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(pt) Carta e dois Comunicados do EZLNsobre a repressão dos estudantes da UNAM e dos

From worker-ainfos@lists.tao.ca
Date Sat, 12 Feb 2000 15:47:25 -0500


normalistas de Hidalgo (2 de fevereiro de 2000)
Sender: worker-a-infos@lists.tao.ca
Precedence: list
Reply-To: a-infos-d@lists.tao.ca

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Exército Zapatista de Libertação Nacional
México.
México, 02 de fevereiro de 2000.
À imprensa nacional e internacional.
Damas e Cavalheiros:
Com esta, envio a vocês dois comunicados sobre dois assuntos: o ataque à Preparatória N.º 3 e o
ataque à Escola Normal de El Mexe, Hidalgo. Em ambos os fatos se fez presente a "nova" polícia
especializada em estudantes: a federal preventiva. Aí vocês vão me desculpar se o nome está como
"Wilfredo" e deveria ser "Wilfrido" (sim, refiro-me ao senhor Robledo, chefe da PFP). Acontece que
eu e o Mar consultamos vários jornais e num deles escrevem "Wilfrido" e em outros "Wilfredo". Enfim,
se é "Wilfrido" ou "Wilfredo" isso quem deve saber é a mãe dele (se é que ele tem).
Por outro lado, estamos comovidos com a imagem de Zedillo de bicicleta, tanto que até nos esquecemos
de que somos apenas um "acidente a mais na história". Já estávamos prestes a trocar os cavalos pelas
bicicletas quando tivemos uma dúvida: o "chapeuzinho" é para fazer de conta que alguém tem cérebro?
Valeu. Saúde e não sejam globofóbicos, como já disse o professor Efraín Huerta: "Fora do metro tudo
é Cuautitlán" (era assim?).
Das acidentais montanhas do Sudeste Mexicano
Subcomandante Insurgente Marcos
México, fevereiro de 2000.
P.S.: PARA DIODORO. Isso de que "não tem nenhuma importância dialogar com o EZLN" (Zedillo dixit), é
o pós-escrito àquele "Mais um Passo"? Ou o pós-escrito será trazido novamente por "Wifrido"? (ou era
Wilfredo?) ...
P.S.: QUE SE EXPLICA POR SI MESMO. "Globofóbicos do mundo, suicidai-vos! (Ou seja: "Uni-vos!)
P.S.: PARA O ESTADO ESPANHOL. Não se deixem enganar: nem todos os mexicanos são como Zedillo, ou
seja, patéticos (ainda que Aznar não lhe peça nada).
P.S.: QUE TAMBÉM DÁ A SUA CONTRIBUIÇÃO À RENOVAÇÃO DA LINGUAGEM. Junte-se ao Clube dos
Zedillofóbicos! Já somos quase 100 milhões! (Em breve: Clubes nada exclusivos de PRIfóbicos,
Labastifóbicos, De La Fuentefóbicos, e o muito exclusivo Fobiafóbicos (?!)).

EZLN - Contra a repressão em Hidalgo
México, fevereiro de 2000.
Ao povo do México
Aos Povos e Governos do mundo
Irmãos e irmãs:
Dias atrás, como amostra de que a perseguição de jovens estudantes já faz parte da política de
governo do senhor Ernesto Zedillo Ponce de León, foram detidos com requinte de violência 64
estudantes da Escola Normal Rural Luís Villareal de El Mexe, no município de Francisco I. Madero,
Estado de Hidalgo.
As reivindicações dos estudantes normalistas rurais são racionais: que sua escola não desapareça e
que os que saem dela obtenham o cargo de professor a que têm direito.
Sem sequer tentar uma aproximação, o governo do Estado de Hidalgo e o governo federal atacaram os
normalistas, bateram neles, os fizeram desaparecer e logo os fizeram reaparecer sob a acusação de
"roubo". Participou da acção a inefável polícia federal preventiva que se especializa em perseguir,
bater e deter jovens estudantes para compensar sua ineptidão em combater o crime organizado.
Nós, homens, mulheres, crianças e anciãos do Exército Zapatista de Libertação Nacional manifestamos
nosso repúdio a este ataque, nos solidarizamos com os normalistas de El Mexe, Hidalgo, e convocamos
os hidalguenses em particular e os mexicanos em geral a exigir a libertação dos normalistas presos e
o atendimento de suas justas reivindicações.
Democracia!
Liberdade!
Justiça!
Pelo Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertação
Nacional.
Subcomandante Insurgente Marcos
México, fevereiro de 2000.

EZLN - Sobre os acontecimentos da UNAM
México, 02 de fevereiro de 2000.
Ao Povo do México
Aos Povos e Governos do Mundo
Irmãos e irmãs:
Através de uma transmissão de rádio, nas primeiras horas da madrugada de hoje, 02 de fevereiro de
2000, nos inteiramos de um novo ataque das forças armadas paramilitares do governo federal contra os
estudantes universitários, Desta vez na Escola Nacional Preparatória N.º 3 na Cidade do México.
Sobre este acontecimento, o EZLN diz a sua palavra:
Primeiro. Desde a sua chegada na reitoria da UNAM, o senhor Ramón De La Fuente cumpriu a missão da
qual havia sido encarregado pelo governo do senhor Ernesto Zedillo: simular uma abertura para o
diálogo enquanto estava sendo preparado o golpe repressor contra o movimento estudantil que,
reivindicando educação pública e gratuita, mantém em greve a máxima casa de estudos.
Segundo. Depois de fingir que dialogava com o Conselho Geral de Greve e de chegar a acordos com seus
representantes, o senhor De La Fuente desconheceu o que havia sido acordado e convocou a realização
de um plebiscito que havia sido preparado na Secretaria de Governo como ponta de lança para
justificar, perante a opinião pública, o uso da força na solução da greve dos estudantes (como foi
mostrado pela revista "Proceso").
Terceiro. Aproveitando da boa fé de muitos universitários que desejam o fim do conflito e o
atendimento das justas reivindicações do movimento estudantil, o senhor De La Fuente fez do
plebiscito uma tramóia para que, ao manifestar-se pela satisfação das exigências e, de consequência,
pelo fim do conflito, se afiançasse o uso da força pública contra os estudantes.
Quarto. Apesar da gigantesca e dispendiosa campanha na mídia electrónica, a maioria da comunidade
universitária não atendeu ao plebiscito da reitoria. Como há tempo vinha sendo advertido por alguns
universitários de filiação perredista, o plebiscito do reitor seria usado como argumento para a
repressão (caso fosse rechaçado pelo CGH), ou como legitimação de um congresso universitário
manipulado a seu bel-prazer pelas autoridades (caso fosse aceito pelo CGH). De acordo com destacados
membros da comunidade universitária (que não só não podem ser acusados de serem "ultras", como
permaneceram firmes em sua crítica ao CGH), o plebiscito foi realizado com uma lista artificialmente
inchada e falsificado no que diz respeito aos seus resultados, que foram dados a conhecer pela
imprensa e que, de maneira nenhum são verídicos.
Quinto. Apesar de apenas pouco mais de um terço da comunidade universitária ter se manifestado a
favor da proposta da reitoria, a mídia electrónica manipulou dizendo que "a grande maioria dos
universitários" exigia o fim incondicional do movimento.
Sexto. Com a maquiagem dos grandes meios de comunicação e sem a legitimidade dos universitários, o
senhor De La Fuente impôs um ultimatum aos estudantes em greve: a entrega incondicional das
instalações. O CGH rechaçou esta posição.
Sétimo. Conseguido o anterior, as autoridades convocaram os universitários que não concordavam com a
greve para que retomassem as instalações. Nos dias que seguiram à realização do plebiscito, foram
frequentes os actos de flagrante provocação montados pelas autoridades, com destaque para os da
faculdade de direito, do CCH Naucalpan e da Preparatória N.º 3 (como foi noticiado pelos jornais "La
Jornada" e "Milénio Diário"). O objectivo era e é claro: jogar universitários contra universitários.
Oitavo. Mas, contrariando os planos das autoridades, a maioria da comunidade universitária não é
favorável a soluções de força e sim ao diálogo e aos acordos. Na maioria das escolas e faculdades
onde foi possível a realização de assembleias, grevistas e antigrevistas dialogaram com respeito e
tolerância e foram chegando a acordos. A estratégia do reitor se deparava com um novo fracasso: os
universitários se reconheciam como tais através do encontro e do diálogo, reconheciam que as
reivindicações do movimento eram justas, e procuravam soluções criativas e inteligentes para acabar
com a greve. As assembleias por escola e faculdade estavam dando oxigénio ao movimento e, o que é
mais importante, estavam dando a ele um novo rumo. A solução estava próxima. Ainda que contrariando
as posições sectárias, a base do movimento estudantil universitário entendeu que as assembleias não
significavam uma derrota e sim a possibilidade de fazer com que o diálogo suplantasse a troca de
qualificativos.
Nono. O fracasso do senhor De La Fuente motivou o governo federal a precipitar o golpe que havia
sido preparado: através da publicação de um folheto assinado por alguns entre os mais poderosos
homens do dinheiro, pelos meios de comunicação e pelo alto clero, a direita fascista se outorgou a
falsa legitimidade imposta pela força. Aí os poderosos anunciavam que se renunciava à política (e,
de consequência, ao diálogo) e deixavam a força bruta como único recurso.
Décimo. O trabalho sujo foi encomendado a quem comanda um grupo paramilitar formado pelo atual.
candidato do PRI à presidência da república, o senhor Francisco Labastida Ochoa. Trata-se do militar
Wilfredo Robledo, chefe da autodenominada "Polícia Federal Preventiva". Desejoso de ocultar suas
cumplicidades e fracassos diante do crime organizado (particularmente diante do narcotráfico), o
senhor Robledo planejou, com requinte de detalhes, o ataque às instalações universitárias.
Décimo Primeiro. Novamente, foram vozes de alguns militantes perredistas e dos candidatos do PRD à
presidência da república e ao governo do DF (em contraste com as posições de alguns dirigentes
nacionais e locais do partido) os que advertiram que o governo federal, respondendo ao apelo da
direita, havia optado por despir-se de toda roupagem política e havia ficado com o garrote como
argumento de governo. Na falta de legitimidade, o governo federal e aqueles que o acompanham em sua
campanha militar (meios de comunicação electrónica, alto clero, os senhores do dinheiro e os
intelectuais de direita) pela "recuperação das instalações universitárias" se escondem por trás
desta falácia jurídica chamada "Estado de Direito". O "Estado de Direito" é a forma pela qual se
disfarçam os crimes de Estado.
Décimo Segundo. No interior da comunidade universitária e entre as forças progressistas, é cada vez
mais claro que o dilema da "universidade fechada ou aberta" é falso. Todos os universitários e todos
os mexicanos querem a UNAM fazendo o seu trabalho de docência, pesquisa e cultura. O movimento
estudantil universitário tem sido claro em seu desejo de que o conflito termine e a universidade
volte a trabalhar normalmente de acordo com seu espírito. É falso o dilema pelo qual o problema se
resolve com a universidade fechada ou aberta. Agora, não é essa a questão fundamental, menos ainda
quando existem 251 presos políticos. Agora o dilema está em saber se as justas reivindicações dos
estudantes se resolvem com o uso do diálogo ou com o recurso da violência.
Décimo terceiro. Diante do conflito da UNAM, a direita mostrou estupidez, cegueira histórica e
autoritarismo, se organizou e o enfrentou com seu único argumento: a violência. O que tem de mais
atrasado no país se pronunciou pelo não ao diálogo e pela violência contra aqueles que discordam do
seu projecto político, económico e social. De acordo com esta concepção, toda tentativa de
democratização, toda demanda de justiça, toda luta pela liberdade, são "acidentes menores da
história" cujos destinos devem ser a prisão, o túmulo ou o esquecimento. No país da direita, todo
exercício da política, incluindo aquele que se dá de acordo com suas regras, se transforma num
teatro de sombras.
Décimo quarto. Diante das acções fascistas da direita, nós, as forças progressistas e de esquerda do
país temos que encontrar os pontos comuns diante da justa demanda de educação pública e gratuita.
Para além da falsa separação de que "apoiar as demandas do movimento equivale a apoiar a chamada
"ultra" e criticar os métodos do CGH é "ficar do lado do projecto neoliberal de educação superior",
está o opor-se à qualquer aço política que não tem outros argumentos a não ser a violência, a
perseguição e o encarceramento.
Décimo quinto. O governo federal e a direita, com sua posição diante do conflito da UNAM,
conseguiram definir o problema em sua justa dimensão: a repressão como único e supremo exercício da
política. Hoje, como ontem, os lutadores sociais são classificados como "terroristas" pelo "Estado
de Direito". Assim como acontece com indígenas, camponeses, devedores, professores, colonos,
religiosos honestos e militantes dos partidos de oposição, todos os que lutam pelos direitos
sociais, os jovens estudantes da UNAM são tratados como criminosos da pior espécie.
Décimo sexto. A pérfida agressão do governo federal contra os estudantes não deve ser deixada passar
impunemente. Hoje, o importante não é estar concordando ou não com as reivindicações dos estudantes,
se concordamos ou não com seus métodos, se concordamos ou não com o Conselho Geral de Greve, se
concordamos ou não com a greve. Hoje o importante é que não podemos permitir que o uso da força seja
o método para enfrentar as demandas sociais.
As forças progressistas e de esquerda optam pelo diálogo, sem se importar com suas diferentes
concepções diante do poder ou diante das formas de luta.
O fim da política que Zedillo anuncia no dia de hoje é a promessa de um pesadelo para todos os
mexicanos no amanhã de Francisco Labastida.
O período eleitoral, suposta panacéia da democracia, começa com 251 presos políticos, jovens
estudantes, muitos deles menores de idade.
Décimo sétimo. Por tudo isso, o EZLN faz um chamado a todas as forças de esquerda e progressistas,
aos partidos políticos de oposição honestos, a todos os mexicanos e mexicanas para que,
independentemente da nossa posição diante do conflito da UNAM, nos manifestemos para parar o
fascismo, pela liberdade dos 251 estudantes presos políticos, para que o diálogo chegue a acordos e
pelo cumprimento desses acordos.
Décimo oitavo. Hoje não estão em jogo só o futuro da UNAM e do movimento estudantil. O que está em
jogo é o futuro de um país que está em disputa entre aqueles que querem governá-lo na ponta das
baionetas e aqueles que o querem livre, democrático e justo.
Democracia!
Liberdade!
Justiça!
Pelo Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertação
Nacional.
Subcomandante Insurgente Marcos
México, fevereiro de 2000.

Tradução e notas de rodapé de Emilio Gennari.
Caso ocorram problemas de transmissão de dados, comunique que efectuarei novo envio do texto.
Para mais informações sobre CONSEJO GENERAL DE HUELGA na UNAM veja
http://www.geocities.com/Baja/Mesa/9813/





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