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(pt) Boletim da AGP (Parte I)

From Maria Cunha <maria.cunha@iname.com>
Date Wed, 23 Feb 2000 06:40:48 -0500


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
            http://www.ainfos.ca/
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ÍNDICE

Parte I
Carta dos editores
INFORMAÇÃO TÉCNICA
Distribuição
Traduções
Artigos
Feedback

RELATÓRIOS DE ACÇÕES DO N30 (dia internacional de acção global contra o
capitalismo)
África
Rumo a uma nova humanidade - Resistindo à OMC, por Isaac Osuoka,
Chikoko, Niger Delta
América centro / sul
N30 - Buenos Aires - Argentina
N30 em Santos, Brasil
Marcha pela dignidade, Colômbia
Estudantes da UNAM em solidariedade com os protestantes anti-OMC, México

América norte
N30 no Québec: resistindo ao frio e ao neoliberalismo
Relatório do Canadá
Reclaim the Streets! na Cidade de Nova Iorque, a 26 de Novembro
N30 Nashville, E.U.A.,
Passeata festiva anti-OMC e manifestação em Salt Lake City, EUA em 30 de
Nov.
Maçãs verdes contra o poder da OMC
A Caminho de Seattle (“The road to Seattle”)
A batalha de Seattle ou a vitória sabe a gás lacrimogénico
Ásia
Povo coreano contra políticas neoliberais
Protesto em Manila, Filipinas
Ação contra a OMC e a represa Maheshwar em Nova Delhi
Adivasis Ocupam Prédio do Banco Mundial em Nova Delhi
Manfestação de carro de boi em vale Narmada contra a OMC
Destruição de sementes da empresa Monsanto em Karnataka, Índia
N30 em Bangalore, Índia
N30 Israel
O Povo contra a OMC no Paquistão
Ajuntamento de pessoas em Ratmalana, Sri Lanka
Marcha na Turquia contra a OMC e o Sistema Capitalista Global. 22 a 30
de Novembro

Europa
N30 na Alemanha
N30 na Eslovênia
Oposição à Ronda do Milénio da OMC no estado Espanhol
Ações anti-OMC na França e a Rede francesa do N30
Clinton, vai para casa! – um relatório da Grécia
O povo holandês voador – Ações anti OMC na Holanda
N30 em Itália
N30 no Luxemburgo
N30, Lisboa, Portugal
N30, Porto, Portugal
N30 na República Tcheca
Quartel-General da OMC ocupado! (ou No coração da besta!) - Geneva,
Suiça
Manifestação em Geneva, Suiça
Deixem os Rios Correr Livremente! - Londres, RU
Londres (RU) responde à Acção Global de 30 de Novembro
N30 em Limerick, Irlanda
N30 Bangor, País de Gales, RU

Oceania
N30 Brisbane - Austrália
Hambúrgueres veganos contra a OMC em Wellington, Nova Zelândia
N30 em Nelson, Aotearoa, Nova Zelândia

Parte II
NOTÍCIAS BREVES
A-Infos: um serviço de notícias multilíngue por, para e sobre
anarquistas e outros revolucionários equivalentes anti-autoritários
Os duendes Vs. Área de Comércio Livre das Américas (ACLA) em Toronto,
Canada
Continua a devastação em Cacarica, Colômbia
Cyberatividades durante o N30
No fundo de Narmada (Kasten)
História da resistência contra a barragem de Itoíz, Navarro, País Basco,
a norte do estado Espanhol
Notícias de Malta: Movimento Graffitti

ANÚNCIOS / APELOS
Comunicado do povo U’wa – Colômbia
Escritório da NBA saqueado
Semana Internacional de Acção sobre os OGMs (Organismos Geneticamente
Modificados) em Abril 2000
Contestando o Encontro Anual do FMI/Banco Mundial em Praga, República
Tcheca, Setembro de 2000
O Fórum Mundial Económico reúne-se em Davos, nos Alpes Suíços
Sobre uma paragem global dos edifícios da bolsa pelos cidadãos
Conferência Nacional sobre Desobediência Civil, 22-23 Jan.
2000,Washington, DC

A ACÇÃO GLOBAL DOS POVOS
Orientações
Princípios organizacionais da Ação Global dos Povos (AGP)
Esquerda / Direita. Texto por Alain

1º DE MAIO DE 2000 - Dia de Acção Global, Resistência e Carnaval contra
o Capitalismo (vide http://www.ainfos.ca/pt/ainfos00174.html )
LISTAS DE CORREIO ELECTRÓNICO para 1º de Maio de 2000
================fim do índice================


Carta dos editores
“Alguém disse que lutar contra o neoliberalismo é como lutar contra a
lei da gravidade.
Então, ABAIXO A LEI DA GRAVIDADE” (Zapatista mascarad@)

Há poucos meses, o capitalismo global e a globalização económica eram
vistos como leis naturais inevitáveis, extensões, mesmo, da natureza
humana. Quase ninguém pensou que seria possível desafiar o mito do “fim
da história” (Francis Fukuyama) e calar uma instituição capitalista tão
poderosa como a Organização Mundial de Comércio, num acto de
desobediência civil de massas.
Depois da batalha de Seattle e do dia de acção internacional de 30 de
Novembro, o mundo não voltará a ser o mesmo.
Há um número crescente de pessoas, grupos e movimentos que vêem as suas
acções autónomas como actos de cooperação colectiva que estão
intimamente ligados. Os dias globais de acção provaram que redes
informais, diversas e “horizontais” podem levar a grandes mudanças.
Esta observação é obvia à medida que vamos trabalhando neste boletim:
estudantes em greve na UNAM, no México, em protesto, à porta da
embaixada dos EUA em solidariedade com os protestos de Seattle; eventos
simultâneos em Milão, Amsterdão, Manila e Coreia; agricultores
indonésios em solidariedade com os indígenas na Colômbia que enfrentam a
submersão e o desalojamento; activistas bascos e londrinos a ocuparem a
roda do “milénio”, em solidariedade com as pessoas de Narmada e do País
Basco, ambas ameaçadas por construções de diques / barragens, etc.
Há uma consciência crescente quanto à interligação das diferentes lutas
que se opõem ao capitalismo global em todas as suas formas. Há, também,
uma consciência crescente de que estas relações sociais, das quais
instituições como a OMC são meros símbolos ou expressões, não são, de
forma alguma, leis naturais, mas sim humanas e, como tal, sistemas que
os humanos podem desfazer.
A esperança em estimular tal processo levou, entre outras coisas, à
criação da Acção Global dos Povos (AGP). A AGP era só uma iniciativa
entre muitas, que fez a bola rolar. De momento, estes desenvolvimentos
construíram a sua própria dinâmica, envolvendo cada vez mais pessoas e
movimentos. A diversidade de realidades políticas que levou às “ondas de
choque de esperança”, em Seattle, só podem ser parcialmente reproduzidas
neste boletim. É óbvio que nem todas as acções relatadas neste boletim
estejam envolvidas na AGP. Muitas podem nem ter ouvido tal nome. O
Boletim da AGP não é só uma troca de informações, é uma ferramenta para
facilitar a comunicação ao nível global. Acabou de começar e precisa da
contribuição de todas as outras pessoas interessadas em dar-lhe forma.
Neste boletim há uma clara falta de equilíbrio entre as regiões
representadas. Há uma abordagem pesada da América do Norte e da Europa,
enquanto que outras partes do mundo estão totalmente ausentes. Isto não
se deve ao facto de não haver lutas nesses locais, mas sim ao de não
haver contactos.
Um assunto que diga respeito a toda a gente só pode ser resolvido por
toda a gente. Cabe a toda a gente tomar a iniciativa. Isto foi só o
começo.
Em solidariedade -
os editores


INFORMAÇÃO TÉCNICA
Distribuição
Os grupos que queiram tomar conta da distribuição deste boletim são
livres para o complementar com artigos com informação regional
relevante. Alguns grupos na Alemanha, Itália e Reino Unido têm andado a
discutir esta opção. Convidamo-vos a reproduzir os artigos ou a
contactar com os grupos indicados para conseguirem mais informações.
Haverá, em breve, uma infopool no site da AGP, que irá incluir artigos
completos e auto-descrições de grupos de todo o mundo. Encorajamos-te a
usar o site e o serviço informativo a-infos, tanto para enviar
informação acerca de ti, como para espalhar informação para os teus
contactos. Pedimos a todos os que têm acesso à internet que espalhem o
boletim e a sua informação fora da rede, que ainda é uma ferramenta
privilegiada para alguns poucos.
Cada morada de contacto, indica se o grupo está a tratar da distribuição
em e-mail e em papel. Se estiveres interessad@ em distribuir o boletim
no futuro, contacta o grupo distribuidor da tua região e o
pgabulletin@gmx.net

Traduções
As publicações mutilingues são um grande desafio! Um grande obrigado
para os mais de 15 tradutores que se envolveram no projecto de traduzir
este boletim para: italiano, espanhol, francês, holandês, português,
checo, turco e alemão. Estão também a ser organizadas traduções para as
línguas indígenas Quechua e Mapuche. Os grupos de tradução funcionam
autonomamente e estão a precisar de ajuda e apoio! Encorajamos pessoas
com vontade de ajudar no futuro a contactar pgabulletin@gmx.net. Se
fizeres uma tradução para outra língua, envia, por favor, uma cópia para
a equipa editorial e para o secretariado da AGP: pga@agp.org. Será
colocada no nosso site.

Artigos
Tenta enviar o teu artigo com cerca de 3000 caracteres (letras + espaços
brancos), no máximo. Quanto mais pequeno melhor. Como dito
anteriormente, os artigos longos são benvindos e serão colocados na
página web da AGP, ou enviados à a-infos. Pedimos que, se possível faças
uma tradução do teu artigo, tendo em atenção que estás a escrever para
uma audiência que não é, necessariamente, familiar com o contexto
político e cultural da tua região

Feedback
Comentários, críticas e sugestões são benvidas e necessárias.
Encorajamos-te a enviá-las para listas de discussão e para o
secretariado da AGP. Para informações, questões e propostas, podes
contactar o secretariado da AGP a qualquer momento.
Moradas:
Equipa editorial do boletim: pgabulletin@gmx.net
Secretariado da AGP: pga@agp.org
página web: www.agp.org + www.go.to/agp
a-infos: Serviço multilingue de informações: a-infos@tao.ca

As pessoas sem acesso à internet podem enviar as suas contribuições
para:
PGA Secretariat, Canadian Union os Postal Workers (CUPW) c/o David
Bleakney, 377 Bank Street, Ottawa, Ontario, Canada

Listas abertas de discussão por e-mail: uma lista de listas abertas de
discussão será colocada, em breve, na nossa página web . Se quiseres
anunciar a tua lista, contacta pga@agp.org

RELATÓRIOS DE ACÇÕES DO N30 (dia internacional de acção global contra o
capitalismo)

África
Rumo a uma nova humanidade - Resistindo à OMC, por Isaac Osuoka,
Chikoko, Niger Delta
De forma verdadeiramente excitante, segmentos de pessoas dos países do
Norte, em solidariedade com as massas de explorados do Sul, estão a
mostrar o poder popular nas ruas e a expor a mentira dos governos, da
OMC, do Banco Mundial, do FMI e das grandes multinacionais que
representam, que diz que a liberalização comercial irá beneficiar os
pobres do mundo. A realidade, com a qual vivemos como cidadãos do
“terceiro mundo”, é que a nossa participação no comércio global resultou
na venda por grosso dos nossos recursos ao Norte e na consequente
deterioração progressiva dos níveis de vida dos nossos povos.
Na Nigéria, como noutras partes do mundo, novos tipos de movimentos
sociais emergem das ruinas da ordem existente, para recriar a luta para
a transformação social. Emergem, acima de tudo, dos grupos étnicos
marginalizados, que reclamam autodeterminação e põe em causa a
legitimidade da classe dirigente para o controlo contínuo sobre as suas
vidas. Estes movimentos populares, que arranjam apoios na juventude, nos
desprevilegiados dos esgotos das cidades e das vilas, devem ser vistos
como os produtos das contradições do estado nigeriano - um instrumento
violento ao serviço do capital transnacional, com um record mundial no
que diz respeito a impor dor aos seus súbditos. Encontrando expressão em
organizações de massa, tais como o Movimento para a Sobrevivência do
Povo Ogoni (MOSOP), o Conselho da Juventude Ijaw, o Movimento Chikoko,
etc., as vítimas da ordem estão a ripostar, fechando instalações
petrolíferas e desobedecendo a leis injustas.
Em Dezembro 1998, mais de 5000 jovens Ijaw convergiram para a vila de
Kaiama para pedir às multinacionais petrolíferas que abandonassem as
suas terras e rios, depois de deixarem de reconhecer a injusta
legislação federal que lhes nega os seus direitos naturais de posse e
controlo sobre as suas terras e os seus destinos. Mais uma vez, os
agentes do estado assassinaram os Ijaws nas ruas.
Nós vemos, nos movimentos populares emergentes, a esperança numa
expressão da vontade do povo. O desafio é o de clarificar a sua missão,
uma vez que, na falta de um fundamento ideológico coerente, correm o
risco de ser empurrados para plataformas nacionalistas estreitas, pelos
mesmos elementos da classe dirigente que se escondem sob a capa das
“nações étnicas”. Os activistas jovens que constituem o grosso destes
movimentos emergentes, enfrentam a morte, graças a uma militância que é
característica dos que se sentem sem nada, que não têm nada a perder.
Porque não têm quaisquer esperanças em desenvolver as suas
potencialidades humanas no sistema presente.
Com movimentos de pessoas independentes, com missões coerentes de
reclamar as ruas e os rios, podemos unir forças com movimentos
similares, como os sem-terra no brasil, os zapatistas, etc., que, de
formas diferentes, estão a preparar terreno para derrubar a actual ordem
de exploração e para a construção de uma nova humanidade.
É por isso que os acontecimentos de Seattle são encorajadores. As
pessoas exploradas estão a identificar e a atacar as forças e as
estruturas económicas que criam as condições para o empobrecimento da
maioria da população mundial e que induzem à violência na nossa
sociedade. Nas ruas de Seattle estão activistas de vários países, em
representação de camponeses, desempregados e sub-empregados, dos
indígenas cujas terras são devassadas em busca de lucro, da igreja, etc.
Da esquerda, do centro e mesmo da direita. A coligação conseguida para
Seattle talvez seja demasiado abrangente para se manter por muito tempo,
uma vez que há muitas alternativas divergentes propostas. Algumas
revolucionárias, algumas reformistas. Algumas reaccionárias. Mas o
impacto, de momento, tem sido potente, mostrando indicadores de que, à
medida que nos aproximamos do próximo século, as fronteiras da
resistência à ordem da exploração se vão expandir.
Sabemos que Seattle pode ser considerado um terreno estranho para esta
luta. A resistência, que irá levar ao desmantelamento da ordem existente
e à criação de uma sociedade mais humana será levada a cabo onde os
segmentos explorados estão baseados. O terreno é grande.
Contacto: Chikoko, Yenagoa, Bayelsa State, Nigeria; Tel/fax: +234 84 236
365; e-mail: oilwatch@infoweb.abs.net; chikokondt@eudoramail.com


América centro / sul
N30 - Buenos Aires - Argentina
Em solidariedade com milhares de activistas de cidades de todos o mundo,
Buenos Aires também teve a sua manifestação de protesto contra a Ronda
do Milénio da OMC. Em frente à Bolsa, mais de uma centena de pessoas,
reunidas pelo Grupo 501 (nome da organização) e outras organizações
participantes, como o Jubileu 2000, membros do Clube Barter e grupos de
música e teatro que levaram a cabo uma performance de escárnio. Aí,
pessoas, natureza e “valores” foram vendidos e leiloados a baixos
preços; e os manifestantes, que tinham os seus corpos
“desregulamentados” ao som da banda que tocava na Rua 25 de Maio,
declararam-se zona livre “para além do mercado”.
Contacto: pablobergel@house.com.ar, martin73@infovia.com.ar,
msfajer@cvtci.com.ar

N30 em Santos, Brasil
Na passagem do dia internacional de ação e carnaval anticapitalista, 30
de novembro, o Coletivo Alternativa Verde (CAVE), a Rede Libertária da
Baixada Santista (RLBS) e a União Libertária da Baixada Santista (ULBS),
organizaram um protesto contra o sistema global, na Praça Mauá, em
Santos (SP), a mais movimentada da cidade. A ação dos ecologistas e
anarquistas se baseou na realização de uma performance baseada no texto
"Governados" do pensador anarquista Pierre Proudhon. O texto foi
encenado duas vezes. Além da performance, cerca de 30 pessoas, algumas
caracterizadas de palhaços, distribuíram 1000 folhetos contra a pobreza
e o capital para os transeuntes dos arredores da praça. Também foram
levados pelos manifestantes cartazes e faixas com as frases "Ante a
Globalização, Resistência e Ação-Direta", "Rebele-se!", "Não ao
Progresso Destruidor" e "Brasil 500 Anos de Resistência Indígena, Negra
e Popular". Não houve nenhum tipo de incidente com a polícia. E, mais
uma vez a mídia não apareceu para registrar (deturpar) o protesto. Para
os organizadores a ação foi positiva, mas para as próximas ações globais
devemos nos articular melhor.
Contacto: Agencia de Noticias Anarquistas ANA, CP 7811525-970 Cubatão-
SP,
BRASIL email: m_reboucas@yahoo.com e ainda: Leo <vinicius@cfh.ufsc.br>
Marcha pela dignidade, Colômbia
A 14 de Dezembro, cerca de 100 índios Embera chegaram a Bogotá, na
Colômbia, depois de marcharem durante mais de 700 Km desde Medellín, em
protesto contra a construção da barragem hidroeléctrica de Urra. O
governo colombiano deu recentemente luz verde a este megaprojecto a ser
implementado na sua terra ancestral. Os Embera e agricultores locais têm
sido forçados a abandonar as terras e vários líderes do movimento têm
sido assassinados. Envia cartas de protesto para o presidente da
Colômbia pastrana@presidencia.gov.co.
Para mais informações: Yvonne A.Truque yvonneat@simpatico.ca , Libia
Grueso PCN libia@colnet.com.co (espanhol)

Estudantes da UNAM em solidariedade com os protestantes anti-OMC, México

A 11 de Dezembro, cerca de 500 estudantes montaram uma marcha em frente
da embaixada dos E.U.A., protestando com Seattle durante o encontro da
OMC e exigindo a liberdade para Mumia Abu Jamal - um jornalista negro,
enfrentando pena de morte nos Estados Unidos. A Polícia Estatal
respondeu violentamente enquanto os estudantes saiam. A situação
desenrolou-se num confronto com a polícia. Os estudantes foram
perseguidos e maltratados. Seis estudantes e 3 jornalistas sofreram
injúrias. Noventa e oito estudantes foram presos, tanto homens como
mulheres, 19 deles eram menores. Os 170.000 estudantes da UNAM
(Universidade Autónoma do México, a maior universidade na América
Latina) têm estado de greve para mais de 8 meses, exigindo o respeito
quanto ao ingresso ao ensino pós-secundário e posicionando-se contra a
imposição do modelo neoliberal de privatização das universidades. A
resposta do governo ao movimento tem sido negação ao diálogo, tentando o
descrédito, a divisão, discórdia e repressão dos estudantes. Só
recentemente é que as conversas foram começadas entre as autoridades e o
Comité de Greve dos estudantes e somente depois do Reitor da
Universidade ter assumido a sua incapacidade para resolver o conflito.
Contra os seus direitos, os estudantes estiveram incomunicáveis e
aprisionados durante vários dias, sofrendo repressão física e
psicológica. Foram acusados de motim, dano de propriedade e "agressões".
Os estudantes foram libertos sob caução, uma soma grande de dinheiro que
foi angariado pelos estudantes, pais, bandas punk, professores e muitas
outras pessoas. O movimento da UNAM tem recebido apoio solidário de
estudantes de vários países e também do exército zapatista EZLN.
Contacto: Consejo General de Huelga, chg@unam.8m.com

América norte

N30 no Québec: resistindo ao frio e ao neoliberalismo
Manifestantes da coalizão anti-OMC, carregando uma mistura de comida
modificada geneticamente, latas "pensée unique" e marionetes da
globalização marcharam para o coração de Québec (local d'Youville) onde
houve uma performance de teatro de rua ilustrando os impactos nas vidas
das pessoas das negociações que aconteceriam em Seattle. Os atores
tiveram que elevar suas vozes tanto contra o neoliberalismo totalitário
e os auto-falantes da pista de patinação no gelo ao lado, que estavam
mais altos do que os ativistas resistindo a globalização econômica e o
frio! Um grupo corajoso fez uma visita ao Parlamento, a vários bancos,
terminando no ministério da indústria. A tour acabou em uma dança pelas
'pessoas acima dos lucros'.
Contato: Vanessa Stasse, coalitionorange@caramail.com,

Relatório do Canadá
Apesar de muitos activistas canadianos terem viajado para Seattle, houve
acções de costa a costa. Em solidariedade com pessoas de todo o mundo,
trabalhadores de saúde, estudantes, reformados, trabalhadores dos
correios, agricultores e outros expressaram a sua desconfiança em
relação ao jogo de casino global que promove a competição e a ganância
como pontos altos das conquistas humanas.
O governo canadiano queria dar uma aparência de “transparência” e
promoveu uma “consulta” imperfeita e incompleta à sociedade civil. Foi
organizada uma meia dúzia de encontros com os participantes habituais,
lobbyes comerciais, Câmaras do Comércio, representantes das
multinacionais, algumas ONGs, etc. e, depois, o governo prosseguiu na
mesma com os seus planos. O Sindicato dos Trabalhadores Postais do
Canadá (Canadian Union of Postal Workers - CUPW) lançou a ideia de uma
caravana que atravessasse o Canadá para aumentar a consciência sobre os
perigos da OMC e para estimular acções para o N30 e para depois. Visitou
20 comunidades, entre Toronto e Seattle. Os caravanistas visitaram
escolas, universidades, mercados de agricultores, participaram em
manifestações, intervistas de rádio, cobertura mediática e falaram em
esquinas de rua. A intensidade que se construiu pelo caminho até
Seattle… onde o veículo da caravana foi rapidamente transformado num
centro médico de emergência para atender as vítimas da violência
policial. Os trabalhadores dos correios marcharam pelas ruas e estiveram
nas linhas da frente em British Colombia, um representante de cada grupo
local da província, marchou em Seattle.
Acções, manifestações, palestras, marchas, bloqueio de estradas foram
levados a cabo em cidades como Prince George, Halifax, Petersborough,
Vernon, Salmon Arm, Penticton, Kelowna. Também algumas pequenas
actividades públicas no mês que precedeu Seattle em comunidades como
Sudbury, Thunder Bay, Toronto, Brandon, Regina, Saskatoon, Kitchener and
Guelph.Winnipeg viu uma marcha de 300 pessoas, em Portage and Main, o
cruzamento mais movimentado da cidade. A marcha prosseguiu para fechar
Pirtage Avenue, em hora de ponta, e seguiu para a universidade. Durante
todo o mês de Novembro a comunidade de Winnipeg teve palestras,
comícios,etc. todas as semanas. Grupos locais formaram uma frente comum
contra a OMC.
Em Otawa, no dia 12 de Novembro, Homes not Bombs (Casas e não Bombas ou
Casas em vez de Bombas) organizou uma apropriação (ocupa), que resultou
em 50 presos. Na semana seguinte, 1000 sem-abrigos e apoiantes travaram
uma intensa batalha com a polícia, à frente das casas do parlamento. O
neoliberalismo, nos últimos 10 anos, acelerou as disparidades salariais
e a pobreza até à loucura. Com estes eventos como pano de fundo, 150
pessoas apareceram no Parliament Hill, no dia 30 de Novembro. Na semana
seguinte, a entrada para o Departamento de Comércio Internacional e
Assuntos Estrangeiros esteve temporariamente fechada, já que 30
manifestantes gelados tentavam entregar uma mensagem ao Ministro
Canadiano do Comércio e exibir solidariedade com os oprimidos de
Seattle. Os protestantes trouxeram uma lata de spray de pimenta com 6
pés de altura (desculpem lá, mas não sei fazer a conversão para cms)
para se protegerem do vandalismo policial.
Em Vancouver, mais de 50 autocarros (ônibus) de sindicalistas foram para
Seattle. Estudantes da Universidade de British Colombia fizeram uma
greve de fome que durou vários dias.
Em Canada Place, no dia 30 de Novembro, cerca de 100 pessoas
participaram numa oferta de Chretien (primeiro ministro) às corporações
de presentes intitulados “direitos laborais”, “direitos das mulheres”,
“trabalho infantil”, etc.
Por todo o Canadá, há pessoas que continuam a encontrar-se e a planear a
próxima fase da luta. Planeia-se uma reunião da AGP/PGA que terá lugar
em Windsor, de 1 a 4 de Junho de 2000, durante a reunião da Organização
dos Estados Americanos. Para mais informação contacta:
MWMorrill@aol.com, dbleakney@cupw-sttp.org, briane@tao.ca.
Também se planeiam coisas, em algumas das comunidades referidas acima,
para o M1 (1 de Maio 2000).
Seattle foi só um começo. Uma injúria a um é uma injúria a todos.
Solidariedade
Contacto: Dave Bleakney, CUPW, 377 Bank Street, Ottawa, Ontario K2P 1Y3,
Canada
e-mail:dbleakney@cupw-sttp.org, Site da Caravana:
http://www.wtocaravan.org

Reclaim the Streets! na Cidade de Nova Iorque, a 26 de Novembro
Sexta-feira, 26 de Novembro, activistas organizados pelo Reclaim the
Streets/New York City (RTS/NYC), grupo local da coligação internacional
de protesto Reclaim the Streets, encontraram-se na Times Square e deram
forma a uma festa de rua massiva, criando um ambiente de carnaval contra
o capitalismo envolvendo mais de 1000 activistas. Esta acção foi
empreendida no Buy Nothing Day (Dia de Não Comprar Nada), uma iniciativa
internacional contra a existente acultura do consumismo, coordenados com
as dezenas de milhares que se manifestaram em Seattle, protestando
contra a Organização Mundial do Comércio. O 26 de Novembro é
tradicionalmente o maior dia de compras do ano, um marco na demanda
consumista. O RTS/NYC bloqueou o trânsito na intersecção da 44th com a
Broadway, montando um festival de protesto na rua durante mais de 40
minutos, antes da polícia o terminar, finalizando a festa de dança de
uma forma bastante agressiva. Foram presas 45 pessoas antes que os
activistas continuassem a festa, num encontro pacífico em Bryant Park.
Contacto: http://reclaimthestreetsNYC.tao.ca , email: rtsnyc@tao.ca ,
número de telefone para informações: +1 212.539.6746

N30 Nashville, E.U.A.,
Nashville: Aproximadamente 45 manifestantes se reuniram em frente à
campanha presidencial de Al Gore para protestar contra o encontro da
Organização Mundial do Comércio em Seattle. Não houve violência. A certa
altura, na terça-feira pela noite, manifestantes entraram na área de
recepção e cantaram “Não, não, não OMC...,” para alguns confusos membros
do pessoal de campanha de Gore, antes de voltarem ao frio. Um
manifestante usou uma grande cabeça de Ronald McDonald de papel mache
com presas e símbolos de dólar como olhos. Os destaques foram a
cobertura nas 3 cadeias principais de TV e no jornal local , um grupo
de solidariedade, e um rumor de que Gore chamou o dirigente do sindicato
local e lhe pediu que nos mandasse voltar. A principal baixa foi alguém
ter arrombado um dos veículos dos organizadores, um organizador chave na
região de Nashville, e ter roubado uma bolsa contendo muitos escritos e
documentos. O protesto foi pacífico e nos reunimos na frente da sede de
Gore durante a hora do rush. Alguns de nós construíram um grande boneco
do Ronald McDonald de 4 metros de altura, e também tivemos uma grande
borboleta para projetar uma imagem positiva do que nós apoiávamos.
Também foi feito um cartaz “Comércio Justo” em larga escala, com o
logotipo do comércio justo. O que foi mais maravilhoso sobre esta
experiência foi o sentido de solidariedade e união de alguns dos
ativistas em Nashville para se manifestar sobre um assunto que nos
preocupa muito profundamente.
Contato: christopher.lugo@nashville.com

Passeata festiva anti-OMC e manifestação em Salt Lake City, EUA em 30 de
Nov.
Quase 40 pessoas participaram. O Sindicato dos Carpinteiros local, com o
Student Labor Action Committee [Comitê Estudantil de Ação do Trabalho]
da Universidade de Utah e o grupo ambientalista Terra Firme puxaram uma
divertida passeata pelo centro da cidade durante o horário de almoço.
Nós
colhemos muitas buzinas, sorrisos e polegares para cima em apoio, embora
um homem de negócios que passava tenha tentado derrubar um manifestante
que carregava um cartaz que dizia, “apoie pequenos negócios”. Sander
Lazar (Terra Firme) e Mark Nelson (sindicalista) estimularam a
manifestação e fizeram discursos informativos com recomendações de como
se viver sem sustentar os grandes negócios que escoram a Organização
Mundial do Comércio. Nossa peça foi divertida! Os organizadores do
sindicato disseram que eles poderiam ter trazido mais 50 pessoas se eles
tivessem ficando sabendo da manifestação.
Contato: Debora Wrathall; 331 S. 800 E; Salt Lake City, Utah 84102;
email:
Debora.Wrathall@hsc.utah.edu


Maçãs verdes contra o poder da OMC
O momento era perfeito: Enquanto em Seattle centenas de manifestantes
estavam presos e o toque de recolher declarado, o prédio da sede da OMC
imergiu na escuridão. Muitos computadores estragaram, as comunicações
com Seattle foram cortadas, o caos somente pôde ser solucionado após
algumas horas. Um grupo com o poético nome de "Les Reinettes Vertes"
(maçãs verdes) causou um curto circuito e uma explosão em um pequeno
gerador adjacente à OMC. O grupo disse em um breve comunicado que havia
escolhido a OMC como alvo porque acreditava que o cão de guarda não dá
voz às pessoas e se objetiva a maximizar o volume de comércio
internacional enquanto esquece que todo transporte polui.

A Caminho de Seattle (“The road to Seattle”)
“A Caminho de Seattle” foi o nome dado à caravana que atravessou o país
da People’s Global Action / Acción Global de los Pueblos (Acção Global
dos Povos - AGP) organizada por activistas norte-americanos. Pela
primeira vez na curta história da AGP, as acções foram rodeadas por uma
grande diversidade de outras formas de acção.
Activistas de Israel, Bolívia, Paquistão, Alemanha, Canadá, Panamá,
Índia, Reino Unido e EUA estiveram na rua durante um mês e passaram por
Nova Iorque, Boston e San Diego, a caminho de Seattle. Em muitos sítios,
encontraram comunidades muito alegres e activas. Noutros locais, as
acções tiveram que ser programadas no acto. Apesar de muitos cidadãos
norte-americanos ignorarem o que é a OMC e como funciona, a III reunião
ministerial, em Seattle, acabou por se transformar no “Woodstock da
Resistência”.
A chegada da caravana a Seattle foi só o ponto alto dum “tour” por 20
cidades. Começou em Nova Iorque, no dia 29 de Outubro, com uma acção
contra a Burson-Marsteller, uma corporação de branqueamento,
especializada numa orientação pré-concebida de destruição do meio
ambiente e de violação dos direitos humanos. No dia seguinte, a caravana
participou numa conferência anti-OMC, em Boston, seguida por uma festa
de Noite das Bruxas, em Amherst, Massachuchets ocidental, com os
“Horrores da Globalização” como convidados. À medida que a caravana ia
atravessando o país, fomos a palestras em universidades e faculdades
sobre as políticas da OMC e os seus impactos nos países participantes.
Em cada paragem, juntamo-nos aos protestos locais contra o comércio
“livre”, como os metalúrgicos despedidos por lock out pela Kaiser
Aluminuim, em Newark, Ohio, ou os activistas que se opunham à Occidental
Petrolium, uma multinacional que actualmente explora petróleo na terra
dos U’wa, na Colômbia. Em San Diego, encontramo-nos com membros da
Frente Zapatista do México. Os caravanistas participaram numa
manisfestação viva Anti-OMC, em San Francisco, e, em Eugene,
manifestaram-se pela primeira vez contra Lojas que Exploram os
Empregados (sweat shops), depois visitaram uma aldeia de três
habitantes, que protegem, há um ano e meio, uma floresta, de forma a que
não seja completamente cortada.
Apesar de o presidente dos EUA, Clinton, ter dito que não se preocupava
com os anunciados protestos de Seattle, o departamento de estado
americano tomou precauções, de forma a que muitos dos que fossem
protestar não entrassem no país: Nove participantes da caravana viram os
seus vistos recusados, mesmo o Siwakoti Gopal, que tirou o curso de
direito nos EUA e que deveria dar aulas depois da caravana. Três outros
participantes do movimento Chikoko e da organização de mulheres WIN, da
Nigéria e Libéria, esperaram em vão pelo seu visto na embaixada.
Só o tempo dirá se as caravanas, como forma de acção, têm ou não
sucesso. No entretanto, o Ronnie, de Israel, já está a fazer planos para
que a próxima caravana vá pelo Médio Oriente…
Contacto: Vê o relatório diário na página web da AGP: www.agp.org


A batalha de Seattle ou a vitória sabe a gás lacrimogénico
No dia 30 de Novembro de 1999, milhares de pessoas vieram a Seattle com
um único objectivo: fechar a OMC (“to shut down the WTO”). Este
“Carnaval contra o Capital” foi um momento histórico no nascimento de um
movimento global contra o governo controlado pelas multinacionais. No
N30, trabalhadores, estudantes, agricultores, ambientalistas, artistas e
pessoas de fé, encheram as ruas de Seattle e enviaram um resoluto “Não!
À OMC e à sua violência económica contra as pessoas e o planeta”. A
acção directa do N30 em Seattle foi organizada, em larga medida, pela
Rede de Acção Directa (Direct Action Network - DAN), que se formou em
antecipação à ronda ministerial da OMC. A DAN é uma coligação de grupos
ambientalistas, de defesa dos direitos humanos, de teatro de rua, de
justiça social, comprometidos com a acção directa não violenta e
políticas radicais e visionárias.
A Dan está, de momento, no processo de se transformar numa rede
continental. Nos meses que precederam o N30, a Dan ajudou a treinar e a
mobilizar milhares de activistas de todo o continente. Os esforços
culminaram numa convergência de 10 dias antes do N30, na qual o DAN
coordenou workshops de não-violência, de solidariedade nas prisões,
bloqueios, construção de gigantones, envio de mensagens para os media,
primeiros socorros e outros. A trabalhar com a DAN esteve o Centro de
Media Independente (Independent Media Center - IMC), no que foi uma
experiência sem precedentes em “media sem mediatização” (no original
“unmediated media) e tão consequente para o movimento como a acção do
N30 em si. Através do IMC, houve imagens e sons a serem enviados, ao
vivo, das ruas para a Internet, onde foram vistas / ouvidas por 50 mil
pessoas por dia (http://indymedia.org)
O objectivo central da DAN era orquestrar a acção do N30. O desafio era
criar uma estrutura suficientemente definida por grupos de afinidade, de
forma a, facilmente e sem pisar os calos do vizinho, mas suficientemente
aberta, de forma a permitir uma grande variedade de estilos de acção. De
forma a permitir esta liberdade, a DAN dividiu a área da acção em 13
partes, tipo fatia de tarte, que saiam a alargar desde o centro. As
acções dentro de cada uma das fatias deveriam ser preparadas e
orquestradas independentemente, por diferentes grupos. A DAN levou a
cabo reuniões de representantes de cada grupo, todas as noites da
Convergência, durante as quais os grupos dividiram as fatias da tarte,
usando o consenso como forma de decisão. Ao fazer isto, a DAN estava a
assegurar que toda a área que rodeia o centro de convenções estava
coberta. O N30 começou, oficialmente, às 7 horas da manhã, apesar de,
nessa altura, já haver centenas de activistas nas ruas há horas. Houve
duas procissões que desceram da baixa da cidade para o centro de
convenções, cada uma por seu lado. Uma, encabeçada por metalúrgicos e a
outra, por Americanos Nativos idosos e membros da caravana AGP. As
procissões tinham dançarinos, faixas coloridas, músicos e fantoches,
incluindo uma Mãe Terra gigante, 240 tartarugas marinhas, um barco com
40 pés (novamente sem conversão), e um mar de golfinhos ondulantes.
Houve grupos de afinidade que desenvolveram as suas acções, como
barricadas nas ruas, claques radicais, dança, teatro de rua, num esforço
para obstruir cruzamentos, o Centro de Convenções e as entradas do
hotel. Inspirados pelas claques radicais, os monges Sul Coreanos com os
seus tambores, uma multidão de tartarugas marítimas de cartão e a
Brigada do Barulho Infernal (Infernal Noise Brigade) vestida com
máscaras de gás, enchemos as ruas com uma determinação unificada.
Fechamos as ruas, mantivemo-nos firmes e chateamos fortemente de forma
não violenta (no original, “and non-violently kicked-ass”). Durante todo
o dia mandamos delegados embora das suas reuniões.
As autoridades tentaram enfraquecer o nosso poder com gás lacrimogénio,
granadas de fumo, balas de borracha, gás de pimenta e cassetetes. Houve
gente que sofreu ferimentos sérios na boca, olhos e pele das armas “não
letais”. Mas a multidão era brava, voltando, com os olhos vermelhos e a
pele manchada, para as linhas da frente uma e outra vez. Os burocratas
desesperados esperavam usar uma marcha de 20.000 sindicalistas oficiais
para dissipar a intensidade da resistência na baixa, mas, para seu
terror, milhares de membros dos sindicatos sairam da marcha e
juntaram-se aos bloqueios. Uma imagem esclarecedora foi a de um
metalúrgico e de uma pessoa vestida como tartaruga marinha a segurarem
uma faixa que dizia “Metalúrgicos e tartarugas marinhas juntos por fim”.

Além da marcha, o sindicato dos estivadores fechou a costa do pacífico
do México ao Alasca. Nessa noite, a intensa militarização da baixa
começou. Diz-se que a Secretária de Estado estadounidense, Madeline
Albright, presa no seu quarto no Hotel Westin e furiosa, pediu uma
escalada na actuação da polícia. O Mayor (presidente da câmara, ou
perfeito) impôs um estado de emergência e declarou a baixa uma “zona de
não protesto”, com recolher obrigatório depois do anoitecer e acusações
de criminoso a quem tivesse máscara de gás. Nessa noite, houve notícias
de polícias que atacaram gente que tinha as suas lojas ou restaurantes
abertos, uma reunião dos alcoólicos anónimos e crianças. A brutalidade
policial aumentou no dia seguinte. 500 manifestantes não-violentos foram
presos. Enquanto estiveram sob custódia policial, houve pessoas
espancadas, arrastadas pelos cabelos, pontapeadas, vaporizadas com gás
de pimenta, ameaçadas de sufocação. Muitas mulheres foram levadas para a
solitária, despidas e tosquiadas e um homem foi amarrado a uma cadeira
de rodas para que lhe pusessem espuma de pimenta massajada nos olhos. Os
presos esconderam os seus nomes em solidariedade e protegeram-se uns aos
outro tão bem quanto podiam, dando as mãos e fazendo tudo o que evitasse
a separação. Como resposta às detenções, milhares de pessoas acamparam
do lado de fora das cadeias e comprometeram-se a não sair até que todos
os prisioneiros fossem libertados. Aí, a multidão passou por uma
discussão fabulosa de três horas e chegou a consenso quanto a um plano
de 5 partes para apoio a presos. Todo o processo demorou três horas e
foi a experiência democrática mais inspiradora em que a maior parte
tinha participado. Havia um grande sentimento de se estar a fazer
história, na qual a multidão estava a participar num processo de
democracia directa, enquanto a OMC estava em quase implosão, devido à
sua falta de democracia. Na altura em que essa reunião acabou (a
popular), dizia-se que a OMC não conseguia chegar a nenhuma resolução e
que a reunião ministerial tinha acabado num fracasso. Nessa altura, a
multidão explodiu no canto “É isto a democracia” (“this is what
democracy looks like… this is what democracy feels like”). As pessoas
dançaram ao som de um coro de tambores africanos até às 5 da manhã com
as palavras “GANHAMOS!”, mas ainda suspensas na descrença. Mas, os
jornais da manhã confirmavam os nossos sonhos mais selvagens: Títulos:
“Ronda acaba em falhanço”. Era verdade. Desta vez, as pessoas ganharam.
Em Seattle, testemunhamos o nascimento de um movimento popular.
Metalúrgicos, estivadores, grupos de igrejas, anarquistas, agricultores,
defensores dos direitos humanos e ambientalistas, juntaram-se nas ruas
num esforço sem precedentes na América do Norte, tanto em termos de
unidade como de força. A Ronda Ministerial da OMC em Seattle foi um
momento importantíssimo na evolução do nosso movimento e a nossa unidade
não vai acabar aí. A OMC é o culminar de uma longa história de dominação
política e económica. Ao pararmos a OMC só damos os nossos primeiros
passos em direcção ao transferir o poder para as mãos das pessoas. Que a
nossa resistência seja tão transnacional como o capital!
Contacto: DAN, PO Box 95113, Seattle WA 98145, USA, tel.: +1
(206)632-1656,
mail: can@drizzle.com,
www.agitprop.org/artandrevolution, www.indymedia.org


Ásia

Povo coreano contra políticas neoliberais
Em 15 de setembro de 1999, KoPa “Ação do Povo Coreano contra Tratados de
Investimento e a Nova Rodada da OMC” foi criada. Ela é composta de mais
de 25 organizações de movimentos sociais, de cidadãos e de trabalho.
Somente após a crise do FMI, 2 anos atrás, é que os setores
progressistas viraram os olhos para os efeitos globais do neoliberalismo
e para meios de ação contra estes efeitos em escala global. Há
considerável atenção enfocando as possibilidades de solidariedade
internacional. KoPA não é um arranjo de curto prazo, continuará agindo
depois de Seattle. “Nós queremos outra sociedade que respeite a
democracia, os direitos humanos, o meio ambiente e a diversidade
cultural!”, KoPa sustenta. Os coreanos estão sempre tendo que ouvir
sobre os benefícios de ‘livre comércio, do livre investimento e do
regime da OMC’, porém, no processo assim chamado ‘recuperação econômica’
da crise do FMI, o fosso de renda entre as classes superiores e mais
baixas cresceu ainda mais.
A Manifestação do Povo 99 ocorreu dia 14 de Nov. no centro de Seul, no
parque Youido. Aproximadamente 25.000 trabalhadores, agricultores,
estudantes, e membros de vários movimentos sociais participaram da
reunião e da passeata até a estação de trem de Seul. Dúzias de faixas
foram penduradas em árvores e postes com reivindicações do tipo ‘Redução
de Horas de trabalho!’ ‘Erradicação Total da Lei de Segurança Nacional!’
‘Solucione as Dívidas dos Agricultores!’ ‘Contra Privatização!’ ‘Aumento
de Financiamento para Educação!’ O programa de reestruturação do FMI,
o governo de Kim Dae Jung e suas políticas neoliberais foram severamente
criticadas. Um pessoa que discursava comentou, durante sua fala, que “o
governo está dizendo às pessoas que nós nos recuperamos da crise do FMI,
mas olhe ao redor e para nós mesmos. Nós nos recuperamos? Milhões de
trabalhadores não tiveram que deixar seus empregos? Milhões tiveram os
salários reduzidos? Milhares jogados à rua? A economia pode ter
melhorado, mas só para o rico e o poderoso, ao custo dos trabalhadores e
do povo deste país.”
Depois da marcha para Estação de Trem de Seul, aproximadamente 5000 dos
participantes da marcha bloquearam as estradas e ocuparam todas as 8
pistas na frente da estação. O comitê da Manifestação do Povo declarou
uma luta total contra o governo se conversas sinceras com os
trabalhadores e os agricultores não ocorrerem e as reivindicações do
povo não tiverem um espaço.
Em 27 de Nov., outra manifestação ocorreu com participação de 3000
pessoas.
Em 30 de Nov., de acordo com o dia internacional de ação, KoPA organizou
uma manifestação na frente dos edifícios governamentais no centro de
Seul. Um agricultor gritou, “a Rodada do Uruguai foi a fonte de
incontáveis lágrimas e sangue derramados pelos agricultores, a Nova
Rodada da OMC é uma questão de vida e morte para os agricultores!”
Também no dia 30, o Comitê Organizador do Festival de Filmes de Direitos
Humanos de Seul, solidariamente ao dia internacional de ação, apresentou
3 filmes sobre os efeitos que a OMC, o FMI, e a globalização neoliberal
tem causado às pessoas do mundo.
KoPA está atualmente mantendo as pessoas na Coréia atualizadas sobre as
ações contra a Nova Rodada da OMC em Seattle, como também no resto do
mundo. Nós acreditamos que este é só o começo do trabalho a ser feito na
Coréia. Temos sido muito encorajados pelo apoio que nós temos recebido
das pessoas assim como das organizações progressistas. Nós estamos
recebendo notícias das manifestações de Seattle e estamos enormemente
motivados e inspirados por elas. Nossa luta é sua luta! Dê o poder às
Pessoas!
Em Solidariedade, Editores do Boletim PICIS
Política & Centro de Informação pela Solidariedade Internacional, 2º
Andar, 696, Shindaibang1-dong, Dongjak-ku, Seul, Coreia
http://picis.jinbo.net / E-mail:picis@jinbo.net, hanboss@nownuri.net
Tel: ++ 82 2 834 8335 fac-símile: ++ 82 2 834 8334
P.S.: Em 6 de Dez. a KCTU (Confederação Coreana Sindical) fez um
protesto passivo na frente da Assembléia Nacional. A polícia invadiu o
lugar no dia 7 de dez.
Dezembro: A KCTU anunciou, conseqüentemente, a luta total contra o o
regime de Kim. Em 10 de Dez., a 2ª Manifestação do Povo ocorreu em Seul
com cerca de 35.000 pessoas. Os manifestantes mostraram sua revolta e
frustração. Os agricultores anunciaram a rejeição total à OMC e ao
regime de Kim. Os participantes da marcha tiveram que enfrentar a
obstrução de 10.000 policiais da tropa de choque. Houve grandes
conflitos entre os manifestantes e a polícia. Muitos estudantes foram
detidos e feridos, e alguns estão em estado grave. O regime de Kim
distorceu o ocorrido e anunciou que puniram severamente os
manifestantes.


Protesto em Manila, Filipinas
24 de Novembro: Manifestantes anti-ASEAN (Association of Southeast Asian
Nations) foram espancados pela polícia de choque e atacados com um
canhão de água durante os protestos em frente da Philippine
International Convention Centre em Manila, o lugar da 3ª cimeira
informal da ASEAN e encontros preparatórios. Protestou-se contra a
liberalização do investimento e do comércio.
30 de Novembro: Milhares de membros da união esquerdista e activistas
marcharam até à embaixada dos E.U.A. e até perto do palácio presidencial
em Malacanang contra a presença das Filipinas na OMC. Perto de 8000
pessoas estiveram nos protestos em frente à embaixada e noutros lugares
de Manila. Os activistas gritaram palavras de ordem contra a cimeira da
OMC, em Seattle, clamando que as conversações levariam à importação
desnecessária de comida e à descida dos lucros dos agricultores locais.
Milhares de pessoas também protestaram nas cidades de Bacolod e Iloilo
no centro das Filipinas. Em Iloilo, os protestos eram contra a Lei
Mineira de 1995 que permite 100 por cento de investimento estrangeiro em
projectos locais mas que tem sido desafiada por tribos que declaram que
os bens naturais são uma herança que não deve ser explorada por
companhias estrangeiras. O Tribunal Supremo ainda não resolveu o caso.
Em Bacolod protestava-se contra os planos do Presidente Joseph Estrada
em alterar a constituição de modo a permitir um maior investimento
estrangeiro, segundo algumas testemunhas.
3 de Dezembro: Os manifestantes tentaram, à força, entrar pelos portões
da embaixada dos Estados Unidos da América em Manila para uma "acção
trovejante" contra as violentas prisões e tratamento dos manifestantes
contra a OMC no encontro em Seattle.


Ação contra a OMC e a represa Maheshwar em Nova Delhi
Quinhentas mulheres e homens da região de Maheshwar, do vale de Narmada,
chegaram no dia 29 de Novembro em Nova Delhi para participar em um
Dharna (protesto passivo) de 3 dias em Raj Ghat, o lugar onde as cinzas
de Mahatma Ghandi foram enterradas. Eles foram para Nova Delhi para
protestar contra o modelo capitalista destrutivo chamado
‘desenvolvimento’. As ações tiveram dois alvos específicos: a
conspiração de interesses industriais indianos com diversas corporações
multinacionais e com estado alemão para construir um represa em
Maheshwar que teria impactos locais devastadores, e o regime da OMC,
pela igualmente vandalística e insidiosa exclusão que cria globalmente.
Eles organizaram duas ações diferentes em 30 de Novembro. A primeira
aconteceu do lado de fora da embaixada alemã, debaixo da forte
vigilância da polícia. O Governo alemão está estudando agora a aprovação
de uma garantia de Hermes para a represa Maheshwar, o primeiro projeto
hidro-elétrico privatizado na história da Índia independente. A
aprovação de tal garantia tiraria todo o risco das corporações
estrangeiras (como Siemens, ABB, etc) que estão investindo em sua
construção; conseqüentemente, esta mega-represa, além de ser um tragédia
humana, cultural e ambiental, iria acabar sendo um desastre financeiro
(como tantas outras mega-represas), as perdas iriam ser pagas com o
dinheiro dos contribuintes alemães. Se a garantia for aprovada, as
corporações estrangeiras e as da Índia envolvidas, darão prosseguimento,
indubitavelmente, a este podre projeto, apesar da forte resistência
popular, apesar do fato de que suas terríveis conseqüências sociais e
ecológicas tenham sido reconhecidas até mesmo pelo recente relatório do
Ministério Ambiental indiano sobre o projeto.
Um grupo de 10 representantes da Narmada Bachao Andolan, além de outros
militantes, foram à embaixada alemã pela manhã entregar os mais que
11.000 cartões postais de protesto escritos por pessoas da região de
Maheshwar. Eles foram detidos por 2 horas, enquanto 100 outros ativistas
da NBA protestaram do lado de fora da embaixada. No mesmo dia, às 15:00,
o grupo completo dos 500 representantes da NBA e outras organizações
fizeram um protesto simbólico contra a OMC perto de Raj Ghat, o lugar
onde estão enterradas as cinzas de Mahatma Ghandi e onde o protesto
passivo de 3 dias da NBA ocorreu. As mulheres queimaram uma estátua
simbolizando a OMC e foram feitas várias falas.
Para maiores informações por favor entre em contato com Narmada Bachao
Andolan <nba@lwbdq.lwbbs.net> e a Aliança Nacional de
Movimentos Populares <napmdel@ndf.vsnl.net.in>

Adivasis Ocupam Prédio do Banco Mundial em Nova Delhi
Mais de 300 Adivasis (povo indígena) do estado da Índia Madya Pradesh,
representando todos os movimentos de massa Adivasi, pularam a cerca do
prédio do Banco Mundial dia, 24 de Novembro, às 12:00h. Eles bloquearam
o edifício, cobrindo-o com cartazes, grafitti, cocô de vaca e lama,
cantado slogans e canções tradicionais no portão, e só pararam após o
Sr. Lim, diretor rural do Banco Mundial na Índia, sair para receber uma
carta aberta assinada por todos os movimentos Adivasi. A carta
claramente situa a posição deles em relação a estas instituições: “Nós
lutamos contra a Grã Bretanha e nós lutaremos contra a nova forma de
colonialismo que você representa de todas as formas que pudermos”. As
tentativas do diretor rural do Banco Mundial para falar foram recusadas
pelos Adivasis, que afirmaram que depois de falarem com funcionários do
Banco Mundial durante os últimos 5 anos haviam concluído que tais
‘diálogos’ tiveram o único objetivo de trair e enganar os Adivasis
enquanto eram empurrados por interesses comerciais e industriais.
Organizações Adivasis em Madhya Pradesh denunciaram por diversas vezes a
alta destrutibilidade dos chamados programas de ‘eco-desenvolvimento’
que o Banco Mundial tem promovido durante os últimos cinco anos nas
florestas dos Adivasis. Esses programas envolvem a saída forçada e
violenta de Adivasis das suas terras (sendo usados todos os meios de
força inclusive várias mortes), o qual como tantos outros aspectos dos
programas de ‘eco-desenvolvimento’ do BM, vai contra as Diretrizes
Operacionais do Banco, como também uma combinação mal formulada de
proibições das atividades nas quais os Adivasis têm baseado sua
sobrevivência desde milênios (cultivo sazonal, pesca, extração de
produtos da floresta, etc.) em ‘bases ecológicas’, combinado com o
liberalização de atividades comerciais para ‘fazer da preservação um bom
negócio’. Um grande negócio não para os Adivasis, mas para o corrupto
sistema administrativo que explora a floresta e os interesses comerciais
e industriais que estão atrás deste tipo de ‘eco-desenvolvimento’.
Conseqüentemente, as comunidades Adivasi se vêem forçadas a comprar do
mercado os produtos que não lhes são mais permitidos extrair das suas
florestas.
O outro objetivo da ação era o regime da OMC, uma cada vez mais
importante ferramenta dos interesses que estão destruindo as vidas dos
povos indígenas no mundo inteiro. As tentativas para incluir, no sistema
da OMC, um novo acordo direcionado a impulsionar a extração e o comércio
de madeira foi destacado, e os Adivasis expressaram sua determinação
para lutar contra este fato.
A carta aberta para o Presidente do Banco Mundial conclui: “Para o Banco
Mundial e a OMC, nossas florestas são uma mercadoria comerciável. Mas,
para nós, as florestas são um lar, nossa fonte de vida, a habitação de
nossos deuses, o chão que enterra nossos antepassados, a inspiração de
nossa cultura. Nós não precisamos de vocês para salvar nossas florestas.
Não deixaremos vocês venderem nossas florestas. Portanto vão embora de
nossas florestas e de nosso país”.
Fotos e mais informação sobre a ação estarão logo disponíveis no website
da AGP (http://www.agp.org).


Manfestação de carro de boi em vale Narmada contra a OMC
Uma manifestação anti-OMC com carros de boi foi organizada, em N30, na
aldeia de Anjar, por Rewa Ke Yuva (Juventue por Narmada), a recentemente
formada filial jovem do Narmada Bachao Andolan (NBA Save the Narmada
Movement). Mais de 1000 pessoas, de aproximadamente 60 aldeias,
participaram na colorida procissão, protestando contra os acordos
anti-humanos e instituições que estão empurrando a Índia e o resto do
mundo no destrutivo processo de globalização capitalista. “Países do
Terceiro Mundo terão que lutar contra os poderes capitalistas globais
pela sua própria sobrevivência”, afirmou Medha Patkar, um dos ativistas
sociais mais proeminentes na Ásia e principal ativista da NBA. Na sua
fala, ao término da manifestação, acrescentou que a “NBA tem apresentado
um exemplo, desalojando o Banco Mundial do vale de Narmada”.
Contato: veja artigo de Narmada (notícias breves)


Destruição de sementes da empresa Monsanto em Karnataka, Índia
O Economic Times (edição Karnataka), informava, na primeira página, que
18 toneladas e quase meia da variedade “c-71” de sementes de sorgo
(melaço) da Monsanto tinham sido destruídas, na quarta-feira, 17 de
Novembro de 1999, em Bellary (Karnataka), no seguimento de uma ordem
judicial. Este foi o fim feliz de um litígio inciado pela KRRS há quase
um ano.
Não foi possível colher nada nos cerca de 12.000 hectares desta
variedade, o que arruinou mais de 1.000 famílias. Os activistas da KRRS
apanharam os restos das sementes que não tinham sido vendidas (à volta
de 18 toneladas) e apresentaram queixa contra a Monsanto. Aconteceu que
esta misteriosa variedade, que tinha acabado de ser introduzida, não
tinha sido testada de acordo com as leis indianas. A Monsanto declarou
que as sementes tinham sido infectadas por um vírus e o tribunal ordenou
a destruição do resto das sementes. No entanto, no dia marcado para a
destruição, os responsáveis da Monsanto tentaram destruir outras
sementes que não as da variedade c-71, mas foram impedidos pelos
activistas do KRRS, que denunciaram a sua tentativa para desrespeitarem
a decisão judicial. Agora, as sementes restantes desta variedade foram
finalmente destruidas, mas a Monsanto ainda tem que pagar indemnizações
aos agricultores afectados. Apesar de o Departamento de Agricultura ter
estimado o prejuizo de 30.000 Rs por acre (0,40 hectares), a Monsanto só
queria pagar 5.000 Rs, como pagamento “ex-gratia”, o que eles consideram
um “gesto caridoso” apropriado para com as famílias afectadas.
Continuaremos a lutar até que uma compensação decente seja paga pela
Monsanto. O Sr. Veeranna, presidente da KRRS no distrito de Bellary,
disse, numa manifestação em Bangalore, no dia 30 de Novembro: “Já
alertamos os que se alimentam do negócio agrícola, quando destruímos o
escritório da Cargill, em Bangalore, em 1993. Lembrem-se que, se não
saírem rapidamente da Índia, nós expulsar-vos-emos fisicamente.” O Sr.
Kalmath, representante da KRRS no distrito de Raichur, declarou: “Em
Novembro de 98, quando ficamos a saber que a Monsanrto estava com
problemas legais em Karnataka, no meu próprio distrito, decidimos
queimar as culturas, na acção ‘Cremation Monsanto’. Continuaremos a
tomar acção directa até estas multinacionais se irem embora”
Contacto: KRRS - Karnataka State Farmers Association; 2111, 7-A Cross,
3rd Main, Vijayanagar 2nd Stage Bangalore 560 040 India; tel +91-80-330
09 65; fax: +91-80-330 21 71.
e-mail: swamy.krrs@vsnl.com


N30 em Bangalore, Índia
Bangalore (Índia), 30 de novembro de 1999 - Vários milhares de
fazendeiros de todos os distritos de Karnataka se reuniram hoje em
Bangalore para protestar contra a Terceira Conferência Ministerial da
OMC que está começando agora em Seattle. Se juntaram a eles ativistas de
várias organizações de esquerda e de sindicatos. No final da
manifestação eles emitiram uma notificação de ‘Deixe a India’ à
Monsanto, urgindo a companhia para deixar o país ou então encarar a ação
direta não violenta contra suas atividades e
instalações. Fazendeiros de KRRS se sentaram na frente da estátua de
Ghandhi com enormes cartazes e bandeiras declarando “Nós não queremos a
merda da Monsanto”, “Mantenha o Orgânico Livre da Engenharia Genética”,
etc. Representantes de todos os distritos de KRRS, de sindicatos e
outras organizações de esquerda discursaram. O Sr. Kodihally
Chandrashekhar, Secretário Geral de KRRS, declarou: “Nós já
experimentamos o impacto do ‘livre’ comércio em nossas vidas, por isso
nós exigimos que o Governo da Índia rejeite o regime da OMC e se retire
dele”. Mr. Shankarappa, presidente do KRRS no distrito de Mandya,
declarou: “Nós estivemos sob as regras britânicas por mais de 200 anos.

Depois, nós começamos a viver sob as regras de nossos próprios políticos
corruptos e capitalistas. Mas nós gostaríamos de recordar vocês que se
você está vivo hoje, é somente por causa de nós mesmos. Vocês têm
dinheiro, máquinas, muita propriedade, mas vocês não podem comê-los.
Minha mensagem para vocês é “Mate a OMC - caso contrário ela matará
você’”.
Contato: veja artigo “destruição das sementes da Monsanto”.


N30 Israel
Aproximadamente 30 pessoas foram à embaixada dos EUA no dia 30 de
novembro para protestar contra a OMC. Entre as pessoas estavam um grupo
da vigília de “mulheres de preto”, pessoas do EMAC (coletivo
anarco-comunista), ecologistas de ação direta (dois deles estavam na
caravana da AGP para Seattle), e alguns Comunistas que insistiam em
levantar o seu partido PR ao alto.
Contato: EMAC (Coletivo Anarquista do Mediterrâneo Oriental),
israel@tao.ca


O Povo contra a OMC no Paquistão
Nossa organização organizou uma grande manifestação em Muzafer ghar no
dia 30 de Novembro. Mais de 8000 pessoas participaram. Estabelecemos
uma rede de diferentes organizações que organizou uma grande
manifestação em Multan no dia 5 de dezembro.
Nossa organização e nossos outros parceiros procurou mobilizar pessoas
desde junho. A maioria destas pessoas está trabalhando em regiões
agrícolas e rurais. Nós disseminamos informação sobre os efeitos
negativos da OMC na agricultura. Nós e nossos parceiros organizamos mais
de 120 reuniões e
quatro seminários. Durante estas actividades dissemos às pessoas que, se
elas querem paralisar a OMC, é dever delas se organizar e se manifestar
durante a reunião da OMC. Estas pessoas começaram a manifestação em “Pul
Moj Daria” até “Kachri Chowk”. A polícia esteve junto aos manifestantes.
Mas devido ao caráter pacífico em que se desenrolou a manifestação, não
houve nenhuma ação policial. Porém a polícia ficou em estado de alerta.
Pessoas carregaram cartazes e faixas com o slogan ‘Paralise a OMC’, ‘OMC
é uma ferramenta perigosa para agricultura de países em
desenvolvimento’. No fim, 8 líderes de diferentes organizações falaram
sobre a OMC e seus interesses. Nós entregamos uma resolução para o
secretário do governo em nome dos manifestantes.
No dia 5 de dezembro, em Multan, houve uma manifestação de Cowk Nawan
Sher até MDA Cowk. Mais de 20 organizações de ofício conduziam uma
manifestação contra a violência na manifestação de Seattle. Nessa
ocasião os líderes de diferentes comunidades e organizações discursaram
contra a violência policial em Seattle. Eles seguravam faixas e
cartazes com slogans relativos ao tema. Esta manifestação foi muito
grande. A imprensa deu ampla cobertura, dando um importante espaço em
todos os jornais. Mais de quatro colunas de manchete apareceram nos
jornais de 6 de dezembro.
Nós ficamos mais ativos e obtivemos mais força e energia desta
atividade. Nós estamos juntos a todos ativistas e revolucionários. Nós
acreditamos que alcançaremos nossos objetivos.
Asif Rasheed, Comitê de Awami para o Desenvolvimento,; PO Box 598
Multan;
Paquistão; tel +92 61 539821 #512462, Envie fax +92 61 586764



Ajuntamento de pessoas em Ratmalana, Sri Lanka
Ratmalana, 15 de Dezembro: Cerca de 800 agricultores, pescadores,
trabalhadores industriais, pessoas afectadas por um super projecto de
auto-estrada, ambientalistas, activistas dos direitos humanos,
feministas e pacifistas, mães contra a subnutrição dos filhos, grupos
preocupados com a actual decadência espiritual e cultural juntaram-se
para exigir o não pagamento de dívidas iniciais para um bilião de
pessoas e a resposta a 15 perguntas. Estas incluíram: “Aceitam as
propostas do Banco Mundial que permitem o sector privado a mercantilizar
a água, incluindo a rega, estabelecendo ‘direitos de propriedade da
água’?”, “Tencionam alterar as políticas de mercado que nos levam à
destruição de viveiros de arroz, batata, cebola, vegetais e outros
produtos domésticos que os agricultores produzem?”, “Tencionam deixar
que os nossos bens florestais à mercê e deixarão que multinacionais
pilhem as nossas plantas medicinais, sementes, material genético e
conhecimento indígena? Quais são as vossas medidas para prevenir tais
perdas?”, “Tencionam continuar o plano de construção da super
auto-estrada para uso das grandes companhias, destruindo 16000 terrenos
incluindo aldeias, campos, cursos de água e alojamentos?”
Cada grupo deu voz aos seus problemas e ao impacto destas políticas na
sua comunidade. Isto ajudou a que as pessoas tivessem conhecimento do
que se passa noutras partes do país. Uma declaração comum foi lida em
voz alta e todos a aclamaram consentindo de mão levantada, e
confirmou-se que a
solidariedade entre todos os grupos deveria ser estabelecida de modo a
se poder continuar a luta das vítimas do chamado “desenvolvimento”. Uma
petição com 3000 assinaturas exigindo o cancelamento da dívida
internacional foi entregue a representantes do Banco Mundial. O programa
terminou com determinação e grande convicção que, em conjunto, a luta
deve continuar.
Movimento pela Reforma Agrária Nacional (MONLAR); PGA convenors Asia 43,
Wanatha Road, Gangodawila, Nugegoda Sri Lanka, telefone/fax:
+94-74-302311, email: monlar@sltnet.lk


Marcha na Turquia contra a OMC e o Sistema Capitalista Global. 22 a 30
de Novembro
O Grupo de Trabalho contra o AMI (Acordo Multilateral de Investimentos)
e a Globalização, decidiu fazer um “tour” regional, de Istambul a
Ancara, a capital da Turquia, visitando várias cidades, de forma a
mobilizar a população local contra o comércio “livre” e o capitalismo
global. Nos primeiros dias, visitamos algumas multinacionais, como a
Cargill e a Novartis, na região de Thrace. Enviamos comunicados de
imprensa e fizemos marchas que tiveram um grande apoio de alguns
partidos de esquerda, organizações democráticas incluindo a
Confederation of Public Workers (Confederação de Trabalhadores da Função
Pública), Sindicatos - KESK, a Association of Chambers of Architectures
and Engineers - TMMOB (Associção das Câmaras de Arquitectos e
Engenheiros-TMMOB). Os nossos slogans principais são: “A Globalização
ameaça o futuro das pessoas do mundo”, “Marchamos contra o sistema de
pilhagem da OMC”, “Dignidade Humana em Primeiro Lugar!”, “Acabe-se com a
exploração dos monopólios transnacionais”. Durante as discussões, um
grupo falou, dando exemplos, sobre a actual ordem mundial e os novos
planos do capitalismo.
Em Bursa, que é uma das maiores cidades da Turquia, algumas ONGs
deram-nos as boas vindas. Tinham organizado um painel com muita gente de
diversas organizações. Depois do painel, os participantes declararam que
irão lançar uma Plataforma contra a globalização em Bursa com a ajuda do
nosso grupo. No dia 26 de Novembro, fomos a outra fábrica da Cargill, em
Znik, onde há um lago limpo e muito bonito. Organizamos uma pequena
palestra e demos uma conferência de imprensa no local, com a presença de
muitos seguranças e forças policiais. Depois fomos até à Asil Erik, uma
empresa pública situada perto de Znik que será privatizada dentro de
muito pouco tempo, provavelmente antes de Março de 2000. Como tal, os
trabalhadores estão muito descontentes com as políticas governamentais.
À chegada à empresa estatal Eti-Bor, em Bandrma, fomos recebidos
entusiasticamente por uma grande multidão. A fábrica será privatizada em
breve. Tínhamos a oportunidade de discutir o interesse das
multinacionais nas privatizações. Quando chegamos à Bagfa, uma empresa
que produz fertilizantes químicos, os trabalhadores em greve
receberam-nos com o slogan “Viva a solidariedade de classe”.
Nos dias 27 e 28 de Novembro, a nossa tour continuou pelas cidades de
Eanakkale, Bergama, U ak e Eski ehir. A nossa marcha acabou em Ancara,
onde tivemos que enfrentar fortes investigações e perseguições
policiais. À medida que as notícias de Seattle iam chegando, nós iamos
ficando realmente felizes. Deu-nos esperança para o futuro da
humanidade. Num comunicado de imprensa focamos alguns pontos: avisamos a
delegação turca que tinha ido para o encontro em Seattle: Não assinem a
agenda da OMC. Se o fizerem, não voltem para a Turquia e vão para uma
multinacional, porque deixam de ser cidadãos.
Contacto: Working Group Against MAI and Globalization - Turkey;
Mecidiyek” y Sivrita Sokak No. 9 Daire.2 I li 80310 Turkey; e-mail:
sykimdaksi@superonline.com


Europa
N30 na Alemanha
O 30 de Novembro viu 9 acções a terem lugar por toda a Alemanha, a maior
de todas juntando 800 pessoas em Berlim. A EXPO será uma Exposição
Mundial em Hanôver, imagem da actual ordem neoliberal em todas as suas
formas, tencionando apresentar “soluções” aos problemas globais da
humanidade como a pobreza, a fome e a destruição ambiental. Muitos
grupos populares alemães estão já a informar e a mobilizar-se para este
evento. Outros grupos que fizeram parte do N30 relacionaram o protesto
contra as políticas neoliberais da OMC a tópicos como privatização do
espaço público, deportação de imigrantes e protestaram contra a execução
de Mumia Abu Jamal.
Dois grupos em Tuebingen e em Bochum (Sul e Centro Oeste da Alemanha)
simbolizaram as negociações da OMC como se fosse um jogo de futebol, a
bola seria o Mundo, enquanto que em Hamburgo (Norte da Alemanha) um
grupo Comida Não Bombas distribuiu comida às pessoas nas ruas. Em
Munique (Sul da Alemanha) cerca de 150 pessoas protestaram contra a
Siemens, uma multinacional que se tornou rica durante o regime fascista
de Hitler porque usava judeus e outros prisioneiros como escravos. A
Siemens está, recentemente, a tentar envolver-se na construção da
barragem de Maheshwar, no vale de Narmada (Índia – ver o artigo sobre
Narmada). Esta foi a primeira vez que grupos alemães cooperaram de uma
forma autónoma e descentralizada, depois das anteriores actividades em
Colónia contra a UE e as cimeiras do G8, no início deste ano, que foram
um desastre devido a uma grande centralização da organização que tornou
difícil a articulação de mensagens políticas e facilitou as autoridades
a neutralizarem e isolarem o protesto. Acima de tudo, as acções do N30
podem ser consideradas um progresso e uma boa perspectiva para as
actividades contra a EXPO2000 a começar em Junho do ano 2000.
Contacto: http://go.to/n30-de, email: anti-expo2000@gmz.de .

N30 na Eslovênia
Vinte pessoas atenderam à chamada contra a tirania "democrática" da
Organização Mundial do Comércio e contra a globalização do capitalismo
neoliberal na Eslovênia. A manifestação aconteceu na sexta-feira, 2 de
dezembro de 1999, às 10:00 h, em frente ao Monumento de Preseren. A meta
da manifestação era expressar solidariedade política aos nossos iguais
que estão lutando por um mundo melhor. As pessoas trouxeram cartazes e
panfletos.
Contato: "Skupina Neutro" << neutro@ljudmila.org>
Distribuição: KUD Anarhiv, Metelkova 6, 1000 Ljubljana, Eslovênia,
email: anarhiv@mail.liudmila.org, www.ljudmila.org/anarhiv


Oposição à Ronda do Milénio da OMC no Estado Espanhol
Finalmente, um relatório sobre as actividades anti-Ronda do Milénio em
Espanha.
Começar a trabalhar nestes assuntos não foi fácil, uma vez que não
existiam coligações, por exemplo das campanhas anti-AMI, e não tinha
sido feito muito trabalho crítico sobre a OMC. Este pequeno relatório é,
sobretudo, sobre iniciativas em Madrid (há outras coisas a acontecer
noutras áreas, como Nafarroa ou Catalunha) e sobre os planos para
coordenar acções para futuras campanhas.
Há cerca de um mês, em Madrid, uma plataforma de 19 grupos (incluindo
ambientalistas, organizações para o desenvolvimento, sindicatos
agrícolas, de professores, partidos políticos de esquerda, grupos
anti-racistas, movimentos e grupos de base contestatários da União
Europeia) encontraram-se para iniciar uma campanha contra a Ronda do
Milénio da OMC. Por causa do pouco tempo de que dispunhamos, os esforços
têm estado orientados para a organização de alguma coisa para esta
semana, mas com o propósito explícito de continuar, no futuro, com uma
campanha comum e de atingir outros sectores da sociedade. Escrevemos um
manifesto (que foi largamente distribuido - disponível para quem o
pedir), fizemos trabalho com a imprensa, organizamos um seminário de um
dia (focando 4 áreas: introdução à OMC e à Ronda do Milénio;
agricultura; serviços; imigração / racismo), uma festa no sábado à noite
e uma acção de rua no domingo, dia 27 de Novembro.
Aqui, nos Ecologistas en Acción, tivemos encontros com grupos do
movimento de ocupas e com as pessoas envolvidas nas “semanas de luta
social”. Nestas reuniões, decidiu-se não nos focarmos no dia 30 de
Novembro, mas antes dar tempo aos grupos para se informarem melhor
àcerca destes assuntos e desenvolver acções mais fortes para o futuro
próximo. Os próximos passos serão avaliar as nossas actividades, criar
novas alianças e desenvolver planos futuros. Manter-te-emos informado!
Contacto: Belen Balanya (Ecologistas en Acción, Anti-Maastricht
Movement), e-mail: belenb@mx3.redestb.es; Cominión Internacional: Calle
Campomanes, nr. 13, 2 izda.; 28013 Madrid; España


Ações anti-OMC na França e a Rede francesa do N30
Algumas semanas antes do N30, uma rede francesa de grupos autônomos (que
ajudou a dar boas-vindas à Caravana InterContinental e estão desejosos
de construir uma rede política alternativa baseada nos princípios da
AGP) enviou o primeiro número do seu boletim ‘sans-titres’ para algumas
centenas de grupos, redes, ocupações e ‘eco-aldeias’ ao redor da França
com uma chamada para ação.
Na França, a maioria das grandes estruturas políticas oficiais (ONGs,
sindicatos, partidos políticos) tinha decidido organizar uma grande
manifestação em Paris e manifestações menores no resto da França no dia
27 de novembro, que mobilizaram 75.000 pessoas. A mensagem geral levada
por estes políticos consistia realmente em visões reformistas do
capitalismo e da OMC. Estas visões são baseadas no lobbying, no desejo
de obter um ‘controle da OMC pelo cidadão’ e retornar a um estado mais
forte e centralizado.
Este é um dos motivos porque nós pensamos que era importante trazer
novas idéias e construir uma rede com visões mais claras e mais radicais
sobre lutas anti-capitalistas. Nós ainda não sabemos realmente quantas
ações aconteceram no N30 mas o boletim conseguiu um grande retorno
entusiástico e positivo. Temos esperança que a rede crescerá mais forte
e mais variada durante os próximos meses.
Nantes, 27 de novembro: 200 pessoas, algumas vestidas como cenouras,
saladas e morangos entraram em um supermercado carregando faixas dizendo
“Não OMC, Não OMGs (organismos geneticamente modificados), Não
Agro-negócios” e “não é OMGs que você tem que comer, é o capitalismo que
tem que ser abolido”. Os manifestantes conseguiram evitar a fila
policial e levar 4 carrinhos previamente enchidos com produtos OMG para
fora do supermercado. Os produtos foram jogados no lixo e apresentados
ao público, distribuindo-se uma lista com produtos OMG.
Lille, 30 de novembro: 12 bancos foram pintados de vermelho durante a
noite, incluindo o Banco Central da França. Avesne-sur-helpe, foram
distribuídos panfletos em várias escolas e na frente da Câmara de
Indústria e Comércio. Uma peça de teatro foi encenada por um grupo de
arte.
Toulouse (4ª maior cidade francesa), grupos pequenos de pessoas
invadiram a principal rua comercial da cidade levando um sistema de som
e penduraram grandes símbolos anti OMC nas decorações de Natal. Enquanto
isso alguns Papais Noéis subversivos se ocuparam dando frutas
capitalistas podres aos transeuntes.
Dijon, 40 pessoas ocuparam a Câmara de Indústria e Comércio de Dijon e
um banco no centro financeiro de Dijon para os impedir de
funcionar. Dez pessoas, usando camisas feitas por eles mesmos escritas
‘escravizados pelo dinheiro?’ bloquearam as entradas dos dois edifícios
entrelaçando os braços. Ao mesmo tempo, outros grupos lançavam sangue e
dinheiro falsos nas calçadas, colavam cartazes anti-capitalistas nas
paredes e em lojas ao redor e levantavam uma grande bandeira e outros
tipos de símbolos. Alguns outros tocavam tambores metálicos em alto
volume, gritavam, davam chá gratuito, café, e panfletos sobre
capitalismo, ação direta não violenta, anarquismo, alternativas
possíveis de ‘faça você mesmo’ e contavam às pessoas por que nós
estávamos contra as estruturas capitalistas. Depois de uma hora e meia
de bloqueio, o banco teve que fechar definitivamente durante o dia. O
pessoal da CCI não ficou contente de nós termos atacado a imagem
pública deles, e conseqüentemente muitos policiais apareceram e
começaram a nos retirar brutalmente. As 4 pessoas que faziam uma
corrente humana decidiram depois de um tempo se desgrudar vendo
claramente que os policiais, que não conseguiam desgrudá-los, estavam
ficando mais e mais violentos, os machucando, mesmo na frente da mídia
local.
Como em Londres ou Seattle, nós tivemos que encarar policiais violentos
prontos para proteger interesses de corporações e reprimir as pessoas
que expressam o seu direito de protestar. Repressão estatal não nos fará
deixar a luta!
Relatórios ou comentários sobre o N30 francês podem ser enviados: Maloka
- B.P. 536 - 21014 Dijon, França - email: website de maloka@chez.com:
www.chez.com/maloka / tel: +33 380 77 09 40 fac-símile +33 380 71 42 99


Clinton, vai para casa! – um relatório da Grécia
Enquanto a Grécia era membro da NATO e aliada dos E.U.A., o povo grego
era manifestamente contra as bombas assassinas dos civis jugoslavos da
Nato. A 19 de Novembro, Clinton visitou a Grécia pela primeira vez desde
a guerra do Kosovo. Os editores receberam o seguinte relatório: Grupos
autónomos de Atenas já se mobilizaram para uma demonstração a 19 de
Novembro. Os 500 protestantes que apareceram tiveram que enfrentar uma
enorme presença policial. Os protestantes estavam equipados com paus de
2 metros e capacetes para prevenir a polícia de se chegar demasiado
perto. Nas noites antes da visita de Clinton, existiram vários ataques a
lojas de carros americanos. Partidos esquerdistas e grupos chamaram à
acção a 19 de Novembro, em todas as cidades da Grécia. Estavam perto de
25.000 pessoas naquele dia em Atenas protestando contra Clinton. Por
volta das 18h a polícia começou a disparar gás lacrimogéneo porque
alguns sindicatos tentaram passar o bloqueio policial. Logo após este
incidente, muitos jovens, anarquistas, mas também pessoas de movimentos
esquerdistas populares e até o partido comunista (!!!) começaram a lutar
contra a polícia, atacando bancos e lojas no centro de Atenas com pedras
e fogo. [deve ser especificado que, na área de Atenas, onde se deu lugar
a acção, existem somente lojas de luxo e bancos que rendem mais de
1.000.000 dracmas – tendo em conta que o salário mínimo na Grécia é de
180.000 dracmas]. O partido comunista tinha previamente negociado com as
autoridades de modo a evitar os tumultos, mas estava tanta gente lá que
se tornou totalmente inevitável. A única coisa que os 11.000 polícias
podiam fazer era atacar com gás toda a área, mas não conseguiram na
verdade livrar-se dos protestantes. Unidades especiais anti-terror
tiveram que trazer um armamento inteiro adicional com químicos. Embora
os tumultos acontecessem bem longe do aeroporto, Clinton teve que
esperar durante 20 minutos no seu avião antes que os agentes do FBI o
deixassem sair. Numa questão de 2 horas, o centro de Atenas estava livre
de protestantes e cheio de gás. Resultado: 8 bancos foram incendiados
(incluindo edifícios de 2 andares), mais de 50 lojas luxuosas foram
seriamente danificadas, dois quiosques geridos por fascistas foram
destruídos e vários carros de luxo também. Foram presas 28 pessoas,
entre as quais 3 pessoas, porque tinham na sua posse 3 garrafas vazias
de cerveja e 300 ml de petróleo em casa, tal como a maioria das pessoas
na Grécia! Três jovens de entre os 28 foram para a prisão. O panorama
político: o governo social-democrata de Dimitris ficou satisfeito com a
visita de Clinton, àparte os tumultos que foram largamente noticiados
pela CNN e pela BBC. Clinton disse o que todos sabemos: que o estado
grego é o mais estável país da região dos Balcãs de um ponto de vista
económico e político. E isso é de grande importância para a exploração
capitalista regional. Ainda temos muito que fazer!


O povo holandês voador – Ações anti OMC na Holanda
Em Amsterdam, 15/11/99, cerca de vinte ativistas, reunidos no grupo de
ação MAYDAY, ocuparam um antigo navio no porto de Amsterdam, em um
protesto simbólico contra a OMC. Eles esticaram uma grande faixa com a
frase “Stop the WTO” [“Pare a OMC”] entre os mastros do navio VOC. O
navio é uma réplica do ‘The Amsterdam’, que pertencia à companhia VOC
(United East Indian Company). A VOC foi uma companhia de comércio
holandesa no século XVII que conseguiu obter enormes lucros do comércio
com países da Ásia. Ela pode ser considerada como a primeira
multinacional do mundo. Muito das lindas casas-canais que os turistas
amam em Amsterdam foram financiadas com os lucros da VOC. A intenção dos
ativistas era fazer uma comparação simbólica entre a VOC e a OMC.
N30, Schiphol, Aeroporto de Amsterdam: 3 companhias aéreas, presentes em
Schiphol, patrocinaram o encontro de cúpula da OMC. Os ativistas
notificaram as companhias de seu protesto pedindo que fossem
providenciadas passagens para Seattle a fim de que pudesse ser levada
uma visão alternativa para a OMC. Nos encontramos, cerca de 70 pessoas,
às 12 horas, que aos poucos se tornaram mais de 100. Ao lado dos
manifestantes havia um grupo formado por policiais e pela imprensa. Foi
produzido muito material para essa ação, parte para ser entregue antes e
parte para ser entregue durante a ação. Após a manifestação e uma curta
explicação sobre a OMC, as faixas foram desenroladas e nós entramos no
hall de desembarque. No final da manifestação um panfleto foi entregue
com o nome de todos os patrocinadores da encontro da OMC incluindo
alguns endereços das sedes holandesas das companhias. Houve muita
cobertura da imprensa, aparecendo no noticiário das 8 (o maior programa
de notícias da Holanda) ao lado das demonstrações em Seattle. A
atmosfera foi muito boa, foi uma ação bem sucedida e muito prazerosa e
divertida.
Amsterdam, 3/12/99, piquete em solidariedade às pessoas presas. Enquanto
o tempo foi o pior deste ano, com ventania e chuva pesada, umas poucas
dúzias de pessoas se manifestaram em frente do consulado americano em
Amsterdam. Elas queriam mostrar sua solidariedade a todas as pessoas
presas em Seattle.
Dois anos atrás nós tivemos um encontro de cúpula da Europa em
Amsterdam. Mais de 600 pessoas foram presas nessa ocasião, a maioria sem
ter feito qualquer coisa considerada ofensiva. Uma estranha
coincidência... O piquete em Amsterdam foi organizado em menos de um
dia. O consulado não quis deixar uma delegação entrar para apresentar
nossos pedidos, tivemos então que gritar pelas grades: ‘Libertem todos
os presos! Parem o terror policial em Seattle! Liberdade de
manifestação! Algumas ‘nozes de pimenta’ foram atiradas no prédio (‘noz
de pimenta’ é um doce tradicional na Holanda nesta época do ano. O
slogan era: Noz de pimenta ao invés de Gás de pimenta!)


N30 em Itália
O N30, em Itália apareceu num período de lutas. De facto, muitas
categorias sociais estão em ebulição por razões diferentes, de alguma
forma ligadas aos problemas trazidos para a sociedade pelo
neoliberalismo. Em particular:
- Os estudantes estão a protestar, desde há um mês, contra uma lei de
“paridade” entre o ensino público e o privado. Centenas de faculdades
têm sido ocupadas por estes dias.
- Os trabalhadores estão a protestar contra os cortes nas suas reformas,
enquanto a idade de reforma já passou dos 62 para os 67 anos, para os
homens, e de 57 para 62, para as mulheres.
- Movimentos de base estão a protestar contra a nova vaga de repressão
que está a invadir a Itália e contra o desalojamento anunciado de muitas
ocupas (squats) e Centros Sociais importantes.
O N30, em Itália, começou, portanto, com alguma antecipação:
Sexta-feira, 26, Pádua. Uma manifestação pacífica em frente à exposição
da GMO “Bionova” -à qual foram os quadros principais das companhias GMO-
foi atacada pela polícia, por duas vezes. Cerca de 20 feridos e um jovem
camarada levado para o hospital. O presidente da Câmara de Veneza, Beppe
Caccia, à cabeça da manifestação, foi espancado pela polícia e preso,
depois libertado, passadas uma horas.
Sábado, 27, Milão: Um grande número de pessoas da área anarquista e dos
Centros Sociais junta-se a uma manifestação dum sindicato de base (não
acerca do N30) e dá-lhe um forte carácter anti-OMC.
Entretanto, um grupo de “Casacos Brancos” (grupo de acção directa da
sensibilidade zapatista / Centros Sociais) ocupou o primeiro e mais
visitado McDonald’s de Milão, na Praça S. Babila, acorrentando-se à
fachada do edifício, com faixas enormes contra a OMC e o neoliberalismo,
e destruíram flyers para os transeuntes, no cenário irrealista criado
pela música popular. A acção, sem intervenção policial, durou um par de
horas e acabou quando a manifestação do sindicato entrou na Praça de S.
Babila.
Segunda-feira, 29, Milão: Estudantes da nova Universidade “La Bicocca”,
ocuparam a faculdade de “Ciências biológicas”, num protesto contra a OMC
e a comida transgéncia.
Terça-feira, 30, Milão: Tenda de informação permanente, no Larço
Cairoli, uma praça muito central, para informar os cidadãos sobre a OMC
e as razões para a contestar.
À noite, debates públicos no Centro Social Leoncavallo, com a
participação de Barreda Marin, professor na Universidade UNAM, da cidade
do México.
Roma: Um grupo de Casacos Brancos ocupou o QG do Comité Nacional para a
Bio-segurança, com faixas contra os alimentos geneticamente modificados
e a OMC. Esta acção foi promovida pelos Centros Sociais e sindicatos de
base.
Arezzo: Malabaristas, músicos e todo o género de artistas fizeram uma
manifestação criativa pela rua principal desta antiga cidade da
Toscânia. Os cidadãos e os transeuntes reagiram de uma forma muito
positiva, e muitos deles falaram para rádios e TVs locais contra a OMC,
definindo-a como uma “organização não eleita, que toma decisões por
todos nós, mesmo que não convidada para o fazer!”.
Quarta, 1, Génova: Debates públicos sobre a OMC no “Café Baghdad”, uma
organização cultural.
Sexta, 3, Milão: Marcha nocturna com tochas para protestar contra a
repressão em Seattle e Londres, à qual compareceram cerca de 100
pessoas.
Por fim, por toda a semana de Seattle, houve vários ataques na internet,
lançados pela “Lilliput network” (uma rede social de base cristã) e um
dia de não compras, o 26 de Novembro.
É tudo quanto a Itália. A próxima mobilização de massas será no dia 11
de Dezembro, por uma escola pública não privatizada, para relembrar as
vítimas da bomba fascista colocada em 1969 na Praça Fontana (Milão - 16
mortos), e, sempre em Milão, para defender a ocupa de estudantes
“Deposito Bulk” ameaçada de desalojamento
Contacto: Association Ya Basta - For people dignity against
neoliberalism; PGA European Convenor; Via Watteau, 7; 20125 Milano;
Italia; tel.: (39)02.67.05.185; fax: (02) 67.05.621; e-mail:
yabasta@tin.it


N30 em Luxemburgo
No dia 30 de novembro uma ação foi realizada na área governamental de
Luxemburgo chamada por um grupo denominado “the central council of the
dispersed anti-WTO opponents” [“o conselho central dos oponentes
dispersos anti-OMC”]. Quinze jovens se encontraram para fazer
manifestações anti-capitalistas. A reverenciada e respeitada estátua do
Grand Duchess que guarda os ministérios do governo foi
surpreendentemente decorada com uma bandeira vermelha, a qual pareceu
incomodar alguns poucos transeuntes. Os burocratas foram acordados de
sua sesta pelo som alto de tambores. Alguns ativistas conseguiram
penetrar no ministério responsável pelas negociações da OMC e esticaram
uma grande faixa do segundo andar dizendo “Pare a OMC – pelo comércio
justo”. Embora a mídia tenha documentado a ação, quase toda ela decidiu
ignorar a ação, mostrando assim em qual lado elas se posicionam.
Contato: jonk Lénk c/o LIFE Buro; 6, rue Vauban/Pfaffenthal,
Luxemburg-city, Europe. Email: jonk.lenk@gmx.net


N30, Lisboa, Portugal
Cerca de 300 pessoas, de organizações ambientais e “de esquerda” e
movimentos anarquistas.
As pessoas começaram a juntar-se às 4 da tarde. Paramos o trânsito
nalgumas das vias onde ele é mais intenso. Tinhamos pancartas, um par de
“Terras” para brincar e um polvo, que personificava o capitalismo. Fomos
até à árvore de natal do centro da cidade e cobrimo-la de grafittis.
Houve fogo a ser cuspido e algum teatro de rua. Depois subimos a chamada
“área tradicionalmente comercial”, onde cobrimos a janela do McDonald’s
com grafittis. A marcha acabou numa praça onde o polvo, entre outras
coisas, foi queimado. Os malabaristas actuaram, a música tocou-se até
cerca das 22.00.
Contacto: “J.C. Astro” - barbosacastro@mail.telepac.pt


N30, Porto, Portugal
O Via Catarina é um Centro Comercial espetado no coração do Porto. É um
dos Shoppings com maior sucesso. Nós estivemos à porta, na parte da Rua
de Sta. Catarina reservada a peões. Às 18.00, quando as coisas
começaram, éramos cerca de 10 pessoas a distribuir papeis aos
transeuntes. Às 18.30 já éramos cerca de 50 almas, 40 das quais com
camisas com palavras de ordem escritas, como "O mundo não é uma
mercadoria", "Contra o capital, resistência global", "A economia
asfixia, a inércia atrofia" e outras. Como era Inverno, as camisas
tiveram um impacto engraçado, já que as tínhamos vestido por cima dos
blusões. O contraste teve piada. Por volta das 18.45, 15 de nós foram
para dentro do Shopping, de forma a mostrar as nossas camisas às pessoas
que por lá andassem. 15 minutos mais tarde, outra vez cá fora, onde
músicos, cuspidores de fogo e outros artistas de rua já se tinham
juntado a nós, a missa teve início: as duas orações mais importantes da
crença católica transformadas num tributo ao Nosso Senhor, o Cifrão. Foi
um momento bonito, com todos os presentes a responderem Amén às palavras
sentidas do padre de serviço. Às 20.00, éramos outra vez os mesmos 10
que tinham começado, pelo que decidimos acabar com a coisa (de qualquer
forma estavamos a ficar sem papéis). Tiramos as camisas, fomos para
dentro do Centro Comercial, subimos até ao andar de cima e lançamos
notas de 100 Fagaios (dinheiro inventado). A parte de trás das notas
tinha um texto onde tentamos colocar algumas ideias que poderiam levar
as pessoas a pensar na necessidade dos humanos se organizarem numa
sociedade sem capitalismo.
O dia 30 de Novembro foi um dia importante no Porto. Juntou novamente
pessoas e deu-nos força. Foi mais um começo do que um fim em si. E é
assim que achamos que as coisas devem ser. Podes conseguir toda a
informação que quiseres através de: e-mail: cacn30@egroups.com Postal:
CAC / Apartado 4720 / 4012 Porto Codex / Portugal


N30 na República Tcheca
Decidimos ligar ambas as ações - N30 e o Dia de Não Comprar Nada, porque
nós não teríamos energia suficiente para fazer mais do que uma única
grande ação. Nós também temos tido muito trabalho planejando os
protestos que se realizarão no encontro do FMI e do Banco Mundial em
setembro de 2000 em Praga.
No sábado, dia 27, decidimos fazer uma ação na frente de um supermercado
TESCO de Praga. Nos encontramos na frente do supermercado às 2 da tarde,
o Food not Bombs serviu comida para pessoas sem casa. Havia
aproximadamente 40 ativistas e outros 20-30 sem casa de Praga. Nós
usamos bandeiras, música, e máscaras. Convidamos muitos repórteres,
comparecendo de todas as estações de TV e jornais Tchecos - a cobertura
da mídia foi realmente boa. Servimos comida e discutimos com as pessoas
por aproximadamente 2 horas (nós distribuímos folhetos sobre a OMC, o
Dia de Não Comprar Nada e muitos outros materiais). A polícia estava um
pouco surpresa por causa da presença de muitos repórteres e sem-casa,
dessa forma a polícia apenas ficou por perto e observou. Após terminar
esta ação “oficial”, fizemos uma ação direta no supermercado seguinte,
ação que correu também muito bem. Houve também ações em outras cidades
como Brno, Litvinov e outras. Boas reportagens foram passadas na TV
Tcheca: uma grande reportagem sobre manifestação anti OMC em Paris,
sobre a ação do Dia de Não Comprar Nada na Coréia e sobre ações na
República Tcheca. Portanto, eu acho que tudo foi excelente dessa vez.
Durante as ações em Seattle havia muitas reportagens e também análises
sobre a OMC e o comércio livre!
Predevsim de Zeme! - (Earth First! Praga); PO BOX 237; 160 41 Praha 6;
República Tcheca, Europa,; E-mail: zemepredevsim@ecn.cz;
http://www.ecn.cz/zemepredevsim


Quartel-General da OMC ocupado! (ou No coração da besta!) - Geneva,
Suiça
De modo a incitar pessoas a praticar acção directa contra a OMC, no dia
30 de Novembro, o colectivo “Et paf!”, em Geneva, decidiu “dar nova vida
ao antigo slogan”: Expropria os expropriadores!
A acção: 27 pessoas, ajudadas por outras tantas no exterior (que estavam
a bloquear o trânsito) ocuparam o quartel-general da OMC. Um grupo,
agindo como visitantes, ocupou o hall principal e acorrentou-se à escada
principal, que leva ao escritório de Moore, com uma faixa a dizer “No
Trade, no Organization: Self-managment!” (Nem Comércio, nem Organização:
Autogestão!). Outro grupo, passando despercebido pela segurança, ocupou
o telhado do edifício e desfraldou duas grandes faixas que diziam: “WTO
kills people - Kill the WTO!” (A OMC mata pessoas - Mata a OMC!) e
“Moore aux tyrans” (um trocadilho, em francês, que significa “morte aos
tiranos” e “Moore pertence aos tiranos”). Um dos ocupantes transmitiu
imagens da ocupação directamente para a internet, duma instalação
portátil. Outro enviou este comunicado directamente para o exterior, dum
fax dum escritório da OMC! Depois de mais de 2 horas de ocupação, a
polícia evacuou os manifestantes, sem prisões nem identificações. A
direcção da OMC não queria, visivelmente, causar mártires, que se
poderiam tornar populares!

Manifestação em Geneva, Suiça
Sábado, 27 de Novembro. Duas colunas de manifestantes, quase 2.000
agricultores e 3.000 cidadãos de toda a Suiça encontraram-se no centro
de Geneva, nessa tarde, para marcharem sobre o quartel-general da OMC.
Os agricultores, que se reuniram em frente ao edifício das Nações
Unidas, vieram respondendo à chamada de todas as associações de
agricultores suiças (pequenos agricultores da União dos Produtores
Suiços, mas também o maior sindicato, o dos Agricultores Suiços). Tendo
lutado muito, mas sozinhos, contra a fundação da OMC, muitos foram-se
deixando desencorajar, mas a queda dos preços, as bancarrotas e as novas
ameaças de Setattle trouxeram-nos de novo para a cidade. Muitos também
encontraram nova esperança no facto de hoje haver um movimento de
resistência à OMC nas cidades. Muitos dos seus oradores também se
referiram à passagem de 500 Agricultores do Sul da Caravana
InterContinental como uma prova viva de que as pessoas de todo o mundo
estão a enfrentar o mesmo problema e a encontar a mesma coragem para
recusarem a lógica mortal do lucro das multinacionais.
Entretanto, as pessoas da cidade, chamadas por uma co-organização contra
a Ronda do Milénio, estavam a reunir-se no coração do quarteirão da
banca internacional. Este ponto de partida tinha sido escolhido por se
considerar que o sistema bancário está no coração da globalização. Os
lucros extorquidos aos trabalhadores de todo o mundo são centralizados
nestes locais e transformados na arma mais poderosa do capitalismo
contra a luta dessas mesmas pessoas. Tinham vindo manifestantes de
Berna, Basileia, Lausane e outras cidades. Apoiantes da People’s Global
Action (Acção Global dos Povos), claro, mas também da rede ATTAC e de
cerca de outras 20 organizações e associações. O Sindicato dos
Funcionários Públicos, em particular, fez um esforço enorme para
mobilizar, sabendo que o futuro da educação e da saúde públicas poderiam
estar a ser postas em perigo, em Seattle.
Para Geneva (com apenas 300.000 habitantes) esta foi uma manifestação
grande, a provar que os tumultos que tinham marcado a última reunião da
OMC não tinham assustado nem confundido as pessoas. Novos, idosos,
crianças, agricultores, punks, professores e gente, muita gente,
marcharam juntos e misturados, de forma animada, enquanto a polícia de
intervenção -vestida para matar, como de costume- esperava em vão.
A OMC é, agora, vista, por cada vez mais gente, como um inimigo dos
povos. O encontro de hoje entre agricultores e gente das cidades
(provavelmente a primeira junção na história suiça) foi um passo
importante para preparar a longa luta que temos pela frente.
Contacto: Action Populaire Contre la Mondialisation (MPCM), Maison des
Associations, 8 Vieux Billard, Genève 1205, Switzerland; e-mail: red-
red2@span.ch
Coordination Anti-Millenium Round, email: bordogn4@etu.unige.ch


Deixem os Rios Correr Livremente! - Londres, UK
No dia 25 de Outubro, 8 membros do “Solidari@s com Itoiz” e do grupo de
Solidariedade Narmada UK subiram a famosa Big Wheel (Roda Grande),
conhecida como “London Eye” (Olho de Londres), que abrirá na Noite do
Milénio, para protestar contra a destruição criada pelos grandes diques
(barragens), como o de Itoiz, em Navarra (País Basco) e o Projecto
Sardar Sadovar, no vale de Narmada, na Índia. Tinham grandes faixas
“Stop the Dams” (Acabem / parem com os diques / barragens), “Free
Narmada, Free Itoiz” (Libertem Narmada, Libertem Itoiz) e “Let the
rivers run free!” (Deixem os rios correr livremente)
“Decidimos protestar, porque o Olho de Londres é um símbolo do tipo de
projectos banais que estão a ser construidos, enquanto que pessoas
comuns estão a ser desalojadas por estes diques / barragens”, disse um
deles.
Noutro comunicado declaravam que “Fazendo esta acção hoje, estamos a
mostrar a nossa rejeição total à construção internacional de grandes
reservatórios e diques / barragens, que ameaçam o futuro da terra e dos
seus povos. Durante muitos anos, temos visto como a tendência do capital
é a de concentrar as populações em grandes aglomerados, em deterimento
das áreas rurais, que têm ficado cada vez mais desertas. As áreas rurais
estão a ser transformadas em zonas-recurso para grandes infra-estruturas
de transportes, centros de produção para energia e agricultura
industrial, ou para a acumulação de matérias primas, para satisfazer as
necessidades das grandes cidades”. Esta acção teve um impacto
surpreendentemente bom nos media. Depois de 24 horas emploleirados no
cimo da Roda, os últimos 2 activistas decidiram que já tinham mostrado o
que queriam mostrar e voltaram para o chão.
Contacto: Narmada UK


Londres (UK) responde à Acção Global de 30 de Novembro
TRABALHADORES DA CONSTRUÇÃO CIVIL DIZEM NÃO À OMC. Ao meio-dia, a Campanha pela Segurança na Construção montou uma acção
em frente da
Embaixada Canadiana (Casa Canadá) na Trafalgar Square. Os trabalhadores
de construção civil e os seus apoiantes protestavam contra a tentativa
do Canadá para usar a OMC de modo a reverter a decisão de não trabalhar
com amianto por parte de vários países europeus. Sob as regras da OMC, a
proibição é vista como uma barreira ao comércio livre. Aqui no Reino
Unido, o Instituto para a Pesquisa do Cancro espera que duplique o
número de casos cancerígenos relacionados com o amianto, nos próximos
dez anos. Tal como a anterior Acção, os protestantes foram acompanhados
por um grande número de polícias e jornalistas e o evento seguiu
pacificamente.
ESTUDANTES ATACARAM O CITYBANK. A agência de Lewisham do Citybank foi
bloqueada pela tarde dentro por um pequeno grupo de estudantes. O banco
é um dos maiores detentores das dívidas de empréstimo a estudantes. A
tendência global de subfinanciar e privatizar serviços que acompanha a
expansão do mercado livre já atingiu a educação no RU, com notas de
estudantes a serem manipuladas conforme empréstimos pessoais. A última
mesa de conversação ameaçou expandir esta tendência para a saúde e
transporte.
NIGERIANOS PÕEM O SEU PRESIDENTE E A SHELL EM TRIBUNAL. O Presidente
Obasanjo, da Nigéria, e Mark Moody-Stuart, da Royal-Dutch/Shell,
enfrentaram um tribunal popular em Londres para responder a um número de
acusações relacionadas com abusos dos direitos humanos e devastação
ambiental no Delta de Niger. Esta peça de teatro de rua foi apresentada
por exilados nigerianos e activistas britânicos ambientalistas em frente
ao Tribunal de Magistrados, em Covent Garden, às 2.30h da tarde. Outros
activistas de diversas campanhas se juntaram em solidariedade. Mais
informação em http://www.oilcompanies.org/trial .
PROTESTO NA ESTAÇÃO DE EUSTON. Perto de duas mil pessoas juntaram-se na
estação de Euston, às 5 da tarde, para um protesto organizado pelo
Reclaim the Streets, conjuntamente com o Grupo de Apoio à Greve de
Londres, projectado para apontar as relações entre a agenda do comércio
livre da OMC e a privatização do transporte público no RU. O evento foi
endossado pelo Conselho de Transportes de Londres do Rail Maritime e a
União de Transportes (RTM), cujo orador detalhou a oposição à
privatização do Metro e as graves preocupações pela segurança. Embora o
principal foco tenham sido os transportes, existiram oradores que
cobriram uma grande parte de assuntos relacionados com a OMC e o sistema
que governa.
TUMULTO NA ESTAÇÃO DE EUSTON. Ao mesmo tempo que as agressões começaram
em Seattle, algumas pessoas tentaram fechar o trânsito numa das
principais artérias. Os protestantes foram directamente cobertos por um
pequeno grupo de polícias e surgiu o confronto. A polícia foi
inicialmente afastada, mas uma linha de oficiais da polícia de choque
formou rapidamente e começou uma série de ataques de ambos os lados. Foi
posto fogo numa carrinha. A maior parte dos protestantes saiu da área
por volta das 8 da noite enquanto que cerca de 500 pessoas, agora
divididas em três grupos, continuaram a enfrentar a polícia. Foram
presas 38 pessoas, 4 delas com relação com o carnaval do passado J18. O
trânsito e os transportes foram profundamente alterados pelos eventos.
RÁDIO PIRATA BLOQUEIA RÁDIO EXECUTIVA. A Interference FM, o colectivo de
rádio pirata que transmitiu para Londres durante o J18, repetiu o seu
feito em protesto contra a acomodação das ondas aéreas. Transmitindo na
frequência utilizada pela Millenium FM 106.9, os piratas foram tirados
do ar pelas 4 da tarde através de uma grande operação do Departamento de
Comércio e Indústria (DTI), responsável pelo reforço do controlo
estatal das transmissões da rádio e da TV. Durante a noite do N30 uma
gravação áudio passou por uma das frequências dos rádios do Departamento
da Polícia de Seattle, na internet, permitindo aos ouvintes assistir aos
últimos desenvolvimentos em Seattle enquanto “as tropas entravam em
acção” e o recolher começava.
Contacto: Reclaim the Streets! PO Box 9656, London N4 4JY, UK telefone:
+44 (0) 171 281 4621, email: rts@gn,apc.org, http://www.gn.apc.org/rts,
http://www.bak.spc.org/N30london e http://www.j18.org.


N30 em Limerick, Irlanda
Um pequeno mas forte grupo de cerca de 20 pessoas saiu para desbravar o
vento e a chuva ocasional em protesto em Limerick esta tarde – eram na
maioria estudantes universitários – grupos que incluíam o environmental
society, UL Socialist Party, UL Sinn Fein, Anistia Internacional e One
World (assim como alguns independentes). As festividades começaram com
cantos, toque de tambores, sopro de apitos e diversão ...então ocorreu
que o local que nós escolhemos para o encontro era em uma esquina com um
McLixo, um HMV, um Burger King e um Penny's (supermercado), assim nós
tentamos fazer barulho bastante para atrapalhar o quanto possível os
seus negócios. Nós
distribuímos panfletos e falamos para as pessoas sobre o motivo de
estarmos ali, o que a OMC significava para a Irlanda, porque nos
opúnhamos a ela, etc... ..Então nós marchamos ao redor das ruas centrais
da cidade, e recebemos muitos gritos alegres de apoio. De volta ao
principal local de encontro fizemos nós todos pequenos discursos e
falamos às pessoas um pouco mais sobre o motivo de estarmos ali. Acima
de tudo bastante pequena, mas definitivamente uma boa ação. Nós
conseguimos que muitas pessoas pensassem sobre os temas. Não houve
nenhum problema com as autoridades.
Contato: Stiens Eric <9946144@student.ul.ie>


N30 Bangor, País de Gales, UK
No dia 30 de Novembro, uma coligação de grupos levou a cabo uma marcha
de protesto colorida e não violenta, na High Street, em Bangor, no norte
do País de Gales, organizada por Gwynnedd e Mon Earthfirst! A manif
agrupou um grande número de aliados, incluindo o partido político galês
Plaid Cymru, cujo líder, Dafydd Wigely, nos enviou por e-mail uma
mensagem de apoio. O que teve piada nesta manifestação foi ter um agenda
tão radical e, mesmo assim, atrair tanto apoio de tantos políticos
“normais” e tanto interesse público. Ficamos sem papeis em cerca de 10
minutos! (depois fomos buscar mais …). Estiveram na manif cerca de 40
pessoas (o que é muito para Bangor) - muitas caras novas - e houve boa
cobertura dos media e, nas ruas, havia muita gente que se queria
informar e falar do assunto. Portanto, se falarmos “apenas” como um
exercício de educação pública, foi muito positivo, como o foi a semente
para futuras coligações. O grupo EF! tem muito mais interesse, ao saber
que serviu para recuperar motivação. Seguir-se-ão mais acções!
Contacto: EF! Bangor c/o the greenhouse; 1 trevelyan terrace; Bangor;
Gwynedd; Wales LL57 1AX; UK; tel.: +44-1248 355 821; e-mail:
bangor-werdd@egroups.com; sop04a@bangor.ac.uk


Oceania
N30 Brisbane - Austrália
Em Brisbane, as pessoas protestaram contra a OMC, na parte de fora da
Bolsa de Brisbane, no dia 30 de Novembro. Cerca de 50 pessoas
juntaram-se para ouvir oradores que representavam vários grupos de
activistas e cidadãos preocupados de Brisbane, incluindo a MAI Coalition
(Coligação AMI) IWW, ISO e DSP. A presença da polícia foi mínima (só 8!)
e não tomaram nenhuma acção que incomodasse a acção. Erguemos uma faixa
gigante com a imagem de um patrão de multinacional a comer o globo e as
palavras “No WTO” (não à OMC) e “Direct Action” (Acção Directa). Duas
cabeças gigantes feitas de papel que pareciam um mundo sovado e um
patrão feliz.
Big Bob Carnegie animou as gentes ao informar que os estivadores de
Seattle (o segundo maior porto norte-americano do Pacífico), tinham
simplesmente saído do trabalho, em greve por tempo indefinido, em
solidariedade com os manifestantes do N30.
Por causa dos fusos horários internacionais, a manifestação de Brisbane
teve lugar cerca de 18 horas antes dos protestos de Seattle. Quem sabe
quantas pessoas teriam aparecido se já se tivesse sabido o que estava
para acontecer em Seattle? Por outro lado, qual teria sido a resposta da
Polícia e do Governo à manifestação de Brisbane?
Se estás interessado em te organizar no teu local de trabalho, podes
contactar o:
Solidarity Infoshop - 264 Barry Parade, Fortitude Valley, Queensland,
Australia. 4006; Tel.: +61 7 3252 9921; Fax: +61 7 3252 1950; e-mail:
brendan@4zzzfm.org.au

Hambúrgueres veganos contra a OMC em Wellington, Nova Zelândia
O Comitê para o Estabelecimento da Civilização (Grupo Anarquista de
Wellington) distribuiu hambúrgueres veganos (sem derivados animais) no
dia 30 de novembro com um panfleto sobre a OMC. Tivemos também uma
amostra de como as sanções econômicas estão afetando pessoas no Iraque,
através de um vídeo sobre a situação no Iraque. Isso ocorreu no
principal parque arborizado de Wellington. A OMC foi muito noticiada
aqui, com grande cobertura da TV sobre Seattle e Londres. Grandes fotos
nos jornais diários também apareceram. A rádio nacional teve um bom
papel entrevistando algumas pessoas nos protestos em Seattle também.
Contato: Committe for the Establhishment of Civilisation, P.O. Box 9263,
Te Aro, Wellington, Aotearoa/New Zeland, "lyon ross"

N30 em Nelson, Aotearoa, Nova Zelândia
Cerca de 25 pessoas fizeram parte de um teatro de protesto na rua, no
N30, contra a OMC. Do protesto faziam parte transeuntes disfarçados,
representando os políticos que lideram a OMC, com 2 faces, passeando-se
ao longo da rua. De retorno, os políticos tinham apanhado numa rede os
seus paus mandados. O objectivo do protesto era chamar a atenção para a
forma como as multinacionais cada vez mais determinam as políticas da
OMC e estão a manipular os políticos da NZ. O Proutist Universal, um dos
grupos envolvidos na organização comprometeu-se a ver o insuportável e
actual sistema socio-económico materialista substituído por um sistema
defendido pelo PROUT - um que equilibre o material com o intelectual e o
espiritual. Referências: http://www.prout.org e
http://www.proutworld.org . Conjuntamente com outros grupos, o PU também
organizou a conferência "Reclaiming APEC" em Auckland, Setembro de 99 e
o seminário "Beyond Capitalism" em Wellington, Outubro de 98. Contacto:
Bruce Dyer Bdyer@PROUT.org.nz Proutist Universal's, PO. Box 984, Nelson
Aotearoa/New Zealand



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      News about and of interest to anarchists
                       ********
               COMMANDS: lists@tao.ca
               REPLIES: a-infos-d@lists.tao.ca
               HELP: a-infos-org@lists.tao.ca
               WWW: http://www.ainfos.ca
               INFO: http://www.ainfos.ca/org

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