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(pt) Batalha de Québec: JUVENTUDE INSURRETA ROUBA A CENA (trad.)

From mbubuv@yahoo.com
Date Fri, 3 Mar 2000 21:01:23 -0500


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
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Tradução de Railton <projetoperiferia@ig.com.br>


Montreal, 24 de fevereiro

Em 22 de fevereiro, na cidade de Québec, aconteceram coisas tão logo não serão esquecidas. Mil e quinhentas pessoas
protestavam contra o Congresso da Juventude de Québec(CQJ, quando foram atacadas com gas asfixiante pela Policia
Municipal de Québec.
Consequentemente, o governo foi forçado a anular todas as atividades do CQJ daquela tarde.

Protestos, solidariedade e combatividade.

Em 22 de fevereiro, ao início da tarde, o ambiente carregado prenunciava violencia. Enquanto algumas centenas de
manifestantes se aproximavam do local, jovens opositor@s mais determinad@s procuraram entrar pela fôrça no Gran
Teatro de Québec, onde teria lugar as atividades
da CQJ previstas para a tarde (um grande encontro de parasitas politiqueiros que atuam na área!)

Quando @s jovens rebeldes notaram o algo gráu de resistência das portas de vidro, arrancaram as barras de metal que
bloquevam o acesso ao Gran Teatro para usá-los como arietes. As portas estavam quase cedendo diante, quando a polícia de
choque de Quebec foi chamada.

As tropas anti-motins não tardaram em lançar suas
primeiras bombas lacrimogeneas. A primeira reação foi de um certo pânico, aquelas pessoas não estavam habituadas a este
tipo de ataque. De fato, durante toda a noite,
dezenas e dezenas de granadas eram lançadas sobre os grupos que chegavam de outras áreas para as manifestações.

O gás utilizado foi o CS, um dos mais fortes que
existem. Contudo, as granadas lançadas eram diferentes umas das outras. Um aparato chamava a atenção, quando era lançado
para cima explodia dividindo-se em quatro granadas lacrimogeneas. Enquanto isso, os policiais se divertiam atirando-as a
curta distância d@s manifestantes. Algums manifestantes que se aproximavam muito eram atingidos por pimenta de
Cayena.Somente um pequeno grupo de pessoas tiveram a precaução de levar suas máscaras de gás.


Corajosos e covardes.

Diante de tudo isso, @s manifestantes mais decidid@s não tardaram em responder. Passaram a atirar vários projéteis em
direção aos policiais: desde cocktéis Molotov até bolas de neve. De repente, não se sabe de onde, cai uma chuva de
esferas parecidas com bolas de bilhar em cima dos policiais, uma delas atingiu em cheio a cabeça de um deles.
@s manifestantes mais decidid@s sistematicamente devolviam as granadas mandando-as de volta ou as enterravam sob a neve,
neve que alguns comiam tentando neutralizar o efeito dos gases. Alguns de nós, deveríamos daqui prá frente chamar a
época dos Jogos de Inverno de Quebec como "o dia do batismo pelo gás" .

Importante lembrar que a maioria d@s organizador@s da manifestação brilharam por sua ausência na hora em que eram mais
necessários, nos momentos em que seriam bemvindas algumas palávras de estratégia. Os únicos slogans eram suporíficos(!)
ou inaudíveis. O caminhão com autofalantes foi abandonado pelos "responsáveis"(!) pela manifestação. O único sinal de
resistencia partiu da ação corajosa de individuos anônimos.

Contudo, não se pode dizer o mesmo de tod@s @s
manifestantes que estavam alí. Alguns literalmente cagaram nas calças e exitaram em avançar! Em determinado momento, um
manifestante passou a ser contínuamente espancado por agentes disfarçados de civís, sob os olhares impávidos
de otr@s jovens que não levantaram nem um dedo sequer para
ajuda-lo! Puta que pariu! A covardia deveria ter limites!!!!

Claro que alí estavam também @s adept@s da
não-violência, mas dessa vez não se pode dizer que
estavam em seu habitat natural, estavam traumatizados pela
agressão policial. A manifestação era verdadeiramente
heterogenea. D@s mais aguerrid@s a@s que participavam de uma manifestação pela primeira vez em suas vidas. Embora o
movimiento anarco-libertário ou anti-autoritario estivesse presente tanto nas idéias como na ação, não formava um bloco
compacto, parecia diluído entre as pessoas, como sempre.
Não havia apenas jovens, havia também gente de mais idade oriúndos das associações comunitárias. Organizações
neo-stalinistas também estavam presentes.

Gorilas trapalhões

É necessário assinalar o aspecto desastroso que resultou da sanha policialesca que se explica em parte pelo pouco número
mobilizado para as manifestações. Quando o Gran Teatro de Quebec foi cercado pelos manifestantes, os policiais não
puderam atacar e ficaram na defensiva. Seguramente isto se explica porque eles não esperavam tanta gente participando.
Embora os policiais buscassem compensar sua estupidez pela brutalidade, eles não conseguiram recuperar sua imágem nos
meios de informação. Um cameraman da Radio-Canada foi agredido por gorilas uniformizados enquanto exercia suas funções.
Outros repórteres também atingidos pelo gas lacrimogeneo não tardaram em dar-lhes uma imagem negativa na imprensa. Tudo
isso se reflete nos artigos de periódicos como Le Soleil, le Devoir y Le Voir. Apesar disso, o ponto de vista
periodístico prossegue tão parcial como durante
todo o ano: continuam falando de "violência" quando vem de manifestantes, e de "força excessiva" quando se trata dos
gorilas.

[...]

Repercussões

De qualquer forma, o governo cancelou prudentemente
todas as atividades previstas para aquela noite,
incluindo um espetáculo "jovem". Por outro lado,
algumas famílias, que vinham ver o show, tiveram
que voltar para tráz, sem deixar de receber sua pequena quota de gas lacrimogeno, lo que os deixou mais raivosos. Quanto
aos delegad@s da CQJ, a polícia lhes proibiu de deixar o edifício, transformando estes traidores em réfens durante
muitas horas.

O "Journal de Montréal" (periódico sensacionalista) delirava em sua primeira página com a manchete: "JOVENS QUEBRAM
TUDO". Apesar de o inventário dos prejuízos ser bem modesto: dois vidros do Gran Teatro, e uma viatura levemente
avariada. Ah! A viseira de um granadeiro também esteve na rota de um projétil, e o filho da puta de um policial de merda
tomou uma bolada de neve na cara (bem feito, foi pouco!). Lamentamos o fato de que uma pessoa tevo que ser enviada para
o hospital depois de haver recebido uma pancada no abdomem. Quando saímos de Quebec, já pela noite, ela ainda estava
internada, e os médicos haviam diagnosticado problemas respiratórios.

Bloqueio matinal

Em 23 de fevereiro, o dia começa quente. Uma centena de manifestantes se reunem para bloquear o Centro de Congressos de
Quebec. A organização está a cargo do MDE (Movimento pelo Direito à Educação, esquerda estudantil apresentada
erroneamente em vários periódicos como "associada ao movimento anarquista" provavelmente pela má informação dos serviços
secretos, policialescos e políticos).
Alguns gorilas de merda prenderam aleatóriamente quatro pessoas, e passaram a se divertir espancando um dos presos que
amarraram com cordas de nilon e imobilizaram entre duas fileiras de policiais. Outros dois detidos tinham as cordas tão
apertadas que lhe deixaram marcas nos pés. E como se não fosse suficiente a dor, os brutamontes lhes cortaram a pele com
lâminas no momento de soltá-los.

Quando soubemos destas prisões, estávamos na
tribuna popular da contra-Evento organizada pela
CAP-Jeunesse Coalizão Autônoma Popular da
Juventude). Daí, começou um debate para saber o que fazer com relação aos presos. Houveram intervenções vergonhosas que
incitavam todos a  continuar com a órdem do dia
da contra-Congresso, como se nada houvesse acontecido…
Afortunadamente, a opção pela solidariedade ganhou, e mais de duzentas pessoas fomos espontaneamente para as ruas, para
exigir a libertação imediata e incondicional de tod@s @s pres@s.

Manifestação de solidaridade

Os manifestantes chegamos à central de
polícia onde uma dezena de policiais nos esperavam,
seguramente informados por agentes-secretos que
haviam se infiltrado em nossas reuniões. Funcionários
municipais nos informaram que @s primeir@s pres@s
haviam sido transladados para o Palacio da
(in)Justiça. Fomos então ao local, e outra vez
policiais nos precederam. Desta vez, bloqueando completamente o acesso ao Palácio com uma linha de sete ou oito
policiais frente à porta principal. Cresceu a inquietação entre os manifestantes e não havia acordo sobre o que fazer.
Enquanto alguns gritavam "Não violencia" outros queriam simplemente resgatar os companheiros a força.

Quanto a mim, que não sou partidário da não-violencia, creio que esta opção não era a melhor por duas razões: 1)os
policiais nos esperavam lá dentro e nada garantia que os venceríamos. 2) este enfrentamento teria como consequencia
transferir para o dia seguinte o processo judicial de nossos
companheiros presos e essa ação em nada lhes ajudaria diante do tribunal.

Enquanto se discutia com as autoridades, um
jovem com passamontanhas nos recordou que, em janeiro de 1998, uns cincoenta guardas municipales haviam se manifestado
frente ao Palacio durante seu horário de trabalho e armados, para se solidariz com um de seus colegas acusado de haver
esmagado o cranio de um joven de 16
anos com um objeto. Se eles o fizeram, porque
não poderiamos fazer também? Elementar, Watson:
A cidade de Québec é um estado policialesco!
Por fim uns 20 manifestantes puderam entrar no
Palacio para acompanhar aos procedimentos judiciais.
Enquanto isso, os granadeiros chegaram ao mesmo
tempo que… a pizza que alguns manifestantes havian
pedido. Não demorou muito, os brutamontes foram embora.

Por fim, tres d@s quatro presos foram
liberad@s. A quarta continuou presa porque era menor de idade (tinha 17 anos), teve que esperar que seus
pais chegassem de fora da cidade para liberá-la.
Entre os outros presos, um deles foi acusado de "participar em motim" e de "agredir um policial" (é bom frizar que o
bloqueio era ultra-pacifista). Segundo a tradição de
repressão política da antiga capital, as
condições de libertade provisória são típicamente
draconianas: toque de recolher das 11 às 7,
proibição de permanência no Distrito de Quebec e
proibição de participar em reuniões políticas
destinadas à organização de manifestações! ! !

Como estas condições são um castigo antes do julgamento, anulam toda presunção de inocencia, e permanecen até o fim dos
procedimentos legais, diante disso, só nos resta pedir ao advogado de defesa que comece rapidamente os trâmites legais.
Além disso, @s pres@s passam a necessitar de assistência durante o interminável calvário judicial que lhes espera, o que
significa uma enorme quantidade de dinheiro para cobrir gastos com transporte de Montreal-Quebec além dos gastos com
mobilização para que não fiquem sozinhos na corte.

Mesmo que os acusados não sejam declarados culpados a corte pode apresentar "prova de severidade", em função das pessoas
estarem associadas ao "motim". Temos visto réus primários receber sentenças elevadas como seis meses de prisão por
"participação em motim" classificado como "crime perigoso" colocado ao mesmo nível que os crimes de violencia e guerra
entre gangues de motociclistas (….).

Um terrível fiasco para o Partido Quebecois

No que se refere à avaliação politica da Congresso que oficialmente termina hoje, ficou claro que se trata do pior
fiasco para a política de alianças do partido de Lucien Bouchard e isto por várias razões:

1) Como em Seattle, as ruas lhes roubaram o show dos jogos elitistas do poder.

2) Apesar do PQ ter tomado o cuidado de escolher minuciosamente @s jovens convidad@s a participar em função de sua
moderação, não impediram destes mesmos jóvens se sentirem manipulados pelo governo e de darem um murro na mesa para
obter a modificação na pauta que havia sido predefinida antes da "Congresso".

3) Dado o caráter fundamental das "relações públicas" do acontecimento, à má imagem foi outro obstáculo ao êxito da
"Congresso".

Assim, no dia seguinte à noite dos lacrimogêneos, o ministro da educação, François Legault, ofereceu-se para dialogar
com @s  oponentes reunid@s na contra-Evento, uma provocação que foi rechaçada prontamente, mas que demonstra que o PQ se
deu conta de que perdera espaço e que agora tratava de se redimir.

Seria interessante saber quais serão os desdobramentos desta formidável experiencia de luta, tanto no movimento
militante radical e jovem, como na população estudantil. À primeira vista, parece que os desentendimentos habituais em
torno do falso debate entre a violencia e a não-violencia não sucederam desta vez. Pelo menos, ninguém falou dele
durante a tribuna popular da manhã de 23 de Fevereiro. A autodefesa militante possivelmente ganhará pontos graças à
selvageria da violencia policial contra @s manifestantes, contra os trabalhadores e contra os jovens. Só o tempo nos
dará respostas precisas.

Bob

MORTE AOS GORILAS DE QUEBEC E DO MUNDO
INTEIRO !

ABAIXO NOSSO GOVERNO AUTORITARIO, JÁ!

VIVA A JUVENTUDE INSURRETA, E QUE NUNCA SE
DEBILITE COMO AQUELES QUE A PRECEDERAM!

UNAM-SE AO PROXIMO DIA INTERNACIONAL CONTRA A
BRUTALIDADE POLICIAL, EM 15 DE MARÇO 2000 ! (contato: cobp@hotmail.com )




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