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(pt) Info preparatório do encontro Norte- Nordeste

From <mrs.ana@uol.com.br>
Date Fri, 22 Dec 2000 07:33:29 -0500 (EST)


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      A - I N F O S  N E W S  S E R V I C E
            http://www.ainfos.ca/
 ________________________________________________

INFORMATIVO PREPARATÓRIO DO ENCONTRO NORTE-NORDESTE DE EXPERIÊNCIAS DE
LUTAS E ORGANIZAÇÃO LIBERTÁRIAS E AUTÔNOMAS
Nº 1


ATÉ QUE ENFIM...

Terminamos o número 01 deste informativo. Demorou porque os informes dos

estados tardaram muito. Mas, como diz o ditado popular, "antes tarde do
que nunca".
Todos já sabem que o objetivo deste informativo é permitir que cheguemos

ao Encontro no carnaval de 2001 com um mínimo de conhecimento mútuo. Ele

também deve ser um veículo para fazermos da construção desse Encontro um

processo horizontal desde a sua raiz.
Esteticamente ele não está lá essas coisas, mas isso não tem muita
importância (estamos corretos?).
Os libertários, autonomistas e afins (os diversos anticapitalistas e
anti-autoritários) têm crescido bastante nos últimos anos. Isso têm sido

acompanhado também pelo crescimento de uma ação mundializada da nossa
resistência contra o capital, vide a Ação Global dos Povos e várias
outras iniciativas contra a chamada globalização capitalista. Uma coisa
está intimamente ligada à outra. Tudo isso não nos deve contentar e nem
nos deixar num estado de contemplação e êxtase. As nossas
responsabilidades e dificuldades aumentam com tudo isso. Devemos nos
esforçar para aprender ainda mais, reforçando a nossa solidariedade e o
nosso enraizamento político e social. Talvez isso seja a principal
condição para que possamos avançar com êxito e nos defender. Nos
defender sim e contra dois inimigos: a direita do sistema, que procura
forjar as condições para nos esmagar pela força, e a esquerda do
sistema, que tenta cooptar a luta e a organização popular para seus
projetos de administração "humanizada" da barbárie capitalista e que no
final das contas age como dedo-duro (quando não repressora mesmo!) dos
revolucionários.
Que o nosso Encontro possa servir para o nosso aprendizado e
fortalecimento!!


ACONTECERÁ O 4º  ENCONTRO  DO MOVIMENTO ANARCOPUNK DO NORDESTE. SERÁ EM
TERESINA - PIAUI, DE 24 A 26 DE DEZEMBRO. A PAUTA SERÁ DEFINIDA NO
INÍCIO DO ENCONTRO. MAIORES INFORMAÇÕES COM OS SEGUINTES TELEFONES: ÉDER

(0XX86 - 227 4124), DEMÉTRIUS ( 0XX86 - 227 3980) OU MACLINE (0XX86 -
223 8850)



ACONTECERÁ O ENCONTRO NACIONAL DAS RESISTÊNCIAS POPULARES EM GOIÂNIA
DURANTE O CARNAVAL DE 2001. COINCIDIRÁ, PORTANTO, COM O NOSSO ENCONTRO.
SERIA MUITO IMPORTANTE TENTARMOS FAZER UMA PONTE ENTRE ESSES DOIS
ENCONTROS, POIS OS AMIGOS DAS RP' S COM CERTEZA FAZEM PARTE DO MESMO
CAMPO DE LUTA QUE QUEREMOS CONSTRUIR! AQUI VAI O E-MAIL DA RESISTÊNCIA
POPULAR EM GOIÁS: rp_go@yahoo.com.br

OS SEGUINTES GRUPOS/ MOVIMENTOS DEMONSTRARAM INTERESSE EM PARTICIPAR DO
NOSSO ENCONTRO: A LIGA DE MOVIMENTOS AUTÔNOMOS (BELO HORIZONTE), GRUPO
POLÍTICO-CULTURAL CACORÊ (SÃO PAULO), FRENTE DE LUTA POPULAR (RIO DE
JANEIRO) E COMUNIDADE PIRACEMA (SANTA MARIA - RS). O INTERESSE SE
MANIFESTOU DURANTE A PARTICIPAÇÃO DE GENTE DO CEARÁ EM ENCONTROS NA
CIDADE DE SÃO PAULO (SEMINÁRIO ORGANIZADO PELO ESPAÇO SOCIALISTA DO ABC
PAULISTA E REUNIÃO GERAL  DOS GRUPOS QUE ORGANIZARAM O S26 EM SÃO PAULO)

E BELO HORIZONTE (SEMINÁRIO DA LIGA DE MOVIMENTOS AUTÔNOMOS) REALIZADOS
ENTRE OS DIAS 11 E 19 DE NOVEMBRO. O PESSOAL DO CEARÁ QUE RECEBEU A
SOLICITAÇÃO CONSULTA A TODO O PESSOAL DO NORDESTE SOBRE ESSE FATO E
TAMBÉM GARANTE DE ANTEMÃO QUE OS GRUPOS EM QUESTÃO SÃO DE CONFIANÇA E
REALIZAM IMPORTANTES EXPERIÊNCIAS DE LUTA E AUTO-ORGANIZAÇÃO.
APROVEITAMOS A DEIXA PARA PERGUNTAR SE HÁ OUTROS GRUPOS NACIONAL OU
INTERNACIONALMENTE QUE SOLICITAM PARTICIPAÇÃO OU QUE SE PRETENDE
CONVIDAR...

O PRÓXIMO (E ÚLTIMO) NÚMERO DO INFORMATIVO DEVERÁ ESTAR PRONTO NA 2ª
QUINZENA DE JANEIRO/2001. QUEM TIVER ALGUM ARTIGO PARA AJUDAR A REFLEXÃO

NO ENCONTRO E NOVOS INFORMES, FAVOR ENVIAR ATÉ NO MÁXIMO O DIA 15 DE
JANEIRO. ENTRETANTO, O NÚMERO 02 DEVERÁ CONTER A QUANTIDADE DE PESSOAS
DE CADA ESTADO QUE VIRÁ PARA O ENCONTRO, PARA QUE POSSAMOS VIABILIZAR
AQUI A INFRAESTRURA ADEQUADA, E AS PROPOSTAS DE TEMÁTICA E METODOLOGIA.
PEDIMOS QUE OS GRUPOS E PESSOAS DOS ESTADOS SE REÚNAM PARA DISCUTIR
ESSAS QUESTÕES O MAIS URGENTE POSSÍVEL.

INFORMES PENDENTES
Estamos esperando informes do Acre, Pará, Pernambuco (Petrolina), Rio
Grande do Norte e alguns grupos libertários da Bahia. Tais informes
poderão sair no segundo e último número deste informativo.



INFORMES DA PARAÍBA

CENTRO DE CULTURA SOCIAL - CCS
O C.C.S/JP  continua desenvolvendo sempre que possível o grupo de
estudos aos sábados e realizando algumas atividades. Tentamos articular
algo aqui no dia 26 de setembro (contra o F.M.I  e a OMC), mas não deu
certo devido a alguns problemas. Transferimos para o dia 28/09 e
aproveitamos para abordar a questão do voto. A manifestação foi
proveitosa, fizemos muito barulho no centro da cidade, foram
distribuídos panfletos e feito um plebiscito sobre a obrigatoriedade do
voto. O resultado foi 73% e 27%( "bons" cidadãos ) votariam.
Aconteceu aqui em João Pessoa mais uma reunião sobre a formação da rede
autônoma entre os grupos que vem se formando aqui no norte e nordeste. A

reunião aconteceu dia 09 de outubro e contou com a participação do
pessoal do CE, PE e PB. Desta reunião foi decidido adiar o encontro da
rede que aconteceria aqui em João Pessoa no mês de outubro, e tiramos
como indicativo um encontro mais amplo que acontecerá no período do
carnaval em Fortaleza.
Durante o encontro de confraternização Anarcopunk em julho recebemos
uma grande quantidade de materiais (fita de vídeo, sons, fotos e zines)
de companheiros da JAR (juventude anti-autoritária revolucionaria) do
México. Alguns companheiros de outros estados pegaram materiais para
xerocar e nisso acabou sumindo todas as fotos enviadas. Pedimos a quem
estiver com as fotos que nos comunique, pois tal material foi conseguido

através de um contato pessoal e as fotos fazem parte de um laço de
amizade existente e não um produto a mais. Por favor nos devolvam!!!!!!
Em Campina Grande foi formado o fórum de cultura libertária, inclusive
estão articulando um evento que se realizará na ultima semana de
novembro e contará com a participação de José Maria, diretor da revista
UTOPIA, de Portugal. Mais informes caixa postal 10115 - CEP 58001-970
Campina Grande - PB. Aproveitamos a vinda de José Maria e organizamos
uma palestra com a temática "anarquismo na atualidade", no dia 02/12
aqui em João Pessoa.
Tivemos a visita de dois companheiros anarcopunks dos E.U.A e realizamos

um debate sobre squat, o qual foi bem produtivo!
Acontecerá no dia 17/12 um evento para lançamento do LP coletânea com
bandas do nordeste e também o livro do companheiro Rogério Humberto
sobre o anarquista Florentino de Carvalho. Bandas interessadas em tocar
entrem em contato urgente com o C.C.S/JP - Caixa postal 255-CEP 58001 -
970 João Pessoa - PB

CARTA DE APRESENTAÇÃO DO NÚCLEO DE PROPAGANDA ANARQUISTA - NPA
O N.P.A. se formou há cerca de dois anos com a proposta clara de
divulgar o pensamento e a doutrina anarquista-libertária como forma de
minimizar o desconhecimento e o preconceito que geralmente se tem sobre
ele, e com o intuito de apresentar o anarquismo como um pensamento
viável de emancipação social. Hoje o coletivo conta com quatro
integrantes, entre eles, proletários, trabalhadores e/ou estudantes.
Nesse tempo de trajetória e atuação, o grupo num primeiro momento
produziu e divulgou textos de caráter libertário no meio universitário
da cidade. Posteriormente o núcleo ampliou sua área de divulgação para
outros espaços, tais como: o distrito industrial  da cidade (no 1.º de
maio de 1999); alguns espaços culturais da cidade; divulgação de textos
do coletivo no jornal "negra voz" (do movimento negro local) e em
informativos libertários de outros estados  O N.P.A. tem se empenhado
ainda na organização e/ou participação de manifestações de rua, por
exemplo no ato público dos "500 DE RESISTÊNCIA NEGRA, INDIGENA E POPULAR

" e uma manifestação ocorrida por ocasião do 2.º encontro de
confraternização Anarcopunk à nível nordeste.
O N.P.A também se fez presente em encontros de caráter libertário como o

"SEMINÁRIO ESTRATÉGICO DO COMITÊ DE SOLIDARIEDADE AS COMUNIDADES
ZAPATISTAS-CE (MAIO DE 2000) e um encontro promovido pela comunidade
MOCAMBO DO RECIFE-PE (SET/2000), participou ainda de discussões e
palestras  de formação libertária e  voltou a editar o jornal "REAÇÃO
ANARQUISTA-RA" (que existia há anos atrás e voltou em nova fase) que se
encontra atualmente na sua terceira edição. O jornal R.A. tem circulação

em vários espaços da cidade e chega em diversos estados através de
contatos com o meio libertário.
Com relação  às perspectivas de construção da rede e a nossa maneira
particular de encarar a mesma, queremos explicitar que nossa colaboração

e apoio se fará presente dentro das  nossas possibilidades, e na medida
em que a rede adquira uma postura essencialmente anti-capitalista e
anti-estatal. Esperamos que a  formação da rede possibilite e dinamize a

troca de experiências e a solidariedade entre as partes que a
constituem, como também esperamos que a rede possa colaborar para a
criação de experiências de auto organização popular e de uma divulgação
cada vez mais ampla do libertarismo.  Esperamos que no encontro de
diversas visões com relação à mesma possam ser apresentadas e discutidas

de modo que pontos divergentes e convergentes possibilitem assim a
construção dessa grande obra.
Pretendemos comparecer ao encontro em número ao máximo de três e no
mínimo dois integrantes, acreditamos ter condições para custear as
nossas despesas com relação ao veiculo, confiamos também na
possibilidade em conjunto com companheiros de cidades próximas diminuir
os custos de transporte fretado um meio de locomoção coletivo. Enfim, é
mais ou menos isso que somos e o que pensamos!!!
Caixa Postal 255 - CEP 58.001 - 970  João Pessoa - PB

DE CAMPINA GRANDE
Nesta cidade está sendo organizado o Fórum de Cultura Libertária, que
surgiu a partir de discussões na disciplina sobre anarquismo no curso de

Ciências Sociais da Universidade. Parte dos alunos achavam interessante
a manutenção de leituras seguidas de conversa a partir de uma
perspectiva libertária. Nesse sentido foram feitos encontros para
discutir as eleições, ao fim dos quais foi elaborado o jornal ATENTADO.
As próximas discussões abordarão a questão da educação.
Quanto ao Encontro Norte-Nordeste, o companheiro que nos repassou este
informe entende como de muita importância a aproximação dos grupos e
pessoas que tentam um sonho do estabelecimento de uma vida libertária
para todos. Infelizmente, ele e outros desta cidade não poderão
participar pois estarão com outras atividades.

INFORMES DE SÃO LUIS - MARANHÃO

HISTÓRICO DE ATIVIDADES DA ULMA ( União Libertária do Maranhão )
O movimento libertário do Maranhão surgiu por volta de 1985, quando
apareceram os primeiros punks da cidade de São Luiz. Logo montaram o MPS

( movimento de protestos suburbanos ), que reuniam punks e alternativos,

no qual realizavam pichações contra os militares, o governo, a energia
nuclear e pelo voto nulo, principalmente. Ainda chegaram a fazer alguns
debates nas escolas. Fizeram diversas panfletagens e ações contra o
desfile militar, passeatas e abaixo assinados contra o serviço militar
obrigatório, a pena de morte e pela legalização das rádios piratas.
Possuíam no movimento as bandas: SL CAOS, FOME, AMNÉSIA e NUTRIÇAO ZERO.

Os zines: GRITO PUNK, ESTADO DE MISÉRIA e RESISTÊCIA. Faziam shows
também.
Por volta de 1992, o MPS definhava-se e logo resolveram montar o MAP-MA
( movimento Anarcopunk ) formado basicamente por punks, já possuíam
diversos trabalhos na mesma linha do antigo MPS. Entre suas atividades
possuíam as bandas INCÚRIA e ESTRAGO. Os zines continuavam com o grito
punk, o estado de miséria e sociedade de mutilados. Realizavam vários
shows nas ruas da cidade. Como informativo oficial teve o ANACO!.
A ULMA surgiu logo após a reformulação do MAP-MA em 1995. Entraram
diversos libertários e suas reuniões semanais eram na praça Deodoro
(centro). Entre suas bandas havia a TERROR, ÚLTIMA MARCHA, DISPARO,
ESTADO DE MISÉRIA e outras extintas. Somente a ULTIMA MARCHA está ativa.

Entre suas ações citamos:
- Participação em passeatas de estudantes e trabalhadores.
- Participação ativa no comitê BRASIL OUTROS 500.
- Organização de atos shows.
- Passeata contra o desfile militar ( 7 de Setembro )
- Pichações contra o voto nulo ( com campanha ) e outros temas.
- Serigrafia ( vendem camisas em shows de bandas alternativas ).
- Produção do informativo LIBRE.
- As bandas ÚLTIMA MARCHA E AMNÉSIA como participantes do movimento
estão organizando trabalhos sobre a base militar de Alcântara, ocupações

urbanas, questões agrarias e diversos outros trabalhos que estão sendo
preparados para a comunidade.
- A organização de palestras com o comitê de solidariedade as
comunidades zapatistas/Ce (set/2000).
- Preparam várias palestras em grupo de jovens e estudantis.
- Preparam-se para apoiar financeiramente o 4o encontro Anarcopunk do
nordeste.
A ULMA está articulando a ida de representantes para encontros
libertários , as reuniões são semanais e procuram espaço físico para
elas, há um grupo de estudo formado e uma biblioteca.
Atualmente  a ULMA possui pouco contingente, já foi maior. Contudo
estabeleceu-se de uma forma séria e organizada, onde todos os seus
participantes atuam na medida de suas possibilidades.
Propostas da ULMA para o encontro:
Como foi deliberado na reunião da ULMA, dia 15/11/00, local: Zumbi dos
Palmares...
1- A ULMA agilizará a ida de dois companheiros.
2- A ULMA concorda com as propostas da carta enviada (18 outubro)
3- Queremos participar do boletim, não só como apoio financeiro texto,
mas com desenhos.
4- O local do encontro foi muito bem escolhido
5- Ainda não tivemos uma proposta certa para arrecadação de dinheiro,
mas uma seria a organização de shows por local(estado), com vendas de
camisas e outros materiais. Assim arrecadaríamos a grana e repassaríamos

para o Ceará.
Quaisquer duvidas entrem em contato:
Caixa postal: 710, CEP: 65001-970, São Luiz - MA
E-mail: joacyjamys@zipmail.com.br

INFORMES DO PIAUÍ

UM BREVE HISTÓRICO DO MOVIMENTO @-PUNK DO PIAUI
Em mais ou menos abril de 1997 iniciou o embrião de que seria o
movimento Anarcopunk hoje no Piauí. Nesse período dava-se inicio às
reuniões, porém já existiam punks em Teresina, essas reuniões tinham
como objetivo dar uma unidade à cena local que estava para surgir.
Iniciando assim discussões, debates e conversas a respeito de temas
diversos dentro da temática anarquista, passando assim a existir um
grupo de estudos. Posteriormente deu-se inicio ao grupo, que veio a se
chamar GEA ( grupo de estudos anarquistas ), nesse período teve
variações quanto ao numero de participantes que compunham o grupo e o
local das reuniões, as dificuldades eram enormes e ainda são.
Na madrugada do dia 4 de junho de 1998, Teresina presencia uma das mais
importantes manifestações populares vistas desde então.  Cerca de 2.500
famílias sem teto juntamente com segmentos da igreja, FAMCC ( federação
de associações de moradores e conselho comunitário ) e o GEA e como
sempre muitos pelegos partidários, ocuparam um terreno que estava em
total abandono caracterizando assim um propósito especulativo do suposto

proprietário. No primeiro dia as tensões foram intensas, o pedido de
reintegração de posse foi impetrado logo em seguida e com isso veio a
maquina da repressão do estado, a policia. A principio eles estavam só
para "observar" tal movimentação. Durante dias ficamos construindo os
barracos e montando a resistência, houve vários pedidos de reintegração
de posse, mas os advogados e nossa persistência dentro da ocupação
fizeram com que as "autoridades" adiassem a cada vez o tal momento. Em
paralelo às atividades na ocupação, houveram diversas manifestações em
prol da luta pela terra, inclusive uma forte manifestação que ocorreu na

sede do governo (tanto no palácio do governador, quanto na prefeitura)
com ocupação desses respectivos lugares.
Já passado algum tempo começaram os trabalhos de construção, ai vieram
os poços artesanais, as ligações clandestinas de energia elétrica ,
abertura de ruas por tratores e tudo isso foi obra da união dos
ocupantes que neste momento integravam 5.000 famílias. Hoje existe na
vila irmã Dulce (nome dado à ocupação) posteamento elétrico, sistema de
transporte, uma escola municipal e uma horta comunitária. Um dos grandes

problemas hoje é a falta d'água e a infiltração de alguns segmentos da
igreja e de partidos que estão manipulando alguns benefícios adquiridos
com muita luta.
No inicio da ocupação o GEA foi muito ativo e decisivo nos
acontecimentos dentro da ocupação participando de decisões e construção
da comunidade. Depois de algum tempo tendo a ocupação já se firmado, o
grupo começa a se dispersar e se afastar da comunidade à exceção de uns
companheiros que firmou residência na mesma. Já no ano de 2000
chegou-nos uma ajuda de suma importância que foi o envio de uma quota de

125 CDs pelos companheiros de Barueri a serem vendidos e que o dinheiro
arrecadado ficasse para nós realizarmos trabalhos, inclusive na vila,
referente a cultura como: escolinha de musica, marcenaria, reforço
escolar, alfabetização de adultos, biblioteca comunitária, teatro,
poesia e diversas outras atividades. No momento estamos trabalhando
bastante para que esse sonho se concretize. Fora a ocupação, as outras
atividades do grupo são colagens, panfletagens, um encontro que fizemos
em 1999 no período do 1o maio e exposição de materiais e gigs.
No momento existe mais um grupo dentro do movimento aqui em Teresina,
que é a U.L.P.A (união libertária da poesia ávida ), a U.L.P.A é um
grupo que trabalha mais a questão da arte libertária e as pessoas que a
compõem são basicamente as mesmas do GEA mas também existem pessoas que
não são @-punks, mas que tem um pensamento libertário
Contatos: E-mail - gea@ufpi.br

INFORMES DA BAHIA

QUILOMBO CECILIA (Salvador)
"Infelizmente pra nós do Quilombo, vai ser financeiramente impossível
estar aí no encontro, mas é certo que algumas pessoas aqui de Salvador
lá estarão. Esperamos de qualquer maneira e desde já intensificar esse
contato que tem sido tão vago, pra que assim possamos pensar em uma ação

mais integrada, por nossa parte a nível Norte-Nordeste. É importante pra

nós quilombolas saber de vocês, estar próximos. Logo enviaremos algumas
propostas e pontos que gostaríamos de ver discutidos no encontro. Um
abraço libertário, axé e saúde.
Mendigo.

A associação cultural Quilombo Cecília, é uma entidade formada em maio
de 1999, com o intuito de produzir e divulgar cultura libertaria,
oferecendo às pessoas os meios para que se substituam as alternativas
oferecidas pelo capitalismo, por outras mais saudáveis, conscientes,
ecológicas, libertarias e libertadoras.
Quilombo por sermos afro-decendentes orgulhosos, conscientes de que em
nossas raízes culturais e históricas estão as respostas para muitos dos
nossos problemas. Salve o homem(mulher ) natural!!!
Cecília em homenagem a colônia anarquista em fins do Sec. XlX, destruída

pelo sistema com a mesma ferocidade usada contra os quilombos.
Nós quilombolas, acreditamos que com apenas a pratica da liberdade,
estaremos criando as condições necessárias para a transformação social
profunda e duradoura e percebemos que essa transformação deve se dar em
todos os níveis da existência humana.
Propomos então uma mudança política, cultural, alimentar, educacional,
corporal, buscando uma melhor convivência com nós mesmos e com aqueles
que nos rodeiam.

 A BIBLIOTECA:
"Se a dominação capitalista tem a necessidade de praticar a opressão
cultural, a libertação é necessariamente um ato de cultura" ( Amilcar
Cabral )
Atualmente, nossa pequena biblioteca conta com mais de 250 livros, além
de revistas, fanzines e panfletos sobre os mais diversos assuntos, como:

política, teatro, musica, poesia, alimentação natural, literatura e
muito mais, buscando sempre reunir as obras daqueles(as) que  dedicaram
e dedicam suas vidas em prol de uma realidade mais justa, criando vias
de informação alternativas para que se tome conhecimento daquilo que a
grande mídia e o circuito artístico oficial tentam esconder e calar.

OS EVENTOS CULTURAIS:
Realizamos recitais, debates, palestras oficinas, shows musicais, mostra

de vídeo, rodas de capoeira, vivências infantis, almoços vegetarianos,
produzindo e praticando a cultura ácrata, dando oportunidade a todos de
mostrarem os seus trabalhos, desfrutando de uma convivência igualitária
e fraternal.

OS CURSOS:
Com a finalidade de dividir o conhecimento e possibilitar às pessoas uma

maior "facilidade" na luta pela sobrevivência e de buscar uma reeducação

que nos aproxime de uma sociedade transformada, oferecemos desde a nossa

fundação, vários cursos e oficinas, como inglês, francês, espanhol,
teatro, capoeira alimentação natural, massagem, desenho, reiki, entre
outros, tentando fazer germinar nos indivíduos novas percepções em
relação ao mundo que nos rodeia e a maneira de interagir com o mesmo.
Atualmente oferecemos cursos de inglês, espanhol e capoeira angola, do
mestre jogo de Dentro.

AS REUNIÕES:
O Quilombo vem servindo como local de reunião de diversos grupos
anarquistas de Salvador e o nosso espaço esta aberto para que outros
grupos anarquistas ou não dele se utilizem.

A ASSOCIAÇÃO:
Àqueles que querem se integrar à associação, colaboram mensalmente com
R$10,00. É assim que adquirem direito de tomar emprestado os livros e
vídeos disponíveis em nossa biblioteca, além de serem dispensados do
pagamento dos ingressos de eventos pagos.

O QUILOMBOLA:
O jornal quilombola é o veiculo de expressão de idéias do Quilombo
Cecília e daqueles que direta ou indiretamente estão ligados ao seu
funcionamento. Vivendo em uma sociedade que leva o espectador ao patamar

de cidadão modelo, independente, criando um meio autônomo e livre de
expressão e informação. Circula mensalmente por vários pontos da cidade.

O RESTAURANTE VEGETARIANO QUILOMBO VERDE:
Funciona de segunda a sexta das 12 ás 15 horas desde o dia 19 de
setembro, com o intuito de oferecer à população comida natural barata e
saudável, seguindo o principio da cozinha sem crueldade e de não usar
nenhum produto derivado de animais, rompendo ainda com os conceitos
amplamente difundidos pela mídia, segundo os quais a comida vegetariana
é necessariamente sem gosto, pouca em quantidade e excessivamente cara e

inacessível à população desfavorecida financeiramente. Iniciamos então
as transformações por dentro de nós mesmos, pois afinal nós somos o que
comemos.

Enfim, pregamos e praticamos o anarquismo, buscando a transformação
completa da sociedade através da conscientização e da educação, sem
eurocentrismo e dogmas. Somos o meio, nele vivemos e por ele lutamos.
Associe-se, doe livros, vídeos e outros materiais, zines, panfletos,
material de papelaria, ligue e nós buscamos!! Traga a sua proposta
cultural, artística, política, dê cursos ou oficinas, ajude
financeiramente, apareça!!!!
Contatos: Rua do passo 37, pelourinho, Salvador BA
E-mail: quilombocecilia@ig.com.br

NUELCA (Alagoinhas)
Editam com outros grupos libertários da Bahia o informativo Bandeira
Negra. Recentemente participaram com esses grupos do S26, em sincronia
com as diversas iniciativas que aconteceram no dia de ação global contra

o capitalismo. Os demais informes, pretendem dar pessoalmente durante o
Encontro N-NE.
Sugerem para o Encontro:
 1. Aceitação da data e local;
2. Confirmam a presença;
3. Que tiremos nesse Encontro o indicativo do próximo;
4. Que criemos uma periodicidade de informações;
5. Que haja um momento para conferência sobre o Encontro Internacional
de Cultura Libertária (propõem um dos  companheiros que lá esteve);
6. Que existam grupos temáticos de discussão: proposta anarquista para a

humanidade explorada e oprimida; imprensa anarquista no N-NE; inserção
social; conjuntura nacional e internacional. Método: discussões em
grupos e apresentação e discussão coletivas, onde cada GTD apresentará
um relatório em uma reunião geral;
7. Que haja um momento onde todos se encontrem para falar, ouvir, comer,

beber, trocar material...
 "andorinha só não faz verão" (cultura popular nordestina)

INFORMES DE SERGIPE
O núcleo Anarcopunk de Aracaju informa que não estará no Encontro por
motivos diversos, como por exemplo: falta de grana, tempo e por estarem
desacreditados nesses Encontros que acontecem no Nordeste, pois não
chegam a lugar nenhum... Um simples boletim Anarcopunk está parado. "nem

sabemos o que aconteceu com ele aí no Ceará...". "O que vemos é que todo

mundo tá cheio de propostas, o problema é manter e realizar isso".

INFORMES DO CEARÁ
Atualmente existe no Ceará uma junção ainda fluída de pessoas e
coletivos que costumamos chamar de "Rede". Os históricos desses
coletivos estarão no Relatório do Seminário Estratégico do Comitê de
Solidariedade às Comunidades Zapatistas do Ceará, acontecido em maio de
2000, e que deverá ser apresentado com as devidas atualizações durante o

Encontro N-NE.
Não há uma unidade ideológica nesta "Rede". As afinidades foram se dando

a partir de iniciativas práticas durante todo o ano de 2000 sempre com
uma postura anti-capitalista e anti-autoritária e sem a presença de
partidos e de coletivos e pessoas que se pretendem dirigentes ou
hegemonistas. Defendemos e praticamos a descentralização. A maioria se
conheceu no trabalho de preparação do II Encontro Americano Pela
Humanidade Contra o Neoliberalismo, acontecido em Belém do Pará, em
dezembro de 1999. Outros se somaram apenas após o evento de Belém, os
quais também dele participaram.
Nossas iniciativas conjuntas durante este ano: atos pela vida e
liberdade de Mumia Abu-Jamal (fevereiro e agosto), quebra do relógio da
Globo contra a farsa dos 500 anos (abril), ato em solidariedade às
comunidades zapatistas (julho), 1º de Maio da Ação Global dos Povos,
S26, Seminário Estratégico do Comitê de Solidariedade às Comunidades
Zapatistas do Ceará.
Estaremos realizando nos dias 20 e 21 de janeiro de 2001 um seminário
desta "Rede", onde faremos o balanço do ano 2000 e faremos o
planejamento de 2001.
De dezembro de 2000 ao final de fevereiro estaremos empenhados em três
coisas:
1. O Encontro N-NE, principalmente a parte de infra-estrutura;
2. Plenária para discutir o Plano Colômbia, marcada para 26/01/2001;
3. Preparação de um material popular sobre a criminalização dos
movimentos sociais.
Nosso anseio em relação ao Encontro é que ele permita que aprofundemos
pelo menos regionalmente as nossas afinidades e definamos ações
concretas em comum.
O local do Encontro já está confirmado e estaremos proximamente
definindo como trabalhar os detalhes logísticos.

INFORMES DE PERNAMBUCO
O grupo Pernamocambo realizou no dia 19 de novembro uma atividade em
memória a Zumbi dos Palmares. Já confirmaram presença no Encontro N-NE.

O GRUPO PERNAMOCAMBO
O Grupo Pernamocambo existe há aproximadamente 7 anos. Surgiu na
Comunidade do Oitenta em Aldeia , Camaragibe / PE. Inicialmente éramos
um agrupamento que desenvolvia algumas atividades educativas com as
crianças e jovens, não só da Comunidade do Oitenta, mas de outras
comunidades de Aldeia. Hoje somos um grupo enraizado que se enraíza num
processo permanente de preservação da memória ancestral e resgate da
consciência. Nos movimentos com o objetivo de parar todo e qualquer
esquema que venha a nos desenraizar, como, por exemplo, a folclorização
e a ideologização de nossas vivências.
Hoje continuamos na Comunidade do Oitenta nos reunindo no Mocambo
(espaço construído em um terreno que não é nosso e que nos foi
emprestado em solidariedade à luta do grupo). Atualmente continuamos a
desenvolver várias atividades como dança, música, leitura, teatro,
desenho, artesanato, etc. Porém, o Mocambo é um mocambo de Capoeira,
bússola ancestral, raiz orientadora que nos possibilita a fertilidade e
consequentemente a certeza do fruto de hoje como a certeza da próxima
estação.
Hoje o Pernamocambo envolve pessoas, não só da região de Aldeia, mas
também de outras regiões: Região Metropolitana do Recife, e região da
Zona da Mata Norte de Pernambuco. Também desenvolvemos uma atividade que

denominamos: Brasil 500 Danos: um Projétil de Vida contra o Projeto de
Morte. Essa atividade tem o propósito de causar uma reflexão imediata e
objetiva não só sobre a invasão do europeu a essa terra chamada de
Brasil, mas, principalmente, a sua estadia, ou seja, a sua ocupação. Não

nos limitamos em dizer 500 anos de invasão, mas, principalmente, dizemos

500 anos de ocupação. Sendo assim, Brasil 500 Danos é uma atitude e uma
proposta desocupante que incentiva, apoia e busca fortalecimento em
outras atividades que de acordo com o projétil; também são atitudes
desocupantes. Brasil 500 Danos: um Projétil de Vida contra o Projeto de
Morte são apenas palavras (que não são só palavras... sabemos), uma
maneira que conseguimos encontrar para expressar nosso cotidiano. Porém
quando falamos de atitudes desocupantes, estamos falando de desocupação
e desocupação em todos os sentidos que para nós são perceptíveis. Nós do

Pernamocambo estamos nos movimentando com o intuito de desocupar, por
exemplo:
- Nossa mesa (ou nossa esteira, etc.), tirando de nossas vasilhas
(pratos, panelas...) o que nos é prejudicial como alimento;
· Nossa cama (ou nossa rede, etc.), tirando de nossos sonhos todos os
pesadelos e fantasias por mais coloridos e coloridas que sejam, desde
que nos façam agir como seres vivos dormintes-sonhantes que de vez em
quando acordam e não como seres vivos acordados-acordantes, que dormem
para permanecerem naturalmente acordados.
Enfim, desocupar todos os recantos de nossa casa, todos os recantos de
nossa mente, de nosso corpo, todos os recantos de nossa rua, de nosso
bairro, cidade, estado, região, desocupar todos os recantos do que
chamaram Brasil.
Uma das sementes que gerou o Brasil 500 Danos foi uma atitude tomada por

nós em 1997, que foi a instituição do dia 20 de abril como o Dia do
Branco. A instituição desta data foi motivada pelo assassinato do índio
Galdino Pataxó, um dia após as comemorações oficiais do chamado dia do
Índio 19 de abril. (anexo 1). Uma das atitudes marcantes do projétil
Brasil 500 Danos foi a declaração do Ano do Branco, data marco, de 20 de

abril de 1999 a 22 de abril do ano 2000.
O Ano do Branco foi e é para nós a reação ao movimento oficial de
comemorações aos 500 anos do Brasil (para nós 500 anos de ocupação)
propagado principalmente pela Rede Globo de televisão. Porém, o Ano do
Branco também é uma reação aos protestos contra as comemorações oficiais

(para nós, protestos oficiais), como, por exemplo, o denominado
protesto: Brasil outros 500. (anexo 2)
Durante o Ano do Branco fizemos contato com outros grupos e pessoas,
difundindo o projétil e propondo assim uma profunda reflexão a respeito
do que chamaram Brasil. Mesmo antes de nomearmos nossas atitudes
desocupantes de Brasil 500 Danos: um Projétil de Vida contra o Projeto
de morte, já nos movimentávamos com o objetivo de provocar uma discussão

acirrada sobre o que chamaram de Brasil e uma das atividades que
provocara tal discussão foi o que intitulamos: Reacione (Diasporafro
Memória Ancestral e Reacismo), onde realizamos 5 encontros com várias
pessoas e alguns grupos de diferentes comunidades de Pernambuco.
Hoje somos assim, estamos aqui a lutar pela preservação de nossas
raízes, nossas expressões culturais, essência viva da vida, memória
ancestral.

O encontro

Em relação ao encontro da rede não dispomos de nenhum dinheiro (até
agora) para podermos nos locomover via ônibus de linha. Porém, a
proposta de dividirmos as nossas dificuldades e possibilidades para
tornarmos esse encontro possível realmente nos fortalece. Podemos
contribuir dando oficinas de Capoeira, de teatro, de percussão, dança...

Essas oficinas seriam realizadas no Ceará e tentaríamos com isso
conseguir algum recurso para as despesas da viagem.
Em relação à programação do encontro, propomos que exista um momento
onde cada grupo exponha suas experiências, seus objetivos e propostas de

ações conjuntas. Acreditamos também que é de fundamental importância uma

conversa sobre a auto-sustentação dos grupos e consequentemente a
solidariedade e o intercâmbio entre os mesmos.
Estamos também pensando (e observando se é possível ou não) na idéia de
uma, duas ou três pessoas daqui de Pernambuco partirem para este
encontro de bicicleta, fazendo escala em João Pessoa, Natal, Mossoró e
outras localidades possíveis. Gostaríamos que nos fossem enviadas
propostas de  ajuda em relação a este percurso de bicicleta (pontos de
apoio, manutenção das bicicletas, alimentação, hospedagem, etc.).
O que move esta idéia é o objetivo de falar diretamente com as pessoas
nas suas próprias regiões sobre o que vem a ser realmente o Brasil 500
Danos: um Projétil de Vida contra o Projeto de Morte, para que termos
como desocupação, Dia do Branco, Ano do Branco, entre outros, não sejam
motivos de mal-entendidos ou de mal-explicados entre nós que tentamos
tecer cada fio dessa rede.
A bicicleta entra nessa história como veículo que transporta uma
iniciativa, uma proposta de discussão mais aprofundada sobre as relações

étnicas e de poder no assim chamado: Brasil.

Anexo 1:

O Dia do Branco

Capoeira Pernamocambo Angola é um Grupo de Capoeira que exerce outras
atividades culturais, a exemplo do grupo Beribatuque (de berimbau), o
Flautaço (de flauta), o Repercussão Bantuque (o canto do Mocambo), o
Teafro (teatro) e o Beriba de Ler (de leitura, escrita e fala),
preservando a tradição cultural, fruto de nossa memória ancestral.
O Grupo instituiu o dia 20 de abril como o Dia do Branco, com o objetivo

de causar uma reflexão imediata a respeito de todos os atos de violência

social que desde a chegada do branco europeu nunca deixaram de
acontecer. Pelo contrário, vão tomando novas formas requintadas de
perversidade.
O Grupo está tomando como referência para a instituição do dia 20 de
abril como o Dia do Branco o assassinato do índio Galdino Pataxó,
queimado vivo por cinco rapazes filhos de pessoas da alta sociedade
brasileira, inclusive representantes do mundo político e do setor
judiciário, o que determina que a gravidade do ato seja relativizada na
hora da interpretação e do julgamento como uma simples brincadeira dos
jovens, que não sabiam que fogo mata e que aquela pessoa era um índio;
pensavam que se tratava de um simples mendigo. Este fato é carregado de
simbolismo  envolvendo a questão da dominação étnica. Será por acaso que

exatamente 5 séculos após o descobrimento do Brasil, 5 rapazes
representantes da alta sociedade; certamente descendentes dos primeiros
brancos que fizeram contato pela primeira vez, há 500 anos, com os
nativos que viviam na região onde foi instituída a primeira capital
assassinaram um descendente destes nativos na cidade que hoje é a
capital, exatamente na madrugada após o dia que foi instituído como dia
do índio?
Diante desse fato que expressa claramente como se perpetua a questão da
discriminação e da dominação étnica no país quem, senão os
representantes dos mocambo (moleques) e das maloca (maloqueiros) para
realimentar permanentemente a reflexão sobre esses fatos e para
preservar a nossa memória ancestral?

Por Carmem Lúcia (Carminha), Joab Jó e Helena Zumboa

Anexo 2:

Brasil, 500 Danos

Fala-se 500 anos de resistência negra, indígena e popular. Porém quem
são os negros, quem são os indígenas, quem são os populares? Que
resistência nos é proposta quando também se fala: O Brasil, agora são
outros 500?!
Resistência a quê?
Resistência a quem?
500 anos de quê?
500 anos de quem?
Quem são os negros, quem são os índios, quem são os brancos?...
Aliás, brancos não, populares.
Afinal, o que são populares, quem são populares?
O que é popular, quem é popular?
Afinal de contas, o que nos propõe tudo isso?
Nós do Pernamocambo não sabemos.
Sabemos o que já propomos e o que estamos a propor:

Brasil 500 Danos
Ano do Branco: de 20 de abril de 1999 a 22 de abril de 2000
(fundamentado no Dia do Branco, instituído por nós em 20 de abril de
1997)
Brasil 500 Danos
Desocupação Ano I ; 500 anos e 1 desocupado
De 22 de Abril de 200 a 22 de abril de 2001

Brasil 500 Danos
Invasão não!
Desocupação sim!

Joab Jó
Pernamocambo

INFORMES DO AMAZONAS
Foi com muita alegria que soubemos da existência de um grupo libertário
em Manaus. Desde já convidamos esse grupo a se somar aos esforços de
construção do Encontro N-NE. Reproduzimos aqui a carta enviada pela ULA
ao amigo Moésio da ANA (Agência Anarquista de Notícias)...
 Saudações amigo Moésio. Por aqui estamos indo, espero encontrá-lo com
muita força e saúde. Obrigado por todo material que mandou, gostamos de
tudo, você nos parece ser um ótimo companheiro.
Bem,  a União Libertária Ativista (ULA) foi criada em outubro de 1999,
quando fizemos uma reunião, sendo um coletivo Anarcopunk. Fazemos
diversas atividades, que vão desde manifestações até shows beneficentes.

Estamos vendo se conseguimos nos "infiltrar" em associações
comunitárias. No momento, a sede da ULA é provisória... Mantemos na sede

um grupo de estudos, uma pequena biblioteca anarquista e organizamos
"mesas redondas", onde debatemos assuntos referentes às idéias
anarquistas. Também copiamos materiais e distribuímos para o pessoal,
para que leiam e depois discutam, é praticamente assim que funciona a
sede.
Talvez em junho de 2001 organizemos um encontro, mas não temos data
definida ainda. Serão três dias, já temos o local para o encontro e
estamos providenciando as acomodações. A idéia é realizar
palestras/debates, exposições, capoeira, técnicas de relaxamento
corporal etc. Participarão representantes indígenas. Terá, é claro,
espaço aberto para os participantes de outros estados, caso queiram.
Está nos dando uma força um companheiro (que falará no encontro sobre o
anarquismo no amazonas, desde 1910, com o surgimento de um jornal
editado por um tipógrafo português), o Jorge Bandeira, professor de
filosofia e de história das artes. Ele fazia um informativo, em 93/95,
chamado "bakuníndio" e fazia parte também de um grupo de estudos
libertários.
Amigo, desde já está convocado para estar aqui conosco, em janeiro
estaremos enviando os convites para "oficializar" a divulgação entre os
coletivos e indivíduos libertários, e como fazer para chegar aqui.
Vou ficando por aqui aguardando respostas.
Abraços libertários dos companheiros da ULA
 Júnior (ULA)
CP 951 Manaus - AM  CEP 69.010-970

O PARAMILITARISMO COMO PARTE DA ESTRATÉGIA DE CONTRA-INSURGÊNCIA NO
ESTADO EM CHIAPAS



 "A política do governo em relação ao conflito de Chiapas corresponde a
uma clara estratégia de contra-insurgência definida em vários planos,
como o econômico, o social, o religioso e o militar. Este último
canalizado fundamentalmente pelos grupos paramilitares. Estes grupos
constituem um vetor taticamente útil para realizar o 'trabalho sujo' da
guerra de contra-insurgência..."
"Sua forma de ação se orienta a intimidar a população civil, não apenas
zapatista ou a suas bases de apoio, mas todas as partes ainda não
comprometidas a fim de levar a situação a um nível que obrigue ao
posicionamento. Hostilizando e expulsando partes opositoras, arrombando
e incendiando suas casas, violando as mulheres e golpeando as crianças,
emboscando e assassinando nos caminhos, criam um clima de terror que,
por um lado, provoca êxodos da população aterrorizada e, por outro,
pressionam para aumentar o recrutamento de novos membros para o grupo
paramilitar. Para aumentar o clima de insegurança e terror, difundem
notícias falsas e ameaçam aqueles que denunciarem suas agressões ou
planos de ação. Simultaneamente, oferecem segurança, armas, o prestígio
que fornece na comunidade a posse de uma arma de fogo e emprego àqueles
que se juntem aos corpos paramilitares."

(Héctor Luis Saint-Pierre, em "Formas Contemporâneas de Violência
Política", 1999)



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