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(pt) Jornal Insurreição nº 15 (parte I)

From Maria Cunha <maria.cunha@iname.com>
Date Mon, 28 Feb 2000 17:54:06 -0500


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
            http://www.ainfos.ca/
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PARA QUE CONSTE

Este nr. do Insurreição, para ser entendido, necessita desta nota prévia. Sem ela, talvez se transforme numa massa
pastosa de informação mais ou menos desprovida de orientação. Claro que não se tenta, aqui, estreitar caminhos de
análise, nem tapar desvios. Os caminhos são sempre inúmeros, seja na forma de encararmos os ismos que nos são mais
simpáticos, seja na análise da informação que recebemos. Esta orientação, de que falamos, não é uma tentativa de
doutrinação. Para isso, achamos que basta o convite que transpira do nome deste colectivo e as temáticas que colocamos
no que conseguimos editar (que a capacidade anda sempre um passo atrás da vontade, daí este tempo mais ou menos
prologado de ausência editorial). Trata-se, antes, de tentar explicar não o conteúdo, que se auto-explica, mas a
orgânica deste número.

O primeiro texto que lerás é a chamada à acção da Coordenação Suiça Anti-OMC para as manifestações contra o Fórum
Mundial da Economia (World Economic Forum - WEF), em Davos, na suiça. Serve, acima de tudo, como uma introdução ao tema
que este número trata.

De seguida, deixamos-te com o que os meios de comunicação às massas, no caso o International Herlad Tribune (IHT) e o
Público, dizem sobre o assunto. Nota-se que, principalmente a jornalista do jornal luso, esteve lá mais para umas férias
na neve do que para fazer um trabalho sério. Talvez o do IHT seja o máximo a que poderemos aspirar em qualquer media
oficial. A contestação fica-se pelas Organizações Não Governamentais (ONGs), pelos que defendem um controlo democrático
das instituições que comandam o mundo, não abrange senão aqueles a que os que querem um mundo diametralmente oposto ao
existente chamam reformistas. Não há mais contestação, mais ninguém saiu de casa para enfrentar o frio e a neve de
Davos. O trabalho de Ana Navarro Pedro, do Público, é, infelizmente, o que conseguimos nos media nacionais: não diz
absolutamente nada. Há uns gajos que falam de coisas tão esotéricas quanto a “nova economia” e ninguém contesta,
limitam-se a destruir a montra do McDonald’s e a bater em polícias.

O texto seguinte, foi a primeira coisa que lemos sobre o que se passou em Davos. Temos a felicidade de já estarmos
listados nos detectores de palavras proibidas que circulam pela internet e, como tal, acabamos sempre por receber este
tipo de informação que nunca chega (ou chega muito tarde) a quem não tem hipóteses de ter ligação à rede. É um texto de
um dos contestatários não-ONG. Um testemunho de quem esteve lá. Segue-se uma coisa estranha para quem lê em papel, um
pedaço da conversa que se foi desenvolvendo numa lista de discussão virtual que subscrevemos. Nesta parte, cabe ainda o
texto de gente italiana que lá esteve, solidária.

Entraremos, depois, numa das parte menos discutidas, entre nós, quando se fala de contestação: o papel das ONGs. Não se
tenta uma dissecação exemplar das implicações de deixar nas mãos dos contestatários profissionais e oficiais a solução
dos problemas da humanidade. Talvez se trate de uma nova versão da vanguarda que ensina Às pessoas o que elas desejam.
Com uma diferença que não a enobrece: desta vez pactua-se com o inimigo. Acabou-se a revolução dos expoliados feita por
alguém em seu nome. Venham as reformas, feitas em nome dos mesmos e, da mesma forma, orientada para quem a faz e não
para quem ela deveria ser feita. Por outro lado, ir a Davos, em representação de uma tal “sociedade civil” e participar
nas discussões, sugere um reconhecimento do poder de um grupo de empresários, políticos e outros notáveis, que se diz a
elite mundial. Isto serve quem? Talvez as próprias ONGs que participam, mas acima de tudo os que se vêm reconhecidos por
quem os deveria contestar. Não poderiam pensar em melhor como operação de charme. Lucram as ONGs que conseguem entrar
(ficam a ser as melhores ONGs do mundo, nós é que somos bons, convidaram-me a mim e a ti não) e lucram os chefes do
mundo (então o que é que querem? Não queriam abertura à sociedade civil?) Como alguém diz, neste boletim, será que um
governo da Shell controlado pela Greenpeace é aquilo que queremos para o mundo?


Em Davos aconteceram estas duas coisas: os que, enfrentando o frio, a polícia e a má língua dos media tradicionais
gritavam acabe-se com os assassínios e os que, no aconchego do centro de conferências, tentaram dizer ao assassino que é
melhor tentar a faca em vez da pistola. A nossa escolha está com o frio. É isso que recordaremos a 1 de Maio, o próximo
dia internacional de acção global contra o capitalismo.

INSURREIÇÃO
O Fórum Mundial da Economia reúne-se em Davos, nos Alpes Suiços (CHAMADA À ACÇÃO)

Coordenação suiça anti-OMC
De 27 de Janeiro a 1 de Fevereiro de 2000, o 30º Forum Mundial da Economia (World Economic Forum - WEF) terá lugar em
Davos, nos Alpes suiços. 2000 autoproclamados “Líderes Globais” encontrar-se-ão na atmosfera relaxada da estância de
inverno, de forma a estabelecer contactos informais entre os interesses económicos e a administração política, para
desenhar projectos milionários de exploração e preparar decisões de grande alcance longe dos olhos dos afectados. Quando
foi fundado, em 1971, o WEF era um seminário entre tantos outros. Mas, agora, tornou-se num dos mais importantes “Think
Tanks” das estratégias económicas do Norte. Do seu quartel general, em Geneva, o WEF organiza um grande leque de
encontros regionais e internacionais.

WEF - o Buraco!
«Novos começos: Fazer a diferença: O encontro anual 2000 é o mais importante encontro internacional do novo milénio. (…)
Os líderes de opinião e os decisores, que se reunem em Davos, têm tanto a vontade como a posição para fazer a diferença»
(citação de www.weforum.org). Depois do falhanço da Ronda do Milénio, em Seattle, o encontro em Davos terá um
significado especial. O WEF poderá, mais uma vez, ser o salva vidas. Já nos anos 80, o WEF tinha dado o contributo
essencial para a Ronda do Uruguay do GATT (Acordo Geral sobre Taxas e Comércio). Essas negociações levaram à criação da
OMC (Organização Mundial do Comércio), em 1995.

A OMC mata pessoas - Mata a OMC!
O encontro em Seattle foi uma desgraça para a OMC, um espectáculo para outros. As tensões entre os blocos de poder que
se tinham criado na preparação da cimeira, não poderiam ser resolvidos pela conferência ministerial, em Seattle. Além
disso, os protestos massivos dos opositores à OMC conduziram a atrasos que ainda reduziram mais as opções dos
representantes dos governos. No fim, não acordaram uma agenda para a Ronda do Milénio. É por isto que os jogadores
globais farão o seu melhor para sair desta situação sem saída. O tempo urge. Em Janeiro, o WEF oferece uma excelente
oportunidade para trazer a velocidade de volta à máquina da OMC.

WEF - Encontro de assassinos
Nas suas páginas web, o WEF demonstra como os problemas do mundo podem ser encarados com poucas frases - incluindo
algumas receitas mágicas para os resolver. Por exemplo, o interesse do WEF não é descobrir se os medos sobre a
engenharia genética têm fundamentos, mas sim como conseguir a aceitação necessária para o seu marketing («Qual é a
melhor estratégia para ultrapassar os medos?» - citação de www.weforum.org).
Apesar das consequências destruidoras do comércio «livre», Klaus Schwab, um fundador e presidente do WEF, invoca
repetidamente o «espírito de Davos» como um fazedor de paz de garante de prosperidade. De acordo com ele, o WEF trabalha
para fazer a «economia e a política do século XXI mais responsáveis ambientalmente, mais sociais e humanas. (…) O
espírito de Davos tenta, de forma construtiva e não destrutiva ou demagógica, construir as fundações dum mundo melhor. É
por isso que as discussões deste ano são dedicadas ao tópico da humanização da globalização.» (Dum anúncio de página
inteira nos jornais diários suiços, em 30 de Janeiro de 1999). No mesmo dia, em Davos, o primeiro ministro russo
Primakov encontrou Richard Matke, o presidente da empresa petrolífera americana Chevron. Aí, uma discussão longa entre a
turquia e a rússia sobre o curso do oleaduto foi resolvida e a prisão do líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão
(PKK), Abdullah Öçalan, foi planeada. Trocar Öçalan por petróleo - é assim que eles querem esmagar a resistência no
Curdistão. O WEF oferece a oportunidade para este tipo de acordos nos quartos das traseiras, enquanto os políticos se
bronzeiam com os flashes da imprensa e se podem apresentar a si próprios como os fazedores de paz e os salvadores do
mundo.

Davos, uma pequena grande cidade global
Davos, a prestigiada estância de inverno, transforma-se numa cidade global em part-time, durante o WEF. Tais centros de
poder e negócios estão, predominantemente, nas mãos de homens brancos e funcionam apenas graças ao trabalho dos
imigrantes, tornado invisível. Nas cidades globais, onde há procura de gente que faça os trabalhos que ninguém quer
fazer - limpar, cozinhar, lavar … Trabalhos necessários, que não podem ser cortados, que reproduzem as cidades globais.
Os imigrantes são aceites apenas como agentes reprodutores dos centros de negócios ocidentais. Os fluxos migratórios não
são uma conseqüência da globalização, são uma parte indispensável da mesma.
Enquanto as fronteiras vão sendo abolidas para as mercadorias, o capital e os serviços, a mobilidade das pessoas está a
ser verificada e controlada.

(…)
Milénio em Seattle ou Davos - a resistência continua
O que aconteceria se nem tudo corresse calmamente em Geneva, Colónia e Seaatle, ou em Davos? Se os «Líderes Globais»
fossem obrigados a reconhecer que não podem fazer as coisas como lhes apetece… Pode ser que, em Davos, que estará sob os
holofotes por uns dias, a resistência se agite. Pode ser que bastante gente demonstre que não concorda com o mundo tal
como ele é definido pelo WEF, pelo FMI, pela OMC ou pelo Banco Mundial. Pode ser que, na neve de Davos, apesar das
temperaturas frias e dos ventos gelados, o calor humano se faça sentir. A questão é -e está inteiramente nas nossas
mãos- fazer a coisa certa na altura certa!

Diálogo Schwabbiano
A coordenação suiça anti-OMC decidiu expor o mito do fantasma pacífico de Davos. Tal como durante as manifestações do
ano passado, não seremos levados para um diálogo com o WEF e continuaremos a recusar tal diálogo no futuro. Não
reconhecemos, a instituições internacionais tais como o WEF, nem às elites políticas e económicas, que causam a morte,
por fome, de milhões de pessoas, nenhuma legitimidade e não estamos a ver nenhuma razão que nos fizesse sentar a uma
mesa com eles. Iremos a Davos, de forma a resistir às políticas económicas que aumentam a injustiça entre o Norte e o
Sul, entre ricos e pobres e que pioram a situação da mulher.
Paris, Sábado, 29 de Janeiro de 2000
Por Alan Friedman - International Herald Tribune
DAVOS, Switzerland

Quando a conversa é sobre convergência ou mercados financeiros, o optimismo, talvez mesmo a euforia, são palpáveis nos
halls e corredores do encontro anual do Forum Mundial da Economia (World Economic Forum - WEF), que começa, por estes
dias, nesta chique estância alpina de esqui.

Mas, na sexta-feira, à medida que os membros das elites mundiais de política e negócios começaram a apanhar com os
estilhaços da luta contra o comércio livre e a globalização que causou o falhanço do encontro da Organização Mundial de
Comércio (OMC), em Seattle, a disposição alterou-se completamente.

Nos seminários públicos e nos encontros particulares, chefes de estado, de governo e de corporações lamentavam a sua
incapacidade para responder aos protestadores de Seattle, ou aos países pobres, que vêem a globalização como uma
conspiração do clube dos ricos.

Os dirigentes (incluindo os presidentes dos conselhos de administração da Renault e da Textron, o investidor George
Soros, o presidente do méxico, o primeiro ministro da turquia e o director-geral da OMC) foram todos eloqüentes ao
reconhecer que têm, em mãos, um problema enorme: como responder àqueles que se opõem ao comércio livre e que culpam a
globalização pelas desigualdades sociais, pela perda de empregos e, mesmo, pelo empobrecimento de milhões.

A elite estabelecida reconheceu o problema. Mas os participantes no encontro chegaram, aparentemente, a solução nenhuma.
E toda a gente, aqui, estará à espera para ver se o presidente Bill Clinton consegue oferecer algumas respostas
convincentes, quando voar para Davos para uma breve comparência, no sábado.

“Temos que admitir que ainda não criamos uma coligação de referência que faça do comércio livre global uma realidade”,
disse Lewis Campbell, presidente do conselho de administração da Textron. “Usamos, com demasiada freqüência, argumentos
factuais e secos, mas os nossos opositores usam argumentos emocionais, como o medo de perder empregos, ou o de uma
qualquer maquinaria impessoal global.”

O primeiro ministro da turquia, Bulent Ecevit, fez um aviso sobre a distância crescente que separa os ricos dos pobres.

“As disparidades na distribuição da riqueza, dentro e entre sociedades, está a ser aumentada para um patamar
preocupante”, disse o sr. Ecevit, acrescentando que os violentos protestos contra a globalização, em Seattle,
“pressagiam algo de mau para o futuro da economia de mercado e da globalização em muitos outros países”.

O primeiro ministro britânico, Tony Blair, sugeriu que os estados unidos e a europa juntem forças, de forma a reduzir
tarifas às importações dos países pobres. Disse, também, que as organizações comerciais necessitam de se abrir ao
público, de forma a começar uma nova ronda de conversas sobre comércio e disse ainda que “não aguentaremos outro
Seattle”.

Chistian Sautter, o ministro das finanças francês, concordou, dizendo, numa entrevista, que a resposta aos protestadores
seria “mais transparência e uma maior redução da dívida aos países pobres”.

Mike Moore, director-geral da OMC, estava, visivelmente frustrado.

“Há uma ansiedade enorme ali fora”, disse  o sr. Moore, “e, por alguma razão, a OMC está a apanhar com as culpas por
tudo o que corre mal. O Globalismo transformou-se no ismo a odiar, mas não é uma ideologia; é um processo”.
Rejeitou  a noção de que a reunião de Seattle tenha sido uma reunião “de meia dúzia gajos brancos ricos a tentarem
estabelecer as regras”. Mas, quando perguntado se lhe parecia que a elite mundial era, por alguma razão, impotente
frente ao abrandamento da globalização, o sr. Moore reconheceu que “talvez haja aí alguma verdade”.

O presidente mexicano, Ernesto Zedillo, defendeu o comércio livre e gozou o que chamou de “uma curiosa aliança de forças
da extrema esquerda, ambientalistas e outros auto-nomeados críticos numa tentativa comum - salvar do desenvolvimento as
pessoas dos países em desenvolvimento”.

O sr. Zedillo catalogou os críticos como um grupo de “globalfóbicos” que se curvam perante o proteccionismo e gartantiu
que o comércio livre ajuda os países pobres, “através da criação de empregos”.

O sr. Soros não tinha respostas, para além de argumentar a favor de um “sociedade aberta” e o desejo de trabalhar para
“os interesses comuns”.

Se o movimento anti-globalização é um pesadelo para os de Davos, também o é o medo de desestabilização social, ou mesmo
violência, aqui, no sábado. A segurança é muita, porque os protestadores ameaçaram desafiar uma proibição de
manifestação no sábado.

O presidente da suiça, Adolf Ogi, lançou o aviso sobre o “descontentamento massivo” e disse que os protestadores sentiam
o que sentem muitas outras pessoas normais - “não exactamente com mais poder” perante a expansão económica global.

“Os seus sentimentos estiveram em evidência em Seattle e, se formos honestos connosco próprios, sabemos que não foi a
última vez que ouvimos falar disso”, disse o sr. Ogi.

John Sweeney, presidente da federação laboral AFL-CIO, avisou que “Seattle foi só o começo” e que “se a globalização
trouxer mais desigualdade, irá provocar uma reacção volátil que fará Seattle parecer dócil”.

Quanto aos protestadores e aos críticos, fizeram o seu debate na sexta-feira, fora do edifício da conferência, mas só um
chefe corporativo é que apareceu.

Goran Lindahl, presidente e administrador executivo da ABB, a companhia de engenharia suiço-sueca, sentou-se com membros
de organizações não governamentais (ONGs), que prometeram que, depois do sucesso de Seattle contra a OMC, ir-se-iam,
agora, voltar para o WEF.

Os críticos acusavam a conferência de Davos de ter um grande impacto no comércio global, no investimento e nas políticas
ambientais e queixavam-se pelo facto de que “quem sofre os custos destas políticas é excluido das discussões”.

O sr. Lindahl respondeu que, até agora, as decisões de investimentos bolsistas têm incluido accionistas, empregadores e
clientes.

“E agora, como resultado da abertura pública do debate”, disse, “devemos incluir, também, a sociedade civil”.

O sr. Lindahl defendeu a globalização como “algo básicamente bom”, mas reconheceu, também, que as grandes multinacionais
“têm um novo papel cívico a desempenhar no século XXI”.
Protestos marcam 30º Fórum Mundial da Economia de Davos
              Globalização Ou “Globalfobia”
              Por ANA NAVARRO PEDRO, em Paris
              Público - Domingo, 30 de Janeiro de 2000


Violentos incidentes pontuaram ontem o discurso de Bill Clinton, em Davos, a favor da globalização. Na véspera, Tony
Blair fora a vedeta do “must” económico mais mundano do Planeta, reclamando que Lisboa seja, em finais de Março, o ponto
de viragem decisivo para um plano de reformas sociais europeias.

Várias centenas de manifestantes hostis ao rumo da mundialização da economia forçaram várias barreiras de polícia em
Davos, numa tentativa gorada de entrar no Centro de Congressos daquela estância suíça de Inverno, onde se encontra
reunido, por cinco dias, o Fórum Mundial da Economia.

Lá dentro, os dois mil empresários, políticos e intelectuais, que constituem a elite da globalização, escutavam o
vigoroso discurso do Presidente norte-americano, Bill Clinton, a favor de uma “integração crescente da economia mundial”
.

Frustrados, os manifestantes atacaram o símbolo mais acessível da “nova economia” - o McDonald’s da vila. A
manifestação, convocada pela Coordenação Anti-OMC (Organização Mundial do Comércio), que transformara Seattle num
pandemónio, em Novembro último, degenerou a meio da tarde em pancadaria com a polícia. No mesmo momento, Bill Clinton
aconselhava os participantes do 30º Fórum Mundial da Economia a não marginalizarem os adversários da globalização - cuja
luta tem sido designada, neste Fórum, pelo neologismo “globalfobia” - prometendo logo a seguir que  irá continuar a
“trabalhar a favor de um consenso para um novo ciclo de negociações” da OMC.

O “must” mais mundano do Planeta dura cinco dias, todos os anos, na deliciosa estância suíça que abrigava, há um século,
sanatórios para tuberculosos. Este ano, o Fórum é consagrado à “nova economia” - ou seja, à nova era económica criada (e
baseada) nas novas tecnologias. O crescimento económico pujante dos EUA, o relançamento do crescimento na UE e as
(actuais) perspectivas optimistas na Ásia e na América Latina convidam os participantes a travar uma vigorosa batalha a
favor das reformas inerentes à globalização.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, foi assim a vedeta de Davos na sexta-feira, afirmando que Lisboa será o fórum
determinante na encruzilhada das reformas europeias. No seu discurso, Blair convidou os parceiros da união europeia a
reformarem rapidamente os respectivos modelos sociais para os adaptarem às exigências da nova economia e lançou um apelo
para que a cimeira da UE em Lisboa, em finais de Março, seja a rampa de lançamento de um ambicioso programa de reformas
sociais: “Desejo que Lisboa seja um ponto de viragem definitivo para um programa de reformas que guarde os valores do
modelo social europeu, mas que mudará radicalmente a sua aplicação no mundo moderno.”

Numa intervenção diferente, mas também muito notada, o director-geral-adjunto do Fundo Monetário Internacional, Stanley
Fisher, disse ontem em Davos que não receia uma labareda inflacionista na zona euro, por causa da fraqueza actual da
moeda europeia em relação ao dólar e porque o comércio externo da UE é relativamente fraco.

A preocupação dos adversários de Davos quanto a um processo de mundialização que cava as desigualdades e exclui os
países pobres da partilha das novas riquezas não esteve ausente dos debates do Fórum. James Wolfensohn, presidente do
Banco Mundial, chamou a atenção para a “pobreza global” dos esquecidos da mundialização, frisando que a “global poverty”
piora de dia para dia, com mais de um milhar de milhões de seres  humanos a viverem na miséria mais completa.







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