aí. O juiz, além de dar a palavra para um jurado expor sua "opinião" no meio do julgamento,
tentou confundir o restante dos jurados se utilizando de um artifício jurídico. Preste atenção: Após ser feita a
pergunta principal do julgamento - "Você considera os réus culpados" - , onde por 5 a 2 o júri decidiu que todos eram
culpados, o juiz incluiu mais uma pergunta indagando se haviam provas "suficientes" para a condenação. Com base neste
argumento, os réus foram absolvidos.
Enquanto o MST, as entidas da Igreja, os movimentos populares, o movimento sindical e a sociedade em geral está dando
início a uma ampla campanha pela anulação do julgamento e a punição dos culpados, os advogados que acompanham o caso
devem recorrer da sentença.




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