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(pt) Penas de Prisão Um texto de Mumia Abu-Jamal

From edu jesus <mumia_abujamal@hotmail.com>
Date Tue, 22 Feb 2000 08:16:44 -0500


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
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Penas de Prisão Um texto de Mumia Abu-Jamal, sobre o livro Doing Time: 25 Years of Prison Writing
Aplicado aos Estados Unidos, o velho adágio de Dostoievsky segundo o qual as prisões dão a medida de uma civilização
levar-nos-i-a condenar este país pela versão que criou de um arquipélago de Gulag. Uma selecção de escritos de presos
apresentados ao concurso literário do PEN Clube nos últimos 25 anos mergulha-nos nos subterrâneos sinistros do sonho
americano. Homens e mulheres encerrados em prisões estatais e federais escrevem com brilho sobre a sua luta para
permanecer humanos em lugares feitos para desumanizar.
Como um mapa do tempo, os textos traçam o percurso desde o activismo e a rebelião social de meados dos anos 70 até ao
espírito mais individualista e menos politizado dos anos 90, neste microcosmos social que são as prisões. E tornam claro
que as cadeias servem objectivos políticos, à frente dos quais vem a contenção dos Negros, como comprovam os núme­ros em
ascenso desde os anos 70 até à actualidade. Na verdade, falar de uma "cultura prisional" equivale a falar da subcultura
negra que marca os ambientes, atitudes e calões prisionais. Não é decerto por coincidência que uma das maiores e mais
repressivas cadeias americanas fica numa região das antigas plantações de trahalho escravo e tem o nome de Angola.
Aquilo que a sociedade esconde ou obscurece surge a nu na prisão: a estimulação do racismo para manter os presos
divididos, e a crueldade do poder, garantido pela violência estatal. As prisões servem um outro objectivo: inculcar o
terror no espírito do proletariado, como instrumento da disciplina racial e social. Por isso, por elas têm passado (ou
nelas permanecem) os mais destacados rebeldes e activistas da história deste país: Marcus Garvey, Eugene Debs, William
Lloyd Garrison, Malcolm X, Eldridge Cleaver, Huey Newton, Ramona Africa, Assata Shakur, Geronimo Ji-Jaga, Dhoruba
bin-Wahad, Leonard Peltier, Sundiata Acoli, Mutulu Shakur, Alan Berkman e tantos outros. As prisões servem para reprimir
e dizimar os movimentos que se opõem ao status quo, e têm-no feito com êxito.
Um dos caminhos para derrotar esta estratégia consiste em destruir a capa de invisibilidade que envolve os cárceres USA.
Esta obra consegue-o; é um instrumento que deve ser utilizado, não como um fim mas como um começo, uma porta aberta à
consciência que, como as marés, tem os seus fluxos e refluxos. É o que reflecte boa parte da obra: o actual período de
refluxo nas prisões, de conflitos, de negócios obscuros, agora que a época da resistência é uma recordação diluida.
Outras produções, porém, mostram uma percepção aguda da função política das prisões, revelam imaginação, emoção, humor,
força. É um começo, mas um bom começo.
(Monthly Review)




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