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(pt) Jornal Insurreição nº 15 (parte III)

From Maria Cunha <maria.cunha@iname.com>
Date Mon, 28 Feb 2000 17:53:44 -0500


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
            http://www.ainfos.ca/
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Comentário da Friends of the Earth ao Forum Mundial da Economia (WEF)
Miriam Behrens, Pro Natura - Friends of the Earth - Suiça
Tony Juniper, Friends of the Earth England Wales and Northern Ireland
Andrea Durbin, Friends of the Earth US
Brent Blackwelder, Friends of the Earth US, participante no WEF

O encontro do WEF deste ano, na estância de esqui suiça de Davos, confirmou que os planos para o rápido acordo e
implementação duma nova Ronda de conversações sobre comércio livre estão vivos e de saúde. O primeiro ministro Blair deu
o mote ao encontro, quando afirmou, perante os mais de 1000 directores executivos de multinacionais e dúzias de chefes
de estado presentes, que acreditava que “podemos e devemos tentar lançar a nova ronda comercial este ano”.

A mensagem de princípios do presidente Clinton foi a de que as críticas à globalização económica estavam mal dirigidas e
sugeriu que os líderes empresariais de topo desenvolvessem a sua própria visão para o futuro e que gastassem os próximos
10 a 20 anos a implementá-la. “Vocês podem mudar o mundo”, disse o presidente aos capitães da indústria. Mas, como irão
eles mudar o mundo, se as novas regras comerciais ainda lhes dão mais poder?

Uma publicidade gigante, na baixa da Davos, deu uma pista. “Pensa globalmente, Come localmente”, berrava. Não colocada
pelos activistas da Friends of the Earth Real Food, mas pela McDonald’s. Esta oferta de uma das mais famosas marcas
mundiais mostra bem qual é a estratégia corporativa. Na dúvida, adopta as palavras dos teus detractores.

Nove semanas depois do colapso das conversações comerciais de Seattle, os governos têm um grande problema entre mãos.
Como enfrentar a pressão da indústria para uma maior liberalização, ao mesmo tempo que têm de se confrontar com críticas
cada vez mais eficazes ao projecto liberal. Fazer reuniões com as pessoas mais poderosas do mundo atrás de barricadas e
da polícia de choque armada parece ser, de momento, a sua resposta. Mas isso não pode funcionar. E há sinais de
desconforto crescente entre os próprios líderes dos negócios.

Uma votação electrónica do WEF perguntava aos participantes qual era o assunto mais premente que iriam enfrentar os
negócios no futuro. A alteração climática foi a resposta. O resultado foi tão surpreendente, que os organizadores
decidiram refazer a votação, pensando que talvez tivesse havido algum erro. Da segunda vez, a alteração climática ainda
recebeu mais votos. Sintomaticamente, o segundo assunto mais votado foi a estabilidade financeira.

O que, aparentemente, é muito menos claro para os líderes dos negócios é a forma como estes dois assuntos estão tão
intimamente ligados. Como os seguros milionários, ao pagar os prejuizos das tempestades, das inundações, das vagas de
calor e dos arrefecimentos acentuados, causam o caos económico, as implicações para os mercados financeiros são
profundas. Mas o facto de a sessão de trabalho sobre as alterações climáticas ter sido uma das menos freqüentadas em
Davos sublinha como os enormes desafios colocados pela intromissão humana no clima ainda não são tidos como uma questão
central para os negócios.

Um problema gravíssimo a este respeito é o facto de o desenvolvimento sustentável e a política económica serem debatidos
em foruns diferentes e por gente igualmente diferente. A integração de ideias, política e lei, que julgamos crucial,
ainda não está a acontecer. E, enquanto, em Davos, competiam propostas para liberalizar as regras comerciais, não foi
ouvido nenhum participante a pedir objectivos mais claros na convenção das alterações climáticas, ou novos incentivos
para acelerar a penetração no mercado de energias limpas, como a solar. Durante toda a conversa sobre a nova economia e
o papel do conhecimento humano no crescimento futuro, nenhuma sugestão prática para fundir os objectivos económicos,
ambientais e sociais, foi ouvida. Soava tudo à velha economia onde a posse do conhecimento por poucos exclui a maior
parte da população mundial dos benefícios de “desenvolvimento”.

Mas o encontro de Davos deste ano mostrou, pelo menos, que a mensagem tem passado. O sr. Blair e o sr. Clinton
aconselharam os dirigentes dos negócios a ouvirem os seus críticos. E isto é benvindo. Mas ouvirão eles quando novas
propostas sobre o ambiente aparecerem nos seus parlamentos ou congressos? Ou continuarão com a velha forma de proteger
os lucros a quase qualquer custo ecológico ou cultural?

As imagens, que correram mundo, da propaganda do McDonald’s em chamas, com uma coligação colorida de verdes,
agricultores, representantes de sindicatos e outros, marchando a pedir reformas na economia global, não deixarão de ser
notadas pelos povos do mundo. Mas o que fará a elite do poder sobre isso? Alterará a forma como o negócio se relaciona
com as pessoas e o ambiente ou arranjará uma nova agência de publicidade?

No encontro anual do Fórum Mundial da Economia (WEF), em Davos, de 26 de Janeiro a 2 de Fevereiro de 2000, algumas ONGs
foram convidadas a participar.
Já a caminho do fim da reunião, seis das ONGs participantes fizeram uma carta aberta ao presidente do WEF. Anexo essa
carta para vossa informação.

CARTA ABERTA AO PROFESSOR SCHWAB DAS ONGs PARTICIPANTES NO FÓRUM MUNDIAL DA ECONOMIA, DAVOS

Professor Klaus Schwab - Fundador e presidente do Fórum Mundial da Economia

Caro Professor Schwab
Foi bom que o WEF deste ano tenha incuido ONGs (Organizações Não Governamentais) em debates de alguns dos temas mais
urgentes e controversos do nosso tempo. No entanto, achamos que ainda há uma presença pequena das ONGs. Solicitamos-lhe
que aprofunde e expanda a presença da sociedade civil no fórum, de forma a que aí sejam reflectidas as preocupações que
assolam cidadãos de todo o mundo, especialmente os grupos e sectores que experimentam a exclusão de todos os processos
económicos e políticos por causa da globalização.

Propomos que, no próximo fórum e nos fóruns regionais, os seguintes debates sejam organizados com participação
equivalente de ONGs, negócios/indústria, e governos:

1. A Globalização e a criação de novas pobrezas
Este debate deveria ter em conta estudos empíricos e casuísticos dos impactos sociais e económicos da globalização nos
sectores e pessoas pobres e excluidos e que vá além das generalizações abstractas, que pouco têm a ver com a realidade
da vida das pessoas.

2. Cancelamento da dívida externa do terceiro mundo
Uma investigação sobre como a globalização está a levar à criação de uma nova dívida (incluindo uma avaliação crítica da
HIPC e dos problemas enfrentados por países de rendimentos médios fortemente endividados).

3. Perspectivas diferentes da globalização, especialmente os seus impactos na diversidade cultural e nos valores
diferentes; valores para além do mercado, que nos fazem realmente humanos.

4. Reformas nas regras e sistemas da OMC, de forma a oriententá-la para as necessidades dos países em desenvolvimento;
regulamentação global dos fluxos financeiros e o estabelecimento de sistemas democráticos de governo económico global.

5. Defesa de habitats e protecção do ambiente (perpectivas globais de cidadãos, incluindo ONGs, movimentos de
camponeses, trabalhadores, povos indígenas e mulheres do norte e do sul).

6. Auditoria social da internet e do comércio electrónico: quem lucra, quem perde, em que contexto?

7. Quais deveriam ser as relações éticas entre o sistema das nações unidas (NU) e as multinacionais, de forma a que as
empresas não explorem as NU para ganhos comerciais ou em termos de imagem da corporação.

Reiteramos o que disseram as ONGs, no Public Eye, em Davos:
“…se o WEF pretende vir a ser um fórum onde tenha lugar o debate sobre as preocupações públicas importantes, tem que
alterar radicalmente as suas perspectivas, as suas regras e os seus processos. Deverá colocar preocupações, tais como o
cancelamento da dívida, comércio justo, controlo democrático das instituições internacionais, fim nos abusos dos
direitos humanos, discriminação contra as mulheres, oposição à privatização das formas de vida e de bens públicos, e
alteração dos moldes insustentáveis de consumo, no centro da sua agenda.”

Assinado: 31 de Janeiro de 2000
Vandana Shiva - Directora, Research Fundation for Science Technology and Natural Resource Policy, India
Martin Khor - Director, Third World Network, Malasya
Manuel Chiriboga - Secretário Executivo, Associación Latinoamericana de Organizaciones de Promoción (ALOP), Costa Rica
Walden Bello - Director, Focus on the Global South, Thailand
Brent Blackwelder - Presidente, Friends of the earth, USA
Victoria Tauli-Corpuz - Directora, Tetebba Foundation (Indigenous Peoples’ International Center for Policy Research and
Education), Philippines.
Paul Treanor - Holanda
P.Treanor@zap.A2000.nl
http://web.inter.nl.net/users/Paul.Treanor/neoliberalism.html

Provavelmente viste as imagens da elite global a encontrar-se em Davos, protegida pela polícia de choque suiça (e pelo
exército suiço). Novo: desta vez, a elite global incluiu representantes da sociedade civil global. Viste, provavelmente,
que algumas pessoas advogaram uma sociedade civil global. Este desenvolvimento é um precedente importante para a OMC e
outras organizações internacionais.

Agora, um governo Greenpeace-Shell, é isso o verdadeiro progresso? É esse o ideal que deveria inspirar os activistas?
Era esse o ideal dos manifestantes de Seattle e Davos?

Estou, sem dúvida, a ser cínico, mas penso que é bom olhar para trás das imagens dos motins e das janelas partidas
doMcDonald’s. Há, certamente, uma sociedade civil global, no sentido de uma coligação de ONGs internacionais (ONGIs).
Isso inclui organizações como a Vigilantes dos Direitos Humanos (no original Human Rights Watch), a Amnistia
Internacional, Greenpeace, Vigilantes das Corporações (no original Corporate Watch), a APC, e por aí fora. Estas
organizações estão à procura de representação no processo de tomada de decisões a um nível global.

Já há um precedente para isto na união europeia. A UE tem um comité económico e social (CES), que pretende representar a
“sociedade civil”. Auto-define-se como um “fórum a nível europeu para a reflexão das associações e organizações da
sociedade civil”. De facto, continua as velhas tradições europeias de consertação social tripartida
(negócios-trabalho-governo). Foi acrescentada uma nova secção, de forma a incluir as emergentes organizações da
“sociedade civil” da última geração. Vê o sítio deles na net …
http://www.ces.eu.int/en/org/fr_org_default.htm

Algo como este CES é o que a sociedade civil internacional quer. A Greenpeace e a Amnistia não vêm aos encontros da OMC
ou do WEF para “rebentar com o sistema”, mas para entrar neste tipo de comités. Os media globais são só o seu melhor
veículo nesta campanha: os seus militantes são demasiado poucos e demasiadamente pouco comprometidos para exercer algum
tipo de poder a um nível global.

Portanto, a suspeição é a seguinte: manifestações como as de Seattle ou Davos servem, em primeiro lugar, os interesses
das ONGIs, como alavanca para se tornarem membros de um futuro “Conselho Sócio-Ambiental Global”. Pelo que sei dos
bastidores, acho que a maioria dos manifestantes não apoiaria explicitamente essa estratégia. Estarão, então, a ser
usados como carne para canhão? Parece, realmente, que sim, mas não há interesse em discutir os motivos individuais dos
manifestantes.

É mais relevante olhar para o interesse de tais manifestações, especialmente nos media, e de como se encaixam em
campanhas políticas mais abrangentes.
Babylon Horuv
(resposta a P. Treanor)

Bem, apesar de eu ficar contente se conseguíssemos esmagar o sistema com sucesso, ficaria muito mais contente com as
ONGs nos painéis de discussão do que sem elas. Não me parece que as ONGs nos estejam a manipular para que protestemos,
ou qualquer coisa do género. Deixá-las entrar nos painéis é só mais uma evidência de que estamos a chegar a algum lado e
que os mauzões (no original, bad guys) estão a tentar chegar a um acordo / compromisso (no original compromise).
The eight hour day is not enough;
We are thinking of more and better stuff.
So here is our prayer and here is our plan,
We want what we want and we’ll take what we can.

Down with wars both small and large,
Except for the ones where we’re in charge:
Those are wars of class against class,
Where we get a chance to kick some ass.

For air to breathe and water to drink
And no more poison from the kitchen sink,
For land that’s green and life that’s saved
And less and less of the earth that’s paved.

No more women who are less than free
Or men who cannot learn to see
Their power steals their humanity
And makes us all less than we can be.

For teachers who learn and students who teach
And schools that are kept beyond the reach
Of provost and deans and chancellors and such
And Xerox and Kodak and Shell, Royal Dutch.

An end to all shops that are dark and dingy,
An end to bosses whether good or stingy
An end to work that produces junk,
An end to junk that produces work,
And an end to all in charge - the jerks.

For all who dance and sing, loud cheers,
To the prophets of doom we send some jeers,
To our friends and lovers we give free beers,
And to all who are here, a day without fears.

So, on this first of May we all should say
That we will either make it or break it.
Or, to put this thought another way,
Let’s take it easy, but let’s take it.








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